APROVAÇÃO DO GOVERNO BOLSONARO DESPENCA

governo em queda livrePesquisa Ibope divulgada nesta quarta-feira, 20 de março, mostra que a aprovação do governo Bolsonaro caiu 15 pontos em relação a janeiro. Se no mês da posse 49% dos brasileiros consideravam o governo “ótimo” ou “bom”, esse percentual caiu para 34% em março. No mesmo período, aqueles que classificavam o governo como “ruim” ou “péssimo” subiu de 11% em janeiro para 24% em março, o que mostra que a avaliação negativa do governo de extrema-direita mais do que dobrou em apenas dois meses. A pesquisa Ibope ouviu 2002 pessoas entre 16 e 19 de março e o índice de confiança da mesma é de 95%.

Sem programa, sem diálogo com a sociedade, com clichês que fomentam ódio e mostrando total despreparo, inclusive psicológico, para o cargo que ocupa, Jair Bolsonaro consegue, em pouco tempo de governo, liquidar o capital político que possuía por absoluta incompetência e por querer fazer de seu governo um foro revanchista. Nenhum projeto para as grandes questões do país. Ataques a jornalistas, professores, servidores públicos e adversários políticos. Envolvimento da família em escândalos e associação com quadrilhas de milicianos. Filhos derrubando ministros e governando de fato. Falta total de articulação com o Congresso e um partido com várias evidências de candidaturas laranjas, com posterior desvio de verbas do fundo eleitoral. Entrega do país ao estrangeiro e subserviência ancilar aos Estados Unidos. Traição a aliados, inclusive ruralistas, ao liberar o mercado do trigo aos Estados Unidos. Traição aos brasileiros que trabalham nos Estados Unidos só para bajular Trump. Agenda temerária de política externa. Assim podemos resumir o que foram os primeiros meses do desastroso governo Bolsonaro. A “boca do jacaré”, como se fala na gíria da leitura de gráficos, está se abrindo e o tal “mito” está mostrando que, realmente, nunca passou de um “mito”. Porque a realidade é bem distante do discurso ao mesmo tempo moralista e odioso que o elegeu. Porque a realidade de ser estadista é tentar aglutinar e não separar. Porque a realidade de ser Presidente de todos é bem diferente de ser o candidato de alguns. Porque a realidade de governar é bem diferente de vociferar ódios, recalques e vinganças…

 

ERNESTO BARRADO NO BAILE

ernesto barrado no baile

Na foto: Trump, Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro na Casa Branca. Cadê o Ernesto? (Crédito da foto: Alan Santos).

Se Araújo tivesse alguma fibra, ele pediria para deixar o cargo.” (Jornalista Miriam Leitão).

No festival de vexames e servilismo que marcou a ida de Bolsonaro e sua trupe aos Estados Unidos, um episódio lamentável, com ingredientes de baixaria, marcou o evento mais importante da visita, ou seja, a conversa com Trump no Salão Oval da Casa Branca. E aí a “prolecracia”, nova forma de governo criada por Bolsonaro, mais uma vez deu o tom do enredo. Enquanto no Brasil Carlos Bolsonaro, o tuiteiro, assumia a Vice-Presidência, tocando a agenda do pai e dando uma rasteira no general, nos Estados Unidos o outro filho, Eduardo Bolsonaro, assumiu o papel de Ministro das Relações Exteriores e deu uma rasteira no chanceler Ernesto Araújo. Isso porque, na prática, quem assumiu o posto de chanceler “de fato” foi o filho de Bolsonaro. Prova disso é que o próprio Ernesto Araújo foi preterido por Eduardo Bolsonaro na conversa privada com Trump. Isso mesmo: o chanceler brasileiro foi “barrado no baile” e, em seu lugar, Eduardo Bolsonaro participou da conversa privada com Donald Trump. Ernesto Araújo não chegou nem perto da porta.

