ASSASSINO DEFENDE BOLSONARO

Guilherme de Pádua, o assassino da atriz Daniella Perez, filha da autora de novela Glória Perez, divulgou vídeo defendendo o candidato fascista à Presidência da República. No vídeo, o assassino diz não acreditar que Bolsonaro irá perseguir negros e gays. De fato, ele não irá perseguir, porque já persegue. Ele ainda chama os opositores de Bolsonaro de “radicais que colocam loucuras na cabeça das pessoas.” O vídeo do assassino Guilherme de Pádua torna-se ainda mais emblemático pelo fato de esse psicopata tratar-se de um feminicida, numa conjuntura em que muitos assassinatos contra mulheres vem sendo denunciados.

O apoio desse assassino a Bolsonaro não traz nenhuma surpresa. Afinal, quem ficaria surpreso com o apoio de um assassino a um candidato que, declaradamente, defende a tortura e o fuzilamento de adversários? Quem ficaria surpreso com o apoio de um assassino a um candidato que afirmou que “o erro da ditadura foi torturar e não matar”? Quem ficaria surpreso com o apoio de um assassino a um candidato que tem como herói um monstro que torturava mulheres nas frente de seus filhos?

Receio que o assassino Guilherme de Pádua venha ocupar algum cargo em um eventual governo fascista. Assim como Alexandre Frota, o porno-ator, está cotado para o Ministério da Cultura, quem sabe Guilherme de Pádua não poderia transformar-se no “Guilherme Mãos de Tesoura” de um fatídico governo Bolsonaro?

MARIELLE: AGORA SÃO MIL!

placas da Marielle“Fascistas, fascistas não passarão!” (Palavra de ordem dos manifestantes na Cinelândia, no ato em homenagem à vereadora Marielle Franco realizado em 14 de outubro de 2018).

Rodrigo Amorim e Daniel Oliveira são os neofascistas que depredaram a simbólica placa colocada na Cinelândia em homenagem à vereadora assassinada Marielle Franco. O campo para o crescimento do ódio fascista está tão livre que eles não esconderam o que fizeram e ainda divulgaram o ato execrável em um vídeo nas redes sociais. Os dois neofascistas que foram, respectivamente, candidatos a deputado estadual e federal, aparecem em outro vídeo de um comício realizado em Petrópolis, onde exibem como troféu a placa com o nome de Marielle destruída. Comício do qual participou, também, o candidato ao governo do Rio, Wilson Witzel.

O que os fascistas não esperavam, no entanto, é que, se eles destruíram uma, agora são mil. O objetivo inicial era fazer cem placas com o nome de Marielle, com recursos obtidos através de uma vaquinha virtual. Mas a arrecadação foi muito além do esperado e mil placas foram feitas e distribuídas ontem aos manifestantes no ato que homenageou Marielle na Cinelândia e repudiou a violência e o ódio fascistas.

Uma das coisas mais chocantes foi ver que o ato de destruição dos fascistas ainda serviu como propaganda eleitoral. No deplorável comício de Petrópolis os seus participantes, ensandecidos, comemoram a destruição com a exibição da placa destruída. Se a intenção dos fascistas fosse apenas retirar a placa, que era simbólica, eles não teriam feito o que fizeram. Mas não era apenas isso. Não satisfeitos, ainda vandalizaram a placa e fizeram todo um espetáculo horripilante de manifestação de ódio e intolerância.

Mas ontem os fascistas quebraram a cara mil vezes. O ódio foi respondido com a defesa do amor e da tolerância, embora saibamos que muita luta ainda virá. Mas, apesar dos tempos sombrios os fascistas, definitivamente, não passarão. Mil vezes Marielle!

 

 

 

ONDE ESTÁ O EXTREMO?

