PROFESSOR “VERDE E AMARELO”

vai ter aula domingo

“Aos professores é vedado, aos domingos, a regência de aulas e o trabalho em exames.” (Artigo 319 da CLT, ainda em vigor, mas que poderá cair com a Medida Provisória de Bolsonaro). 

Depois da carteira de trabalho “verde e amarela”, que ceifa direitos trabalhistas, agora as agressões do governo Bolsonaro direcionam-se a uma das categorias mais odiadas pelos bolsonaristas: os professores. O “presente” do Bozo aos professores é o trabalho aos domingos. O domingo, pela Constituição, é o dia do repouso semanal. No caso do magistério sabemos que o calendário, em termos de direitos trabalhistas que ainda restam, é unificado. Por exemplo: os professores não trabalham aos domingos, dia que geralmente as escolas não funcionam. E também as férias sempre acontecem em janeiro, sempre seguindo o calendário escolar.

Ocorre que é uma raridade encontrar um professor que trabalhe apenas em um único local. O salário de professor é menor do que o auxílio-moradia de juízes que possuem imóvel próprio. Então, os professores devem se virar, trabalhando na rede pública, particular, cursinhos, em locais às vezes distantes uns dos outros. A própria consultoria do Senado Federal emitiu um parecer afirmando que a liberação do trabalho aos domingos para os professores é inconstitucional. Mas a Medida Provisória do governo não está nem aí para a Constituição. O parecer técnico do Senado afirma que, caso o trabalho aos domingos fosse mesmo liberado, os professores não teriam como descansar, visto que acumulam trabalhos em vários dias e locais diferentes durante a semana para que possam complementar a renda. É necessário acrescentar que, de acordo com a CLT, em seu artigo 319 (ainda em vigor), os professores não podem trabalhar aos domingos em regência de turma e nem em aplicação de provas. É mais uma agressão à CLT, que já vem desde o governo golpista de Temer e que agora tem continuidade no governo fascista de Bolsonaro.

A equipe de Paulo Guedes, no entanto, pensa diferente. Para o banqueiro-ministro da Economia, as escolas podem sim exigir o trabalho dos professores aos domingos. É um novo tipo de professor, o “professor verde e amarelo”.

Segundo Fernanda Perregil, especialista em Direito do Trabalho, a questão, além de jurídica, é também cultural: “Não sei se consigo visualizar, na prática, professores dando aulas aos domingos. Existe a questão do costume”, disse a especialista.

Resta uma pergunta: e quando o Dia do Professor, 15 de outubro, cair em um domingo? Aí Bolsonaro certamente irá revogar o feriado escolar, fazendo uma “aliança pelo Brasil” com os “professores patriotas”, especialmente com aqueles que votaram nele.

 

SERIA AQUI A “VENEZUELA”?

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“O governo não cumpriu nada do que prometeu. O preço do óleo diesel teve 11 altas consecutivas, em 2019. Não aguentamos mais ser enganados pelo senhor Jair Messias Bolsonaro, que protege o agronegócio e diz que o caminhoneiro só sabe destruir rodovias.” (Marconi França, líder dos caminhoneiros, em 6 de dezembro de 2019).

Sabe aquilo que os “reaças” da direita e bolsonaristas de um modo geral chamam de “virar uma Venezuela?” Ao invocarem essa suposta ameaça, os reacionários bolsonaristas falam em hiperinflação, ataques à imprensa e à liberdade de expressão, fechamento do regime, dentre outras barbaridades, que o Brasil jamais viveu em quase 14 anos de governos petistas que, diga-se de passagem, cometeu sim erros, mas que jamais colocou a democracia em risco. Afinal, será que, finalmente, os “dias de Venezuela” estão chegando? Ou já chegaram e estão pouco a pouco se apresentando? Vejamos:

Os ataques a veículos de imprensa que discordam ou criticam o governo têm sido feitos de todas a s formas por Bolsonaro, desde ameaças de cortes de publicidade oficial até retirada de veículos das licitações de assinaturas por órgãos do governo. A “Venezuela” seria aqui?

