A VOLTA DO ATESTADO DE IDEOLOGIA

anúncio de empregoO Indeed.com é um site de busca por empregos que está disponível em mais de 50 países. Hoje o site publica o anúncio de uma oferta de emprego de assistente administrativo para trabalhar em Curitiba, onde localiza-se a empresa que quer contratar o profissional. Além das exigências comuns, como escolaridade, experiência e conhecimentos específicos, causa espécie uma exigência estapafúrdia feita pela empresa: os pretendentes ao emprego devem dizer em que candidatos votaram nas duas últimas eleições (2014 e 2016). Qual o peso que essa exigência poderia ter na escolha de um profissional?

O problema é que, nos tempos de fascismo em que vivemos, onde jogar pedras em museus,  incendiar templos religiosos, matar uma vereadora e dar tiros em oponentes viraram “argumentos políticos”, a exigência da empresa faz lembrar o famigerado atestado de ideologia, dos tempos da ditadura militar. O atestado de ideologia era um documento expedido pelo DOPS (Departamento de Ordem Social e Política), que afirmava que a pessoa não era adepta de ideologia contrária às instituições. Uma forma de discriminar e excluir quem pensasse diferente. Quem não tivesse o atestado negativado, com certeza seria considerado um “subversivo em potencial”. Parece que a exigência da empresa vai por esse mesmo caminho.

Evidentemente, a preferência política será um critério de escolha por parte da empresa. Será que quem votou na Dilma em 2014 se insurgirá contra a reforma trabalhista e não será bom para a empresa? E quem votou no Aécio? Ah, esse é a favor da reforma trabalhista e, portanto, interessa à empresa? O que se pretende com a declaração da preferência política de alguém que procura um emprego?

Será que o atestado de ideologia voltou? Pior: a empresa que quer saber a preferência política de quem vai contratar situa-se na “República Judiciária Independente de Curitiba”. Xiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii………………………………………………………….

TUCANO PRESO. SERÁ?

eduardo azeredoEduardo Azeredo, o tucano criador do mensalão, já é considerado foragido. Ontem, o último recurso apresentado pela defesa foi negado e seu mandado de prisão foi expedido pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Em um dos processos mais morosos de que se tem notícia no judiciário brasileiro, que quase chegou a prescrever, a prisão do ex-senador e ex-Governador de Minas Gerais do PSDB foi decretada. O mensalão tucano é de 1998, bem anterior ao mensalão em que os petistas estiveram envolvidos. Porém, todos os petistas envolvidos já foram condenados e presos. Enquanto isso, o tucano Azeredo deu um verdadeiro “olé” na Justiça que, a nosso ver, também nunca teve o menor interesse em puni-lo.

É inegável que o Judiciário de um modo geral, em se tratando de julgamento de políticos, tem um “viés tucano”. Sérgio Moro não é o único exemplo. Até mesmo os veículos de comunicação anti-petistas tiveram que admitir que “tucano nunca era punido”. Azeredo chegou a um patamar do processo judicial idêntico ao de Lula, ou seja, foi condenado em segunda instância, o que, claramente, viola o artigo 5° da Constituição Federal. Porém, o Supremo Tribunal Federal, que deveria ser o guardião da Constituição, criou uma jurisprudência que viola a própria Carta Magna. E com um placar de 6 X 5. Sendo que uma ministra que votou pela prisão em segunda instância afirmou ser contra a mesma. O próprio senador tucano Cássio Cunha Lima chegou a apresentar um projeto de lei que muda o conceito de trânsito em julgado, para que o mesmo fosse considerado a partir da segunda instância. Parece que tudo só para prender o Lula. O conceito de trânsito em julgado que hoje conhecemos data de 1942 e esteve presente em todas as Constituições a partir da de 1946.

Com toda certeza, Cássio Cunha Lima, ao apresentar o projeto, apostava pesado na impunidade dos tucanos, especialmente do Azeredo, que foi condenado depois dos “45 do segundo tempo, já na prorrogação”, antes do processo prescrever.

Mas algumas perguntas ainda cabem no julgamento final e pedido de prisão de Azeredo: Primeiro: Por que não houve ameaça de general, como houve no julgamento que definiu a prisão de Lula?

Segundo: Por que não houve jejum político-espiritual de promotor, como houve no julgamento que definiu a prisão de Lula?

Terceiro: Por que nenhum juiz, querendo aparecer, pediu a Eduardo Azeredo que devolvesse seu passaporte, como fizeram com Lula quando nem condenado ele era ainda?

