MORO NÃO QUERIA MELINDRAR FHC

moro fhc

“Ah, não sei. Acho questionável pois melindra alguém cujo apoio é importante.” (Sérgio Moro, ao procurador Dallagnol, afirmando não querer que FHC fosse investigado, nem que fosse para fingir imparcialidade, pois “o apoio do tucano era importante”, em 13 de abril de 2017).

A revelação, pelo The Intercept, da parte 7 dos diálogos criminosos entre Sérgio Moro e os procuradores da Lava Jato comprovam que Fernando Henrique Cardoso foi blindado pela operação. O diálogo subterrâneo de Moro com Dallagnol expõe claramente o viés político pró-tucano e anti-petista que balizou toda a operação. Que agora, sem nenhuma dúvida e com todas as provas, podemos afirmar: operação criminosa, comandada por um juiz criminoso e forjada por procuradores criminosos. Tudo com apoio da mídia igualmente criminosa.

Deltan Dallagnol, que na verdade não agiu como procurador e sim como subalterno do juiz-acusador Sérgio Moro, afirma com todas as letras que o envio da denúncia contra FHC tinha apenas o propósito de fingir imparcialidade, para enganar a opinião pública e passar a falsa impressão de que a Lava Jato não fazia seletividade política. Era só para arrefecer os ânimos e a revolta dos críticos da operação, que sempre evidenciou um viés político-partidário. Seria tudo de “mentirinha”. Mas Moro era tão defensor de FHC, que não queria que seu aliado político, de quem o apoio era importante, fosse melindrado. Não obstante o fato de Moro não querer “melindrar” seu aliado FHC, conversas entre procuradores mostraram que eles próprios desistiram de investigar o cardeal tucano quando perceberam que as provas iriam favorecer a defesa de Lula. Revoltante e repugnante sob todos os aspectos.

O lodaçal da Lava Jato revelado pelo The Intercept está estilhaçando as máscaras moralistas fabricadas pela mídia golpista e igualmente criminosa. Moro, Dallagnol e a força-tarefa serviçal do juiz que, de fato, era coordenador, conspirador e acusador na operação agiram com seletividade. Com viés político. Com deslavada parcialidade.

Caiu a máscara de que a Lava Jato não tinha partido político. Ela desde sempre foi tucana. A blindagem e consequente impunidade de FHC e do tucanato como um todo sempre foram claras. Aquela balela que as hoje viúvas do Moro repetiam – “sem foro, com Moro” – jamais se aplicaria a Fernando Henrique Cardoso, de quem o juiz fraudador declarou ser importante ter o apoio. E hoje isso está mais do que provado.

Moro, Dallagnol e todos os procuradores da operação fraudulenta devem muitas explicações. Está marcada para hoje a ida do ex-herói da “República de Curitiba”, agora afogado na lama, ao Senado. E é bom ele já ir sabendo que o Ratinho não vai estar lá para lhe entrevistar.

Abaixo, mais uma prova dos crimes de Moro e seus subordinados da Lava Jato:

intercept parte 7

 

 

 

 

SOS JUSTIÇA!

vaza jato

Falarão que estamos acusando com base em notícia de jornal e indícios frágeis… então é um item que é bom que esteja bem amarrado. Fora esse item, até agora tenho receio da ligação entre petrobras e o enriquecimento, e depois que me falaram to com receio da história do apto… São pontos em que temos que ter as respostas ajustadas e na ponta da língua”. (Deltan Dallagnol, procurador da Lava Jato, em uma mensagem divulgada pelo The Intercept, na qual ele próprio duvida das provas contra Lula em relação ao tríplex). 

Para aqueles que insistem em não aceitar a realidade desbaratada pela operação Vaza Jato, revelada pelo The Intercept, nada como um exercício de empatia para vermos o que essas pessoas fariam se fossem vítimas de um conluio judiciário para condená-las e prendê-las:

Imagine que você foi condenado e preso, mesmo negando todas as acusações. Imagine ainda que, durante todo processo em que você foi condenado, a sua defesa sempre duvidou da imparcialidade e da isenção do juiz. E mais: que sua defesa sempre chamou atenção para uma combinação dos acusadores e do juiz com a mídia, de modo a divulgar tudo o que supostamente poderia incriminá-lo. Até na audiência, você fala ao juiz sobre uma nítida atuação da mídia contra você, mas o juiz diz não ter controle sobre o que a mídia divulga. Não teve jeito. Você foi condenado e, por conta disso, não pôde participar de uma eleição onde era o favorito. Seu recurso, julgado em tempo recorde, é negado. Você continua preso e seu maior adversário ganha a eleição.

Pouco mais de um ano após a sua prisão, conversas autênticas entre o juiz e os procuradores do caso são reveladas. Nas conversas, percebe-se claramente que o juiz instrui procuradores, agindo como um verdadeiro advogado de acusação. Fica comprovado ainda que houve uma combinação de juiz e procuradores com a mídia, visando divulgar conteúdos que o incriminasse. E fica ainda revelado que o procurador que o acusava tinha dúvidas e até receio de fazer a acusação por insuficiência de provas. O procurador falava em treinar para ter as respostas na ponta da língua, tamanha a inconsistência das provas segundo ele próprio. Então perguntamos: você aceitaria a sua condenação e acharia que todo o processo foi justo? Faça uma empatia e coloque-se nesse lugar. Esqueça os ódios. Esqueça o Lula. Esqueça o PT. Apenas coloque-se nesse lugar. Não há como fazer contorcionismo. Em uma situação dessa, você exigiria imediatamente a sua libertação e a anulação de todo processo, certo? Ou você aceitaria resignado uma condenação feita por um juiz parcial, que atuou como advogado de acusação e ainda resultante de uma acusação em que o próprio procurador tinha dúvidas e receio em relação a ela?