Nunca se ameaçou tanto a democracia como no governo Bolsonaro. O fetiche do AI-5 começou com o próprio Bozo, passou para seu filho Dudu, foi até o general e chegou no  “Posto Ipiranga” que, até então, só falava de economia. AI-5 sugere fechamento do Congresso, censura, cassação de mandatos eletivos e fim de garantias constitucionais, como o habeas-corpus. A “Venezuela” seria aqui?

Aliás, por falar em censura, a mesma tem sido um dos instrumentos mais usados pelo governo sempre que possível e o tal “viés ideológico”, que o próprio Bolsonaro afirmou que não teria lugar em seu governo, foi outra mentira. Desde a Ancine, com censura ao financiamento de produções cinematográficas, até o Itamaraty, com embaixadores sendo escanteados pelo ministro olavista-fundamentalista das Relações Exteriores, vêm sofrendo com as perseguições do governo bolsonarista. A “Venezuela” seria aqui?

E a inflação? E o dólar? Bateram recordes históricos. Puxada pelo absurdo preço da carne (que a ministra bolsonarista da Agricultura, Tereza Cristina, chegou a dizer estar muito barata), a inflação chegou a 0,51% em novembro, a mais alta nos últimos 4 anos. Ou seja, nem o golpe de 2016 e nem a eleição de Bolsonaro aliviaram o bolso do trabalhador. Quanto ao dólar, passando dos 4,20 reais, perguntem aos bobalhões que foram bater panela contra a Dilma reclamando que o dólar poderia chegar ao valor de pi (3,14). A verdade, é que os babacas não vão mais para a Disney mesmo. A “Venezuela” seria aqui?

Agora, os caminhoneiros ameaçam com uma paralisação a partir do próximo dia 16. Paralisação dos caminhoneiros, aliás, que foi apoiada por Bolsonaro em maio do ano passado e quando, em pleno governo golpista de Temer, o Brasil viveu sim “dias de Venezuela” com falta de alimentos, combustíveis, remédios, dentre outros produtos de primeira necessidade. Lembrando: com o PT já fora do poder. Ao apoiar a greve dos caminhoneiros no ano passado, já como candidato, Bolsonaro acenou com promessas que, segundo os caminhoneiros, não foram cumpridas. Os sucessivos aumentos do óleo diesel são a grande causa da insatisfação por parte daqueles que acabariam apoiando Bolsonaro em 2018 e, como tantos, já viram a furada em que se meteram e acabaram metendo o país.

Resta saber como Bolsonaro reagirá diante de uma paralisação dos caminhoneiros que, repita-se, ele apoiou em 2018. Pelo histórico do governo, ele poderá pedir AI-5, GLO (Garantia da Lei e da Ordem) ou até mesmo chamar os caminhoneiros de “comunistas”. Talvez ele peça alguns conselhos ao Maduro. Duvidam? Para quem já elogiou Hugo Chaves e até falou que ele seria “uma esperança para a América Latina” não seria nenhum absurdo. Seria mesmo a “Venezuela” aqui?

 

 

 

“DÁ PARA DAR UM GOLPE?”

golpe não

“Quero continuar presidente. Não dá para dar um golpe, não?” (Jair Bolsonaro, ao Presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, sem saber que estava sendo gravado).

“Nas democracias não exitem atalhos.” (Lucia Topolansky, vice-presidente do Uruguai, respondendo a Bolsonaro).

Falar eles vão falando. Então, se colar colou. Primeiro, foi o próprio Bolsonaro, que falou em “endurecer o regime”, em caso de protestos como os do Chile. Daí para o AI-5, foi um “atalho”. Dudu Bolsonaro, o general Heleno e até o Paulo Guedes, o “Posto Ipiranga” da economia, também falaram em AI-5. Em todas as ocasiões, receberam o devido repúdio, até por parte da direita não fascista.