extrema direita brasilÉ lugar comum nas análises políticas a afirmação de que no segundo turno os dois candidatos classificados, caso tenham grandes diferenças em suas propostas, tendam a aproximar seus programas e discursos do centro. E que, geralmente, os eleitores dos candidatos que não chegaram ao segundo turno também tenham esse comportamento. A eleição de 2018 já é recordista em mentiras, calúnias e absurdos inadmissíveis que são veiculados via internet, onde mal intencionados as disseminam e mal informados as absorvem. Mas hoje quero falar de uma outra grande mentira que vem sendo veiculada até por órgãos de informação que tentam se apresentar como esclarecedores. Refiro-me à afirmação de que “a eleição se polarizou entre dois extremos: Bolsonaro e Haddad”. Será? A eleição presidencial teve 13 candidatos na disputa e dizer que o PT é um extremo ou é má-fé ou absoluta desinformação sobre o matiz ideológico dos partidos políticos brasileiros. Se analisarmos qualquer um dos 13 candidatos, não será difícil apontar qual deles representa a extrema-direita. E a extrema-esquerda? Seria o PT? Evidentemente que não. Pelo menos dois candidatos e seus partidos estão mais à esquerda do que o PT: Boulos, do PSOL e Vera Lúcia, do PSTU. O PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado), inclusive, é de uma extrema-esquerda tão radical e sectária que sequer participa de atos e coligações junto com os partidos de centro-esquerda, como o PT. Isso sem falar em outro partido de extrema-esquerda, o PCO (Partido da Causa Operária), que também tem propostas radicais de esquerda e que, vez por outra, lança o Rui Costa Pimenta como candidato. Não é difícil, portanto, perceber que apenas um extremo está no segundo turno: e esse extremo é Bolsonaro, que representa a extrema-direita.

E o PT? O PT não passa de um partido social-democrata, centro-esquerdista e de linha reformista e não revolucionária. Como chamar de esquerda radical um partido que em seus governos os bancos bateram recorde em seus lucros? Como chamar de esquerda radical um partido que teve um grande capitalista, o empresário José Alencar, como Vice-Presidente da República por 8 anos? Como chamar de esquerda radical um partido que se aliou várias vezes a partidos de direita em nome da governabilidade? Como chamar de esquerda radical um partido que, em quase 14 anos de governo,  jamais apresentou qualquer proposta para abolir a propriedade privada? O que diferencia o PT dos partidos de direita é que o PT tem em sua agenda um desenvolvimento do país que não esqueça o alcance social, como direitos sociais, distribuição de renda, relevância do papel do Estado (e não sua extinção, como os ultra-liberais), sempre visando atenuar as diferenças sociais com oportunidades e políticas de inclusão. Daí as cotas, bolsa-família, Prouni. Nada além disso. Até dentro do próprio PT, o Haddad pertence a uma ala moderada.

Bolsonaro, ao contrário, sempre representou e afirmou, ao longo de sua obtusa carreira política, a defesa à ditadura, à tortura, ao fechamento do Congresso, ao fuzilamento de adversários (perguntem ao FCH), ao racismo, ao sexismo, à homofobia, à indiferença ao meio-ambiente e aos direitos dos trabalhadores. Quando disse, certa vez, que “o mal da ditadura foi torturar e não matar”, talvez nem precisemos citar mais nenhuma outra de suas aberrações para sabermos o que esse fascista representa. Aliás, perguntem aos rapazes da “supremacia branca tupiniquim”, que aparecem na imagem acima exibindo a bandeira do movimento integralista, quem é o candidato deles.

Já falamos que o antipetismo vem sendo usado como álibi para que muita gente extravase os seus instintos mais primitivos. Temos observado e estamos absolutamente  convencidos de que, quem apoia o Bolsonaro não é só porque apenas “odeia o PT” ou é “contra a corrupção”. Eles apoiam sim, e muito, as suas ideias, e estão conscientes do risco que ele representa até para eles próprios. Mas o ódio fala mais alto. Eles não conseguem sequer perceber que só há um extremo. E, contra o PT e seu candidato, restou o extremo ódio.

BOLSONARO ESNOBA DÓRIA

bolsonaro cagou para dóriaPaulo Marinho, o empresário-magnata do agronegócio, costuma abrir as portas de sua mansão no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, para as patuscadas de políticos da direita reacionária. Ele é filiado ao PR e também muito amigo de João Dória, o ex-Prefeito engomadinho do Tietê. Paulo Marinho, embora rico, já foi preso algumas vezes por não pagar pensão alimentícia. No ano passado, sua mansão foi palco de um encontro com João Dória, quando o ex-Prefeito “apolítico” ainda tinha o projeto de ser candidato a Presidente da República.

