FILHOS DO BOZO QUEREM DERRUBAR “MARIA FOFOCA”

Mais um ministro na mira dos filhos do Bolsonaro. Dessa vez é o “Maria Fofoca”. “Maria Fofoca” é o apelido do ministro da Secretaria de Governo, o general Luiz Eduardo Ramos. A alcunha foi dada por Ricardo Salles, o ministro devastador do meio ambiente. Depois de ser publicamente criticado pelo general Luiz Eduardo Ramos, Ricardo Sales não se conteve e apelou para a baixaria nas redes sociais, chamando o general de “Maria Fofoca”. De imediato Ricardo Salles teve o apoio dos filhos de Bolsonaro, que agora já querem derrubar o general. Seria mais um ministro derrubado pela prole do Bozo, a exemplo do que já fizeram com Bebianno e com o também general Santos Cruz.

A chamada ala ideológica do governo teme perder força, especialmente depois que Bolsonaro se ajoelhou ao “Centrão”. Assim, queimar os ministros militares tem sido o expediente usado pelos filhos do Bozo para, depois, derrubá-los. E tudo indica que a bola da vez é o general Luiz Eduardo Ramos.

Se a conspiração dos filhos do Bozo tiver êxito, será mais uma derrota dos militares, especialmente de generais, que estão sendo usados e abusados sem dó nem piedade por Bolsonaro. Pazuello que o diga! Os filhos do Bozo já provaram que derrubam mesmo ministros. “Maria Fofoca” que se cuide!

JORNALISTA DO GLOBO SUGERE FECHAMENTO DO SENADO

“Senado para quê?” (Título de uma nota da coluna do jornalista Ascânio Seleme, de O Globo, em 24 de outubro de 2020).

Sob o título “Senado para quê?” o jornalista Ascânio Seleme, do jornal O Globo, publica uma nota em sua coluna de hoje, 24/10, em que ele questiona se “não seria hora de discutir para que serve o Senado Federal”. O mote para tal questionamento, como não poderia deixar de ser, é o estrondoso e deplorável caso do dinheiro escondido nas nádegas do senador bolsonarista Chico Rodrigues. Ascânio Seneme considera uma vergonha o fato de Chico Rodrigues ser substituído pelo próprio filho, com o que concordamos. Em seguida, o ilustre jornalista vai, como ele próprio admite, “um pouco mais fundo”, e questiona:

“Não seria hora de discutir para que serve o Senado Federal? Talvez assim se possa entender porque o Amapá (751 mil habitantes) tem o mesmo número de senadores de São Paulo (44 milhões de habitantes). Davi Alcolumbre, por exemplo, teve 131.695 votos, enquanto o Major Olímpio foi eleito com o sufrágio de 9.039.523 paulistas. Está certo?”

Respondendo ao jornalista Ascânio Seleme: está certo sim! O Senado Federal, em um sistema federativo como é o caso do Brasil, existe exatamente para manter o equilíbrio entre os entes federativos (Estados), de modo a preservar a isonomia dos Estados perante a Federação. Tanto que, constitucionalmente, os senadores são representantes dos Estados, enquanto que os deputados federais são representantes do povo.

Nos exemplos do Amapá e São Paulo, dados pelo jornalista, vejamos o número de deputados federais, que é proporcional à população: São Paulo tem 70 deputados federais e o Amapá possui apenas 8. Mas no sistema federativo (união de estados autônomos), o Legislativo geralmente é bicameral, ou seja, há uma segunda Câmara (no caso, o Senado Federal) que representa os Estados. Se assim não fosse, haveria um desequilíbrio na Federação, com os Estados que possuem mais deputados (São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul) tendo a hegemonia das decisões, quebrando o equilíbrio federativo. Por isso, há uma segunda Câmara, que representa os Estados, com isonomia na representação. E, partindo-se do princípio da igualdade dos entes federativos perante a Federação, nessa segunda Câmara, que é o Senado, a representação é igualitária. Portanto, está certo sim. Ou seja, o número de senadores por cada Estado não se explica pela população de cada Estado e sim pelo princípio da igualdade dos Estados perante a Federação e por isso todos os Estados possuem 3 senadores.

