SERRA TÁ LIVRE, SEU BABACA!

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“Avançar no tempo, e nas estrelas fazer meu ziriguidum…” (Trecho do samba-enredo da Mocidade Independente de Padre Miguel, 1985).

A Lava-Jato é mesmo tucana. O tucano José Serra, que andava muito sumido, mas que agora certamente deve reaparecer falando em “moralidade” e “combate à corrupção”, está definitivamente livre da Lava-Jato. Seu processo por “caixa 2”, crime que Sérgio Moro já afirmou ser pior do que corrupção, prescreveu. Serra era acusado de receber uma propina de mais de 23 milhões da Odebrecht.

O processo de Serra andou a passos de tartaruga, ao contrário de outros, que em tempo recorde já chegaram até na terceira instância. Serra foi beneficiado pela idade. Pelo fato de já ter mais de 70 anos, o tempo de prescrição cai pela metade e assim mais um tucano vai sair ileso e rindo da cara dos babacas (ou cúmplices) que sempre repetiram o mantra de que “a lei é para todos”.

A decisão sigilosa, sem alarde e na calada da noite, foi decretada pelo juiz eleitoral Francisco Shintate neste dia 24 de janeiro de 2020. Com isso, a exemplo de Aécio e de outros, Serra torna-se mais um tucano eternamente inimputável! Hoje, em algum lugar do espaço, vai ter muita festa. Se o samba da Mocidade Independente do carnaval de 1985 fosse feito hoje, certamente poderíamos dizer que foi uma homenagem a José Serra. Afinal, o ET está livre e ele vai fazer muito ziriguidum nas estrelas. Porque na Suíça ele já fez!

CORRUPÇÃO AUMENTOU. MAS NÃO IA ACABAR?

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Imaginem se o Aécio fosse novamente candidato a Presidente da República e tivesse como sua principal bandeira o combate ao tráfico de cocaína. Seria risível. Tão risível como Bolsonaro, em sua campanha presidencial, ter feito do combate à corrupção a sua principal bandeira.

A Transparência Internacional, fundada em 1993, é uma organização que tem por objetivo lutar por um mundo onde governos, empresas e a sociedade de um modo geral sejam livres da praga da corrupção. E, anualmente, a Transparência Internacional divulga um ranking denominado Índice de Percepção da Corrupção (IPC). Evidentemente, percepção ou aparência não implicam, necessariamente, em realidade. Porém, certas medidas governamentais podem ajudar nessa percepção, melhorando a imagem do país junto ao mundo e, evidentemente, atraindo investimentos, crescimento econômico e geração de empregos. O IPC é uma nota atribuída pela Transparência Internacional, que vai de 0 (zero) até 100 (cem). Quanto menor a nota, maior a percepção de corrupção no país e quanto maior a nota, menor a percepção de corrupção. Segundo a entidade internacional, o Brasil retrocedeu em relação à percepção de corrupção e esse é mais um dos muitos engodos que Bolsonaro preparou para o seu eleitorado “moralista”.

A Transparência Internacional acaba de divulgar o ranking de percepção de corrupção referente ao ano de 2019 e o Brasil caiu uma posição no ranking, indo para a 106ª colocação, com a nota 35. Para um governo que combateria a corrupção de forma obstinada, ter caído em um ranking de percepção de corrupção então algo, ou tudo, está muito errado. Chama muito nossa atenção o que aconteceu depois de 2016. O golpe que tirou Dilma da Presidência da República apresentava-se como necessário para combater a corrupção e “acabar com a mamata”. Porém, depois de 2016, a nota do Brasil no IPC só vem baixando. Sucedeu Dilma o governo corrupto do Temer-PSDB e em 2017 a nota do Brasil diminuiu e caiu mais ainda em 2018. E agora, em 2019, a nota foi mantida, mas o Brasil caiu uma posição. Tudo depois de o PT ter deixado o governo. Então, segundo a Transparência Internacional, depois de 2016, a percepção de corrupção no Brasil aumentou. E com o PT, ao qual foi atribuído o fardo de ser o único corrupto do país, estando fora do poder. Abaixo, a evolução histórica, antes e depois de 2016, com a chegada dos “redentores moralistas combatentes da corrupção” ao poder:

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Ou seja, desde 2012, em nenhum governo petista houve tanta percepção de corrupção como nos que vieram depois deles. Então, se houve corrupção nos governos petistas (e houve!), ela foi ainda maior com Temer e Bolsonaro, segundo a Transparência Internacional. Isso não é difícil de entender: No caso do governo golpista Temer-PSDB, os escândalos em série, desde o diálogo com Joesley até a compra de votos na Câmara dos Deputados para manter Temer no poder, a mala de 500 mil que o Geddel entregaria ao Temer, as falcatruas do “gato angorá, que foi elevado à condição de ministro só para ter foro, dentre outros escândalos, explicam a queda da nota. Abaixo, a posição brasileira e os países que encontram-se na mesma zona de classificação, com as notas, respectivamente, de 2019, 2018, 2017, 2016 e 2015:

Porém, tudo iria acabar a partir de Bolsonaro. E o que vimos? Ou melhor, o que o mundo e a Transparência Internacional viram? Logo no primeiro mês de governo, estoura o escândalo do Queiroz. e o que fez Bolsonaro? O blindou por todo o tempo. Com Queiroz, vieram os escândalos envolvendo o filho do presidente, Flávio Bolsonaro, que vão desde “rachadinhas” em seu gabinete até lavagem de dinheiro com loja de chocolates e transações imobiliárias desproporcionais e nababescas. Isso sem falar nos “cheques da Michelle”, nos “laranjas do PSL“, nas falcatruas do ministro do Turismo, no “caixa 2” do Onyx. Tudo, rigorosamente tudo, blindado por Bolsonaro. Blindagem, aliás, chancelada por Moro. Hoje, sabe-se até que um irmão de Bolsonaro, Renato Bolsonaro, atua como lobista e até distribui verbas, mesmo sem ocupar formalmente qualquer cargo. Isso sem falar no insofismável envolvimento da família Bolsonaro com milicianos. E Bolsonaro, em todos esses casos, permanece fazendo “vistas grossas”.  Mas “a justiça não era para todos?” Faz-me rir…

A divulgação do ranking de percepção da corrupção pela Transparência Internacional, mostra o que já sabíamos. Mostra também o que alguns não querem ver. E mostra ainda o que alguns não acreditavam e hoje estão com cara de bunda envernizada depois de terem chamado o Bolsonaro de “mito” e votado nele “contra a corrupção”. Mas parece que ela só vem aumentado. Especialmente depois de 2016. Repetindo: depois de 2016! Mas ela não ia acabar? “Quá-quá-quá” para os patos amarelos!

 

MORO, A MESA E A CADEIRA

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“Lógico que ele deve ser contra.” (Jair Bolsonaro, referindo-se a Sérgio Moro sobre a recriação do Ministério da Segurança Pública, que irá tirar poderes de Moro, em 23 de janeiro de 2020).

O esvaziamento de Sérgio Moro e seu desprestígio no governo Bolsonaro já não são mais coisas que possam ser negadas, muito menos escondidas. Desde o início do governo que a extrema-direita dividiu-se entre Bolsonaro e Moro. Na verdade, um precisava (e ainda precisa) do outro. Bolsonaro precisa de Moro no governo, visto que a popularidade do ex-juiz é maior do que a do próprio Presidente junto à direita. Já Moro precisa do espaço no governo de extrema-direita para fazer o seu populismo eleitoreiro em nome de uma “cruzada contra a corrupção e o crime”. Bolsonaro não pode, de modo algum, demitir Moro. E Moro não pode, de modo algum, sair do governo agora, visto que quer deixar um legado que possa ser capitalizado politicamente. Certamente por isso Moro atura e engole tantas desautorizações e humilhações.

Para quem ia ter “carta branca” no Ministério da Justiça e Segurança Pública, Moro virou o “office boy” de Bolsonaro. Foram várias as ocasiões em que Moro foi desautorizado, escanteado, humilhado e esvaziado no governo Bolsonaro. E seu chefe, sempre lhe colocando no lugar de subordinado, inclusive lembrando ao “herói da República de Curitiba” que ele não tinha mais a caneta na mão. Desde o veto de Bolsonaro à nomeação feita por Moro de uma mera suplente para o Conselho de Segurança Pública até a manutenção, por Bolsonaro, do juiz de garantias, ao qual Moro se opunha, que Moro é só derrota no governo Bolsonaro. Basta dizer que o site ultra-direitista O Antagonista, que defende Sérgio Moro com unhas e dentes, chegou a publicar, em setembro de 2019, uma matéria intitulada “Moro é figurante”. Talvez isso não deixe nenhuma dúvida quanto à condição de Moro, especialmente vindo do veículo da mídia que mais o apóia.