Quarto: Como consequência da pergunta anterior, onde está Eduardo Azeredo? 

PS: Pouco depois das 15 horas e 30 minutos chegou a notícia de que Eduardo Azeredo entregou-se. Ele entrou para a história. É o primeiro tucano preso envolvido no mensalão.

 

CIA E O RIOCENTRO

atentado ao riocentroUm documento da CIA revelado recentemente mostra que o atentado do Riocentro, no qual dois militares do DOI-CODI tentaram explodir duas bombas para matar milhares de pessoas e culpar a esquerda, foi mesmo foi mesmo organizado pelos militares e não por grupos de esquerda.  O frustrado atentado aconteceu no dia 30 de maio de 1981, véspera da comemoração do Dia do Trabalhador. No local, realizava-se um show comemorativo do Dia do Trabalhador e a ideia era matar milhares de pessoas e culpar grupos de esquerda. Só que a bomba explodiu antes do tempo, no colo dos terroristas.

Os dois militares do DOI-CODI que estavam no carro onde a bomba explodiu eram o sargento Guilherme Pereira do Rosário (que morreu com a explosão) e o capitão Wilson Luís Chaves Machado. 37 anos depois, está mais do que comprovado que esses dois militares não foram vítimas e sim bandidos em uma missão de terrorismo de Estado. Mas ainda chama a atenção um detalhe: eles, certamente, não eram meros “lobos solitários” e não planejariam por conta própria um atentado de tal magnitude.

Na verdade, essa revelação do documento da CIA não nos causa qualquer surpresa. Assim como outros já revelados anteriormente que comprovam o envolvimento direto dos ditadores Médici e Geisel em assassinato de opositores (e não estamos falando de guerrilheiros!). Por isso, ficará sempre a grande suspeita de os dois militares terroristas estarem a serviço do governo. Até porque, como não há mais dúvidas, a “solução final” dos governos da ditadura militar era mesmo o extermínio de opositores (e não estamos falando de guerrilheiros!) O próprio SNI, na ocasião, tentou encobrir o caso, o que significa uma mostra muito clara do envolvimento de agentes públicos a serviço do terrorismo de Estado no fracassado atentado.

Um dos terroristas ainda pagou com a própria vida. Mas o outro e os possíveis e prováveis envolvidos jamais foram punidos. Militares de alta patente, como o general Newton Cruz, souberam do atentado antes da ação malograda dos terroristas.  O que mostra que o sargento e o capitão não estavam sozinhos. O sargento morreu e o capitão, além de não pagar pelo crime, ainda chegou ao posto de coronel! Esse país ainda tem muito, muito o que ser passado a limpo. E, na história, não cabem recursos. No máximo, “embargos protelatórios”

 

CAMINHONEIROS E A MOÇA SURTADA

caminhoneiros contra dilma

preço da gasolina rio de janeiro

Os caminhoneiros marcaram para esta segunda-feira, 21 de maio, um protesto em que várias entidades representativas da categoria prometem fechar diversas rodovias. Protestos em rodovias no Rio de Janeiro, São Paulo, Distrito Federal e diversas outras partes do país, incluindo o sistema Anchieta-Imigrantes, que liga São Paulo à Baixada Santista, estão programados. Os protestos afetariam, inclusive, a entrada ao porto de Santos.

Na verdade os caminhoneiros, como muitos outros, estão colhendo os frutos daquilo que apoiaram em 2016 quando, enebriados pela mídia golpista e iludidos com a ideia de que a saída de Dilma melhoraria suas situações, acabaram entrando no jogo dos golpistas. O preço dos combustíveis vem tendo aumentos tão absurdos que, sem dúvida, acabará se tornando uma arma eleitoral tanto para o PT como para outros partidos que fazem oposição ao governo ilegítimo, golpista e corrupto de Temer.

Os protestos de hoje têm como principal causa o preço do combustível que, segundo as entidades que representam os caminhoneiros, representa 42% dos custos de suas atividades. A Associação Brasileira de Caminhoneiros (ABCam) divulgou uma nota onde afirma que “o aumento constante dos preços nas refinarias e dos impostos que recaem sobre o óleo diesel tornou a situação insustentável para o transportador autônomo.” Ou seja, os caminhoneiros também sentem na pele a opressão tributária do governo Temer. Isso é natural. Afinal, como Temer pagaria os deputados comprados para o livrar de duas denúncias da PGR?