Ontem, João Dória veio ao Rio para tentar gravar, junto com Bolsonaro, um vídeo de apoio à sua campanha no segundo turno. O chamado voto “Bolsodoria”, em São Paulo, é uma das estratégias do ex-Prefeito para ganhar a eleição na “Paulicéia”, hoje a maior mancha da ultra-direita brasileira. A mansão de Paulo Marinho transformou-se em um “Ministério da Propaganda” do “Messias” e é de lá, onde foi montado um estúdio, que vários programas para o horário eleitoral do “Bozo” são gravados. E essa era a intenção de Dória. Ele queria gravar um programama com o “Bozo” ao seu lado.  Para Dória, que logo após o resultado do primeiro turno declarou apoio imediato à candidatura fascista, o encontro estava marcado. Ele ficou esperando por mais de duas horas, quando o Presidente do PSL apareceu e frustrou os planos de Dória: “Não haverá esse encontro”, disse Gustavo Bebiano, Presidente do partido que abriga o candidato fascista. Bolsonaro não quer aparecer com candidatos de partidos que não seja o seu. Essa foi a justificativa. Claro que Dória, que já é questionado até no PSDB por, segundo alguns pares, ter traído Alckmin, ficou com uma tremenda cara de “bunda envernizada”. Tudo leva a crer que o encontro já estava mesmo marcado. Mas, na hora “h”, Bolsonaro acabou foi “cagando” para Dória.

Se é assim que o “Bozo” trata os seus fiéis aliados, imagine os adversários. Será que Dória perdeu a viagem? Talvez não. Embora o “Bozo” tenha “cagado” solenemente para ele, o seu amigo Paulo Marinho deve ter lhe servido uma farinata de ova de esturjão e salmão defumado enquanto esperava, inutilmente, a presença de seu “mito”.

O ÁLIBI ANTIPETISTA

antipetismoEngana-se quem pensa que o nazismo acabou no final da Segunda Guerra com a derrocada de Hitler. Como também engana-se quem pensa que o fascismo acabou quando Mussolini foi fuzilado pelos partisans antifascistas. O mundo tem mostrado que esses dois regimes ainda possuem apoiadores e candidatos que fazem sucesso, virando “heróis” ou “mitos”. A história do Brasil, embora tenha sido marcada por várias rupturas do processo democrático, dava a falsa impressão de que a ultra-direita jamais surfaria na crista da onda, em qualquer que fosse a eleição. O problema é que a extrema-direita no Brasil nunca foi desfeita. Nunca desistiu. Sempre aguardou um momento mais propício para ocupar os vácuos que, vez por outra, são deixados por governos que acabam se desgastando por  graves crises, sejam liberais ou esquerdistas.

Se fizermos uma busca, veremos que por mais de 70 anos, a extrema-direita no Brasil não teve um candidato a Presidente da República específico, “puro sangue”, para chamar de “seu” (claro que estou me referindo a eleições diretas). Certamente porque, apesar dos vácuos e das crises, o momento não foi oportuno ou o suposto “Messias” ainda não havia aparecido. O último candidato de extrema-direita que havia disputado uma eleição presidencial no Brasil foi Plínio Salgado, líder do movimento Integralista, versão nacional do fascismo. Foi em 1945 e ele conseguiu apenas chegar em quarto lugar, com pouco mais de 8% dos votos. Mas a extrema-direita desde sempre existiu no Brasil. E apoiou golpes. E apoiou movimentos. E apoiou candidatos. E onde estava essa extrema-direita? De onde ela vinha? É certo que não vinha apenas dos quartéis, como a “linha dura terrorista” dos militares que tentaram explodir o Gasômetro e o Riocentro. Ela estava, por exemplo, nas Marchas com Deus pela Família e Liberdade. Ela estava, por exemplo, na TFP. Ela estava, por exemplo, no CCC. Ela estava em organizações neonazistas, como os skinheads, em que muitos “filhinhos de papai” agrediam e assassinavam negros, nordestinos e homossexuais e nunca deixaram de atuar. Ela estava até em torcidas organizadas de clubes de futebol. E ela tomou sim partido em vários eventos. Ela apoiou o golpe de 1964 e os governos militares. Ela votou no Collor. Ela votou, ainda que a contra-gosto, nos tucanos FHC, Serra, Alckmin e Aécio, como se estivesse “abrigada” em outros candidatos, já que não tinha um “fascista para chamar de seu”. Ela foi às ruas em 2013 e conseguiu se apropriar e ficar evidente em manifestações difusas, mas que ela soube cirurgicamente aproveitar, crescer e, novamente voltar em bandos às ruas em 2016, frutificando em movimentos ultra-conservadores e extremamente reacionários, como, por exemplo,  os intervencionistas-militaristas e o MBL.