Agora, poderá vir o tiro quase que mortal para Moro no governo. Bolsonaro cogita recriar o Ministério da Segurança Pública, que seria desmembrado da Justiça e tiraria poderes de Moro. Especialmente no que se refere ao comando da Polícia Federal o que, certamente, fará com que qualquer resultado positivo de combate ao crime não possa ser capitalizado pelo ex-juiz. Ele ficaria apenas com a pasta da Justiça, tendo ainda um papel menos relevante no governo e dificilmente podendo aparecer para seu eleitorado. Seria mais uma das muitas “podas” já feitas por Bolsonaro a Moro em seu governo. Acrescente-se ainda que Rodrigo Maia, o Presidente da Câmara dos Deputados, é favorável à recriação do Ministério da Segurança Pública, o que vem a ser um respaldo considerável à medida.

Vendo a situação de Moro, lembro-me de Jânio Quadros, que quando queria esvaziar alguém em seu governo, fosse como prefeito de São Paulo, fosse como Presidente da República, dizia: “ele terá uma mesa e uma cadeira.” Tudo leva a crer que esse será o destino de Moro no governo de extrema-direita de Bolsonaro: ele terá uma mesa e uma cadeira. E não terá caneta alguma.

RASGANDO O GLOBO, MERVAL E SARDENBERG

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Ontem falávamos sobre o silêncio de alguns jornalistas, como Merval Pereira e Carlos Alberto Sardenberg, em relação à absurda denúncia da PGR contra o jornalista Glenn Greenwald. Hoje, porém, tanto o jornal O Globo, do qual Merval e Sardenberg são funcionários, como os próprios jornalistas globais, manifestaram-se a respeito da perseguição ao jornalista do The Intercept. Em Editorial, O Globo manifestou-se na edição de hoje. Com o título “Indiciamento de jornalista é afronta”, o Editorial do jornal da família Marinho não pôde deixar de expressar sua postura contrária à denúncia contra Glenn. Porém o jornal, não deixando de seguir sua linha lavajatista-morista, ao referir-se ao material divulgado por Glenn, não perdeu a oportunidade de blindar, de algum modo, Sérgio Moro. Diz O Globo em seu Editorial:

“Há um debate e enorme divergência em torno da importância jurídica do material, sem dúvida usado por interessados em degradar a imagem de Moro e ajudar investigados…”  (O destaque é nosso).

Vejam que o jornal O Globo não perde a oportunidade de vitimizar Sérgio Moro. Se Sérgio Moro cometeu ilegalidades, fraudes processuais, conluio com procuradores, foi parcial e político em seus julgamentos, tudo provado pelas mensagens vazadas, então nem é necessário degradar a imagem de Moro. Ela auto-degradou-se. Nunca esquecendo-se do que disse o próprio Moro em 2016: “o que importa é conteúdo vazado, e não a forma como ele foi obtido.” Em segundo lugar, deve-se dizer que ninguém que condenou Moro pelo conteúdo vazado, inclusive juristas, constitucionalistas e membros do Judiciário, está querendo “ajudar investigados”, como disse O Globo em seu Editorial, e sim garantir o devido processo legal, a isenção e imparcialidade no julgamento o que, claramente, não foi observado em vários momentos da Lava Jato. De modo que O Globo está, ao mesmo tempo, “mordendo e assoprando” e desfocando o real assunto, que é a intimidação ao jornalismo e aos jornalistas.