Jornalistas brasileiros que cobriram a visita afirmam que Ernesto Araújo teve um chilique por ter sido barrado da conversa privada com Trump. Segundo testemunhas, o ataque de fúria de Ernesto Araújo aumentou quando ele soube do comentário da jornalista Miriam Leitão que afirmou que “se Ernesto Araújo tivesse alguma fibra, ele deixaria o cargo.” As mesmas fontes dão conta de que Paulo Guedes foi que tentou acalmar Ernesto Araújo após a humilhação sofrida.

Ernesto Araújo é da escola “olavista” e foi indicado para Ministro das Relações Exteriores pelo “astrólogo-guru”. Do jeito que Olavo de Carvalho é barraqueiro, não resta dúvida de que, com seu vocabulário chulo e escroto, o astrólogo deverá falar alguma baixaria em defesa de seu pupilo. Ainda não sabemos se o astrólogo tomou conhecimento da humilhação a que a “prolecracia” bolsonarista submeteu o seu protegido.

Será que Bolsonaro não queria que Ernesto ofuscasse sua presença? Sim, porque Ernesto Araújo fala o inglês fluentemente, enquanto Bolsonaro mal sabe se expressar em português. Certamente a presença de Ernesto Araújo poderia tornar Bolsonaro um mero assistente de um diálogo entre Ernesto e Trump. É apenas uma hipótese.

Ernesto Araújo não foi o primeiro ministro a ser humilhado por esse governo. Sérgio Moro que, segundo Bolsonaro, teria “carta branca” em seu Ministério, não pôde nomear uma suplente de um Conselho. E Moro entubou. Mas no caso de Moro até entendemos. Se Moro sair do governo, fica desempregado. Ele terá que engolir todas as humilhações até ser nomeado Ministro do STF. No entanto, Ernesto Araújo é diplomata de carreira e não precisa ser um penduricalho decorativo do governo Bolsonaro. Então, se Ernesto Araújo tiver alguma fibra, deve mesmo deixar o governo e voltar a se consultar com o astrólogo de Richmond.

 

 

A WEB POR TRÁS DE SUZANO

deep webPor detrás do massacre de Suzano estão a “deep web” e a “dark web”, campos da internet de difícil acesso. E, nesse campo tenebroso da internet está o site que inspirou os assassinos. Trata-se do Dogolachan, sobre o qual já tivemos a oportunidade de comentar. Faltava apenas identificar a pessoa responsável pelo Dogolachan, um site que difunde o ódio e a violência contra negros, mulheres, nordestinos, homossexuais e militantes de esquerda. O nome do terrorista responsável pelo site é nosso velho conhecido: trata-se de Marcello Valle Silveira Mello, um brasiliense de 33 anos que confessou que, desde a infância, odeia mulheres. Sobre esse delinquente, já tivemos a oportunidade de escrever alguns artigos e aí vão os links:

https://pedropaulorasgaamidia.com/2018/05/12/nazista-criador-da-bolsocoin-e-preso/

https://pedropaulorasgaamidia.com/2019/01/27/o-homem-sancto/

Marcello já criou vários sites de disseminação de ódio e incitação à violência e já foi preso várias vezes. Foi ele que criou a famigerada “Bolsocoin” que, segundo o próprio, era uma “moeda virtual inspirada em Jair Bolsonaro.” Orgulhava-se de ter sido o criador daquilo que chamou “a primeira moeda virtual da extrema-direita brasileira.” Ele foi o administrador do Dogolachan até o ano passado, quando foi novamente preso. A partir de então, um tal de “DPR” tornou-se o administrador do site criminoso.

Marcello tem uma extensa folha corrida de crimes pela internet. Foi ele que ameaçou com bombas a Universidade de Brasília e, recentemente, descobriu-se que foi a pessoa que ameaçou o ex-deputado Jean Wyllys. Ele já chegou até a oferecer recompensa para quem matasse Jean Wyllys. Foi na página do Dogolachan que o massacre de Suzano foi comemorado e os assassinos considerados “heróis”.