Hoje está provado que a Lava Jato foi (e continua sendo) uma farsa. E isso não significa que não houve corrupção no país. A corrupção está na epigênese da nossa história. Porém, tudo o que acontecia na Lava Jato sempre dava a impressão de ser algo direcionado. Nós tínhamos a convicção. Agora, temos as provas. Certo, “doutor” Dallagnol? Claro que houve corrupção nos governos petistas. Como nos governos tucanos. Como também houve no governo Collor, Sarney e na ditadura militar. Porém, se víssemos o peso da Justiça ser equânime, não poríamos em dúvida a operação. E nem a própria Justiça. Vamos a alguns exemplos:

Sempre me perguntei o porquê de o processo contra o tucano Eduardo Azeredo praticamente apodrecer nos arquivos do Judiciário. Quase prescreveu. O mensalão é uma criação tucana de 1998. Bem anterior ao do PT. Porém, os petistas foram julgados e condenados em tempo recorde. E, apesar de o maior número de envolvidos no mensalão ser de partidos de centro-direita e de direita, conseguiu-se encasquetar na cabeça do povo que a corrupção é exclusividade da esquerda.

Também sempre me perguntei porque o Aécio é um eterno inimputável. E não tem essa conversa de “foro”. Quando a Justiça, no caso o STF, teve o poder de puni-lo, a doutora Carmen Lúcia tremeu mais do que vara verde e votou pela entrega do playboy a seus pares do Senado. Salvaram a pele do playboy do pó.

Os escândalos do governo Temer foram mais expostos do que umbigo de vedete. Vergonha transnacional. “Tem que manter isso”. Pouco antes, o profeta Jucá, outro eterno inimputável, já predizia: “Acordo nacional com o Supremo e com tudo.”  Lamentavelmente, o que a “Justiça” fez até hoje foi comprovar a profecia do Jucá. E até hoje Temer e Jucá estão soltos, rindo da nossa cara.

E o que dizer do Alckmin? Já faz mais de um ano que ele perdeu o foro. Tudo parado. Escândalo do Metrô, escândalo da merenda escolar. E o Serra? Esse, sabiamente, como um bom ET, já se embrenhou no espaço sideral e ninguém nem mais o vê. Nem ele e nem os 20 milhões que ele recebeu do Joesley.

Também sempre me perguntei o porquê de Moro ter absolvido Claúdia Cruz, a mulher de Eduardo Cunha, mesmo com uma farta prova documental de suas falcatruas financeiras no exterior. Pouco antes da absolvição, Cunha já havia ordenado para que “não mexessem com sua família”. Será que o “herói de Curitiba” se cagou ou a absolvição fez parte do “acordo”?

Se a Lava Jato como um todo e a Justiça de um modo geral tivessem mãos pesadas para todos, talvez não levantássemos dúvidas. E mais: só houve ameaça de generais ao Judiciário quando foi julgada alguma matéria que poderia, dentro da lei, beneficiar o Lula. Por que os generais não ameaçaram o Supremo quando a Corte julgou o caso Aécio?

Quem diz que ainda acredita nessa Lava Jato (certamente tem que ser feita outra) ou é cego ou é fanático. Pior: quem defender as práticas justiceiras fora da lei só porque elas atingem os seus desafetos, que se saiba que esses que hoje defendem essas práticas, amanhã poderão ser suas próximas vítimas. Foi assim no fascismo na Itália. Foi assim no nazismo na Alemanha. Foi assim na ditadura militar no Brasil.

Ao contrário dos fascistas, não defendemos o fechamento do STF, do TRF-4, da 13ª Vara Federal de Curitiba e de nenhuma outra instância do Judiciário. O que queremos é uma justiça equânime, isenta e imparcial o que, definitivamente, não foi visto na Lava Jato. Especialmente e agora, comprovadamente, contra Lula.

Depois do que foi revelado pelo The Intercept (isso por enquanto, porque ainda vem mais por aí), está provado que o Judiciário agiu politicamente, contra o Estado de Direito e contra a democracia. Um juiz parcial sentenciou sem provas. Um juiz parcial definiu o resultado da eleição e tornou-se ministro do governo eleito. Um juiz parcial agiu como assistente de acusação. Os crimes de Moro e de seus comparsas lavajateiros não poderão ficar impunes. Receio que o maior crime contra a democracia tenha sido perpetrado pelo Judiciário. E terminamos com a seguinte pergunta: o que restou do Judiciário fará a Justiça ou será cúmplice? Uma parte da “Justiça” que apresentava-se como límpida revelou-se podre. E agora só a verdadeira Justiça pode reparar o estrago feito nela própria. A democracia e o Estado de Direito aguardam ansiosamente uma resposta.

 

 

 

MORO: DO ESGOTO PARA A CADEIA!

moro na cadeia“O problema ali não era a captação do diálogo e a divulgação do diálogo. O problema era o diálogo em si, o conteúdo do diálogo.” (Sérgio Moro, sobre o vazamento, feito por ele, do diálogo entre Dilma e Lula).

“Houve uma invasão criminosa de celulares de procuradores. Para mim é um fato bastante grave ter havido essa invasão e essa divulgação.” (Sérgio Moro, sobre o vazamento de seus diálogos com procuradores da Lava Jato que provam, entre outros, seu crime de fraude processual para prejudicar Lula).

