UMA TRAGÉDIA ANUNCIADA

Estávamos em 2019. Na ocasião, uma vistoria feita no Hospital Federal de Bonsucesso, no Rio de Janeiro, apontava 27 riscos de incêndio no hospital. O Proadi-SUS (Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS) alertava o Ministério da Saúde sobre a precariedade nas condições de segurança do hospital, evidenciando a vulnerabilidade daquela unidade a incêndios. Evidentemente, saúde e vidas deveriam estar em primeiro lugar. Mas isso, evidentemente, não é o princípio seguido pelo governo Bolsonaro, que foi informado dos riscos aos quais um grande hospital federal estava exposto. E o governo também sabia dos investimentos que deveriam ser feitos para dar segurança a pacientes e profissionais de saúde. As mazelas eram evidentes. E a necessidade de investimentos também.

“O sistema de prevenção e combate a incêndio é precário e não existe plano de prevenção e combate a incêndio aprovado pelo Corpo de Bombeiros ou licença”, dizia o relatório do Proadi-SUS em 2019. Ainda assim, criminosamente, o governo Bolsonaro, em sua insanidade facínora, cortou verbas do orçamento do Hospital de Bonsucesso.

Hoje pela manhã a tragédia anunciada em 2019 se consumou e um grande incêndio no Hospital de Bonsucesso foi o resultado de uma política de governo que incentiva armas e nega a vacina. De um governo que, mesmo sabendo dos riscos, nada fez para evitar o pior. Foi uma tragédia dentro da tragédia de saúde que o país vive. A retirada de pacientes em estado grave, entubados, com aparelhos, registrou cenas apavorantes. Uma borracharia vizinha do hospital serviu como ponto de apoio. Profissionais da saúde, funcionários em geral, pacientes e seus familiares, todos em uma situação de terror. Dois pacientes faleceram durante a remoção para outras unidades.

Já foram feitas até denúncias de que o Hospital de Bonsucesso tinha ingerência de milicianos. Tudo a ver com o governo Bolsonaro, que deve ser responsabilizado por mais esse crime, que causou duas mortes, fruto do descaso por ter ignorado alertas tão graves feitos no ano passado. Bolsonaro e todos aqueles que apoiaram o corte de verbas do orçamento do hospital devem ser responsabilizados por mais esse crime contra a saúde e contra as vidas dos brasileiros.

BOZO QUER PRIVATIZAR O SUS!

“Vamos tomar as medidas cabíveis. Precisamos fortalecer o SUS contra qualquer tipo de privatização e retirada de direitos”. (Fernando Pigatto, Presidente do Conselho Nacional de Saúde).

Em plena pandemia, e com o país atravessando a maior crise de saúde de sua história, quando ficou provado que milhões de brasileiros necessitam do SUS, o Diário Oficial de hoje, 27 de outubro, publicou o Decreto 10.530, que entrega a gestão das unidades básicas de saúde à iniciativa privada.

Esse é mais um crime de Jair Bolsonaro contra a saúde pública, dentre os muitos que ele já cometeu durante a pandemia. Privatizar o SUS significa tirar da grande maioria dos brasileiros o acesso à saúde que, constitucionalmente, deve ser universalizado. A tentativa de privatizar o SUS é mais uma agressão do governo Bolsonaro aos direitos básicos da população. Desta vez, do direito à saúde.

A tentativa criminosa de Bolsonaro de privatizar a saúde pública recebeu reações, vindas tanto do Conselho Nacional de Saúde (CNS), como do Congresso Nacional. O Conselho Nacional de Saúde pretende ir à Justiça para impedir mais esse crime de Bolsonaro contra a saúde dos brasileiros.

Agora, em plena pandemia, além da luta contra o negacionismo do vírus e contra o negacionismo da vacina, uma outra frente de luta terá que ser aberta: a luta contra a privatização de uma das maiores conquistas e patrimônio da sociedade: a universalização do acesso à saúde através do SUS. O SUS é uma conquista e um patrimônio do povo brasileiro e sua privatização seria a culminância do projeto genocida de Bolsonaro e seus comparsas.

O VÍDEO DO “TIO” EVANDRO

“Eu dava porrada nas putas. Dei porrada em crianças, velhos e adolescentes. Descobri que gosto de bater nas pessoas.” (Evandro Guedes, ex-PM, aliado dos Bolsonaros e dono do cursinho Alfacon, em vídeo).