Questionar o critério de escolha dos suplentes, tudo bem. Mas perguntar “Senado para quê?” numa época em que fascistas ensandecidos pedem o fechamento do Congresso e do STF, soa como um estímulo um tanto perigoso. Tomara que nenhum bolsonarista tenha lido a coluna do Ascânio Seleme.

OS 80 ANOS DO REI QUE JÁ VESTIU A CAMISA DO OLARIA

Hoje Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, completa 80 anos de idade. Dos 1282 gols que marcou, três foram contra o Olaria. Isso em 1963. Mas os olarienses também se orgulham de terem visto Pelé vestir a gloriosa camisa do alvianil da Bariri um anos depois, em 1964. Hoje o mundo, e também de forma muito especial os olarienses, comemoram o aniversário do rei que um dia vestiu o manto olariense.

Em homenagem ao Pelé e aos olarienses, reproduzimos hoje o capítulo de nosso livro “Olaria – Histórias de um Centenário”, que fala do dia em que Pelé vestiu a camisa do Olaria.

O DIA QUE PELÉ VESTIU A CAMISA DO OLARIA

 Pelé consagrou-se no Santos, único clube brasileiro pelo qual ele jogou profissionalmente. Mas é sabido que, em algumas ocasiões especiais, jogos comemorativos ou amistosos, ele também vestiu a camisa de outros clubes: Vasco, Flamengo, Fluminense, Palmeiras e… Olaria. Isso mesmo, o nosso Olaria. O feito aconteceu no Maracanã, no dia 22 de março de 1964, em um jogo contra o Fluminense pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa (Torneio Rio-São Paulo). Foi o famoso jogo de “homenagem aos cariocas”, conforme consta na “Enciclopédia do Santos”, em que a equipe santista saiu vencedora por 1 a 0, gol de Pepe. Na verdade, este jogo serviu para a equipe do Santos fazer um agradecimento público à torcida carioca, que havia lotado o Maracanã para apoiar o time da Vila Belmiro nos jogos contra o Benfica e o Mílan, respectivamente em 1962 e 1963, quando o Santos sagrou-se bicampeão mundial. Mesmo sendo um time de São Paulo, o Santos optou por fazer seus jogos pelo Mundial no Maracanã e os torcedores da antiga Guanabara adotaram o alvinegro praiano como seu time.

Em agradecimento ao apoio recebido pela torcida carioca, naquele jogo de 1964 cada jogador do Santos entrou em campo com a camisa de um clube do Rio. Na época eram 12 clubes. Mas o futebol só tem 11 jogadores. O que aconteceu? Bem, ao chegar ao vestiário, a equipe do Santos trazia as camisas de 10 clubes: Campo Grande, Madureira, Flamengo, Vasco, América, Bangu, São Cristóvão, Portuguesa, Fluminense e Olaria. Não sei o porquê, mas não havia camisa nem do Botafogo e nem do Bonsucesso. O goleiro Gilmar foi o único a usar a camisa do Santos sobrando, portanto, 10 clubes. E Pelé escolheu a do Olaria, inscrevendo em nossa história mais esta página de glória: ter o Rei do Futebol vestido a camisa do alvi-anil da Bariri.