Além do Editorial, o jornalista tucano-lavajatista Merval Pereira também se pronunciou. Sob o título “Denúncia Temerária”, Merval destaca em seu artigo que o Ministério Público é independente. Isso nós já sabemos. Porém, também em defesa de seu ídolo Sérgio Moro, Merval Pereira cita como exemplo o caso de Flávio Bolsonaro. Diz Merval Pereira que não houve atuação do governo ou vingança governamental, “já que o Ministério Público também é tão autônomo que está investigando o senador Flávio Bolsonaro, filho do Presidente.” Ora, senhor Merval Pereira, querer comparar o caso de Flávio Bolsonaro com o de Glenn Greenwald chega a ser risível. No caso de Flávio Bolsonaro há farta documentação, como extratos bancários que mostram a “rachadinha”, funcionários fantasmas, transações imobiliárias nababescas e desproporcionais, compra de chocolates por uma só pessoa no valor de quase 30 mil reais e até evidentes ligações com as milícias. E Flávio nem denunciado foi. Já o Glenn, sem investigação ou indiciamento, foi direta e absurdamente denunciado. Certamente a “solidariedade” expressa em seu artigo é meramente aparente e temerária mesmo são as suas lágrimas de crocodilo.

Finalmente, o sempre odioso Carlos Alberto Sardenberg. Esse claramente tergiversou. Em seu artigo intitulado “Ninguém foi censurado”, ele mostra que não está nem aí para o grave atentado ao Estado de direito cometido pelo procurador Wellington Divino. Usando o ardil de desfocar o assunto central, Sardenberg diz que não houve censura. Mas não se trata de censura e sim de intimidação. A intimidação é um modo de inibir o livre jornalismo e a liberdade de expressão. A censura, se necessária, vem depois. Só que o Glenn jamais se deixou intimidar e justamente por isso não sabemos o que poderia vir por aí. Com seu ódio e rancor que lhes são característicos, Sardenberg insiste na tese de que “ninguém foi censurado.” E mais: que “o Ministério Público não tem a obrigação de seguir exatamente o caminho da Polícia Federal.” Enfim, destilando seu ódio de sempre, praticamente afirma que tudo o que aconteceu é normal e termina com a frase: “A ver o que dizem os tribunais.” O ódio de Sardenberg é tamanho que ele nem foi capaz de se posicionar contra uma ameaça que pode até atingi-lo como jornalista. Tudo porque o Glenn fez o seu ídolo moralizador virar pó de titica. Patético!

Enfim, O Globo foi meramente protocolar em seu Editorial e aproveitou para fazer campanha pelo lavjatismo de Moro, o mesmo acontecendo com Merval e suas comparações tão absurdas como a denúncia contra Glenn. Já Sardenberg, o eterno odioso, não expressou nenhuma repulsa ao ato discricionário e fascista do procurador-denunciante. Seu ódio jamais irá permitir isso. Portanto, hoje é dia de rasgar os três!

 

DINO E AS LIÇÕES DA HISTÓRIA

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“O Brasil vive uma conjuntura de trevas. Nós temos uma ameaça objetiva à vida democrática, à dissolução da nação. O nazismo está entronizado como política de Estado daqui e de acolá. O vídeo de Roberto Alvim não é algo isolado. É preciso ter responsabilidade.” (Flávio Dino, do PCdoB, governador do Maranhão, em entrevista à Folha/UOL, em 22 de janeiro de 2020).

Flávio Dino, o governador do Maranhão que foi chamado por Bolsonaro de “governador de paraíba que não deveria receber nada”, finalmente explicitou a necessidade pela qual a conjuntura política brasileira atual clama: é necessária a formação de uma frente ampla para combater a bolha nazi-fascista do bolsonarismo que está no poder. Flávio Dino parece não ter esquecido as lições de história e as conjunturas em que foram formadas as frentes amplas. Na época da ascensão do nazi-fascismo na Europa, entre os anos 1920 e 1930, formaram-se frentes antifascistas integradas por comunistas, socialistas e liberais. Tudo para combater e evitar a metástase do fascismo. O mesmo ocorreu no Brasil, nos anos 30, quando a Aliança Nacional Libertadora, uma frente de esquerdas, formou-se para combater o integralismo, a versão brasileira do fascismo.

O Brasil vive um momento onde definitivamente não há lugar para vaidades, egos ou disputa pela liderança da oposição. O momento atual do Brasil é de grave ameaça à democracia e ao Estado de direito e essas ameaças não têm sido pontuais. A fala nazista de Roberto Alvim, o secretário de Cultura nomeado por Bolsonaro, como bem disse Flávio Dino, não é algo isolado. Os ataques do bolsonarismo à imprensa e ao Poder Judiciário, as sucessivas menções a uma reedição do AI-5, os pedidos de bolsonaristas para o fechamento do STF, a censura, o nacionalismo exacerbado que escolhe “inimigos da Pátria”, associados ao fundamentalismo religioso colocam o Brasil em uma era obscurantista, onde o sectarismo e as vaidades políticas farão com que a escuridão do túnel pelo qual passamos aumente ainda mais.