Foi nas dependências do cursinho preparatório Alfacon, de propriedade do ex-policial militar Evandro Guedes, que Eduardo Bolsonaro, durante uma palestra, disse que “para fechar o STF basta um cabo e um soldado”. E o dono do curso que abriu as portas para Eduardo Bolsonaro, Evandro Guedes, aparece em um vídeo dentro de seu cursinho passando instruções e as suas “experiências” para candidatos que pretendem entrar na Polícia Rodoviária Federal. O vídeo é de 2018, mas só na última semana foi divulgado.

O vídeo é recheado de apologia à violência, racismo, todo tipo de preconceito e nele o “tio Evandro” confessa vários crimes. Entre outras barbaridades, o ex-PM bolsonarista “incentiva” os candidatos que pretendem ingressar na Polícia Rodoviária Federal dizendo absurdos como:

“Vocês serão aqueles caras foda que toda mulher vai querer dar.” Ou ainda:

“Pode dar carteirada em todos os puteiros.”

Falando sobre sua experiência, confessou;

“Eu dava porrada nas putas… Dei porrada em homens, mulheres, crianças, velhos e adolescentes.”

Sobre os favelados, disse o “tio” Evandro:

“A porra dos favelados, aquela crioulada…” E confessa:

“Descobri que gosto de bater nas pessoas.”

Felizmente o “tio” Evandro não representa os policiais e tampouco a Polícia Rodoviária Federal. Em um país sério esse cara seria processado, preso e seu cursinho fechado e descredenciado. Mas é bem provável que, depois desse vídeo, ele ainda seja condecorado pela família Bolsonaro. Isso que vocês irão assistir não é a Polícia Rodoviária Federal do Brasil. O que vocês irão assistir é Bolsonaro!

Uma sugestão: antes de clicar para assistir ao vídeo do “tio” Evandro, preparem o estômago. Não sei se alguns o terão para assistir até o fim.

CHILENOS SEPULTAM CONSTITUIÇÃO DE PINOCHET

O povo chileno, em um dia histórico, foi às urnas neste domingo, 25 de outubro, para, em um plebiscito, sepultar de vez a Constituição da época do ditador Augusto Pinochet. Pinochet, que chegou ao poder com o golpe de 11 de setembro de 1973, apoiado pelos Estados Unidos, implantou uma das ditaduras militares mais sanguinárias da América do Sul, depois de assassinar o Presidente Salvador Allende, legitimamente eleito pelo povo. O ditador Pinochet, um dos maiores assassinos da América, é até hoje elogiado por Bolsonaro.

A ditadura de Pinochet terminou em 1990, mas o Chile ainda convivia com uma herança maldita da era de Pinochet: a Constituição elaborada na época do ditador. Mas ontem, em um dia histórico para o Chile e para a democracia na América do Sul, o povo chileno disse um rotundo “não” à Constituição da era da ditadura. Com a apuração quase encerrando, cerca de 80% dos eleitores votaram a favor de uma nova Constituição. A participação foi gigantesca, com cerca de 8 milhões de chilenos votando no plebiscito. Isso, mesmo com o voto não sendo obrigatório no Chile.

O próximo passo é a eleição de uma Assembleia Constituinte (a Comissão Constitucional), composta de 155 membros, em 2021, para que o país, já em 2022, tenha uma nova Constituição, que deverá ser ratificada em um novo plebiscito.

Com a votação de ontem, o povo chileno mandou para o lixo da história não apenas Pinochet e sua Constituição, como também todos os seus apoiadores dentro e fora do Chile. Não existe ditadura e nem as suas heranças nefastas que sobrevivam à democracia com participação popular. Foi mais uma derrota da direita fascista. Viva o Chile!

COISAS DA CHINA

“Não compraremos vacina chinesa!” (Jair Bolsonaro, em 23 de outubro de 2020).