E agora “doutor” Moro? Quer dizer que “no dos outros é refresco?” Quando você mesmo vazou o diálogo Dilma-Lula, então o que interessava era “o conteúdo do diálogo”. Agora que sua atuação criminosa como juiz foi desmascarada, também por “captação de diálogo”, então virou “invasão criminosa”?

Por mais que Moro e seus fanáticos seguidores, como o “global” Merval Pereira, tentem, sua imagem foi desnudada e está provado que ele sempre foi mais do que suspeito. Foi parcial. Foi político. Foi odioso. Foi criminoso. Se Moro é um “juiz das garantias”, só se for garantia da fraude, da parcialidade, do julgamento político, entendeu senhor Merval Pereira? O desespero de Moro é tanto, que ele chegou a protagonizar duas cenas dantescas: vestiu a camisa do Flamengo e foi pedir socorro no programa do Ratinho. Quando um “herói” precisa ir correndo pedir “SOS” no programa do Ratinho é porque a casa caiu mesmo e não ficou pedra sobre pedra.

A fraude processual de Moro e procuradores da Lava Jato, que vem sendo divulgada pelo The Intercepet exigiria, no mínimo, a anulação do processo contra Lula, o afastamento de todos os procuradores envolvidos no conluio e a abertura de processo, com culminância em prisão, para Moro, Dallagnol e seus outros comparsas do criminoso conluio que condenou Lula, levou-o para a prisão e o tirou da eleição. Tudo resultado de fraude processual.

Do “pouco” que se sabe até agora, porque já fomos informados de que vem muito mais por aí, Moro, juntamente com seus comparsas lavajateiros, cometeu crime contra a Justiça; cometeu crime contra a Constituição; cometeu crime contra a democracia, visto que uma condenação resultante de um conluio criminoso entre juiz e procuradores determinou o resultado da eleição de 2018. Ao invés do julgamento legal e soberano do povo, a eleição de 2018 foi definida pelo julgamento ilegal, parcial e criminoso de Moro e seus comparsas do Ministério Público e da mídia golpista que, como os diálogos mostram, também participou do conluio.

O desespero de Moro, suas contradições aberrantes e seus expedientes para recuperar a capa de “super-homem” estão todos malogrando. Até veículos da direita e que tiveram o papel de o alçar à condição de herói, como o Estadão e a Veja, já desembarcaram da fria em que, só agora, viram que se meteram. Tudo o que vem sendo mostrado é vergonhoso para a Justiça e para a democracia brasileira. Moro e seus comparsas lavajateiros conseguiram fazer a Justiça brasileira ser objeto de deploração dentro e fora do país. E, a cada dia que Lula permanece preso por conta do conluio criminoso comandado por Moro, mais a nossa Justiça e a nossa democracia vão sendo deploradas.

Moro, como se sabe agora e sem sofismas, sempre esteve no esgoto. E água de esgoto não lava corrupção em lugar nenhum. Os subterrâneos da Lava Jato devem envergonhar qualquer brasileiro de bem, independentemente de sua preferência política, de seus ódios e de seus amores. Porque até aqueles que estão vacilantes e ainda tentam blindar, de alguma forma, o ex-juiz criminoso, não podem se esquecer de que uma “justiça à la Moro” configura um Estado de exceção e de fascismo. Foi assim que muitos apoiadores de métodos fascistas, inclusive praticados pela Justiça, acabaram, também, se tornando suas vítimas. É só procurar na história. E, para que isso não aconteça, urge que Moro saia do esgoto e vá para a cadeia. Com a palavra, a verdadeira e isenta Justiça brasileira (ou o que restou dela).

 

GLOBO: A PROCONSULT DO MORO

moro desmoronando

“Talvez vocês devessem amanhã editar uma nota esclarecendo as contradições do depoimento com o resto das provas ou com o depoimento anterior dele. Porque a defesa já faz o showzinho dela.” (Sérgio Moro, então juiz, ao procurador Santos Lima, orientado o procurador e agindo, criminosamente, como advogado de acusação no processo contra Lula).

“Moro deve renunciar”. “Moro desmoronando”. Essas afirmações não foram feitas por veículos petistas ou de qualquer grupo ou partido de esquerda. A primeira, foi do jornal “O Estado de São Paulo”, em seu editorial, e a segunda foi capa da revista “Veja” em sua última edição, após os vazamentos dos diálogos subterrâneos e criminosos entre o então juiz Sérgio Moro e procuradores da força-tarefa da Lava Jato, especialmente Deltan Dallagnol. Acrescente-se que tanto o “Estadão”, que agora pede a renúncia de Moro, como a revista “Veja”, foram mídias que tiveram importante papel na elevação de Sérgio Moro à condição de “herói nacional”. Mas os próprios veículos que produziram Moro já perceberam que não dá para bancar um escândalo em que um juiz age como advogado de acusação, instrui o Ministério Público e até pede, como no último vazamento do diálogo escandaloso, para que a imprensa edite uma nota esclarecendo as supostas contradições de Lula em um depoimento. O então juiz Moro estava preocupado com o “showzinho” da defesa. Simplesmente repugnante, sob todos os aspectos.

A verdade sobre o conluio da Lava Jato vai, aos poucos, sendo levada ao conhecimento público. E de um modo que o próprio Moro não pode reclamar, pois quando o próprio Moro vazou a conversa da então presidente Dilma e enviou o áudio aos seus comparsas da Globo, ele falou, com todas as letras, que “era do interesse público saber o que se passa com os poderosos.” Portanto, nada mais incoerente do que o atual ministro bolsonarista reclamar do modo como seus crimes estão sendo desvendados e divulgados. Afinal, como ele mesmo disse, “é pelo interesse público”.