Parece que o momento estava chegando. Os escândalos de corrupção, o desemprego, a recessão, junto com um apoio sem escrúpulos da mídia e do grande empresariado foram fatais para o golpe de 2016 e a inscrição eterna do antipetismo na alma de milhões de brasileiros. Os erros inegáveis de Dilma em seu segundo mandato, embora não tenham existido motivos para seu impeachment, com a onda antipetista já estabelecida, também levou o PSDB e até grande parte da mídia, a um grande equívoco (ou engano): eles pensavam que aquela festa fosse deles, mas não era. O vazio político e de esperanças já estava sendo ocupado por outro(s). A adoção de um discurso ultra-nacionalista, com apelos emocionais, religiosos, ameaças de “comunização”, as cores nacionais, a demonização do vermelho, o “Deus acima de tudo”, a “venezuelização do Brasil”… Enfim, o “perigo” que justifica a militarização, o armamentismo, o ataque às artes, à cultura, aos direitos humanos e sociais, se impuseram como discurso de “salvação moral e política”. Igrejas e milícias, cada qual a seu modo, tornaram-se os grandes nichos eleitorais e de apoio ao “Messias”.  Nesse momento, podemos até fazer uma releitura do que foi o apoio da extrema-direita ao impeachment: eles sabiam do desgaste e da degradação moral  que seria um governo Temer. E isso abriria muito mais campo para eles. Com o PT extremamente desgastado e as “terceiras vias” fracassadas, era chegada a hora. Assim, depois de mais de 70 anos, a extrema-direita, finalmente, tem “um fascista para chamar de seu”.

Mas o antipetismo está indo muito além de um álibi para “votar contra a corrupção”. Até porque quem diz que vota no Bolsonaro “para combater a corrupção”, sabe que existiam outros candidatos, de direita, liberais, sem nenhum envolvimento com corrupção. O que nos faz crer que a corrupção não é o único motivo. Se, por um lado, não acredito que o Brasil tenha 50 milhões de fascistas, por outro sou obrigado a admitir que muitos estão usando o antipetismo como álibi para, como certa vez disse Roberto Jefferson (aliás, apoiador já declarado de Bolsonaro), “dar vazão aos seus instintos mais primitivos”. E é aí que mora o verdadeiro perigo.

 

 

 

HISTÓRIA PARA AS ESQUERDAS

aliança nacional libertadoraNão há dúvida de que o momento político atual é o de maior risco para a democracia desde as vésperas do golpe de 1964. E o pior de tudo isso é que a democracia está sendo ameaçada por aquilo que é a base de seu exercício: o voto. Mas também foi assim em outras épocas, em outros lugares do mundo. Foi assim na Alemanha em 1933, por exemplo. Mas vivemos em um tempo em que professores de história são chamados de “maconheiros doutrinadores”, que cientistas políticos são ridicularizados quando usam seus conhecimentos para fazerem declarações de alerta. Ainda assim, quero reproduzir uma afirmação do cientista político Carlos Ranulfo, da Universidade Federal de Minas Gerais, em recente entrevista à jornalista Míriam Leitão:

“Não há comparação em riscos à democracia. Numa escala de 1 a 10, Bolsonaro é 8 e o PT é 1. Eu não subestimo o risco de um eventual governo Bolsonaro. A relação dele com a democracia é muito ruim e está estimulando na sociedade agressões, violência. Isso é parte de uma onda muito conhecida no mundo.”

Porém, muitas vezes a própria esquerda parece não ter estudado a sua própria história. Parece que em um jogo que precisa ser “virado”, tem gente da esquerda muito mais preocupada com suas vaidades, com suas mágoas e com suas “histórias pessoais de militância”, quando deveriam estar mais preocupados com o destino do país. Parece que uma das lições de história que a esquerda não aprendeu é a da importância de frentes antifascistas. Foi assim que a Europa reagiu, quando da ascensão do fascismo, formando frentes de esquerda, centro-esquerda e até liberais, para combater a metástase nazi-fascista durante os anos 1930. No Brasil, a exemplo do que aconteceu na Europa no mesmo período, a Aliança Nacional Libertadora também foi formada como uma frente para combater o fascismo e sua versão nacional, o integralismo. Ressalte-se que, a exemplo do que disse o cientista político Carlos Ranulfo, hoje, como naquela época, o avanço da ultra-direita fascista é uma onda mundial: França, Áustria, Hungria, Alemanha, Reino Unido, Estados Unidos, Brasil…  E Em muitos casos, como dissemos, as frentes antifascistas não foram formadas apenas por partidos e grupos de esquerda e centro-esquerda, mas também por liberais, igualmente antifascistas.