Bolsonaro deu início à “Segunda Revolta da Vacina” na história brasileira, ao declarar que não compraria a “vacina chinesa”. Se bem que a Anvisa já liberou a a vacina que Bolsonaro disse que não iria comprar. A afirmação de Bolsonaro logo inflamou a boiada ensandecida de bolsonaristas. Porque os bolsonaristas odeiam tudo o que vem da China. Então, exigimos coerência dos bolsonaristas, porque se eles odeiam tudo o que vem da China, então deixarão de fazer várias coisas. Senão, vejamos:

Primeiro, terão que parar de comprar armas e de soltar fogos na porta do Supremo Tribunal Federal. Porque armas e fogos não funcionam sem a pólvora e tanto a pólvora como os fogos de artifício foram inventados pelos chineses. É da época da dinastia Tang. Se souberem dessa, os bolsonaristas nunca mais vão querer ir à queima de fogos em Copacabana na virada do ano.

Os bolsominions também não poderão mais viajar de avião ou navio. Porque esses meios de transporte não os levarão a lugar algum sem um equipamento chamado “bússola”. E a bússola também foi inventada na China, no segundo século antes de Cristo.

Os bolsominions também não poderão mais ler os livros do Olavo de Carvalho, do Silas Malafaia e nem os jornais da Igreja Universal. Porque eles são feitos em impressão no papel e tanto e o papel, assim como a imprensa, também foram inventados pelos chineses.

E aquele macarrãozinho, pelo qual Marco Polo se apaixonou e até hoje é apreciado por muitos bolsonaristas? Aviso: o macarrão também foi inventado pelos chineses!

Será que os bolsonaristas vão passar a comer com a mão depois que souberem que o garfo também foi inventado na China?

Atenção bolsonaristas: joguem fora todas as notas de dinheiro que vocês tiverem, porque o papel-moeda foi uma invenção chinesa do século IX depois de Cristo, numa época que faltava cobre para fazer moeda de metal. Já pensaram quanto “dinheiro chinês vivo” a família Bolsonaro usa em suas tenebrosas transações?

E mais: a partir de agora bolsonarista que se preza, quando for a um restaurante não pode mais pedir o cardápio. Afinal, quem inventou o cardápio também foram os chineses. Existiam tantas variedades de comida, que os chineses tiveram que inventar o cardápio.

Mas não é só. Vestidos de seda? Camisas de seda? Claro que os bolsominions não vão mais usar. Afinal, a seda também é uma invenção chinesa.

Outra notícia: acredito que a partir de hoje os bolsominions devem escovar os dentes com o dedo, porque a escova de dentes também foi inventada pelos chineses.

Cuidado! Se algum bolsonarista ou alguma criança estiver jogando dominó, lembrem-se que este joguinho de 28 pedras numeradas também foi inventado pelo chineses.

Jogar baralho? Pintar a casa? Nunca, bolsonaristas! Afinal, as cartas de jogar e a tinta também foram inventadas pelos chineses.

E essa é para terminar: quando os bolsonaristas acabarem de fazer cocô, eles devem limpar o bumbum com a mão. Porque, sabem quem inventou o papel higiênico? Ganha uma dose da Coronavac quem acertar.

ATÉ QUANDO OS GENERAIS ACEITARÃO OS ESCULACHOS?

“Os generais estão entregando sua dignidade para um débil mental.” (Renato Rovai, jornalista e editor da revista digital Brasil 247).

Se há uma frustração inequívoca que Jair Bolsonaro carrega em sua vida, esta é a de ser um militar frustrado, que saiu do Exército pelo esgoto e foi até chamado por um de seus ídolos, o general Geisel, de “mau militar”. Indisciplinado, acabou reformado como capitão. Em seu currículo militar, pode-se dizer que desonrou a farda que um dia vestiu.

Agora como Presidente da República, uma das características de seu governo é esculachar generais. Afinal, o Comandante Supremo das Forças Armadas, que é um capitão reformado, manda, e os generais obedecem. Mas isso, para Bolsonaro, não basta. Desde o início de seu governo que generais têm sido alvo de humilhações, intrigas e esculachos, tanto por parte de Bolsonaro como por parte de seus filhos e agora a tarefa de esculachar generais já foi até “terceirizada” para o Ricardo Salles.

Primeiro foi o general Santos Cruz, que ocupou a Secretaria de Governo. Atacado diuturnamente pelo filho de Bolsonaro vulgarmente conhecido como “Carluxo” (em consórcio com o astrólogo Olavo), acabou sumariamente demitido por Bolsonaro. Claro que “carluxo” e o astrólogo tinham razão!