A prisão de Marcello e a investigação do Dogolachan pela Polícia não serão suficientes para travar esse clima de intolerância que tomou conta do país há algum tempo. Um Presidente da República foi eleito movido por muitos dos ódios disseminados nesses sites subterrâneos. As ferramentas do ódio hoje são, infelizmente, muitas.

Nos sites que criava, a Polícia Federal descobriu que Marcello defendia a legalização do estupro e da pedofilia. Defendia ainda o estupro corretivo para lésbicas e ainda mandava postagens como: “seja homem: mate uma mulher hoje” e ainda dizia que mataria “vadias e esquerdistas.” Mas, enquanto isso, o povo do “deep WhatsApp” acreditava mesmo é em kit gay e mamadeira de pênis

 

A REGÊNCIA DE CARLOS BOLSONARO

carlos o regente“Com o pai nos Estados Unidos, Carlos Bolsonaro cumpre agenda em Brasília e vive dia de Presidente. (Revista Forum, 19 de março de 2019).

Manhã de segunda-feira, 18 de março de 2019. Enquanto o Presidente da República, Jair Bolsonaro, viajava para os Estados Unidos para vender o Brasil e demonstrar toda sua subserviência a Trump, seria natural que o Vice-Presidente, Hamílton Mourão, assumisse interinamente a Presidência. Mas desde o primeiro dia de janeiro que o Brasil vive um novo regime político: a “prolecracia”. Ao seguir para os Estados Unidos, Jair Bolsonaro deixou como “regente” de sua dinastia o seu filho Carlos, o tuiteiro. Sim, passaram a perna no general que, além de nem ter assumido como interino, ainda estava sendo “frito” nos Estados Unidos pelo “astrólogo-guru de Carvalho”.

Carlos Bolsonaro é vereador do Rio de Janeiro. O que ele fazia na segunda-feira pela manhã em Brasília? Por que ele não foi cumprir com o seu horário de trabalho na Câmara Municipal do Rio de Janeiro? Porque, como vereador da cidade, era no Rio de janeiro que ele deveria estar, cumprindo o expediente na Câmara Municipal. Ele visitou o Congresso, na companhia de um assessor da Casa Civil e, depois, foi para o Palácio do Planalto. Ao ser questionado sobre o motivo de sua presença em Brasília, Carlos respondeu:

“Desenvolvendo linhas de produção solicitadas pelo presidente Jair Bolsonaro.”

Porém, ao que nos consta, a Constituição de 1988 ainda vigora e, em seu artigo 79 está previsto que o Vice-Presidente, em casos de impedimento ou ausência do Presidente, assumirá a Presidência. A linha de sucessão é clara: se o Vice-presidente não estiver, assumem a Presidência da República o Presidente da Câmara dos Deputados, o Presidente do Senado e o Presidente do Supremo Tribunal Federal. Nem no governo golpista de Temer haviam “regentes”. Sim, porque o que aconteceu foi que Bolsonaro deixou um “regente” em seu lugar enquanto ia lamber as botas de seu chefe nos Estados Unidos.

Carlos Bolsonaro já derrubou Ministro. Agora, assumiu interinamente a Presidência da República para desenvolver as “linhas de produção” do pai. Pensávamos que a última pessoa a ocupar o governo do Brasil na condição de regente tinha sido a Princesa Isabel quando, em 1888, assinou a Lei Áurea na ausência de seu pai, o Imperador D. Pedro II. Agora, voltamos a ter um novo regente do Brasil: Carlos, o tuiteiro. E o Vice-Presidente? Bem, parece que o general, como dizia Jânio Quadros, continuará tendo uma sala, uma mesa e uma cadeira.