Mas parece que, apesar de o “Estadão” e a “Veja” já terem desembarcado da farsa e da fria em que se meteram ao elegerem seu “herói”, o Globo continua sendo Globo. As Organizações Globo ainda fazem de tudo para blindar Moro, seja em seus telejornais, seja em sua mídia impressa. O tucano e anti-petista Merval Pereira, em seu artigo de ontem, tenta recuperar a imagem enlameada de Moro, ao chamá-lo de “juiz das garantias” e afirmar que ele ainda detém grande popularidade. Puro desespero do jornalista tucano global. Em outra matéria da mesma edição, o Globo tenta, em um contorcionismo meta-geométrico, “contextualizar” as falas criminosas de Moro. Parece que as Organizações Globo querem protagonizar um novo escândalo da Proconsult”, contrariando todas as verdades cabais, desta vez para mudar a verdade a favor de Moro. Isso, quando todas as evidências mostram que ele, em nenhum momento, agiu como juiz. Sua atuação foi marcada pela parcialidade, interesse político e cooperação criminosa com uma das partes interessadas, no caso o Ministério Público. E, ao que tudo indica, assim como a Globo teve que “colocar o angorá no saco” e entubar a eleição de Brizola nas urnas em 1982, parece que agora o “marreco de Maringá” será ensacado. Porque a casa caiu, a verdade apareceu. E, pouco a pouco, vamos tendo cada vez mais a certeza de que o herói fabricado não passava de um bandido. Nem que a “Proconsult do Moro” tente, mais uma vez, mudar a história.

 

 

 

 

“LAVA GATE” E ÁGUA DE ESGOTO

moro-farsante-e1560332544698.pngA Lava Jato acabou. Qualquer operação do MP, decisão judicial e prisão pela Polícia Federal estarão, doravante, sob fortíssimas e fundamentadas suspeitas.  As revelações dos diálogos promíscuos e criminosos entre Sérgio Moro e os procuradores da força-tarefa, feitas pelo The Intercept, desmascararam Moro e a Lava Jato e mostraram  tudo aquilo que, há tempos, já era afirmado por muitos.

Moro e seus comparsas do Judiciário e do Ministério Público devem explicações à sociedade. A conduta política que sempre marcou a Lava Jato, agora desmascarada, fica evidente nos diálogos subterrâneos que foram revelados. A ponto de a procuradora Laura Tessler, em uma de suas afirmações, demonstrar preocupação com uma eventual eleição de Fernando Haddad, caso fosse permitido a Lula dar uma entrevista coletiva. Disse a procuradora “isenta e imparcial”:

“Sei lá… Mas uma coletiva antes do segundo turno pode eleger Haddad.”

Quando que alguém que representa o Ministério Público poderia ter uma preocupação com a possível vitória de um candidato? Soltar Lula imediatamente e anular todo processo é o mínimo que se pode fazer. Moro,  Dallagnol e seus outros comparsas de conversas subterrâneas de uma “justiça” parcial e político-partidária devem responder pelos crimes de violação ao Código de Processo Penal e à Constituição. Urge uma CPI para investigar as condutas criminosas de uma operação que, agora tem-se a certeza, jamais poderá lavar o país porque sua água é uma água fétida, imunda e contaminada pelo esgoto da toga e de seus penduricalhos igualmente fétidos do Ministério Público.

As revelações dos diálogos escandalosos entre Moro e os procuradores compromete o Judidiário. Compromete o Ministério Público. Compromete a democracia. Compromete o resultado da eleição de 2018, quando um candidato, que era tido como virtual vencedor, foi impedido de participar do pleito em virtude de decisões judiciais parciais e e de cunho claramente político.

A Lava Jato virou “Lava Gate”, o escândalo que desmoraliza o Poder Judiciário e o Ministério Público. E se essas duas instituições, ou pelo menos o que restar delas, ainda quiserem recuperar alguma credibilidade, devem agir logo. Sem protecionismo. Sem corporativismo. Imune às pressões. Porque tudo indica que ainda vem muito mais por aí…

THE INTERCEPT: PELO INTERESSE PÚBLICO!

the intercept“Não é muito tempo sem operação?” (Sérgio Moro, então “juiz”, a Deltan Dallagnol, procurador da Lava Jato, em mensagem vazada pelo site The Intercept).

O vazamento das mensagens entre Sérgio Moro Deltan Dallagnol, procurador da força-tarefa da Lava Jato feito pelo site The Intercept não deixa mais nenhuma dúvida quanto à ação escandalosamente parcial de Moro em relação ao processo contra Lula. Moro agiu mais do que um assistente da acusação: ele, que deveria julgar de forma isenta e imparcial, agiu como um verdadeiro chefe da acusação. A “sala de bate papo” entre Moro e Dallagnol não passava de uma arquitetura combinada para incriminar Lula. Moro chegava até a dar sugestões de como os procuradores deveriam agir, em uma ação criminosa onde um juiz atuava claramente para forjar provas contra aquele a quem deveria julgar.

Nas mensagens, que desmascaram todo o escândalo dos subterrâneos da Lava Jato, o então juiz Sérgio Moro chegou a antecipar uma de suas decisões. Moro chega a sugerir como deveriam ser as investigações dos procuradores, sempre visando produzir provas, ainda que descabidas, contra Lula. A publicidade das mensagens entre juiz e procurador evidencia o escândalo por detrás da Lava Jato. Moro cometeu ações criminosas, violando desde o Código de Processo Penal até a Constituição Federal.