Até o vice-presidente da República Hamílton Mourão foi (e vez por outra é) alvo de ataques dos filhos de Bolsonaro. Mas as reações do general Mourão são muito parcimoniosas e ele poderia ser mais incisivo ao reagir, até porque Bolsonaro não pode demiti-lo porque ele é eleito.

Na última semana nem se fala. Os generais do governo foram atirados ao fundo do poço. A humilhação pública sofrida pelo “ministro” da Saúde, Eduardo Pazuello, que é um general da ativa, foi um episódio deplorável. Episódio que qualquer ser humano que estivesse em seu lugar e por mais humilde que fosse, mas que tivesse um nanômetro de dignidade, teria ido para casa e mandado Bolsonaro “para aquele lugar”. Além de desautorizado e desmoralizado publicamente, Pazuello ainda foi impelido a passar pelo constrangimento de gravar um vídeo tendo que dizer, ao lado do Bolsonaro, que “um manda e o outro obedece!” Não há contracheque turbinado que possa fazer alguém, com um mínimo de dignidade, passar por essa humilhação. Mas o general Pazuello passou!

E, para finalizar, agora os esculachos aos generais já são “terceirizados” pela família Bolsonaro. Valendo-se desse “direito” Ricardo Salles “passou a boiada” no ministro da Secretaria de Governo, o general Luiz Eduardo Ramos, chamando-o de “Maria Fofoca” nas redes sociais. Ora, um general que é ministro ser chamado de “Maria Fofoca” deve exigir ou uma retratação pública ou deixar o governo. Sabe-se que os filhos do Bolsonaro apoiaram a ofensa, pois são partidários do Salles. Mas se o general ouviu o “elogio” e ainda mantém-se no governo é porque também entubou. O general Ramos também deve saber que se Bolsonaro tiver que escolher entre ele e Salles, claro que escolherá Salles.

Até quando os generais venderão suas almas, suas estrelas e suas dignidades a um psicopata frustrado que, por um acidente de percurso, chegou à Presidência da República? Até quando os generais aceitarão as humilhações de um governo liderado por um paranoico arrivista? Até quando os generais aturarão tantos esculachos? Saiam já daí e voltem para o quartel os que forem da ativa ou para casa os que forem da reserva!

FILHOS DO BOZO QUEREM DERRUBAR “MARIA FOFOCA”

Mais um ministro na mira dos filhos do Bolsonaro. Dessa vez é o “Maria Fofoca”. “Maria Fofoca” é o apelido do ministro da Secretaria de Governo, o general Luiz Eduardo Ramos. A alcunha foi dada por Ricardo Salles, o ministro devastador do meio ambiente. Depois de ser publicamente criticado pelo general Luiz Eduardo Ramos, Ricardo Sales não se conteve e apelou para a baixaria nas redes sociais, chamando o general de “Maria Fofoca”. De imediato Ricardo Salles teve o apoio dos filhos de Bolsonaro, que agora já querem derrubar o general. Seria mais um ministro derrubado pela prole do Bozo, a exemplo do que já fizeram com Bebianno e com o também general Santos Cruz.

A chamada ala ideológica do governo teme perder força, especialmente depois que Bolsonaro se ajoelhou ao “Centrão”. Assim, queimar os ministros militares tem sido o expediente usado pelos filhos do Bozo para, depois, derrubá-los. E tudo indica que a bola da vez é o general Luiz Eduardo Ramos.

Se a conspiração dos filhos do Bozo tiver êxito, será mais uma derrota dos militares, especialmente de generais, que estão sendo usados e abusados sem dó nem piedade por Bolsonaro. Pazuello que o diga! Os filhos do Bozo já provaram que derrubam mesmo ministros. “Maria Fofoca” que se cuide!

JORNALISTA DO GLOBO SUGERE FECHAMENTO DO SENADO

“Senado para quê?” (Título de uma nota da coluna do jornalista Ascânio Seleme, de O Globo, em 24 de outubro de 2020).