Muito já se falou em relação ao fato de Pelé ter escolhido a camisa do Olaria. Alguns dizem que Pelé foi “político”, não querendo assim optar por nenhuma camisa dos times das quatro maiores torcidas. Sinceramente, não acredito nesta versão, que até certo ponto tenta desvalorizar a escolha de Pelé. Fala-se muito da simpatia de Pelé pelo Vasco e ele próprio já se declarou vascaíno. Portanto, ele poderia ter escolhido a camisa do Vasco sem nenhum problema.  E, cá entre nós, se ele de fato quisesse ser “político” em sua escolha, teria optado pela camisa do Flamengo. Mas Pelé, além de ser inteligente, já conhecia o Olaria, time contra quem havia jogado no Torneio Rio-São Paulo de 1963. Pelé sabia que o Olaria tinha craques que, mais tarde foram parar sabem aonde? No próprio Santos. Foi o caso do goleiro Cláudio e do zagueiro Haroldo. Haroldo, inclusive, tem uma foto em destaque no Memorial das Conquistas, o Museu do Santos, junto com Coutinho, Edu, Mengálvio, Pepe,  e o próprio Pelé. Pelé fez uma escolha consciente e inteligente. Sua escolha não foi aleatória nem política. Infelizmente, nossa mídia local sequer menciona este episódio. Claro que as ocasiões em que Pelé usou as camisas de seus “queridinhos” são fartamente divulgadas. Aliás, Pelé, muito obrigado. Sua escolha também significou uma derrota da mídia elitista, que insiste em pensar que o futebol do nosso estado resume-se a apenas quatro clubes.

 PS.: Oito anos mais tarde, em 1972, seria a vez de Garrincha vestir a camisa olariense e quinze anos depois, em 1979, seria vez de Romário envergar a alvi-anil da Bariri!

(Extraído de: “Olaria – Histórias de um Centenário”, Pedro Paulo Vital, 2016, páginas 16 e 17).

VÍDEO FOI EXIGÊNCIA DO BOZO PARA MANTER PAZUELLO NO CARGO

Depois da humilhação pública à qual foi submetido, o general Eduardo Pazuello, “ministro” da Saúde, deveria ter pedido o boné. Mas ele não quer, certamente, largar o “bocão” do cargo de ministro. Então, o capitão reformado levou o general da ativa ao fundo do poço: Bolsonaro exigiu que Pazuello gravasse um vídeo em que o “ministro” se humilha ainda mais e diz que “é simples assim: um manda e o outro obedece”.

No vídeo, o general da da ativa diz não ter tido qualquer problema ou briga com Bolsonaro. E, de quebra, faz propaganda da cloroquina. A coisa é tão artificial que Bolsonaro faz o papel de um jornalista que entrevista Pazuello, com perguntas em que as respostas já s]ao esperadas. Tanto que, a primeira pergunta de Bolsonaro, foi sobre o medidamento que o geneal utilizou. A resposta, claro, todos sabem.

A informação de que a participação do general Pazuello no vídeo foi uma exigência de Bolsonaro para mantê-lo no cargo foi veiculada hoje pela jornalista Bela Megale. Segundo reportagem da jornalista, Bolsonaro exigiu que Pazuello se retratasse publicamente participando, de forma patética, da gravação. E, no vídeo, o general da ativa é, mais uma vez, reduzido a pó pelo capitão reformado. Assistam:

CANDIDATO DO BOZO DESPENCA EM SÃO PAULO

Celso Russomano, o candidato declarado de Jair Bolsonaro à prefeitura de São Paulo, segundo pesquisa Datafolha divulgada ontem, está em queda livre. Em um mês, já caiu 9 pontos percentuais. Na última pesquisa ele marcou 27 pontos e agora caiu 7 pontos, ficando com 20% do eleitorado. A pesquisa mostra que o candidato do Bolsonaro já foi ultrapassado pelo tucano Bruno Covas, o candidato do Doria, que chegou a 23% no levantamento feito pelo Datafolha.

A pesquisa também mostra a ascensão de Guilherme Boulos, do PSOL, que foi dos 12% registrados na última pesquisa, para 14%. Se a tendência se confirmar, Boulos pode até abiscoitar uma vaga no segundo turno, defenestrando o candidato do Bolsonaro.

A exemplo do que ocorre no Rio, onde o candidato bolsonarista Crivella vem despencando, é o mais rejeitado e perde em todas as simulações de segundo turno, em São Paulo a situação é a mesma para o candidato de Bolsonaro: Russomano é o mais rejeitado, com 38% dos eleitores declarando que não votariam, de jeito nenhum, no bolsonarista. E em um eventual segundo turno envolvendo Bruno Covas e o candidato de Bolsonaro, Covas derrotaria Russomano por 48% X 36%.

Do jeito que é covarde e vendo seus candidatos despencando, daqui a pouco Bolsonaro vai dizer que não apoia ninguém nem no Rio e nem em São Paulo.

DATAFOLHA: MARTHA EMPATA COM CRIVELLA E VENCE PAES

Foi divulgada ontem a segunda pesquisa Datafolha para intenção de votos à prefeitura do Rio de Janeiro, que registrou um crescimento da candidata do PDT, Martha Rocha, que agora aparece empatada numericamente (e não apenas tecnicamente) em segundo lugar com Crivella, do Republicanos, ambos com 13% das intenções. Eduardo Paes mantém a dianteira, agora com 28%, dois pontos a menos em relação à pesquisa anterior. A petista Benedita da Silva aparece em quarto lugar, com 10% das intenções de votos dos cariocas.

Abaixo, a lista completa do resultado, com todos os candidatos:

Paulo Messina (MDB), Suêd Haidar (PMB) tiveram menos de 1%, e Henrique Simonard (PCO) não foi citado.

Pela primeira vez o Datafolha fez uma simulação de segundo turno e a mesma mostra que Martha Rocha, que possui a menor rejeição entre todos os candidatos (apenas 7%), é a única que derrotaria Eduardo Paes. Nos três cenários de segundo turno simulados pelo Datafolha, Eduardo Paes venceria disparado Crivella por 52% X 22%. Também venceria Benedita da Silva por 48% X 30%. Mas seria derrotado por Martha Rocha por 45% X 41%.

O que chama atenção na pesquisa é a possiblidade real de Crivella nem chegar ao segundo turno. A rejeição ao pastor da Universal é gigantesca e chega a 58% (o mais rejeitado de todos).

Ao mesmo tempo que mostra a real possibilidade de Crivella não ir ao segundo turno e ser “limado” pelo eleitorado carioca logo na primeira fase, a pesquisa também mostra a real possibilidade de Martha Rocha ir ao segundo turno, o que significaria a vitória da candidata do PDT. Eduardo Paes já estava preocupado com o crescimento de Martha e um detalhe que a pesquisa não mostra deve ser levado em conta: o voto útil, vindo de eleitores da esquerda, pode garantir a ida de Martha ao segundo turno. Já ouvimos eleitores de Benedita, e até de Renata Souza, do PSOL, falarem em mudar o voto para Martha com o intuito de derrotar, ao mesmo tempo, dois candidatos da direita: Crivella e Paes. E a expectativa de Paes, que sempre foi a de enfrentar Crivella no segundo turno e atrair parte dos votos da esquerda contra o pastor, pode não se concretizar. Parece que a delegada já começa a tirar o sono de Dudu Paes…

LEI PERMITE COMPRA DA VACINA SEM AVAL DA ANVISA

“Para enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus, poderão ser adotadas, entre outras, as seguintes medidas:

VIII – autorização excepcional e temporária para a importação de produtos sujeitos à vigilância sanitária sem registro na Anvisa”. (Art. 3º, item VIII da Lei 13.979, de 6 de fevereiro de 2020, sancionada por Jair Bolsonaro).

“Quanto menos alguém entende, mais quer discordar”. (Galileu Galilei)

Conforme já era previsto, começou a “Revolta da Vacina” de 2020. Ao contrário da revolta de 1904, a atual é liderada pelo próprio Presidente da República e tem um componente nitidamente ideológico. Após a desmoralização à qual o ministro-fantoche da Saúde, general Eduardo Pazuello, foi submetido, ao ser desautorizado publicamente por Bolsonaro, que afirmou que não compraria a Coronavac, vacina chinesa que vem sendo testada no Instituto Butantan, Bolsonaro foi ovacionado por seus fanáticos seguidores negacionistas. Mas o ministro-fantoche já havia afirmado em reunião com os governadores que o Ministério da Saúde compraria 46 milhões de doses da vacina que Bolsonaro chama de “vacina chinesa e do Doria”, em alusão ao governador paulista, seu desafeto e provável adversário em 2022.

Interessante e até risível, se não fosse trágico, foi Bolsonaro afirmar que só autorizaria a compra de vacina, caso essa passasse por todos os protocolos científicos. Será que a cloroquina que ele receitou e fez propaganda é cientificamente aprovada? Após “defender a ciência”, Bolsonaro categoricamente afirmou que não compraria a vacina que vem sendo testada no Instituto Butantan. Bolsonaro lembrou que a vacina tem que ser chancelada pela Anvisa. Mas, evidentemente, ele faria de tudo para retardar ou não permitir essa chancela.

Ocorre que, mais uma vez, Bolsonaro pode tropeçar naquilo que assinou e não leu. Ou que pensa que leu. Ou que assinou e não sabe. Isso porque uma lei, sancionada pelo próprio Bolsonaro, autoriza a compra de vacina sem o registro nacional, ou seja, sem o registro da Anvisa. Trata-se da Lei 13.979, que diz claramente que poderá ser comprada a vacina, assim como qualquer medicamento, registrado por autoridade sanitária estrangeira. Assim, como trata-se de uma situação de emergência, a vacina, qualquer que seja sua origem, desde que baseada em evidências científicas, poderá ser comprada sem o aval da Anvisa. Lembrando que a vacina que Bolsonaro descartou está sendo testada no Instituto Butantan. Será que o Bolsonaro irá questionar a autoridade científica do Instituto Butantan?

Baseado nessa lei, parlamentares e governadores já pensam em, aplicando o que prevê a Lei 13.979, assinada pelo próprio Bolsonaro, resolver a questão da vacina que Bolsonaro insiste em negar. No link abaixo, a íntegra da Lei 13.979 que, em seu artigo 3º, permite que a vacina pode ser comprada com registro de autoridade estrangeira, dispensando-se o registro da Anvisa:

https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/lei-n-13.979-de-6-de-fevereiro-de-2020-242078735

BOLSONARO HUMILHA GENERAL PAZUELLO

“Os generais estão entregando sua dignidade para um débil mental.” (Renato Rovai, jornalista e editor da revista digital Brasil 247).

O general Eduardo Pazuello, que aceitou o papel de ser um fantoche no Ministério da Saúde para dizer “amém” a todas as sandices e loucuras de Bolsonaro, acaba de sofrer uma humilhação pública, ao ser desmentido e desautorizado por Bolsonaro sobre a compra de 46 milhões da vacina que está sendo produzida no Instituto Butantan, em parceria com a China.

Pazuello havia assinado o protocolo de intenção para a compra dos 46 milhões de doses da vacina chinesa Coronavac, produzida pelo Instituto Butantan, tendo anunciado a compra em reunião com os governadores. Disse Bolsonaro, ao saber do anúncio feito pelo general:

 “Alerto que não compraremos vacina da China. Bem como meu governo não mantém diálogo com João Doria sobre Covid-19“.

Mais uma vez, negando todos os protocolos científicos e agora mostrando todo o seu negacionismo em relação à vacina, Bolsonaro acena para a sua boiada de apoiadores, dizendo que “o povo brasileiro não será cobaia de ninguém”.

Tudo isso, no mesmo dia em que Kassio Nunes, seu indicado para o STF, está sendo sabatinado e será aprovado pelo Senado para ocupar a cadeira no Supremo. Assim, ele volta a tomar uma medida que inflama os seus fanáticos seguidores, especialmente se tratando de uma afirmação que diz que os brasileiros não serão cobaias de vacina dos chineses. Era o que faltava para Bolsonaro ter de volta a sua horda de energúmenos, que estavam insatisfeitos por causa da nomeação para o STF. Claro que Bolsonaro diz que não comprará a vacina só pelo fato de ela ser resultado de parceria com a China.

E, para isso, Bolsonaro não pestanejou em desmoralizar publicamente o general Pazuello que, diga-se de passagem, aceitou manchar seu nome e do Exército Brasileiro, ao aceitar fazer o ridículo papel de “ministro” da Saúde. O general já tinha, em seu papel de fantoche, chancelado a liberação da cloroquina, o que não tinha comprovação científica. Agora, ao anunciar a compra da vacina, essa sim com comprovação científica, é atropelado de forma desmoralizante pelo capitão reformado Jair Bolsonaro.

Se ainda restar uma gota de dignidade ao general Pazuello, ele deveria demitir-se imediatamente. Não iria apagar o mal que ele se prestou a fazer, na condição de fantoche, à saúde do povo brasileiro. Mas certamente seria uma resposta à altura pela desmoralização pública que acaba de sofrer.

A CULPA É DO JUIZ QUE CUMPRE A LEI?

“A lei está correta, afinal a prisão antes da condenação deve ser medida excepcional. No caso concreto, nem o Tribunal, nem o juiz, nem o Ministério Público, nem a polícia se preocuparam em cumprir a lei. Agora, a crítica não pode cair nas costas do Marco Aurélio. Ele cumpriu a lei e foi corajoso, porque sabia o estrago que essa decisão faria e não se intimidou. Então primeiro o povo precisa entender que quem cometeu o erro e tornou a prisão ilegal foram as instâncias inferiores”. (Fernando Hideo, jurista, advogado e professor de Direito Penal da Escola Paulista de Direito).

Em 1992, um crime que chocou o Brasil ganhava destaque na mídia: o assassinato da atriz Daniela Perez. Lembro-me que, tempos depois, um juiz havia concedido um benefício para os assassinos da atriz e a televisão mostrava, em horário nobre, uma turba de manifestantes protestando na frente do Forum do Rio de Janeiro contra a decisão do magistrado. Na época, dizíamos que a manifestação até poderia ser justa e legítima, mas estava sendo feita no lugar errado. Porque juiz não faz a lei, ele só a aplica. Aquela manifestação de indignação deveria ser feita na porta do Congresso Nacional, pois foram os deputados e senadores que fizeram a lei que o juiz apenas aplicou.

Esse episódio me veio à memória depois da celeuma criada pela decisão do ministro do STF, Marco Aurélio Mello, por ter aplicado uma lei, que não foi feita por ele, para beneficiar o traficante André do Rap, determinando sua soltura. O juiz, que apenas cumpriu a lei, virou “bandido”, enquanto que, aqueles que fizeram a lei, juntamente com as instâncias que se omitiram no caso, estão sendo poupados, tanto pela mídia como pela opinião pública.

Marco Aurélio Mello teve como fulcro o artigo 316 do Código de Processo Penal ao conceder o habeas-corpus a um traficante considerado de altíssima periculosidade. Se “a lei é para todos” (frase antiga e manjada), então a lei é para o filhinho do papai, para o netinho da vovó, para o banqueiro, para o trabalhador, para os filhos do Presidente, para o traficante. Se há alguma exceção, então esta deve estar prevista na própria lei, o que não é o caso do artigo 316 do Código de Processo Penal.

O Código de Processo Penal, recentemente alterado com o tal “Pacote Anticrime” do ex-ministro Sérgio Moro, determina que, a cada 90 dias, a prisão preventiva deve ser justificada, para que possa ser renovada. Esse trecho, novidade na lei, foi aprovado pelo Congresso e sancionado por Jair Bolsonaro. Lembrando que, quando o Presidente da República sanciona uma lei, significa estar de acordo com ela. Acrescente-se a isso o fato de que cabe ao Ministério Público pedir a renovação da prisão preventiva, o que não aconteceu. E nem o juiz de instância inferior determinou a renovação da prisão do traficante. Então, o advogado do traficante, calcado exclusivamente na lei, pediu o habeas-corpus e o ministro Marco Aurélio Mello, calcado na mesma lei, o concedeu.

Certamente Marco Aurélio Mello sabia que viraria a “Geni da hora” ao aplicar pura e simplesmente a lei. Ele sabia também da fúria de viés “lavajatista” que enfrentaria (“prenda, ainda que seja fora da lei!”). Enquanto isso, os verdadeiros responsáveis, que são o Congresso (que fez a lei), Bolsonaro (que sancionou a lei), o Ministério Público (que não pediu a renovação da prisão) e o juiz de instância inferior (que não renovou a prisão), sequer são lembrados pela turba enfurecida, tanto da mídia como da opinião pública.

Então, só nos resta dizer: joga pedra na Geni! Joga pedra na Geni!

TEREMOS UMA NOVA REVOLTA DA VACINA?

Art. 3º – Para enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus, poderão ser adotadas, entre outras, as seguintes medidas: determinação de realização compulsória de vacinação e outras medidas profiláticas.” (Lei Nº 13.079, de 6 de fevereiro de 2020, sancionada por Jair Bolsonaro).

Bolsonaro, que parece querer ser o líder de uma nova “Revolta da Vacina”, já vem pregando a não obrigatoriedade da vacinação contra a Covid-19 há tempos. Mas, ao se colocar contra a vacinação obrigatória, Bolsonaro coloca-se contra uma lei que foi sancionada por ele próprio em fevereiro desse ano, que fala sobre a possibilidade de obrigatoriedade da vacinação em caso de emergência de saúde pública. E é exatamente esse o caso. Trata-se da Lei Nº 13.079, que diz claramente que poderá haver realização compulsória de vacinação em razão da emergência sanitária resultante do coronavírus. Ou seja: Bolsonaro está indo contra aquilo que ele próprio assinou e concordou ao sancionar a lei. Caso contrário, a teria vetado.

Agora que os testes com as vacinas estão chegando às suas fases finais (Coronavac, Oxford) e já há até acordo para a compra de 46 milhões de doses da Coronavac, Bolsonaro prega a não obrigatoriedade da vacina, em mais um desserviço à saúde pública. A postura antivacina de Bolsonaro, mais do que convicção é uma mera disputa política com seu ex-aliado e agora desafeto, o governador paulista João Doria.

Até onde o liberalismo energúmeno pode chegar? “Eu sou livre para não me vacinar, contrair o vírus livremente e, livremente transmiti-lo para outro, não importando se minha livre opção possa vir a matar os outros”. Em outras palavras: “quero usar a minha liberdade para me matar e também matar o outro”. Não estamos diante de um dilema ético e sim de uma alternativa que coloca um mero capricho de uso do livre arbítrio contra o outro e contra a sociedade. Mas Bolsonaro não está sozinho nessa. Fred Luz, o candidato do Partido Novo à prefeitura do Rio, em entrevista publicada no Globo de hoje, também se posiciona contra a obrigatoriedade da vacina. O que não chega a ser novidade, já que está provado que o Partido Novo não passa de um “bolsonarismo fashion”.

Em meio a esse devaneio negacionista, ultraliberal e inconsequente, ainda existe um naco de Estado chamado “Supremo Tribunal Federal”, que certamente entrará em ação para decidir sobre a obrigatoriedade da vacina. E aí deverá prevalecer o rigor da lei. O rigor de uma lei que foi sancionada pelo próprio Bolsonaro. Tudo indica que o STF irá tornar a vacina obrigatória. Só não sabemos se depois os mesmos de sempre irão pedir o fechamento da Suprema Corte (já está até chato isso!), ou se terá início uma nova “Revolta da Vacina” 116 anos depois.