A exposição dos subterrâneos da Lava Jato comprova que todos os processos contra Lula estão viciados e corrompidos. Moro deve explicações dos seus crimes à Justiça. E também à sociedade. Afinal, quando o próprio Moro grampeou ilegalmente uma conversa da ex-Presidente Dilma, em outro ato criminoso, e mandou o áudio para a Rede Globo, o ex-juiz e hoje ministro bolsonarista disse, à época, que tudo era pelo “interesse público”. Agora, usando os mesmos argumentos de Moro, o vazamento dos diálogos criminosos entre Moro e os investigadores da Lava Jato também são do “interesse público”. É, Moro! A “lei do retorno” ninguém pode violar. Quem com a Globo fere, com o The Intercept será ferido!

MENDES 70 ANOS – PARTE V – OS ÚLTIMOS TEMPOS (2008-2019)

ocupa mendes

Foto acima: alunos anunciam a ocupação do Colégio Estadual Prefeito Mendes de Moraes em março de 2016. Foto: O Globo.

A saída do professor Rivaldo Rodrigues Gomes e a chegada do professor Marcos Antônio Reis Madeira à direção do Mendes de Moraes trazia um grande desafio ao novo diretor. Após 15 anos, Rivaldo nunca chegou a ser uma unanimidade no colégio. Mas sua capacidade como gestor sempre foi reconhecida até por quem lhe fazia restrições. Marcos Madeira tinha outro estilo. Enquanto Rivaldo era o homem do “lápis na orelha”, das “taliscas” e do “bacalhau”, Marcos Madeira sempre foi tecnologizado. Era o homem dos “e-mails”, do “wi-fi” e do “data show”. Marcos Madeira ainda trazia o lastro de ter sido, durante cinco anos, um adjunto de Rivaldo o que, em termos administrativos, poderia trazer uma sensação de segurança à comunidade escolar. Mas ele teria que mostrar o seu estilo de como conduzir a escola. A gestão de Marcos Madeira (e também de seus sucessores) coincidiu com a derrocada administrativa e financeira do Estado do Rio de Janeiro, em virtude dos escândalos de corrupção envolvendo as mais altas autoridades públicas do Estado. Funcionários terceirizados foram retirados do colégio, em virtude de as empresas contratadas não serem pagas pelo governo estadual. Por algum período, aulas chegaram a ser dadas em meio tempo, em razão da falta de funcionários de limpeza. Até as funcionárias responsáveis pelo preparo da alimentação dos alunos não puderam, por algum tempo, trabalhar, por não receberem salários, e a escola ficaria até sem merenda, prejudicando o já caótico quadro.

Em agosto de 2012 a comunidade do Colégio Mendes de Moraes foi pega de surpresa com a notícia do falecimento do jovem professor de Física José Carlos Peixoto de Oliveira. Em um clima de comoção, foi celebrada uma missa de sétimo dia de falecimento do professor José Carlos no auditório do colégio e, naquela ocasião, o professor Marcos Madeira surpreenderia a quase todos por seu protagonismo na liturgia: ele era ministro da eucaristia e, assim, mostrava um lado que quase ninguém conhecia. Muito diferente de outro momento em que, irado pelo fato de não ter encontrado a chave de uma porta, arrombou-a com um único pontapé. Ali, já era o lado de quem convivia por muito tempo com uma família de judocas.

Foi no ano de 2012, durante a gestão de Marcos Madeira, que teve início o “Projeto Vôlei” no Colégio Mendes de Moraes, uma iniciativa do professor Marcos Stecklow. O projeto, além de fomentar a prática do esporte, inseriu o Colégio Mendes de Moraes em competições importantes, como o Intercolegial O Globo, sendo a primeira participação do colégio já em 2013. Em 2016, o Mendes de Moraes sagrou-se campeão na categoria não federados masculino, além de ótimas classificações das equipes masculina e feminina obtidas ao longo dos anos.

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Foto acima: equipe masculina de voleibol do colégio Mendes de Moraes, resultado do “Projeto Vôlei”. Foto: enviada por Marcus Stecklow.

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Foto acima: a equipe feminina de voleibol do Colégio Mendes de Moraes. O “Projeto Vôlei” inseriu o nome do colégio nas grandes competições até os dias de hoje. Foto: enviada por Marcus Stecklow.

Foi durante a gestão do professor Marcos Madeira que as obras de expansão e melhoria das instalações do colégio foram concluídas, após vários anos de obras que ficaram, por muito tempo, interrompidas, especialmente por falta de pagamento dos governos estaduais. Porém, no início do ano letivo de 2014, com a conclusão das obras, os alunos receberiam o colégio com um ginásio coberto, um novo e amplo refeitório e 12 novas salas de aula construídas em um prédio anexo de dois andares. Além disso, a acessibilidade foi facilitada com a construção de rampas. Com as obras, o colégio passaria a ter 23 salas de aula e capacidade para atender até 2600 alunos.

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Foto acima: em 2014, a Semana de Arte do colégio, com exposição de trabalhos dos alunos: Foto: acervo de Marcos Madeira.