 

FOI À CIA FAZER O QUÊ?

bolsonaro na cia“Bolsonaro foi à CIA fazer o quê? Trocar informações? Pedir ajuda? Bolsonaro deve satisfações ao país.” (Ricardo Noblat, jornalista, sobre a ida de Bolsonaro à CIA).

Bolsonaro mentiu ao dizer que, ao ser hospedado no Blair House, desfrutou de uma honraria concedida a poucos Chefes de Estado. Mentira. FHC, Lula e Dilma também ficaram hospedados no Blair House. No entanto, é verdade que foi o primeiro presidente brasileiro a visitar a CIA. E é aí, exatamente, que mora o perigo. O que Bolsonaro foi fazer na CIA? Principalmente porque sua ida à agência de espionagem norte-americana não constava na agenda oficial de compromissos. Oficialmente, a visita estaria ligada a assuntos como combate ao narcotráfico, terrorismo e lavagem de dinheiro. Narcotráfico? O Aécio, por exemplo, estaria em pauta? Terrorismo? A apreensão dos 117 fuzis do miliciano vizinho, por exemplo, estaria em pauta? Lavagem de dinheiro? O Queiroz, por exemplo, estaria em pauta?

A CIA não é um museu. A CIA é uma central de inteligência e espionagem, que foi fundada exatamente no início da Guerra Fria pelo então presidente Truman. A CIA foi responsável, inclusive, pelo desenvolvimento de técnicas de tortura. Nada demais para um visitante que tem como ídolo o torturador Brilhante Ustra. O que a CIA tem, evidentemente não iria mostrar a Bolsonaro: informações secretas. Então, segue a pergunta: o que Bolsonaro foi fazer na CIA?

Na patuscada que aconteceu antes da visita à CIA, o astrólogo Olavo de Carvalho, juntamente com o ex-estrategista de  Trump, Steve Bannon, criticou a atuação do Vice-Presidente Hamílton Mourão, acusado de “ser uma voz dissonante nos primeiros cem dias de governo”. No regabofe, com direito à presença de um “ex-futuro-super-ministro” Sérgio Moro, que não tem poder nem mesmo para nomear uma suplente de conselho, viu-se o ex-herói de Curitiba virar pó. Diante de um astrólogo que já afirmou, em uma de suas “aulas”, que para se destruir ideias, deve-se destruir as pessoas e não seus pensamentos, Moro, que já foi esculachado por ele, teve que elogiá-lo. E, no cardápio da patuscada, o assunto girou em torno do “anticomunismo”. Falou-se em “revolução”. Moro, que de “super” nada tem, ainda teve que puxar o saco do Olavo, que um dia já o detratou nas redes sociais. Aliás, ver Moro tendo que bajular Olavo de Carvalho não tem preço. O ex-herói de Curitiba chegou até a se dizer “leitor” de Olavo e elogiou uma de suas obras. A que ponto Moro chegou por uma vaga no STF!

Com um cardápio farto de discursos “anticomunistas” e a consequente visita à CIA, tudo leva a crer que Bolsonaro não foi lá apenas para ver paredes. Porque documentos ele não iria mesmo ver. A CIA cheira a espionagem, a macartismo, a traição. Como todo órgão de espionagem, vive da sujeira e é capaz de qualquer coisa por informações. Como qualquer órgão de informação, a CIA precisa de informantes. E não temos dúvida de que Bolsonaro, pela sua subserviência absurda a Trump, aceitaria acrescentar mais esse papel ridículo em sua folha corrida. Mas, se ele não for um candidato a informante, então o que ele foi fazer lá? Será que foi negociar com a CIA, para que o órgão de espionagem norte-americano não divulgue mais documentos que comprovam assassinatos a opositores cometidos pelos governos brasileiros da ditadura militar, em troca da Base de Alcântara, do pré-sal e da Amazônia? Fazemos coro com o Noblat: o que Bolsonaro foi fazer na CIA?