O protesto dos caminhoneiros é legítimo. Mas, ao mesmo tempo, eles procuraram essa situação ao respaldarem o golpe de 2016. A verdade é que, com o governo golpista de Temer, o preço dos combustíveis atingiu uma máxima histórica. O litro da gasolina, por exemplo, já está batendo na porta dos 5 reais. Em alguns estados, como o Rio de Janeiro, ela fica mais cara ainda, por conta dos impostos estaduais.

Agora lembro da Taís Helena. Taís Helena é aquela moça que, em 2015, durante o governo Dilma, surtou em um posto de gasolina em Caxias do Sul porque o preço do litro havia chegado a 2,80. Ela gritou, para todo o Brasil, em um vídeo que se tornou o ícone do ridículo, para que “ninguém abastecesse que o país iria parar.” Bem ao “estilo Aécio.” Em seu “ataque de pelanca”, a dona Taís Helena até invocou os caminhoneiros, dizendo para que “eles parassem, que iria faltar comida na mesa dos brasileiros”. Hoje, a gasolina já até passa dos 5 reais e a dona Taís Helena está adormecida em berço esplêndido. Conselho aos caminhoneiros e à dona Taís Helena: juntem-se e vão bater panelas na porta do Jaburu!

PARTIDO NOVO LANÇA ESPIÃO DOS EUA

chequer novochequer sociedadeLembram do Rogério Chequer? É o cara que, por algum tempo, foi tido como uma grande celebridade política pela mídia golpista, especialmente pela revista Veja. Chequer é o fundador e líder da organização direitista Vem Prá Rua, um dos movimentos que  levou os patos amarelos às ruas apoiando o golpe contra a ex-presidente Dilma. Rogério Chequer agora está no Partido Novo, uma espécie de “PSDB genérico” e que defende toda a pauta do governo golpista, como privatizações, reforma da previdência, reforma trabalhista, retirada de direitos de servidores públicos, corte de gastos em educação e saúde. O Partido Novo defende, também, os interesses do grande capital, visto que o presidente do partido, João Amoedo, é banqueiro.  Chequer agora é, oficialmente, candidato a Governador do Estado de São Paulo pelo Partido Novo.

Mas a atuação de Chequer vai muito além dos muros tupiniquins. Ele viveu por alguns anos nos Estados Unidos e lá tornou-se sócio de um bilionário chamado Robert Citrone. Rogério Chequer responde a um processo nos Estados Unidos, onde é réu de uma ação movida pelo seu ex-sócio.

Mas a grande atuação de Chequer foi como espião dos Estados Unidos. Ele foi, por algum tempo, informante da Stratfor, um tentáculo privado da CIA. A Stratfor é uma organização especializada em fomentar e aplicar golpes de estado em governos que não desfrutam da simpatia da Casa Branca. A Stratfor, aliás, tem uma lista de histórias obscuras e que merecem esclarecimento. Afinal, Rogério Chequer trabalhou para a empresa e seu partido, o “Novo”, prega a “transparência”. Uma das obscuridades em que a empresa de espionagem para a qual Chequer trabalhou está envolvida,  diz respeito à utilização de hachers usados pelo FBI no Brasil. Mas já que o Partido Novo é transparente, esperamos que ele esclareça essas obscuridades em que esteve envolvido.

No meio de tudo isso vem a eleição para Governador de São Paulo. Chequer, o espião dos Estados Unidos, é candidato. Será que teremos um “watergate” lá pelas bandas do Tietê?

 

 

COXINHAS PARA ALÉM DO INFINITO

dólarsinal de igualpiEm 2014, quando a cotação do dólar chegou à marca de R$ 2,40 os coxinhas,  então eleitores do Aécio, começaram a dizer que, naquele ritmo, o valor da moeda norte-americana atingiria o valor de pi. Pi é a razão entre o comprimento de uma circunferência e seu diâmetro. Foi uma pena que o vaticínio dos eleitores do playboy do pó não se concretizou do modo como imaginávamos. Afinal, pi é um número constante e vale, aproximadamente, 3,14. Na verdade, ele possui infinitas casas decimais mas, em se tratando de dinheiro, só temos duas casas decimais.