Na primeira semana de dezembro de 2015 uma outra triste notícia dilacerou a comunidade do Mendes de Moraes: o falecimento repentino da professora de Língua Portuguesa e Literatura, Márcia Bandeira. Muito querida entre alunos e professores, Márcia Bandeira eternizou-se como a “síndica” dos armários da sala dos professores. Na ocasião, escrevíamos um poema em homenagem à grande amiga e professora Márcia Bandeira:

À MESTRA COM CARINHO

De toda busca eterna de alegria

Surgiu no mundo alguém que me alegrou

Na vida, no trabalho, na energia

O fascínio que jamais ninguém calou.

 

Seu jeito, ó grande amiga, é uma ternura

Que enseja um sentimento de carinho

Que me faz sentir doce a amargura

Na certeza de nunca estar sozinho.

 

Se a saudade que dói se faz presente

Tu estarás no mundo eternamente

Como sempre, bonita e altaneira.

 

A percorrer caminhos com bravura

A iluminar a chaga e a casa escura

A tremular no céu Márcia Bandeira!

armário da márcia bandeira

Foto acima: o armário da professora Márcia Bandeira, a “síndica” dos armários da sala dos professores. Foto: arquivo de Pedro Paulo Vital.

No início do ano letivo de 2016, no mês de fevereiro, em meio ao calor inclemente do verão carioca os alunos, após o recreio, realizaram um protesto no qual recusaram-se a voltar às salas de aula. Com os aparelhos de ar refrigerado sem funcionar, os alunos sentaram-se nos corredores e filmaram a cena, que iria viralizar pelas redes sociais. Estava dado o recado. Dali para frente, parece que nada mais seria como antes.

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Foto acima: Fevereiro de 2016. Os alunos, em protesto pela falta de climatização, em pleno verão, recusam-se a entrar nas salas de aula, que passavam a ser chamadas pelos alunos e docentes de “saunas de aula”. Foto: Portal Ilha Carioca.

Nesse momento, o descontentamento dos alunos aliado à grande mobilização e liderança do grêmio estudantil do colégio, fariam com que o Mendes de Moraes assumisse uma posição de vanguarda no movimento estudantil do Rio de Janeiro e entrasse para a história. E o mês de março seria a demonstração disso.

protesto alunos estrada do galeão

Foto acima: Na primeira semana de março de 2016, alunos do Colégio Mendes de Moraes fizeram uma manifestação nas ruas e fecharam a Estrada do Galeão, em protesto contra as condições do colégio. Era mais uma amostra de como seria aquele ano de 2016. Foto: Ilha Notícias.

21 de março de 2016. Em meio a um movimento grevista dos professores, o movimento “Ocupa Mendes”, organizado pelo grêmio estudantil e pelos alunos, faria com que o Colégio Mendes de Moraes entrasse para a história como sendo o primeiro colégio da rede estadual do Rio de Janeiro a ser ocupado por alunos, a exemplo do movimento que já vinha ocorrendo em São Paulo. Por melhores condições de ensino, mais verbas para a educação, apoio à greve dos professores e em uma clara oposição ao diretor, identificado pelos alunos como apenas um representante do governador, começava mais um capítulo que dividiria professores e alunos do Mendes de Moraes. Aliás, a volta da eleição direta para diretor estava na agenda, tanto de professores como do movimento “Ocupa Mendes”. O Colégio Estadual Prefeito Mendes de Moraes entraria para a história com um movimento de alunos jamais visto e que traria fraturas políticas para a comunidade escolar, algumas com cicatrizes até hoje. O movimento “Ocupa Mendes” teve no grêmio estudantil do colégio o seu epicentro, além do apoio de diversos movimentos sociais.

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Na foto: a ocupação do Colégio Mendes de Moraes em 21 de março de 2016, que duraria quase dois meses, foi o auge da mobilização estudantil naquele ano e colocou o colégio na história como sendo o primeiro da rede estadual do Rio de Janeiro a ser ocupado. Foto: Portal Ilha Carioca.

greve 2016

Foto acima: durante a greve dos profissionais de Educação em 2016, professores do Colégio Mendes de Moraes participam de manifestação no Centro da Cidade. A greve teve o apoio dos alunos que ocuparam o colégio a partir de 21 de março daquele ano. Foto: Facebook.

A ocupação do Colégio Mendes de Moraes, no entanto, não foi um caso isolado. A ocupação parecia ser uma palavra de ordem entre os estudantes da rede e denunciava o descaso das autoridades com a educação. “Ocupa Tudo” foi a conclamação para que os estudantes de toda a rede tomassem as escolas e divulgassem suas pautas de reivindicações. Até o dia 15 de abril de 2016, 45 escolas de toda a rede estadual do Rio de Janeiro estavam ocupadas. Mas no Rio de Janeiro, tudo começou no Colégio Mendes de Moraes. A crise da educação no Rio de Janeiro era exposta sem eufemismos. O Colégio Mendes de Moraes ganhava uma exposição midiática nunca vista.

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Foto acima: durante a ocupação, em 2016, os alunos “calaram” até o próprio Mendes de Moraes. Por que será? Foto: Extra on line.

Mas também houve oposição e  logo surgiu um outro grupo, denominado “Desocupa Mendes”, formado por alunos que exigiam a reabertura do colégio e o retorno às aulas. A crise dividiu o corpo discente e é impossível quantificar os apoiadores do “Ocupa” e do “Desocupa”. Sabe-se, porém, que os dois grupos chegaram a um enfrentamento, em episódios que, méritos à parte, mostravam a divisão e a polarização que afloravam dentro do colégio. O grupo “Desocupa Mendes” argumentava, dentre outras coisas,  que a ocupação ia contra o Estatuto da Criança e do Adolescente, comprometia o ano letivo e teria sido deliberada em uma assembleia ilegítima.