AUMENTA REJEIÇÃO A BOLSONARO

ele nãoO nível de rejeição ao governo ultra-direitista de Jair Bolsonaro vem aumentando. A avaliação negativa cresceu 7 pontos em apenas um mês. É o que mostra os resultados da pesquisa XP/Ipespe, realizada entre os dias 11 e 13 de março. De acordo com o levantamento realizado, o percentual daqueles que consideram o governo “ótimo” ou “bom” caiu de 40% para 37%. Já as avaliações negativas, ou seja, os que consideram o governo “ruim” ou “péssimo”, teve o percentual elevado de 17% para 24%.

É necessário esclarecer que os dados da pesquisa mostram que o nível de aceitação do governo Bolsonaro, se comparado com outros presidentes eleitos, é o mais baixo de todos, considerando-se o mês de março. Collor, Fernando Henrique, Lula e Dilma tinham níveis de aprovação bem mais elevados do que os alcançados por Bolsonaro na mesma época, ou seja, pouco mais de dois meses após a posse. A continuar nessa evolução, antes mesmo da metade de seu mandato Bolsonaro conseguirá a façanha de tornar-se mais rejeitado e impopular do que o golpista Temer.  O gráfico abaixo nos mostra a evolução da avaliação do governo de extrema-direita desde o dia 19 de janeiro, em comparação com a avaliação feita com os últimos oito meses do governo golpista de Temer:

pesquisa xp bolsonaro

Além do aumento da avaliação negativa, também aumentou o número daqueles que parece não verem perspectivas de melhoras no governo Bolsonaro. A pesquisa XP/Ipespe mostra que as expectativas em relação ao restante do mandato de Bolsonaro (aproximadamente 3 anos e 9 meses) caíram pelo segundo mês consecutivo. Se em janeiro, mês da posse, 63% dos brasileiros esperavam uma gestão “ótima” ou “boa”, esse percentual caiu para 60% em fevereiro e agora despencou para 54%. Em contrapartida, o percentual dos que esperam um restante de governo “ruim” ou “péssimo”, que era de 15% em janeiro e fevereiro, subiu para 20% em março, conforme mostra o gráfico:

pesquisa xp expectativa A pesquisa ouviu 1000 entrevistados por telefone em todas as regiões do Brasil e o nível de confiança é de 95,45%. Evidentemente os resultados da pesquisa são péssimos para um Presidente em início de governo e que detinha um expressivo capital político. Porém, desde a transição percebia-se que o governo seria problemático. Ameaças à imprensa, uma política externa temerária, escândalos de candidaturas laranjas envolvendo inclusive seus ministros, escândalos financeiros envolvendo sua família no caso Queiroz, associação de sua família com quadrilhas milicianas fizeram a tal máscara da “moralidade e combate à corrupção” cair muito cedo. Acrescente-se o fato de Bolsonaro ter sido eleito sem qualquer projeto para o país e parecer estar, permanentemente, em campanha. Bolsonaro jamais dialogou com a sociedade e virou o primeiro presidente tuiteiro da história do Brasil, preocupando-se apenas em atacar adversários. Para manter a adesão de sua claque fundamentalista foi capaz até de postar um vídeo pornográfico de “ducha dourada”. Mas Bolsonaro não está só. As trapalhadas e asneiras abissais expelidas em doses industriais por seus ministros, igualmente fundamentalistas, não dão a mínima perspectiva de alguma esperança para o muito que ainda resta do nefasto governo de ultra-direita. Militares e “olavistas” não se entendem. Fundamentalistas evangélicos querem criar um Estado teocrático. O PSL se afoga no laranjal. E os filhos são capazes até de derrubar ministro. E ainda não se passaram três meses de governo.  Será que o “Bozo” chega na próxima pesquisa?

BOLSONARO: O ANCILAR DOS EUA

ancilar-dos-estados-unidos.jpg“A Amazônia não é nossa.” (Jair Bolsonaro, em vídeo publicado em 17 de março de 2019).

