RIO DE JANEIRO E DE “DOIS GOVERNADORES”

pezãogeneral braga nettoO Estado do Rio de Janeiro entrou para a história como sendo a primeira unidade da Federação a sofrer uma intervenção desde a vigência da Constituição de 1988, ou seja, em 30 anos. Mas eu gostaria de entender alguns aspectos dessa tal “intervenção”. Como denominá-la? “Intervenção Federal”? “Intervenção na Segurança”? Estou resistente para imaginar uma intervenção federal em um Estado com o Governador permanecendo no seu cargo. Na intervenção federal, como sabemos, o Governador é afastado do cargo e o presidente da República nomeia um interventor em seu lugar. Um interventor para o Estado e não para esse ou aquele setor. Mas dizem que a situação da segurança no Estado estava fora do controle. Então, intervenção só na segurança. Pela lógica, e não pela política, então os outros setores do Estado vão muito bem: hospitais, escolas, transportes. O problema é só na segurança. Não consigo entender, e a Constituição também não fala, sobre a execução de uma “intervenção parcial”. A partir daí, podemos raciocinar.

O governo do Estado do Rio é do PMDB. O presidente golpista é do PMDB. Um presidente do PMDB tirar um governador do PMDB do cargo é a mensagem de que o governo do PMDB é incapaz de governar. Então, façamos a coisa de modo bem difuso. A intervenção é uma “ajuda”, um “remédio amargo” em um momento em que o governador perdeu o controle de sua gestão na segurança. No entanto, o governador perdeu o controle da gestão em tudo. Basta ver a situação do Estado nos outros setores. Mas a intervenção é só na “segurança”. Politicamente, o PMDB reconhecer que o próprio PMDB é incapaz seria um absurdo. Então, que se mantenha o Pezão e vida que segue..

Com a tal “intervenção com governador”, o Rio de Janeiro passa a ter dois governos oficiais ou dois governadores: o general e o Pezão. O general administrará a segurança, com a confiança do Congresso e, também, de grande parte da população, já que colocar as Forças Armadas nas ruas é algo visível. Muito mais visível do que melhorar as condições das escolas ou o atendimento nos hospitais. O general será o “herói”, enquanto Pezão continuará sendo o vilão. O general, além de apoio, terá verbas. Enquanto que Pezão, o “outro” governador, continuará agredindo os serviços públicos como educação, saúde, transportes, além de atacar, de todas as formas, os servidores públicos.

Muitos deputados e senadores favoráveis à intervenção estão aliviados. Mas eles nem são do Rio. No entanto, eles sabem que, durante a vigência da “intervenção com governador no cargo”, a PEC do fim do foro privilegiado também não será votada, assim como nenhuma outra. São quase 200 no Congresso. Que bom! O próprio Eunício Oliveira, que preside o Senado e é investigado na Justiça, disse ontem que não colocará PECs nem em discussão, pois durante a intervenção isso não pode ser feito. Que alívio! Santa intervenção!

Mais uma para a história do Rio de Janeiro: o único Estado com dois governadores. Mas são coisas que acontecem. Esparta tinha dois reis. Dona Flor tinha dois maridos. E até a Igreja Católica já teve dois Papas. O Rio sempre na vanguarda…

 

 

 

INDEPENDENTES DE OLARIA É CAMPEÃ

INDEPENDENTES DE OLARIA CAMPEÃ

Foi com imensa satisfação que a comunidade de Olaria recebeu o resultado da apuração do desfile das escolas de samba do Grupo de Acesso E, realizado na noite de hoje. A Independentes de Olaria é campeã e, assim, garantiu o seu acesso ao Grupo D para 2019.

Parabéns a toda a diretoria e componentes da agremiação olariense, que já no primeiro desfile de sua história, conquistou o título e o acesso.

Que em 2019 a Independentes de Olaria continue brilhando e fazendo de seu carnaval o orgulho da comunidade de Olaria. Parabéns Independentes de Olaria!

AS OUTRAS INTERVENÇÕES

Doctor holding stethoscopeeducaçãoA intervenção federal na segurança do Estado do Rio de Janeiro justifica-se, oficialmente, pelo caos e descontrole a que a mesma chegou no Estado. E, é verdade, o próprio figurante que se diz “governador” entregou os pontos. Temos visto manifestações calorosas de apoio. É o velho discurso de que a presença das Forças Armadas, por si só, resolverá o problema, embora um célebre e experiente militar, o general Eduardo Villas Boas, tenha dito que essas intervenções são “desgastantes e inócuas”. Mas não vou entrar nesse mérito. Vamos sim, admitir que a segurança chegou a um nível insustentável. Mas, e a saúde? E a educação? E os transportes? E a situação dos servidores? O que parece é que aqueles que comemoram a tal intervenção e dizem que ela já veio tarde nunca pediram uma intervenção nos outros setores. Nunca matou-se tanto nos hospitais estaduais. Quem trabalha e estuda nas escolas estaduais sabe o caos em que o ensino e as escolas se encontram. O sistema de transportes no estado faliu. Servidores, literalmente, morreram de fome sem salários. E por que, apenas, intervenção na segurança?

Talvez aqueles que aplaudem a intervenção na segurança tenham seus planos de saúde e não sintam o caos dos hospitais do Estado. Seus filhos também não estudam nas escolas estaduais, então eles não imaginam o caos da educação. Eles possuem automóveis, e não sabem o que é depender de transportes públicos. Então, ter ônibus ou não, para eles não faz a mínima diferença. Mas a tal falta de segurança, isso eles sentem.

A tal intervenção demandará recursos. E muitos recursos, por quase um ano. Portanto, não faltam recursos. A questão são as prioridades. Imaginem se tudo o que for gasto até o final da intervenção, em 31 de dezembro, fosse remanejado para os outros setores igualmente caóticos do nosso Estado? Eu arrisco uma resposta: a segurança melhoraria muito. A verdadeira segurança está nas intervenções sociais, nas políticas públicas que beneficiem a maioria e que não promovam exclusões. Todos aqueles que hoje podem cuidar de sua saúde, estudar em boas escolas, ter acesso à renda, ao lazer e a outros direitos, certamente ficariam muito mais seguros se esses direitos fossem universalizados.

Há muito tempo eu cito uma frase de Josué de Castro que, embora aplicada ao mundo, de certa forma ilustra o que dizemos. Disse Josué de Castro: “Metade da humanidade não come; e a outra metade não dorme com medo da que não come.” Então, para que todos possam comer e dormir, são necessárias outras intervenções. Intervenções que trarão segurança para todos. E sem insônias.

INDEPENDENTES DE OLARIA NA INTENDENTE

independentes de olariaindependentesA Escola de Samba Independentes de Olaria desfilou ontem, pelo Grupo E, na Intendente Magalhães, em busca do acesso para o carnaval de 2019. Com o enredo “Janaína, a índia que virou sereia do mar”, a agremiação olariense foi a quinta escola a pisar na avenida. Com muita garra e alegria a Independentes de Olaria representou com orgulho o bairro leopoldinense. Recém-fundada, esse foi o primeiro desfile da escola, que tem tudo para chegar ao Grupo D.  Acima, algumas imagens do desfile de ontem. Boa sorte à Independentes de Olaria!

INTERVENÇÃO PARA QUEM?

intervenção federalImaginem um time de futebol que perde um título importantíssimo ou é eliminado de uma competição. Logo depois da derrota, o seu presidente, visando desviar o foco de insatisfação e também para capitalizar apoio, anuncia a contratação de um grande jogador e diz que já está quase tudo fechado. Esse craque será a solução. Assim a tal “intervenção” na segurança do Rio de Janeiro anunciada por Temer nesse final de semana. Ele perdeu, e feio, aquele que seria o seu grande triunfo: a reforma da previdência não sairá. E, o mais feio ainda, a reforma da previdência vai perder por “W.O.” Pelo menos por enquanto. De nada adiantaram as chantagens e pseudo-promessas do golpista para aprovar aquilo que é compromisso dele com o grande capital estrangeiro e nacional: a reforma que acabaria com os direitos da população mais pobre, porque com juízes e militares ele não teria nem compromisso e nem testículos para mexer.

Então, malograda a reforma da previdência, eis que Temer anuncia a “Redentora”: a intervenção militar na segurança do Estado do Rio de Janeiro. É uma proposta que já fez soar seus ecos positivos, Temer ganhou apoio de alguns setores, meninas bem-comportadas que ainda votam no fantasma do Lacerda aplaudiram. Mas todos se esquecem (e até o general) de que Temer é uma “águia” política. Sabe transformar retumbantes derrotas em possíveis triunfos para ele e para os seus.

Ao decretar a intervenção na segurança do Rio, Temer está pensando nos dividendos políticos da medida. Todos sabem que o governo Pezão morreu. Acho que até ele próprio morreu,  porque o que vemos sempre é um fantasma. Mas o governo do Rio é PMDB. E Temer é PMDB. O PMDB no Rio está esfacelado moral e politicamente e seus principais caciques e bandidos presos. E Temer é PMDB. Como recuperar o partido no Estado, com alguma agenda positiva, mesmo sendo o presidente mais impopular da história? A resposta é simples e foi clichê da campanha de Newton Cruz ao governo desse mesmo Estado em 1994: “Chame o general!”

Moreira Franco, vulgo Gato Angorá,  ganha. Isso dá um gás para que ele e sua trupe retomem o controle do partido que, apesar de criminoso, tem várias prefeituras no Estado. É uma máquina irrecusável. Um bom naco de poder (e de verbas federais) serão direcionados para que a intervenção traga alguns resultados aparentes. Rodrigo Maia, o fantoche de Temer, perde. Ele sequer foi ouvido e foi “o último a saber” (sem querer ofendê-lo ou à sua dileta esposa). Maia, que tem pretensões políticas no Rio, não foi sequer coadjuvante da ação.  E Bolsonaro também perde. Perde porque chamaram o general antes dele. O eterno “bucha” metido a Rambo vai ter que dormir com mais essa.

Ontem, quando terminou o horário de verão, exatamente no primeiro dia da intervenção, rolou na internet uma brincadeira para atrasar os relógios para 1964. Gostei da brincadeira mas, falando sério, temos é que adiantar os relógios. Sabe-se que enquanto vigorar a intervenção, a Constituição não pode ser alterada e, portanto, a reforma da previdência, que é emenda constitucional, está descartada. Porém, Temer pode preparar terreno para que a reforma seja votada até mesmo depois das eleições de outubro. Fiquemos atentos. A intervenção passa. Teve até uma que durou 21 anos. Só que Temer não teria vida para esperar 21 anos. Portanto, fiquemos atentos. Como dizia o robô da série Perdidos no Espaço: “Perigo, Perigo!”

RIO DE CAOS E SEM GOVERNO

fora pezãofora crivellaO carnaval do Rio de 2018 será lembrado, para sempre, por três coisas: a porrada da Tuiuti nos golpistas e seus fantoches, o desgoverno do Estado e da capital e o absenteísmo do Governador Pezão e do Prefeito Civella. No caso de Pezão, o seu governo já acabou e ele sabe. Em relação a Crivella, seu governo ainda não começou, só que ele não sabe.

Na terça-feira de carnaval, o saque a um supermercado em pleno bairro do Leblon, um dos centros turísticos da cidade, mostrava a falência do mínimo que se pode esperar em termos de segurança. Assaltos e arrastões em blocos, mortes, guerra de gangues de “bate-bolas”. Enquanto isso, o Prefeito na Europa e o Governador descansando no interior.