Flávio Dino, ao defender a necessidade de uma frente ampla para combater o fascismo, em entrevista à Folha/UOL, foi bem claro:

“O que eu tenho defendido com a ideia da frente ampla é a compreensão de que, quando você está num quadro de defensiva estratégica, que é o que nós vivemos em 2013, e mais acentuadamente desde o impeachment, você tem de reunir forças para retomar as condições de apresentar o seu programa, transformá-lo em vitorioso e implementá-lo.” 

Dino está tão convicto, assim como nós, da necessidade de uma frente ampla, que já conversou até como direitista Luciano Huck. Não é hora de “petismos”, “psolismos”, “lulismos” ou qualquer outra denominação de vertente política que divida a oposição, o que só favorecerá o fascismo. Lideranças como Lula e o PT, Ciro Gomes e o PDT, Marcelo Freixo e o PSOL devem ter a responsabilidade de entender que um confronto, seja político ou de vaidades, entre eles, só irá beneficiar a bolha fascista que encontra-se no poder. Que as esquerdas, a exemplo de Flávio Dino, aprendam de uma vez por todas as lições da história. Por mais prematuro que possa parecer, a campanha para 2022 já começou e as eleições municipais deste ano serão uma prévia não apenas para as possibilidade eleitorais da esquerda, mas especialmente para a sua maturidade e responsabilidade políticas. Todos, sem exceção, terão que ceder em algum ponto, ainda que em uma eventual, porém necessária aliança, tenham que deixar alguns elementos de suas vozes para depois. Sob o risco real de calarem-se para sempre.

 

BRIZOLA 98 ANOS

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“Todas as crianças deveriam ter direito à escola, mas para aprender devem estar bem nutridas. Sem a preparação do ser humano, não há desenvolvimento. A violência é fruto da falta de educação.” (Leonel Brizola).

Em 22 de janeiro de 1922 nascia em Carazinho, no Rio Grande do Sul, um dos maiores líderes políticos do Brasil, Leonel Brizola. Gostem ou não do Brizola, negar a importância dele na história política brasileira é negar a própria história do Brasil. E, nesse 22 de janeiro, queremos lembrar alguns momentos da trajetória política de Brizola, que enfrentou desde o “Império de Roberto Marinho”, até o exílio e a tentativa de fraude para impedir sua eleição ao governo do Estado do Rio de Janeiro em 1982.

Brizola marcou a vida política brasileira como o primeiro governante a fazer uma reforma agrária no Brasil, quando governador do Rio Grande do Sul. Nacionalista, denunciava o modelo colonial da economia brasileira e defendia uma economia voltada para os interesses do povo e livre das garras do imperialismo. Em 1961 comandou a vitoriosa Campanha da Legalidade, que visava garantir a posse do Presidente João Goulart, após a renúncia de Jânio Quadros, visto que os militares e grupos conservadores pretendiam rasgar a Constituição e impedir a legítima e legal posse de João Goulart.

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Foto acima: Brizola lidera a Campanha da Legalidade, em 1961.

Em 1964, quando era deputado federal, foi cassado pelo golpe militar que implantou a ditadura no país e vai para um exílio de 15 anos. Ao retornar do exílio, em 1979, tenta refundar o PTB, partido que havia sido extinto com o golpe militar pelo Ato Institucional número 2. Porém, um conluio entre a Justiça Eleitoral e o governo militar acaba dando a sigla a Ivete Vargas, fazendo o PTB tornar-se uma “filial” do PDS, então partido do governo militar. Com esse golpe, Brizola, o legítimo representante do trabalhismo histórico, lidera a fundação do PDT (Partido Democrático Trabalhista), que para sempre ele iria liderar.

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Foto acima: Brizola retorna do exílio, em 1979.