Jair Bolsonaro chegou aos Estados Unidos para jurar o servilismo de seu governo ao país de Trump. Não se trata apenas de ser um aliado. Claro que o governo Bolsonaro seria um aliado dos Estados Unidos. Mas o nível de subserviência a que as relações chegaram com os Estados Unidos é humilhante e mostra que, de patriota, nem ele e nem os demais lambe-botas que foram beijar a mão do Trump, nada possuem.

A submissão aos Estados Unidos é total e Bolsonaro deveria ser, imediatamente, processado por crime de lesa-Pátria. Ao afirmar categoricamente que “a Amazônia não é do Brasil” e que o assunto será tratado com Trump, Bolsonaro atenta não apenas contra a soberania nacional, mas contra a dignidade dos brasileiros. Disse Bolsonaro:

“Tenho me aproximado do governo americano, sim. Já tive reuniões com embaixadores. O que eu tratei? A Argentina falou que as Malvinas eram deles em 1982 e… perderam! A Amazônia é nossa? Com todo respeito, só uma pessoa que não tem qualquer cultura fala que é. Não é mais nossa.” (Jair Bolsonaro, em vídeo postado em 17 de março de 2019).

Bolsonaro admite que a Amazônia “não é mais brasileira” e ainda tenta corroborar o seu discurso servil com a situação das Malvinas, que deflagrou a guerra da Argentina com a Inglaterra em 1982. Todos sabemos que aquela guerra foi uma estratégia da ditadura militar argentina, agonizante, para captar popularidade. A questão da Amazônia, que há tempos é uma região cobiçada pelos Estados Unidos, transcende o aspecto ideológico e nada tem de esquerda ou direita. Trata-se da soberania nacional. Mas Bolsonaro quer entregar a Amazônia para a exploração estrangeira. Não há patriotismo. Não há soberania. Existe, sim, um servilismo doentio a Trump e aos Estados Unidos.

No mesmo “combo”, o ancilar Bolsonaro entregará aos Estados Unidos a base de Alcântara, no Maranhão. Aquele local é privilegiado para lançamento de satélites por estar próximo à linha do Equador e, assim, há economia de combustível. Isso porque, na linha do Equador a velocidade de rotação da Terra é maior do que em qualquer outro ponto do planeta e, assim, os foguetes que transportam os satélites ganham uma velociade extra. Estudos da Agência Espacial Brasileira estimam que o local representa uma vantagem de até 31% em relação às bases de Cabo Canaveral, nos Estados Unidos, e Roscosmos no Cazaquistão. Entregar “de bandeja” a base de Alcântara aos Estados Unidos é outro atentado à soberania e à segurança nacional.

E, como se não bastasse, a subserviência bolsonarista estende-se à humilhação de todos os cidadãos brasileiros: enquanto cidadãos dos Estados Unidos poderão entrar livremente no Brasil, sem qualquer visto, as restrições aos brasileiros que tentam entrar nos Estados Unidos continuarão, de forma humilhante. Independentemente de um bom relacionamento, sabe-se que o princípio da reciprocidade é básico nas relações diplomáticas, mas Bolsonaro e os demais ancilares que foram lamber as botas do Trump não estão nem aí para isso.

Esperamos que não apenas o Congresso, mas também a ala de militares nacionalistas reaja contra a situação de total subserviência que o governo servil de Bolsonaro está colocando o Brasil em relação aos Estados Unidos. Também gostaria de ouvir os patos amarelos, que cansaram de dizer que a bandeira deles jamais seria vermelha e que repetiram o mote “Brasil acima de tudo”. Muitos deles, a essa hora da madrugada, já devem estar na Avenida Presidente Wilson ou na Rua Humaitá aguardando para serem atendidos pelos representantes de Trump para tirarem seus vistos. Vários serão recusados. E ainda vai ter babaca resignado dizendo: “Foda-se! Brasil acima de tudo!”