Para quem apoiou o golpe de 1964, para quem sempre defendeu a ditadura, as torturas e ainda cultua um torturador como ídolo, então, confessar que pretende continuar no poder, nem que seja por um golpe, não chega a ser nenhuma surpresa. Bolsonaro ainda nem completou o primeiro ano de mandato e já pensa na reeleição. Mas se essa não vier, vale um golpe mesmo.

Bolsonaro é tosco, mas sabe que 2022 não será igual a 2018. Se hoje já não dá mais para continuar batendo na tecla do PT, que foi a mais batida em sua eleição, então essa tática já está com o prazo vencido. O PT já está desde 2016 fora do poder. Além disso, a bolha bolsonarista vem perdendo adeptos e só os visionários, fundamentalistas, chauvinistas de todas as ordens e cegos de ódio ainda abraçam a causa bolsonarista. O partido que ele pretende criar não será grande como o consórcio que o elegeu em 2018. Então, ele já joga com a ideia do golpe. Se colar, aí a gente segue em frente.

A (novamente) infeliz fala de Bolsonaro, em que perguntou, aparentemente de forma irônica, ao Presidente do Paraguai, se não poderia continuar como Presidente por meio de um golpe, foi captada pela Rádio Guaíba e já recebeu as devidas repulsas. A vice-presidente uruguaia, Lucia Topolansky, já deu a simples e devida resposta ao capitão fascista, ao replicar-lhe afirmando que “nas democracias não existem atalhos.” Certamente, outras respostas à altura ainda virão. Atalhos como AI-5, golpes militares, autogolpes, já estão devidamente defenestrados na latrina da história para onde, aliás, Bolsonaro e seus seguidores já garantiram lugar. E, pouco a pouco, a resposta à pergunta de Bolsonaro vai sendo dada: Não, não pode dar golpe!

CRIVELLA E O GLOBO

nota oficial

Que não se engane O Globo e quaisquer outros veículos do conglomerado de comunicações da família Marinho. O que poderia estar por trás do veto de Marcelo Crivella aos jornalistas do Globo de participar de uma entrevista coletiva sobre o réveillon? O réveillon que, sem dúvida, depois do carnaval, é a festa mais importante do calendário turístico carioca, certamente é um tema que atrairia muitos jornalistas ao Hotel Fairmont, em Copacabana, onde ontem ocorreu a entrevista, especialmente pela proximidade do evento. Soube-se que Crivella quer inovar este ano e incluir na programação musical do réveillon canções gospel. Então, o jornal da família Marinho queria participar da entrevista, mas foi barrado pelo prefeito-pastor.

Não resta dúvida de que essa atitude de Crivella não deixa de ser um aceno a Bolsonaro. 2020 está logo ali e Crivella, apesar do desastre de seu governo ultra-conservador e fundamentalista, vai concorrer à reeleição e o pastor da Universal está de olho no capital político bolsonarista dentro de um Rio de Janeiro que, outrora progressista, tomou um viés conservador e neofascista. Evidentemente Crivella quer tirar proveito da briga entre Bolsonaro e o governador Witzel, em quem o eleitorado bolsonarista votou maciçamente em 2018, eleitorado esse que, no momento, está sem candidato para prefeito em 2020. Crivella, então, quer herdar esse eleitorado, mas depende evidentemente do aceno de Bolsonaro.

Assim, atacar as Organizações Globo, não deixa de ser um agrado a Bolsonaro e, quem sabe, um sinal enviado ao capitão fascista de que o pastor poderá sim ter o seu apoio em 2020 para a reeleição. Até porque o “partido trezoitão” de Bolsonaro, muito provavelmente não terá tempo hábil para cumprir todas as formalidades legais e habilitar-se a concorrer às eleições municipais em 2020. E Crivella não é nada bobo. Ele sabe disso. Assim, fora do PSL e sem poder lançar candidatura pelo seu partido, certamente Bolsonaro irá apoiar candidaturas ultra-conservadoras de direita. E se esses candidatos atacarem seus inimigos, melhor ainda. E se for O Globo, muito melhor.

Note-se que Crivella nunca havia se negado a dar entrevistas ao Globo, mesmo sendo alvo das críticas do jornal há muito tempo. Agora, o prefeito-pastor já anuncia até um boicote ao jornal da família Marinho. Claro que essa atitude de Crivella agradará, e muito, a Bolsonaro. Tudo não deixa de ser um aceno ao Bolsonaro, para herdar em 2020 os votos que certamente seriam de um candidato do PSL ou apoiado por Witzel. Em nota oficial, a Prefeitura do Rio chegou a dizer que “O Globo não é um jornal, mas sim um panfleto político, sempre interessado em trocar notícia por verba de publicidade.”

Resta saber qual será a próxima retaliação de Crivella contra o jornal dos Marinhos. Ficamos no aguardo. Enquanto isso, nunca é demais lembrar que o Globo sempre atuou sim de forma panfletária, especialmente contra as esquerdas. Mas nunca havia sofrido golpes, ataques e censuras que sofre dos governos direitistas que ajudou a eleger quando demonizou a esquerda. Agora, parece que chegou a hora de colher os frutos podres que eles ajudaram a gestar.

 

ELES FORAM UNS BOÇAIS

bozo folha

“Enquanto os homens exercem seus podres poderes
Motos e fuscas avançam os sinais vermelhos
E perdem os verdes
Somos uns boçais…” (Caetano Veloso, Podres Poderes).

O atual momento de obscurantismo que o Brasil vive não foi gestado do nada e nem chegou ao atual estágio sem que tivesse sido alavancado por poderes, alguns até podres, como diz Caetano Veloso em sua conhecida composição. O Brasil está “boçalizado” com o neofascismo bolsonarista que avilta a história, a Constituição, o Estado de direito, a democracia, a cultura, os direitos sociais. Já chegamos ao nível em que viramos chacota perante a comunidade internacional. ” A Terra é plana”, “o nazismo é de esquerda”, “não houve golpe nem ditadura militar no Brasil”, “o aquecimento global é uma conspiração comunista”, “o peixe inteligente desvia do óleo”, “as universidades federais produzem maconha”, “o torturador Ustra é herói nacional”, “Paulo Freire tem que ser banido das escolas”, “faça cocô uma vez por dia e preserve o meio ambiente”, dentre outras pérolas, são dogmas de Bolsonaro, seus auxiliares e seus seguidores que, definitivamente, estão tornando o Brasil em um país de boçais. As últimas, mais “fresquinhas”, foram a nomeação de um negro racista para a Fundação Palmares, que diz não haver racismo no Brasil e afirma que a escravidão dos negros foi benéfica para eles. Isso, ao mesmo tempo em que Bolsonaro acusava o ator Leonardo DiCaprio de tacar fogo na Amazônia. A que ponto chegou o Brasil! Sim, porque apesar de eles não representarem a maioria do povo, infelizmente são a voz oficial. Quiçá, depois dessa do Leonardo DiCaprio, Bolsonaro mudará a versão da tragédia ocorrida em 1912 e daqui a pouco irá afirmar que o iceberg que se chocou com o Titanic era “comunista”.

Porém, o festival de barbaridades bestiais é apenas parte do bolsonarismo. Acoplado aos mais descabidos absurdos, os ataques à democracia são constantes e parece que o AI-5 é a nova obsessão do candidato a ditador e seus asseclas. Até quem só costuma falar de economia liberal e de mercado, adotou o AI-5 como discurso. Não acreditam? Perguntem ao “Posto Ipiranga”.

Em sua composição, Caetano Veloso fala de “motos e fuscas que avançaram os sinais vermelhos e perderam os verdes”. A metáfora nunca foi tão aplicável ao processo que levou o Brasil à condição deplorável de “boçalização” em que se encontra. E muitos daqueles que hoje insurgem-se contra as medidas fascistas de Bolsonaro avançaram, de fato, o sinal. E parece que a vítima mais atingida da hora é a Folha de São Paulo, o jornal paulista da família Frias. A família Frias, assim como a família Marinho, dona do Globo, apoiaram escancaradamente todas as ações que culminariam com a ascensão fascista ao poder, desde o golpe contra Dilma, em 2016. Não mediram esforços para detratarem o Lula e o PT, dando a entender que a corrupção era uma praga exclusiva da esquerda. Fizeram coberturas espetaculosas de operações da Polícia Federal que tinham apenas um alvo e um único objetivo.

Porém, esses mesmos veículos calaram-se diante dos escândalos tucanos ou, quando os abordavam, era de maneira branda e sempre com muita camaradagem. O resultado veio a cavalo e hoje eles são vítimas daquilo que ajudaram a parir. Agora, Bolsonaro já ameaçou retaliar aqueles que anunciarem na Folha de São Paulo. Ele já tinha determinado a suspensão das assinaturas do jornal e está ameaçando até quem for descoberto lendo o jornal da família Frias. Agora, a Folha de São Paulo, vítima dos ataques fascistas insanos de Bolsonaro, invoca as instituições democráticas. Instituições essas que, com o avanço do bolsonarismo, vêm sendo igualmente atacadas, como o Congresso e o STF.

Críticas ao Lula, à Dilma, ao PT, à esquerda, tudo bem. Porém, usar um veículo de comunicação, especialmente aquele que é grande formador de opinião, para criticar um governo que, como qualquer outro cometeu erros, é até papel da imprensa. Mas usá-lo de forma desigual, seletiva, direcionada, batendo em alguns e blindando outros, aí é avançar o sinal vermelho. As conquistas democráticas custaram muitas vidas, muito sangue, muitas porradas. E reconquistar um direito é muito mais difícil do que preservá-lo. Os direitos sociais já estão praticamente ceifados com o bolsonarismo. Agora, como sempre, eles atacam os direitos individuais e a imprensa é o grande alvo. Ocorre que aqueles que estão sendo vítimas da sanha bolsonarista, avançaram o sinal vermelho e perderam os verdes. Agora, em Editorial, eles afirmam que Bolsonaro, que estaria “fantasiado de imperador”, tem de ser contido. O problema é que eles próprios não se contiveram. Se tivessem se contido, certamente eles hoje não estariam pedindo socorro contra o fascismo. Eles também foram uns boçais…

O LAVAJATEIRO PROPINEIRO

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“Sendo que esse Paludo é destinatário de pelo menos parte da propina paga pelos meninos todo mês.” (Myra Athayde, namorada do doleiro Dario Messer, sobre propina paga ao procurador da Lava Jato Januário Paludo).

Dessa vez não foi o The Intercept e nenhum de seus sites parceiros. Foi a própria Polícia Federal (entenda-se: a Polícia Federal anterior a Moro). Januário Paludo é o procurador da Lava jato que inspirou o nome do grupo em que seus colegas trocavam mensagens comprometedoras, o “Filhos de Januário”. Seu ódio e parcialidade contra Lula são cristalinos, visto que o referido procurador foi um dos que zombaram do ex-Presidente por ocasião da morte de sua esposa e de seu irmão. Pois agora, o referido procurador que virou nome de grupo no Telegram acaba de ser apontado por Dario Messer, o “rei dos doleiros”, como beneficiário de propina em troca de proteção em suas ações criminosas. Paludo é do mesmo time de Sérgio Moro e Deltan Dallagnol, já devidamente desmoralizados pela Vaza Jato.