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Foto acima: alunos do “Desocupa Mendes”, que posicionaram-se contra a ocupação do colégio em março de 2016. Foto: “Desocupa Mendes”, Facebook.

O professor Marcos Madeira já estava desde o mês de dezembro de 2008 na direção do colégio e, durante esse tempo, fomentou projetos inéditos, como um convênio com a Fundação Internacional do Catar,  que chegou a levar alunos ao país que sediará a Copa de 2022. Foi introduzido um curso de língua árabe para os alunos do colégio. As gincanas ecológicas continuavam acontecendo e sempre associadas a um projeto de responsabilidade social. Mas haviam ressentimentos, especialmente por parte de um grupo de professores, em razão de medidas tomadas pela direção durante o movimento grevista. Porém, em meio à crise que o colégio viveu em 2016, o professor Marcos Madeira parecia ser aquela “primeira pedra do dominó”, ou seja, a primeira a cair, em uma sequência de várias. A estratégia da SEEDUC, depois de cerca de dois meses de ocupação do colégio pelos alunos e greve dos profissionais de educação, foi exonerar o professor Marcos Madeira e editar uma portaria que previa a “eleição” (na verdade, uma consulta) de um novo diretor pela comunidade escolar. Antônio Neto, o Secretário de Educação, que também não conseguiu solucionar a crise que teve o seu auge na ocupação, foi a outra “pedra do dominó” e acabaria exonerado junto com o professor Marcos Madeira.

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Foto acima: uma aula de árabe sendo ministrada pela professora Salam Nasser Zidan para alunos do Colégio Mendes de Moraes. A oferta do curso de árabe no colégio foi um dos benefícios oferecidos durante o convênio com a Fundação Internacional do Catar, na gestão do diretor Marcos Madeira, convênio que prosseguiria na gestão da diretora Kátia Dias. Foto: Jornal Golfinho.

Até hoje discute-se o que a ocupação do colégio trouxe de lições. Evidentemente, não se pode desprezar a importância do movimento, que mostrou a posição de vanguarda do colégio e o alto nível de politização do grêmio estudantil e dos alunos de um modo geral. Porém, as divisões surgidas durante a crise e a ocupação caminhariam por todo o segundo semestre de 2016, quando duas chapas se organizaram para a eleição de diretor do colégio que aconteceria em dezembro. Enquanto isso, o professor Rodrigo Bernardes Tiosso herdaria o “espólio” da crise, sendo nomeado diretor no lugar de Marcos Madeira e recebendo, para administrar, uma escola dividida, marcada por ressentimentos e sem poder sequer fazer as movimentações financeiras para manter o colégio. Isso porque a Assembleia Geral da AAE (Associação de Apoio à Escola) não havia se reunido, após a sua nomeação, para produzir uma ata em que seu nome constasse como diretor, o que era uma exigência do banco. Rodrigo Tiosso permaneceu como diretor por 10 meses, entre maio de 2016 e março de 2017 e, durante esse curto período, ele seria uma “ilha” cercada de problemas, crises e divisões internas por todos os lados. 2016 inequivocamente entraria para a história do Colégio Mendes de Moraes como “o ano que não terminou”.

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Foto acima: o professor Rodrigo Bernardes Tiosso, nomeado diretor do Colégio Mendes de Moraes após a saída do professor Marcos Madeira, herdaria o “espólio” da crise de 2016, que teve o seu auge na ocupação do colégio pelos alunos. Foto: twitter.com

Em 14 de dezembro de 2016, em um pleito muito disputado, o que evidenciava a fratura política do colégio, a chapa encabeçada pela professora Kátia Regina Dias sairia vitoriosa. A professora Kátia Dias tinha como um de seus grandes lastros o prestígio entre alunos e professores e o reconhecimento inequívoco de grande profissional, além de ser, embora não a única, mas a grande articuladora do vitorioso projeto da Gincana Ecológica, que tornou-se uma marca no colégio. A professora Kátia Dias, que assumiu a direção em março de 2017, teria a missão não de por fim às divergências, mas de procurar unir o colégio em torno de objetivos que pudessem trazer resultados de interesses comuns, especialmente aos alunos. Permaneceu exatamente um ano na direção sem conseguir, entretanto, o tão procurado entendimento. A chapa eleita fragmentou-se e as colisões aconteciam na própria direção. O desgaste da professora Kátia era nítido e, em março de 2018, exonerou-se do cargo, tendo sido nomeado para sucedê-la o professor Wander dos Santos Carneiro, seu ex-companheiro de chapa.

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Foto acima: a professora Kátia Regina Dias permaneceu na direção do CEPMM entre março de 2017 e março de 2018. Na foto, a professora Kátia Dias com alunos durante a edição de 2016 da Gincana Ecológica, evento tradicional do colégio que sempre teve na professora Kátia Dias a sua grande articuladora. Foto: Facebbok.

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Foto acima: em 2018, durante a gestão do professor Wander dos Santos Carneiro, o Secretário Estadual de Educação, Wagner Victer, visitou o Colégio Mendes de Moraes. Na foto, o Secretário de Educação, o diretor Wander Carneiro e a Secretária do colégio Márcia Cristina Machado. Foto: acervo da Secretaria do CEPMM. 