Se o dólar chegasse mesmo ao valor de pi, ou seja R$ 3,14, atingiríamos uma estabilidade cambial que nos permitiria planejar qualquer coisa a qualquer prazo. Um dos tripés da macro-economia, que é o câmbio, deixaria de queimar a mufa dos governos. Já pensaram em planejar uma viagem ou uma compra internacional para daqui a 10 anos tendo a certeza de que o preço do dólar ficará estável? E as especulações financeiras, uma praga que atormenta a economia? Ah, não existiriam mais. Simplesmente, o valor do dólar seria o mesmo para sempre e quem sabe, um dia, a nossa moeda podeira até ultrapassá-lo.

Mas será que os coxinhas se lembram de um detalhe? No dia 26 de janeiro deste ano, uma sexta-feira, o dólar chegou ao valor de pi, ou seja, foi cotado a R$ 3,14. Esta data deveria entrar para a nossa história, visto que a previsão dos oráculos dos coxinhas finalmente se realizou. Então, fiz uma compra em dólares, visto que pi é um número constante e, claro, parei de acompanhar a cotação da moeda da terra do Trump. Minha dívida, claro, não iria crescer.

Hoje  o dólar chegou a R$ 3,73. Mas como? O número pi cresceu? O infinito é mais longe do que pensávamos? Ou está concretizada uma revolução na matemática? Os coxinhas são fodas mesmo! O ódio dos “febres amarelas” faz as figuras terem delírios que vão além do infinito…

MESSINA, BENJAMIN E NAPOLEÕES

paulo messinacesar benjaminConheci Paulo Messina pessoalmente  em 2012. Ele era vereador e pertencia à Comissão de Educação da Câmara Municipal. Na época, eu trabalhava na Escola Municipal Castelnuovo, na rua Francisco Otaviano, no Arpoador. Messina, então em visita à nossa escola, era o porta-voz de uma proposta que consistia em retirar a nossa escola do local e mudá-la para outro endereço, ali mesmo na Francisco Otaviano. Pela proposta, a escola iria ocupar um outro prédio que até então estava abandonado e no qual seriam feitas obras. Claro que a escola recusou a proposta. Não sei se Messina se lembra, mas cheguei a fazer uma contra-proposta: que a escola fosse mantida onde estava e que no tal prédio abandonado fosse construído um centro interescolar, para atender alunos das escolas municipais da região, como os que existiam, por exemplo, nos anos 1970. Depois disso nunca mais o vi. E, até quando eu trabalhei na Escola Castelnouvo, no final de 2015, Messina nunca mais nos visitou. Hoje, a Escola Castelnuovo ali permanece, desde 1966, quando foi inaugurada. Quanto ao prédio abandonado, nele foi construída uma filial do Hotel Arena. Não sei se a intenção era construir o hotel onde está a escola. Parece que isso jamais saberemos. Com que intenção, afinal, Messina nos levou aquela proposta em 2012?

Nesse final de semana, estourou a notícia da briga entre Paulo Messina, hoje chefe da Casa Civil do governo Crivella, e César Benjamin, Secretário de Educação. Benjamin acabou demitindo-se, depois de dizer que não aceitava ser destratado por Messina, a quem chamou de “Napoleão de Hospício”. Segundo Benjamin, Messina estaria minando a sua gestão à frente da Secretaria de Educação. Um dos pilares desse conflito seriam os contratos emergenciais feitos por Benjamin para a reforma de escolas. Esses contratos, como sabemos, dispensam licitações e teriam sido fechados para as reformas de 128 escolas, num total de 200 milhões a serem gastos. Não tive acesso aos números, mas tenho algum conhecimento das condições das escolas municipais, onde trabalhei por 30 anos. São mais de mil escolas. Muitas em condições precárias. Muitas faltando quase tudo. 128 escolas representam pouco mais de 10% da rede. 200 milhões a serem gastos emergencialmente com elas representaria uma média aproximada de 1 milhão e 500 mil por escola. Em se tratando de emergência e se educação é mesmo prioridade, nenhum absurdo. Os contratos, claro, serão analisados pelo Tribunal de Contas. Contra o que, afinal, Messina insurgiu-se?

Hoje chegou a notícia de que César Benjamin voltou atrás e reassumiu a Secretaria de Educação. Não estou interessado na briga entre os secretários do pastor. Mas, se Benjamin voltou, é porque as 128 escolas devem mesmo passar pelas reformas e, consequentemente, os 200 milhões serem liberados. Para o bem de alunos e professores. Porque, se não for para isso, e apenas para se submeterem ao “clero pentecostal”, então serão dois os “Napoleões de Hospício”