Em 1982 Brizola é eleito governador do Rio de Janeiro, depois de  derrotar seus adversários nas urnas e a tentativa de fraude, no famigerado “Escândalo da Proconsult”,  um escândalo que teve a participação das Organizações Globo e que Brizola denunciou à imprensa internacional. Como governador do Rio de Janeiro, implantou uma concepção pedagógica materializada nos CIEPs, as escolas de turno integral, concretizando as ideias revolucionárias do grande educador Anísio Teixeira. Os CIEPs, lamentavelvente, seriam destruídos pelo seu sucessor, Moreira Franco. Brizola voltaria a eleger-se governador do Rio de Janeiro em 1990.

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Foto acima: contrariando “O Globo” e o esquema fraudulento da Proconsult, o “Jornal do Brasil” noticiava o real resultado da eleição para governador do Rio de Janeiro em 1982.

 

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Foto acima: Brizola toma posse como governador do Rio de Janeiro, 1982.

Disputando a eleição presidencial de 1989, chegou em terceiro lugar e, na de 1994, em quinto lugar. O respeito por Leonel Brizola podia ser visto até entre seus maiores adversários. Brizola sempre denunciou o monopólio midiático das Organizações Globo do senhor Roberto Marinho. Em artigos que publicava, sempre criticava esse monopólio e os privilégios da família Marinho. Sabendo separar o político do pessoal Brizola, no entanto, compareceu ao velório de Roberto Marinho, que faleceu em 2003 e foi bem recebido por sua família.

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Foto acima: CIEP, o grande legado educacional de Brizola.

Leonel Brizola faleceu em 21 de junho de 2004. Uma liderança como Brizola faz muita falta no atual momento político brasileiro. Porém, seu legado e importância histórica jamais sucumbirão.

A NAMORADINHA DERRAPOU!

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Regina Duarte, a “namoradinha reacinha do Brasil”, que declarou estar “noiva” do governo Bolsonaro, agora já está em vias de casório com o governo ultra-direitista e, ao que tudo indica, deverá aceitar o cargo para comandar a Secretaria de Cultura no lugar do nazista declarado que a antecedeu. Mas a “namoradinha”, para não fugir à regra dos que orbitam fazem juras de amor a Bolsonaro, não poderia deixar de cometer erros e falar bobagens.

No dia do feriado municipal dos cariocas (20 de janeiro), Regina Duarte encontrou-se com Bolsonaro no Rio de Janeiro e, aproveitando a data, mesmo sem ainda ter assumido o cargo de Secretária de Cultura, parece que ela ainda terá que pesquisar e estudar algumas coisas. Primeiro, o dia dia 20 de janeiro é o dia de São Sebastião, padroeiro da cidade do Rio de Janeiro. Então, em uma postagem no Twitter, Regina Duarte lembrou a data, mas com uma imagem de… Santo Expedito. Mais tarde, a “namoradinha em vias de casório com o fascismo” fez a devida retificação e substituiu a imagem.

Porém, na segunda postagem, já com a imagem de São Sebastião, Regina Duarte mandou essa: “aniversário da nossa querida cidade do Rio de Janeiro.” Não, Regina Duarte. 20 de janeiro não é o aniversário do Rio de Janeiro. A cidade do Rio de Janeiro foi fundada em 1º de Março de 1565. No dia 20 de janeiro, comemora-se o santo padroeiro da cidade, que é São Sebastião e não Santo Expedito. Mas não vamos exigir tanto da “namoradinha reaça”. Num governo em que o ministro da Educação é analfabeto, o ministro do Meio Ambiente é condenado por crime ambiental, um nazista foi nomeado para a Cultura e plagiou Goebbels, um cara que disse que “a escravidão foi benéfica para os negros” é escolhido para a Fundação Palmares, o ministro das Relações Exteriores diz que não há aquecimento global porque “ele foi na Itália e lá estava muito frio”, o secretário de Agricultura e Pesca diz que “o peixe é inteligente e desvia do óleo”, uma ministra diz que “viu Jesus na goiabeira” e o “Posto Ipiranga” do Bozo acaba de dizer que “os pobres são os culpados pela destruição ambiental”, confundir imagem de santos ou não saber a data em que a cidade do Rio de Janeiro foi fundada, até que não chega a ser tanto. Mas não fique triste, Regina. Força, “namoradinha”! Logo você chegará nos patamar dos teus novos companheiros de “família” após a consumação do tão esperado casamento.