O professor Wander dos Santos Carneiro possuía uma considerável trajetória de cargo em direção que já durava 8 anos. Isso porque ele havia sido diretor-adjunto desde 2008, tendo assim participado das gestões de Marcos Madeira, Rodrigo Tiosso e Kátia Regina Dias. Ele pode ser considerado um “sobrevivente” de 2008, visto que, com a grande rotatividade de ocupantes do cargo nesse período, tanto de diretores-gerais como de adjuntos, foi o único a permanecer fazendo parte da direção durante 8 anos, antes de ser efetivado como diretor-geral. Como adjunto de Kátia Dias, ele havia sido eleito e, assim, com a saída da professora Kátia, não resta dúvidas de que sua nomeação foi pautada na legitimidade.

Um dos projetos levados adiante durante a gestão do professor Wander Carneiro foi a parceria com o Instituto Arcádia que, em 2018,  levou ao Colégio Mendes de Moraes o programa “Jovem Aprendiz do Teatro”. Para um colégio que teve como alunos, dentre outros, Suzana Vieira e Miguel Falabella, além de toda uma estrutura de teatro em seu auditório, o surgimento de novos talentos é uma certeza. O projeto oferece cursos de teatro para estudantes da rede e, no Mendes de Moraes, os novos talentos do palco já são realidade.

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Foto acima: alunas do Mendes de Moraes em cena durante uma aula de Teatro em 2018. O programa “Jovem Aprendiz do Teatro” leva alunos do colégio a trilhar o mesmo caminho de ex-alunos que se tornaram famosos atores, como Suzana Vieira e Miguel Falabella. Foto: Carlaile Rodrigues, O Globo.

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Foto acima: O atual diretor Wander dos Santos Carneiro e suas adjuntas Michelle Barros e Maria Alice e ainda a ex-adjunta Vânia Moraes, em foto de 2018. Foto: arquivo pessoal de Wander Carneiro.

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Foto acima: A solenidade de formatura do ano de 2018, realizada no auditório do colégio, a primeira sob a gestão do diretor Wander dos Santos Carneiro. Foto: Facebook.

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Foto acima: alunos participam do evento “Progressão”, em maio de 2019, promovido pela Supervisão Escolar. Foto: SOP/CEPMM.

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Foto acima: professores do Colégio Mendes de Moraes, em maio de 2019, durante o intervalo das aulas. Foto: Pedro Paulo Vital.

O professor Wander dos Santos Carneiro, no momento em que o Colégio Mendes de Moraes completa 70 anos, também não deixou de herdar problemas e, com a ampliação do colégio, que tornou-se um dos maiores da rede, a ponto de já poder ter três diretores-adjuntos, enfrenta o desafio de ter que administrar um colégio que cresceu em instalações e número de alunos, porém, encolheu em recursos humanos. Faltam inspetores de alunos e funcionários de apoio de um modo geral. O colégio já não conta mais com funcionários de portaria. Tradutores de libras, fundamentais para um ensino inclusivo, foram retirados do colégio durante o governo Pezão. A limpeza e o preparo das refeições da merenda escolar estão a cargo de funcionários terceirizados e vive-se sempre na incerteza de se o governo do Estado irá ou não honrar os pagamentos com as empresas contratadas.

Hoje, quando o Colégio Estadual Prefeito Mendes de Moraes completa 70 anos, sua comunidade pode orgulhar-se de tudo o que o colégio produziu e ainda produz em termos transmissão e produção de saber, ensino crítico, cultura, arte, esportes e de ter um lugar especial na história, em que o Colégio Mendes de Moraes sempre foi protagonista. Sua história, ao longo desses 70 anos, em alguns momentos foi marcada por adversidades. Mas, principalmente, por superações e conquistas, em prol da educação e da formação de cidadãos críticos e conscientes. Em sua história marcada pela mobilização e combatividade, o Colégio Estadual Prefeito Mendes de Moraes sempre foi um baluarte da resistência. E, se preciso for, resistirá ainda mais. Nem que tenha que ser por mais 70 anos.

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AGRADECIMENTOS: Ao final deste histórico do Colégio Estadual Prefeito Mendes de Moraes, queremos agradecer a todos aqueles que colaboraram para este trabalho:

Jaime Moraes, ex-aluno do Colégio Mendes de Moraes, professor e amigo, pela disponibilidade de imagens e informações relevantes sobre os tempos mais remotos do colégio em seu grupo do Facebook “Ilha do Governador – O Passado no Presente” e por ter estado, em todos os momentos, disponível para ajuda;

Wander dos Santos Carneiro e Maria Alice Peixoto de Lima, respectivamente diretor-geral e diretora-adjunta do Colégio Mendes de Moraes, pela disponibilização dos arquivos documentais e fotográficos do colégio;

Marcos Antônio Reis Madeira, ex-diretor do Colégio Mendes de Moraes, pelo envio de fotos.

Márcia Cristina Machado, chefe da Secretaria do Colégio Mendes de Moraes, pela disponibilização do acervo fotográfico e autêntica “secretária” deste projeto;

Departamento de Pessoal do CEPMM, especialmente à servidora Yasmin Silveira, pela facilidade e colaboração no acesso aos arquivos;

Myrthes Lebrego, ex-aluna do curso de Formação de Professores do Colégio Mendes de Moraes, pelo envio de fotos;

Juberto de Oliveira Santos, ex-aluno do Colégio Mendes de Moraes e atual colega de profissão no magistério, pelo envio de fotos;

Fabiana Soares, professora do Colégio Mendes de Moraes, pelo envio de fotos;

Marilene Mattos, professora do Colégio Mendes de Moraes, pelo envio de fotos;

Marcus Stecklow, professor do Colégio Mendes de Moraes, pelo envio de fotos;

SOP do Colégio Mendes de Moraes, pelo envio de fotos.

Pedro Paulo Vital