Geralmente o fascismo prolifera, cresce e ganha “crédito” em situações de crise e falta de credibilidade nas instituições e partidos políticos tradicionais. Então, o vácuo de representatividade começa a ser ocupado, com um discurso forte, de ingredientes agressivos e um ultra-nacionalismo de apelos emotivos e até religiosos. O ultra-nacionalismo evidencia a necessidade de serem esvaziadas as diversidades. Tudo em nome de “Deus” e da “Pátria”, que terá, finalmente, o seu “salvador”: “Duce”, “Führer”, “Mito” ou “Messias”. A apropriação de imagens e símbolos nacionais, como cores, bandeira, hino, juntamente com um discurso agressivo aos “infiéis” e “anti-patriotas”, faz com que os “inimigos” sejam escolhidos até pelas cores: tanto das roupas como da pele.

A primeira pesquisa pós-primeiro turno mostrou a “boca do jacaré”: 58% X 42% pró-Bolsonaro. O jogo não está perdido. Mas, para isso, é preciso que todos os setores que defendem a democracia devam estar unidos. Cadê aqueles que, no primeiro turno, falavam da ameaça que Bolsonaro representa à democracia? Marina “lavou as mãos” e parece que, seguindo nossos conselhos, já está indo pela sombra. Ciro se mandou para a Europa. Não é hora de discutir quem é “marxista”, “leninista”, “stalinista”, “trotskysta”, “anarquista”, “socialista”, “social-democrata”, “maoísta”, “castrista”, “revisionista”, “ambientalista”. A hora é de união contra a avalanche fascista que varre o nosso país e está perto de chegar ao poder. Mas ainda há tempo. Que as esquerdas retomem as lições de história sobre as frentes antifascistas. Ou o estrago se consumará e os omissos, caprichosos e “fiéis a certos princípios” também pagarão a conta para a história.

VAI PELA SOMBRA, MARINA!

vai pela sombraMarina Silva perdeu, mais uma vez, a oportunidade de posicionar-se claramente ao lado do campo progressista e democrático, ao declarar “neutralidade” no segundo turno da eleição presidencial. Disse a derrotada candidata da Rede que nenhum dos dois candidatos representa o projeto que a sociedade brasileira necessita. Sempre com um discurso nebuloso, que aliás marcou toda a sua campanha, embora seu partido afirme que não apoiará nenhum dos dois candidatos, ao mesmo tempo recomenda “que seus filiados não votem em Bolsonaro”. Será que é tão difícil assim para Marina Silva, ambientalista, mulher, de origem humilde, que viveu a pobreza na carne e tem um passado de militância no campo progressista, declarar o apoio à candidatura anti-fascista? Tudo leva a crer que Marina ainda carrega a eterna mágoa de não ter sido a escolhida por Lula para sucedê-lo em 2010. É certo que ela venceria a eleição. Mas a escolhida, e vitoriosa nas urnas, foi a Dilma. A política é assim. Naquela ocasião, Marina chegou inclusive a ganhar uma forte credencial para voos futuros, com a chamada “onda verde”, em que chegou a ter 20 milhões de votos, situação muito diferente dos pífios 1 milhão de votos alcançados no último domingo.  Mas ela preferiu seguir “carreira solo”,  fundando seu próprio partido.

O apoio a Aécio Neves em 2014 depauperou a imagem política de Marina, quando todos os campos progressistas apoiaram Dilma. A impressão que se tem é que Marina, com seu eterno rancor, jamais esquecerá 2010. Mas parece que ela é que está sendo esquecida pelo eleitorado e, mesmo quando tem a oportunidade de escolher pelo campo democrático e progressista, ela recua. São muitas as restrições a se fazer ao PT e votar em Haddad não significa ser petista ou concordar com os erros do partido de Lula. Votar em Haddad é vetar o fascismo que se avolumou e ganhou terreno no Brasil, especialmente nos últimos cinco anos. Eleição em dois turnos é voto e veto. O primeiro turno é voto em nosso candidato. O segundo turno é veto àquela candidatura que seja a mais antagônica aos nossos anseios. E não há dúvida que Bolsonaro e Haddad representam campos extremamente antagônicos. Enfim, votar em Haddad é vetar o obscurantismo e o fascismo e não necessariamente ser petista.

Marina Silva parece estar tendo um ocaso melancólico em sua carreira política. Ela praticamente não se pronunciou sobre o maior crime ambiental da história,  cometido pela Samarco. Agora, quando Bolsonaro diz que irá acabar com o Ministério do Meio Ambiente e fazer a farra dos ruralistas, ela, como ambientalista, também se cala. Depois de tudo isso e de ainda ter apoiado Aécio em 2014, agora ela, novamente, optou pela omissão diante da luta contra o fascismo. Lamentavelmente Marina defenestrou talvez a última oportunidade de voltar para o lado que a projetou e a tornou admirada e respeitada. Vai pela sombra, Marina! E leve  a Marta Suplicy com você!