EDUCAÇÃO E O POSTO IPIRANGA

privatiza o ensino

“Existem interesses de grupos que não são de esquerda na área de Educação. Eu estou falando loucura aqui? Existem grupos, sim, privados, com interesse em ter outro Ministro da Educação. E estes grupos, da área privada, não querem o Abraham Weintraub lá.” (Abraham Weintraub, ministro bolsonarista da Educação, em audiência na Câmara dos Deputados, em 11 de dezembro de 2019).

Abraham Weintraub, o ministro olavista-bolsonarista da Educação, saiu de férias. Mais uma vez. E, ao que tudo indica, não retornará mais ao cargo. Em matéria publicada hoje no Estadão, é informada a saída de auxiliares diretos de Weintraub da pasta, o que poderia ser uma antecipação da saída do radical olavista do cargo de ministro.

Essa semana, durante audiência na Câmara dos Deputados, Weintraub, como de costume, vomitou uma tonelada de asneiras. Porém, uma de suas afirmações, em meio ao festival de besterias que proferiu, foi muito séria. Disse Weintraub que há interesses de grupos, que não são de esquerda, na área da Educação. Esse suposto grupo, segundo Weintraub, é da área privada, e não o quer mais como ministro.

Encaixando as peças de um quebra-cabeças muito simplório, não será difícil sabermos que grupo, que não é da esquerda e é da área privada, estaria interessado em emplacar outro ministro no lugar de Weintraub. Sabe-se que o atual ministro da Educação não é bem visto por Paulo Guedes, o ministro-banqueiro da Economia que quer privatizar até a atmosfera. Mas há uma peça-chave em tudo isso. Elizabeth Guedes é a presidente da ANUP (Associação Nacional das Universidades Particulares). Coincidência de sobrenomes? Não! A dona Elizabeth Guedes, que preside a associação que defende os interesses do ensino superior privado, é irmã de Paulo Guedes. E Paulo Guedes, como se vê, quer trocar o ministro.

Entendida a equação? Qualquer dúvida é só perguntar lá no Posto Ipiranga…

BOZO E SUA SENTENÇA

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“Se aparecer, boto no pau de arara o ministro, se ele tiver responsabilidade, obviamente.” (Jair Bolsonaro, afirmando que colocará ministro corrupto no pau de arara, em discurso em Palmas, Tocantins, em 12 de dezembro de 2019).

A tortura é um fetiche para Bolsonaro. Ao ponto de um torturador assassino ser o seu ídolo e autor do livro que ele já revelou ser sua leitura da cabeceira: o sanguinário Brilhante Ustra. Aliás, ditadura, AI-5, tortura, dentre outros expedientes, são o fascínio da família Bolsonaro. Agora, Bolsonaro afirmou que se algum de seus ministros for, comprovadamente, um corrupto, então ele o colocará no pau de arara, o instrumento de tortura que simboliza a ditadura militar no Brasil. Não me venham com esse papo de que é o “estilo”, é o “modo de ser” de Bolsonaro. Porque essa conversa de “ele é assim mesmo” não pode ser aplicada na apologia de crimes, especialmente considerados hediondos e que marcaram um período de tirania no país. Hoje, infelizmente, ele é o Presidente da República e tortura, pela Constituição, é um crime hediondo. A “ameaça” de Bolsonaro, além de ser uma falta de compostura por violar os princípios básicos da liturgia presidencial, é também criminosa. Bolsonaro quer ser “diferente” de outros Presidentes. Porque o recado dele deveria ser: “o ministro que for pego em atos comprovados de corrupção será exonerado e responderá dentro dos rigores da lei.” Mas isso é exatamente o que está na lei, e para Bolsonaro inflamar as suas hostes fascistas não seria o suficiente. Os cães danados têm que estar sempre ciosos.

Não é de hoje que Bolsonaro vomita suas pulsões bravateiras de tortura e extermínio. Ano passado, ainda em campanha pouco antes do segundo turno, disse que, se eleito, “mandaria os ‘petralhas’ para a Ponta da Praia” para serem metralhados. Lembrando que a “Ponta da Praia”, entre os milicos, é a Base Naval, localizada na Restinga da Marambaia, no Rio de Janeiro, para onde os opositores da ditadura eram levados para serem torturados e mortos. Seus séquitos tiveram espasmos orgasmáticos, como certamente tiveram ontem em Tocantins. Ocorre que agora, como Presidente, suas aberrações verbalizadas tornam-se muito mais graves. Ele afronta as leis. Ele afronta as instituições. Ele afronta os direitos básicos. Nada que chegue a surpreender em se tratando do líder de um governo que, segundo levantamento do Conselho Nacional de Direitos Humanos, em menos de um ano já violou 36 vezes os direitos fundamentais da pessoa.

Suas falas aberrantes parecem que são planejadas para serem expelidas em datas simbólicas. A “sentença do Bozo”, o asqueroso pau de arara, foi anunciada dois dias após a comemoração do Dia Internacional dos Direitos Humanos e na véspera do famigerado AI-5 completar 51 anos.

Levando-se em conta a nova “sentença do Bozo”, alguns ministros devem estar “piscando”. O primeiro deles é o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que confessou em um vídeo que viralizou pela internet, a prática de caixa 2. Se o próprio Sérgio Moro já falou que caixa 2 é pior do que corrupção, acredito que Bolsonaro não mandará o Onyx para o pau de arara. Esse deve ir direto para o “paredão”. E o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, o chefe das candidaturas laranjas que tirava dinheiro das mulheres? E o ministro predador do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que já foi até condenado por improbidade administrativa e escorraçado pelo seu próprio partido, o Novo? Isso sem falar no Secretário de Cultura, o tal do Roberto Alvim, que deixou de fazer uma licitação para contratar sua própria mulher… Pau da arara neles!

“Deus acima de todos”. Esse foi o lema da campanha bolsonarista. Que também era usado por Hitler, Mussolini, Salazar, Pinochet e outros tiranos sanguinários inspiradores de Bolsonaro. Que “Deus” é esse que apóia o pau de arara? Que “Deus” é esse que aprova a tortura?

Com certeza, mais esse impropério de Bolsonaro tem uma finalidade. Ele e sua turma, saudosistas dos tempos da ditadura, querem manter sempre acesas as chamas dos símbolos que marcaram o regime deprimente que defendem. Primeiro, eles falaram em colocar as tropas nas ruas em caso de manifestações contrárias ao governo. Depois, foi uma avalanche de apologias ao retorno do AI-5, passando pelo Dudu Bolsonaro, pelo general e até pelo ministro-banqueiro da Economia. Agora, Bolsonaro reaviva o pau de arara o que, evidentemente, ganhou páginas e manchetes pelo Brasil e pelo mundo afora, em se tratando de uma fala deplorável e ultrajante, porém impactante, vinda de um “Presidente da República”. É disso que, desgraçadamente, esses “pirralhos” da democracia e do Estado de direito vivem. Até que venha a sentença final do povo e das instituições democráticas.

O CÂNCER FAKE

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Existem várias estratégias, igualmente recorrentes e manjadas, das quais os governantes sem escrúpulos lançam mão quando percebem que estão perdendo apoio. Invocar Deus ou qualquer discurso religioso é uma dessas estratégias. Invocar o patriotismo e eleger “inimigos” externos visando angariar ao seu redor uma “aliança pela Pátria” é outra dessas estratégias. Mas há também apelos emocionais, como falar que está com uma doença grave. Poderia, por exemplo, ser um câncer. Dá um grande impacto. Comove o povo. Quem sabe, talvez até arrefeça a própria oposição.

Ontem, Jair Bolsonaro realizou exames de rotina no Hospital da Força Aérea em Brasília. Nada além disso. Ao deixar o hospital, portando, após o exame,  Bolsonaro afirmou que estava com suspeita de câncer de pele e por isso fez a retirada de um sinal na orelha. Mas a versão de Bolsonaro foi desmentida pela própria Secretaria de Comunicação Social da Presidência, a SECOM. Em um comunicado, a SECOM deu a seguinte informação:

“O presidente Jair Bolsonaro esteve nesta tarde, em Brasília, no Hospital da Força Aérea Brasileira, onde passou por avaliação médica dermatológica. O presidente apresenta boas condições de saúde, SEM QUALQUER INDICATIVO DE CÂNCER DE PELE e mantém a previsão de agenda para a semana conforme programado.” (As letras maiúsculas aparecem no comunicado original).

Ficamos no aguardo de novas “mamadeiras de piroca”. Ou, quem sabe, um novo “Plano Cohen”? Até porque a tal facada já deu.

 

 

 

O “GAME OVER” DA “MORO DE SAIAS”

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Não adiantou nem mesmo o fortíssimo lobby de seu protótipo de calças, mas bem que Sérgio Moro tentou livrar a sua “versão genérica de saias” perante o Tribunal Superior Eleitoral. Selma Arruda, a juíza que notabilizou-se por ser “durona”, por “combater implacavelmente a corrupção” e de carregar a redoma moralista de combate ao crime, surfou na onda fascista-bolsonarista que devastou o Brasil no ano passado. Sua intransigente atuação contra a “corrupção” valeu-lhe a alcunha de “Moro de saias”, o que muito a orgulhava. Então, seguindo o exemplo de seu protótipo, abandonou a toga e foi para a política, filiando-se ao então PSL de Bolsonaro, o que culminou em sua eleição para senadora pelo Estado do Mato Grosso.

Porém, o “moralismo” de Selma Arruda já é bem conhecido. É aquele moralismo que, por trás, esconde a defesa de milícias, de laranjas, de “caixa 2”. A senadora conhecida como “Moro de saias” já vinha sendo investigada e, a exemplo de seu protótipo de Curitiba, acaba de ser desmascarada. Por 6 votos contra 1 o Tribunal Superior Eleitoral acaba de cassar o seu mandato, fraudulentamente obtido. Seus crimes: abuso de poder econômico e “caixa 2”. Ironicamente, o crime de “caixa 2”, que é considerado pelo próprio Sérgio Moro como mais grave do que a corrupção, foi um dos ilícitos praticados pela ex-juíza bolsonarista, o que mostra que o moralismo dessa gente é mesmo da boca para fora.

Bem que Sérgio Moro, na maior “cara de pau”, ainda tentou forçar a barra para que sua “versão de saias” fosse absolvida e, em uma tentativa direta de interferência no Judiciário (do qual ele não mais faz parte), chegou até a conversar com membros da Corte para convencê-los de que a senhora Selma Arruda era “séria e honesta”. Já sabemos qual é a seriedade, isenção e honestidade dessa gente. A Vaza Jato que a diga. É necessário lembrar que haverá uma nova eleição para preencher a vaga deixada pela senhora “Moro de saias” e que seria de bom alvitre que os eleitores de Mato Grosso ficassem atentos a certos discursos de moralismo barato, mesclado com apelos religiosos, fuzis e milícias, que certamente reaparecerão na disputa pela vaga da “moralista” cassada.

O fenômeno moralista-eleitoral da doutora Selma Arruda chegou ao ocaso de maneira precoce. Menos mal para ela que, como magistrada aposentada desde o ano passado, terá uma lauta aposentadoria. Claro que ela, embora tenha votado pela reforma da previdência, sabe que não será atingida pela mesma e que seus ganhos serão intocáveis pela reforma que ela e seus comparsas ajudaram a aprovar, ao contrário da maioria dos aposentados do Brasil. Pelo menos ela garantiu o dela, às custas dos incautos e hidrófobos que, enebriados, a sufragaram nas urnas. Vai ser interessante, a partir de agora, ver a dona Selma Arruda defender o combate ao crime e à corrupção. Será que vão pedir o fechamento do Tribunal Superior Eleitoral?

 

VASCO E HAVAN: NADA A VER!

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A “Resposta Histórica”, assinada em 1924 pelo então presidente do Club de Regatas Vasco da Gama, José Augusto Prestes é, incontestavelmente, um dos documentos mais importantes da história da inclusão social no Brasil e, especialmente, da luta contra o racismo. Esse documento é por nós considerado como o mais importante troféu do Vasco e que deve orgulhar toda a torcida vascaína. Nele, o Vasco diz um rotundo “não” aos seus co-irmãos racistas da zona sul, que condicionaram o ingresso do Vasco à recém-criada Liga à exclusão de 12 atletas (todos negros) do seu elenco. O “não” ao racismo dos elitistas da zonal sul foi a marca permanente da história vascaína. Fundado por trabalhadores portugueses, o clube foi protagonista em episódios que o colocam, historicamente, em “um outro patamar”, que talvez o craque flamenguista Bruno Henrique desconheça. Não foi só na luta pela inclusão dos negros que o Vasco se diferenciou. Foi em seu estádio, construído em 1927 sem qualquer subvenção oficial, que Getúlio Vargas assinou a CLT em 1943. Foi em seu estádio que, em 1945, com o fim da Praça Onze e sem as escolas de samba terem onde desfilar, que realizou-se o desfile daquele ano, vencido pela Portela, mas que foi uma vitória do povo. Foi também de São Januário que saíram dois aviões cedidos pelo clube à FAB para combater o nazi-fascismo na Segunda Guerra Mundial. Isso é ser popular. O resto a gente compra. Porém, a história não se vende. Não se negocia. Não se prostitui.

Hoje, chega até nós a notícia de que a Havan, rede de lojas do empresário bolsonarista Luciano Hang, vulgarmente conhecido como “Véio da Havan“, está negociando um patrocínio com o clube de São Januário. O dono da Havan, Luciano Hang, não é apenas um capitaliata. Aliás, nada contra empresas privadas patrocinarem clubes de futebol, fazererem parcerias, exibirem suas marcas em camisas conhecidas pelo mundo afora. No entanto, o senhor Luciano Hang não é apenas um capitalista. Ele apóia declaradamente um governo de extrema-direita, fascista, que é a antítese da história das lutas sociais que marcaram a trajetória histórica do Vasco. Ele apóia um governo que ataca negros, trabalhadores, índios e mulheres. Enfim, ele apóia um governo que é contra tudo aquilo que o Vasco lutou em seus 121 anos de história. Nunca é demais lembrar que o senhor Luciano Hang chantageou, no ano passado, os funcionários de sua empresa, intimidando-os e fazendo ameaças para que eles votassem no candidato fascista Jair Bolsonaro.

Luciano Hang e sua empresa, enfim, representam tudo aquilo que o Vasco sempre combateu em sua história. E o Vasco é infinitamente maior do que a a Havan e o seu “Véio”. Por ser gigantesco, o Vasco tem condições de fechar parceria com outras empresas, sem macular sua inigualável história. O Vasco, como instituição que cultua historicamente valores sacrossantos, que abriu suas portas para os negros, sambistas, trabalhadores e tornou-se verdadeiramente popular, não pode fazer parceria com uma empresa que nega tudo isso. Sob pena de macular sua inigualável história de inclusão social e luta em defesa das camadas populares. Havan não!

PROFESSOR “VERDE E AMARELO”

vai ter aula domingo

“Aos professores é vedado, aos domingos, a regência de aulas e o trabalho em exames.” (Artigo 319 da CLT, ainda em vigor, mas que poderá cair com a Medida Provisória de Bolsonaro). 

Depois da carteira de trabalho “verde e amarela”, que ceifa direitos trabalhistas, agora as agressões do governo Bolsonaro direcionam-se a uma das categorias mais odiadas pelos bolsonaristas: os professores. O “presente” do Bozo aos professores é o trabalho aos domingos. O domingo, pela Constituição, é o dia do repouso semanal. No caso do magistério sabemos que o calendário, em termos de direitos trabalhistas que ainda restam, é unificado. Por exemplo: os professores não trabalham aos domingos, dia que geralmente as escolas não funcionam. E também as férias sempre acontecem em janeiro, sempre seguindo o calendário escolar.

Ocorre que é uma raridade encontrar um professor que trabalhe apenas em um único local. O salário de professor é menor do que o auxílio-moradia de juízes que possuem imóvel próprio. Então, os professores devem se virar, trabalhando na rede pública, particular, cursinhos, em locais às vezes distantes uns dos outros. A própria consultoria do Senado Federal emitiu um parecer afirmando que a liberação do trabalho aos domingos para os professores é inconstitucional. Mas a Medida Provisória do governo não está nem aí para a Constituição. O parecer técnico do Senado afirma que, caso o trabalho aos domingos fosse mesmo liberado, os professores não teriam como descansar, visto que acumulam trabalhos em vários dias e locais diferentes durante a semana para que possam complementar a renda. É necessário acrescentar que, de acordo com a CLT, em seu artigo 319 (ainda em vigor), os professores não podem trabalhar aos domingos em regência de turma e nem em aplicação de provas. É mais uma agressão à CLT, que já vem desde o governo golpista de Temer e que agora tem continuidade no governo fascista de Bolsonaro.

A equipe de Paulo Guedes, no entanto, pensa diferente. Para o banqueiro-ministro da Economia, as escolas podem sim exigir o trabalho dos professores aos domingos. É um novo tipo de professor, o “professor verde e amarelo”.

Segundo Fernanda Perregil, especialista em Direito do Trabalho, a questão, além de jurídica, é também cultural: “Não sei se consigo visualizar, na prática, professores dando aulas aos domingos. Existe a questão do costume”, disse a especialista.

Resta uma pergunta: e quando o Dia do Professor, 15 de outubro, cair em um domingo? Aí Bolsonaro certamente irá revogar o feriado escolar, fazendo uma “aliança pelo Brasil” com os “professores patriotas”, especialmente com aqueles que votaram nele.

 

SERIA AQUI A “VENEZUELA”?

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“O governo não cumpriu nada do que prometeu. O preço do óleo diesel teve 11 altas consecutivas, em 2019. Não aguentamos mais ser enganados pelo senhor Jair Messias Bolsonaro, que protege o agronegócio e diz que o caminhoneiro só sabe destruir rodovias.” (Marconi França, líder dos caminhoneiros, em 6 de dezembro de 2019).

Sabe aquilo que os “reaças” da direita e bolsonaristas de um modo geral chamam de “virar uma Venezuela?” Ao invocarem essa suposta ameaça, os reacionários bolsonaristas falam em hiperinflação, ataques à imprensa e à liberdade de expressão, fechamento do regime, dentre outras barbaridades, que o Brasil jamais viveu em quase 14 anos de governos petistas que, diga-se de passagem, cometeu sim erros, mas que jamais colocou a democracia em risco. Afinal, será que, finalmente, os “dias de Venezuela” estão chegando? Ou já chegaram e estão pouco a pouco se apresentando? Vejamos:

Os ataques a veículos de imprensa que discordam ou criticam o governo têm sido feitos de todas a s formas por Bolsonaro, desde ameaças de cortes de publicidade oficial até retirada de veículos das licitações de assinaturas por órgãos do governo. A “Venezuela” seria aqui?

Nunca se ameaçou tanto a democracia como no governo Bolsonaro. O fetiche do AI-5 começou com o próprio Bozo, passou para seu filho Dudu, foi até o general e chegou no  “Posto Ipiranga” que, até então, só falava de economia. AI-5 sugere fechamento do Congresso, censura, cassação de mandatos eletivos e fim de garantias constitucionais, como o habeas-corpus. A “Venezuela” seria aqui?

Aliás, por falar em censura, a mesma tem sido um dos instrumentos mais usados pelo governo sempre que possível e o tal “viés ideológico”, que o próprio Bolsonaro afirmou que não teria lugar em seu governo, foi outra mentira. Desde a Ancine, com censura ao financiamento de produções cinematográficas, até o Itamaraty, com embaixadores sendo escanteados pelo ministro olavista-fundamentalista das Relações Exteriores, vêm sofrendo com as perseguições do governo bolsonarista. A “Venezuela” seria aqui?

E a inflação? E o dólar? Bateram recordes históricos. Puxada pelo absurdo preço da carne (que a ministra bolsonarista da Agricultura, Tereza Cristina, chegou a dizer estar muito barata), a inflação chegou a 0,51% em novembro, a mais alta nos últimos 4 anos. Ou seja, nem o golpe de 2016 e nem a eleição de Bolsonaro aliviaram o bolso do trabalhador. Quanto ao dólar, passando dos 4,20 reais, perguntem aos bobalhões que foram bater panela contra a Dilma reclamando que o dólar poderia chegar ao valor de pi (3,14). A verdade, é que os babacas não vão mais para a Disney mesmo. A “Venezuela” seria aqui?

Agora, os caminhoneiros ameaçam com uma paralisação a partir do próximo dia 16. Paralisação dos caminhoneiros, aliás, que foi apoiada por Bolsonaro em maio do ano passado e quando, em pleno governo golpista de Temer, o Brasil viveu sim “dias de Venezuela” com falta de alimentos, combustíveis, remédios, dentre outros produtos de primeira necessidade. Lembrando: com o PT já fora do poder. Ao apoiar a greve dos caminhoneiros no ano passado, já como candidato, Bolsonaro acenou com promessas que, segundo os caminhoneiros, não foram cumpridas. Os sucessivos aumentos do óleo diesel são a grande causa da insatisfação por parte daqueles que acabariam apoiando Bolsonaro em 2018 e, como tantos, já viram a furada em que se meteram e acabaram metendo o país.

Resta saber como Bolsonaro reagirá diante de uma paralisação dos caminhoneiros que, repita-se, ele apoiou em 2018. Pelo histórico do governo, ele poderá pedir AI-5, GLO (Garantia da Lei e da Ordem) ou até mesmo chamar os caminhoneiros de “comunistas”. Talvez ele peça alguns conselhos ao Maduro. Duvidam? Para quem já elogiou Hugo Chaves e até falou que ele seria “uma esperança para a América Latina” não seria nenhum absurdo. Seria mesmo a “Venezuela” aqui?