Sob o título “Senado para quê?” o jornalista Ascânio Seleme, do jornal O Globo, publica uma nota em sua coluna de hoje, 24/10, em que ele questiona se “não seria hora de discutir para que serve o Senado Federal”. O mote para tal questionamento, como não poderia deixar de ser, é o estrondoso e deplorável caso do dinheiro escondido nas nádegas do senador bolsonarista Chico Rodrigues. Ascânio Seneme considera uma vergonha o fato de Chico Rodrigues ser substituído pelo próprio filho, com o que concordamos. Em seguida, o ilustre jornalista vai, como ele próprio admite, “um pouco mais fundo”, e questiona:

“Não seria hora de discutir para que serve o Senado Federal? Talvez assim se possa entender porque o Amapá (751 mil habitantes) tem o mesmo número de senadores de São Paulo (44 milhões de habitantes). Davi Alcolumbre, por exemplo, teve 131.695 votos, enquanto o Major Olímpio foi eleito com o sufrágio de 9.039.523 paulistas. Está certo?”

Respondendo ao jornalista Ascânio Seleme: está certo sim! O Senado Federal, em um sistema federativo como é o caso do Brasil, existe exatamente para manter o equilíbrio entre os entes federativos (Estados), de modo a preservar a isonomia dos Estados perante a Federação. Tanto que, constitucionalmente, os senadores são representantes dos Estados, enquanto que os deputados federais são representantes do povo.

Nos exemplos do Amapá e São Paulo, dados pelo jornalista, vejamos o número de deputados federais, que é proporcional à população: São Paulo tem 70 deputados federais e o Amapá possui apenas 8. Mas no sistema federativo (união de estados autônomos), o Legislativo geralmente é bicameral, ou seja, há uma segunda Câmara (no caso, o Senado Federal) que representa os Estados. Se assim não fosse, haveria um desequilíbrio na Federação, com os Estados que possuem mais deputados (São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul) tendo a hegemonia das decisões, quebrando o equilíbrio federativo. Por isso, há uma segunda Câmara, que representa os Estados, com isonomia na representação. E, partindo-se do princípio da igualdade dos entes federativos perante a Federação, nessa segunda Câmara, que é o Senado, a representação é igualitária. Portanto, está certo sim. Ou seja, o número de senadores por cada Estado não se explica pela população de cada Estado e sim pelo princípio da igualdade dos Estados perante a Federação e por isso todos os Estados possuem 3 senadores.

Questionar o critério de escolha dos suplentes, tudo bem. Mas perguntar “Senado para quê?” numa época em que fascistas ensandecidos pedem o fechamento do Congresso e do STF, soa como um estímulo um tanto perigoso. Tomara que nenhum bolsonarista tenha lido a coluna do Ascânio Seleme.

OS 80 ANOS DO REI QUE JÁ VESTIU A CAMISA DO OLARIA

Hoje Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, completa 80 anos de idade. Dos 1282 gols que marcou, três foram contra o Olaria. Isso em 1963. Mas os olarienses também se orgulham de terem visto Pelé vestir a gloriosa camisa do alvianil da Bariri um anos depois, em 1964. Hoje o mundo, e também de forma muito especial os olarienses, comemoram o aniversário do rei que um dia vestiu o manto olariense.

Em homenagem ao Pelé e aos olarienses, reproduzimos hoje o capítulo de nosso livro “Olaria – Histórias de um Centenário”, que fala do dia em que Pelé vestiu a camisa do Olaria.

O DIA QUE PELÉ VESTIU A CAMISA DO OLARIA

 Pelé consagrou-se no Santos, único clube brasileiro pelo qual ele jogou profissionalmente. Mas é sabido que, em algumas ocasiões especiais, jogos comemorativos ou amistosos, ele também vestiu a camisa de outros clubes: Vasco, Flamengo, Fluminense, Palmeiras e… Olaria. Isso mesmo, o nosso Olaria. O feito aconteceu no Maracanã, no dia 22 de março de 1964, em um jogo contra o Fluminense pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa (Torneio Rio-São Paulo). Foi o famoso jogo de “homenagem aos cariocas”, conforme consta na “Enciclopédia do Santos”, em que a equipe santista saiu vencedora por 1 a 0, gol de Pepe. Na verdade, este jogo serviu para a equipe do Santos fazer um agradecimento público à torcida carioca, que havia lotado o Maracanã para apoiar o time da Vila Belmiro nos jogos contra o Benfica e o Mílan, respectivamente em 1962 e 1963, quando o Santos sagrou-se bicampeão mundial. Mesmo sendo um time de São Paulo, o Santos optou por fazer seus jogos pelo Mundial no Maracanã e os torcedores da antiga Guanabara adotaram o alvinegro praiano como seu time.