Na noite de quarta-feira de cinzas, o caos se alastra, desta vez, vindo da natureza: o maior temporal da história do Rio de Janeiro deixa a cidade intransitável, mata quatro pessoas, bairros ficam até quatro dias sem luz (alguns estão até hoje), mais de mil árvores derrubadas. O caos continua na cidade do Rio de Janeiro e região metropolitana. Enquanto isso, o Prefeito na Europa e o Governador descansando no interior.

Claro que nenhuma autoridade tem culpa das intempéries da natureza. Mas a presença de suas excelências é obrigatória. Já dissemos que o Rio de Janeiro vive um deserto de candidatos. Mas também vive um absenteísmo daqueles que, por ora, deveriam governar tanto o Estado como a capital. O caso do prefeito-pastor-turista é ainda mais grave, visto que há sérios indícios de que sua agenda de viagem pela Europa era privada e não de interesse público. A conferir.

Certeza mesmo é a de que o Governo Pezão acabou. E Pezão nada mais é do que um subproduto da estufa criminosa de Cabral e sua bandidagem encarcerada. Ele já havia abandonado o barco bem antes dos últimos acontecimentos. Já Crivella é um missionário não apenas religioso. Ele é peça fundamental no projeto de Estado Teocrático que a Igreja Universal tem desde suas origens. Ele nem começou a governar. O importante é a Universal ver seu escopo político aumentando.

E pensar que o Rio de Janeiro, outrora vanguarda da cultura, do esclarecimento político e da contestação, elegeu esses dois protozoários… Vivemos o caos e sem governo.

O DELÍRIO CARNAVALESCO DE TEMER

temer vampiroO carnaval acabou e alguns de seus ecos ainda ficarão por algum tempo, como o desfile da Paraíso do Tuiuti. Mas hoje, em plena quarta-feira de cinzas, queremos destacar um dos delírios carnavalescos mais risíveis. O jornal Valor Econômico traz como destaque a notícia de que Temer acredita que pode ser reeleito. O presidente golpista, que conseguiu atingir o maior índice de rejeição da história do Brasil, parece ter se animado com a condenação em segunda instância do ex-presidente Lula, que lidera em todos os cenários. Segundo a informação do Valor Econômico, a provável inelegibilidade de Lula teria animado o golpista e seus comparsas.

Trata-se, evidentemente, de um delírio carnavalesco. Até porque, caso Lula fique mesmo de fora, Temer pensar que herdaria algum naco de seus votos é algo, no mínimo, risível. O que Temer já deve saber, mas não quer admitir, é que ele foi escalado pelo grande capital estrangeiro e pelo grande empresariado nacional, para fazer o “serviço sujo”: agredir direitos sociais e trabalhistas, acabar com as aposentadorias para beneficiar os planos privados e realizar a entrega de estatais que já registram lucros, como a Eletrobrás. No mais, ele será defenestrado, como qualquer outro objeto descartável.

Depois de ter sido levado ao auge do ridículo no carnaval e de estar metido em mais um escândalo (agora na questão do decreto sobre os portos, envolvendo benefícios para a empresa Rodrimar no porto de Santos), Temer delira achando que pode ser eleito para alguma coisa. O papel ridículo que ele faz tem prazo de validade para a direita golpista e seus asseclas: ele deverá agredir de todos os modos os trabalhadores em geral, privatizar tudo o que for possível e entregar um país pronto para a exploração do capital, especialmente estrangeiro. E, nos planos da direita, Temer não aparece nem como figurante após o seu mandato. Até porque, diversos setores da direita estão acobertando os seus crimes para quê? Claro que não é para mantê-lo no poder. E, em uma eventual eleição, é provável que ele consiga estar abaixo de figurante. Ficaria, como mero espectador, tendo seus delírios prostáticos…