Os diálogos que incriminam o procurador lavajateiro ocorreram em agosto de 2018 e expõem, mais uma vez, o lado podre da operação que se mostrava “redentora” contra a corrupção no Brasil. Com que cara, por exemplo, Sérgio Moro irá agora defender o seu parceiro? Vai dizer que é sensacionalismo? Ou vai desculpar o procurador propineiro?

A reportagem completa que traz o diálogo do doleiro com sua namorada é do jornalista Vinícios Konchinski e foi publicada no portal UOL. E, mais uma vez, a podridão dos”justiceiros” vai sendo exposta sem eufemismos. Ficamos na expectativa da indignação dos “moralistas”. É fundamental lembrar que essa reportagem, na verdade, confirma a versão do advogado Tacla Durán, que já havia denunciado o esquema. Assim, mais uma vez fica fácil de entender o porquê de Sérgio Moro, quando juiz, sempre ter se recusado a ouvir Tacla Durán. As peças cada vez mais se encaixam, como em um quebra-cabeça fácil, muito fácil de montar!

A CONFISSÃO DE SARDENBERG

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Carlos Alberto Sardenberg é um jornalista global “in totum”: ele escreve para o jornal O Globo, fala na rádio CBN e aparece na Globonews TV. Sardenberg nutre um ódio figadal em relação ao PT, mas reserva um ódio todo especial ao ex-Presidente Lula. Seus comentários não chegam a ser novidades. Ele só fala em “contas públicas”, “PT quebrou o Brasil”, e por aí vai.

Porém, recentemente, falando na Globonews sobre a alta exponencial do dólar, ele tentava dar explicações. Sardenberg falava sobre a cotação do dólar ter chegado a 4,20 reais. Sua primeira justificativa foi dizer que o tal leilão do petróleo, que seria “mega” e não foi nem “mini”, influenciou na alta, visto que com o fracasso do mesmo teriam entrado poucos dólares. Caso a adesão ao tal leilão tivesse sido maior, o dólar estaria mais barato. Nesse ponto ele esqueceu-se de dizer que os poucos dólares que entraram vieram de duas empresas “comunistas” da China.

A alta do dólar, que chegou ao seu maior patamar desde o início do Plano Real, fez com que o total de gastos de brasileiros no exterior fosse o menor nos últimos três anos. Seria coincidência “nos últimos três anos”? Exatamente depois do golpe de 2016 e da chegada do governo fascista ao poder. Parece que aqueles que iam à Disney e e foram às ruas pedir a saída do PT terão que se contentar mesmo é com o  Parque Shangai (não é na China, é na Penha, Rio de Janeiro).

Finalmente, Sardenberg teve que explicar, porque não poderia deixar de tranquilizar investidores e pretendentes a viagens ao exterior, uma questão que traz grande apreensão: Será que o patamar astronômico do dólar poderia levar a uma crise cambial? O comentário de Sardenberg:

“O governo atual deve a situação de hoje não haver uma crise cambial ao Presidente Lula que, em seu primeiro governo, acumulou reservas. São 370 bilhões de dólares de reservas e o atual governo deve isso ao Presidente Lula.” 

Ou seja, mesmo odiando Lula e o PT, Sardenberg teve que reconhecer ou confessar que, graças ao governo Lula, o Brasil não vive uma crise cambial, mesmo com o dólar chegando aos píncaros. Tudo graças ao acúmulo de reservas cambiais na gestão Lula. Quando alguém que odeia o PT, em uma emissora que detesta o Lula e em um programa que tem ojeriza à esquerda, fala que graças à gestão do Lula o país não está em uma crise cambial, então esses caras devem ter muita coisa ainda para confessar.

Muito certamente, em um contexto de crise cambial, haveriam manifestações populares, protestos e riscos de radicalização. Mas, segundo o próprio antipetista Sardenberg, o atual governo deve a Lula por não estarmos ainda em crise cambial. E ainda tem canalha fascista falando em AI-5!