Em agradecimento ao apoio recebido pela torcida carioca, naquele jogo de 1964 cada jogador do Santos entrou em campo com a camisa de um clube do Rio. Na época eram 12 clubes. Mas o futebol só tem 11 jogadores. O que aconteceu? Bem, ao chegar ao vestiário, a equipe do Santos trazia as camisas de 10 clubes: Campo Grande, Madureira, Flamengo, Vasco, América, Bangu, São Cristóvão, Portuguesa, Fluminense e Olaria. Não sei o porquê, mas não havia camisa nem do Botafogo e nem do Bonsucesso. O goleiro Gilmar foi o único a usar a camisa do Santos sobrando, portanto, 10 clubes. E Pelé escolheu a do Olaria, inscrevendo em nossa história mais esta página de glória: ter o Rei do Futebol vestido a camisa do alvi-anil da Bariri.

Muito já se falou em relação ao fato de Pelé ter escolhido a camisa do Olaria. Alguns dizem que Pelé foi “político”, não querendo assim optar por nenhuma camisa dos times das quatro maiores torcidas. Sinceramente, não acredito nesta versão, que até certo ponto tenta desvalorizar a escolha de Pelé. Fala-se muito da simpatia de Pelé pelo Vasco e ele próprio já se declarou vascaíno. Portanto, ele poderia ter escolhido a camisa do Vasco sem nenhum problema.  E, cá entre nós, se ele de fato quisesse ser “político” em sua escolha, teria optado pela camisa do Flamengo. Mas Pelé, além de ser inteligente, já conhecia o Olaria, time contra quem havia jogado no Torneio Rio-São Paulo de 1963. Pelé sabia que o Olaria tinha craques que, mais tarde foram parar sabem aonde? No próprio Santos. Foi o caso do goleiro Cláudio e do zagueiro Haroldo. Haroldo, inclusive, tem uma foto em destaque no Memorial das Conquistas, o Museu do Santos, junto com Coutinho, Edu, Mengálvio, Pepe,  e o próprio Pelé. Pelé fez uma escolha consciente e inteligente. Sua escolha não foi aleatória nem política. Infelizmente, nossa mídia local sequer menciona este episódio. Claro que as ocasiões em que Pelé usou as camisas de seus “queridinhos” são fartamente divulgadas. Aliás, Pelé, muito obrigado. Sua escolha também significou uma derrota da mídia elitista, que insiste em pensar que o futebol do nosso estado resume-se a apenas quatro clubes.

 PS.: Oito anos mais tarde, em 1972, seria a vez de Garrincha vestir a camisa olariense e quinze anos depois, em 1979, seria vez de Romário envergar a alvi-anil da Bariri!

(Extraído de: “Olaria – Histórias de um Centenário”, Pedro Paulo Vital, 2016, páginas 16 e 17).

VÍDEO FOI EXIGÊNCIA DO BOZO PARA MANTER PAZUELLO NO CARGO

Depois da humilhação pública à qual foi submetido, o general Eduardo Pazuello, “ministro” da Saúde, deveria ter pedido o boné. Mas ele não quer, certamente, largar o “bocão” do cargo de ministro. Então, o capitão reformado levou o general da ativa ao fundo do poço: Bolsonaro exigiu que Pazuello gravasse um vídeo em que o “ministro” se humilha ainda mais e diz que “é simples assim: um manda e o outro obedece”.

No vídeo, o general da da ativa diz não ter tido qualquer problema ou briga com Bolsonaro. E, de quebra, faz propaganda da cloroquina. A coisa é tão artificial que Bolsonaro faz o papel de um jornalista que entrevista Pazuello, com perguntas em que as respostas já s]ao esperadas. Tanto que, a primeira pergunta de Bolsonaro, foi sobre o medidamento que o geneal utilizou. A resposta, claro, todos sabem.

A informação de que a participação do general Pazuello no vídeo foi uma exigência de Bolsonaro para mantê-lo no cargo foi veiculada hoje pela jornalista Bela Megale. Segundo reportagem da jornalista, Bolsonaro exigiu que Pazuello se retratasse publicamente participando, de forma patética, da gravação. E, no vídeo, o general da ativa é, mais uma vez, reduzido a pó pelo capitão reformado. Assistam: