TOFFOLI TRAVA IMPEACHMENT DE WITZEL

Nunca tivemos como objetivo cassar o mandato de alguém, mas, sim, de levar a verdade para a população. Se precisamos mudar algo para essa verdade vir à tona, que seja feito.” (Deputado Chico Machado, do PSD, presidente da comissão de impeachment da ALERJ, que será desfeita).

Não somos pitonisa. E nem pretendemos ser. Mas já começo a ver esse processo de impeachment contra o governador Wilson Witzel como um grande teatro – assim como foi um teatro o processo de impeachment do Crivella. Agora o presidente do STF, Dias Toffoli, acaba de acolher o pedido da defesa de Witzel, para que a comissão que analisa o processo seja dissolvida e outra comissão seja formada. Motivo: não foi cumprida a proporcionalidade dos partidos políticos na formação da comissão. Não vamos aqui ficar dando uma de “justiceiros lavajatistas”, como os seguidores do marreco. Se a lei exige o princípio da proporcionalidade na formação da comissão, que tem 25 membros, e esse princípio não foi seguido, então, a comissão é mesmo ilegal. Foi uma “barbeiragem” tão grande, que dá a impressão até de ter sido proposital. Com a decisão de Toffoli, tudo vai começar do zero e Witzel ganha tempo para negociar (cargos, venham que eu vos quero!). Mas também, certamente os deputados ganham mais tempo para barganhar. Muitos parecem estar como crianças em uma vitrine de padaria, sem ainda terem se decidido o que vão escolher. Deixar esse “furo” elementar, principalmente tendo Witzel um excelente advogado (Manoel Peixinho), parece mesmo ser parte de um teatro – quiçá pantomímico.

Se “o objetivo não é cassar o mandato de alguém, mas sim levar a verdade para a população”, como disse o deputado Chico Machado, presidente da comissão que acaba de ser desfeita, então por que abrir o processo de impeachment? Bastaria, então, uma CPI. Se 69 dos 70 deputados foram “favoráveis” ao impeachement, incluindo aqueles do próprio partido de Witzel, certamente eles seriam também a favor de uma CPI para levar a verdade à população.

O não cumprimento do princípio da proporcionalidade é um erro tão elementar, que chega a gerar dúvidas sobre sua intencionalidade. Agora, outra comissão será formada e um prazo de dez sessões terá que ser observado para Witzel apresentar sua defesa. O prazo se esgotaria nesta quinta-feira, dia 30. E assim, tudo faz parecer que todos, e não apenas Witzel, ganham tempo em toda essa história, que já começa a ganhar ares de “mal contada”.

CENSURA É OUTRA COISA!

Ontem, em um artigo intitulado “Uma Justiça para nós, outra para o Queiroz”, criticávamos veementemente o presidente do STJ, João Otávio de Noronha, pela decisão absurda, seletiva e visivelmente parcial com que ele concedeu o benefício da prisão domiciliar para Fabrício Queiroz e sua mulher foragida, negando o mesmo benefício para os demais presos em idênticas condições. Foi absurdo. Foi revoltante. E nossa crítica foi dura e contundente. Exerci meu direito consagrado no artigo 5º de nossa Constituição para livremente me expressar e criticar a decisão de um magistrado.

Porém, em nosso artigo, apesar das duras críticas, em nenhum momento ameaçamos o presidente do STJ. Como também não o ofendemos. E mais: não pedimos o fechamento do STJ, apesar de seu presidente ter tomado uma decisão considerada absurda até mesmo entre seus próprios pares. Porque se eu ameaçasse ou ofendesse o presidente do STJ, João Otávio de Noronha, eu estaria usando a minha liberdade de expressão para cometer crimes. E se eu, dada minha indignação pela sua absurda decisão, pedisse o fechamento do STJ, também estaria cometendo crime. A liberdade de expressão, assegurada no sacrossanto artigo 5º, permite a prática, a apologia ou a disseminação de crimes? Claro que não!

Agora, imaginem o Roberto Jefersson, aliado de Bolsonaro, aparecendo em uma foto, portando um fuzil e ameaçando o STF. Imaginem ainda a bolsonarista Sara Winter dizendo que foi “treinada” na Ucrânia e que “tem que ucranizar” e dizendo ainda que “sabe onde o Alexandre de Moraes mora e os lugares que ele frequenta.” Imaginem ainda, partidários de Jair Bolsonaro ameaçando juízes, pregando o fechamento do STF, do Congresso, ameaçando jornalistas e adversários políticos, difamando desafetos e propagando mentiras. Pois todas essas práticas criminosas estavam contidas nas páginas que foram suspensas das redes sociais bolsonaristas por ordem do ministro do STF, Alexandre de Moraes. Não houve qualquer censura. Porque, se houvesse censura, esses absurdos não teriam sido sequer levados ao ar.

Mas, o que é censura e quando ela ocorre? Censura é um filtro prévio ao qual conteúdos a serem publicados devem ser submetidos. É o que acontecia, por exemplo, na época da ditadura militar, defendida por Bolsonaro e seus seguidores. Censores faziam plantões nas redações dos jornais até o fechamento de suas edições, vetando conteúdos. Muitas páginas saíam em branco. Isso é censura. Censura é o que acontecia na ditadura militar, quando existia a Comissão Nacional de Moral e Civismo, que examinava previamente todos os livros de Estudos Sociais, vetando uns e liberando outros. Censura foi a proibição, em 1976, da exibição da novela “Roque Santeiro”. Censura é o que Bolsonaro, recentemente, prometeu fazer com a Ancine. Enfim, quando há censura, o conteúdo sequer chega a ser publicado. E essa prática é típica de regimes autoritários, como foi a ditadura militar defendida por Bolsonaro e seus seguidores. Naquela época, desafiar a censura era colocar a própria vida em risco. Foi o que muitos músicos, atores, escritores, poetas, jornalistas fizeram. Eles publicavam sem aviso prévio. Muitos deles, infelizmente, foram presos, torturados e assassinados.

Nenhum bolsonarista foi censurado e nem está censurado pela medida de Alexandre de Moraes. Eles tanto não foram censurados que chegaram a publicar os conteúdos. Porém, conteúdos flagrantemente criminosos, como ameaças, difamações e toda sorte de crimes contra a ordem democrática. E há ainda um outro detalhe, que é o rastro do financiamento. Foi constatado que muitas dessas páginas, que espalham ódios, ameças e atentam contra as instituições, eram financiadas por empresas do governo. A se confirmar, o criminoso seria o próprio governo.

Os bolsonaristas não foram desativados e nem proibidos de usar as redes sociais. Eles podem até criar outras páginas no lugar das que foram suspensas e dizer uma série de sandices, desde que não configurem crimes. Eles podem dizer, em defesa do governo Bolsonaro, que vão usar a cloroquina, que o Dória é comunista, que o nazismo é de esquerda, que a Terra é plana, que a escravidão foi boa para os negros, que não existe aquecimento global, que os livros têm um monte de coisas escritas, que o peixe é inteligente e desvia do óleo, que a Amazônia não pega fogo porque é úmida, que nas universidades federais existe balbúrdia, que o general é um bom ministro da Saúde, que Bolsonaro foi enviado por Deus, que a aliança com o “Centrão” é maravilhosa e representa a nova política, que o Roberto Jefferson é impoluto, que o Weintraub merece ir para a Academia Brasileira de Letras, e que o Olavo de Carvalho é o maior “filósofo” brasileiro. Fiquem à vontade.

Porém, ameaçar o STF com fuzil em punho, como fez o neobolsonarista Roberto Jefferson; ameaçar adversários políticos; difamar jornalistas, pregar ataques e fechamento de instituições, como o STF e o Congresso Nacional, veicular conteúdos falsos e anti-científicos sobre a Covid-19, são crimes em flagrante. E tanto as redes sociais, como a internet de um modo geral, não podem se transformar em searas para práticas e apologias criminosas. E foram exatamente essas práticas que levaram à suspensão das páginas bolsonaristas. Censura é outra coisa. E se liberdade de expressão for sinônimo de salvo-conduto para a prática de crimes, então a barbárie estará consolidada no Brasil.

WITZEL, O PIOR NO COMBATE À PANDEMIA

Imagem acima: o crescimento da desaprovação a Witzel no combate à pandemia do coronavírus. Fonte: pesquisa Revista Forum/Offerwise.

Wilson Witzel, o “xerifão” eleito na onda bolsonarista e que ia “dar tiro na cabecinha”, está com a cabeça a prêmio. Investigado na Polícia Federal, enrolado no escândalo da Saúde e sofrendo um processo de impeachment, o governador do Rio de Janeiro acaba de acrescentar em seu currículo mais um ingrediente: ele foi apontado como o pior governador em uma pesquisa que avalia a atuação dos governadores na gestão da crise da pandemia. A pesquisa em questão foi realizada pela Revista Forum, em parceria com a Offerwise e constava da seguinte pergunta aos entrevistados: Como você avalia a gestão do governador do seu estado na gestão da pandemia do coronavírus?

Aos entrevistados eram apresentadas quatro alternativas: Ótimo-Bom, Regular, Ruim-Péssimo, Não Sabe. De todos os governadores, Witzel foi o que teve a pior avaliação, com 59,2% dos entrevistados considerando a gestão de Witzel no combate à pandemia como ruim ou péssima. Apenas 7,7% consideraram a gestão ótima ou boa. A pesquisa, que vem sendo feita pela Revista Forum desde abril, mostra uma queda vertiginosa da aprovação de Witzel, que chegou a ser de 46,4% em abril. Os números desfavoráveis a Witzel começaram, como mostra o histórico das pesquisas, a subir em maio, quando o governador foi alvo de uma operação da Polícia Federal. Acrescente-se a isso que a Secretaria de Saúde virou um antro de ladrões e assassinos, visto que os roubos milionários de agentes públicos e empresários levaram à morte milhares de pessoas. Um verdadeiro latrocínio. Dinheiro desviado, esquema com “laranjas”, compra de respiradores que não eram entregues, mas que foram pagos, secretário e sub-secretário de Saúde presos. Mário Peixoto (sempre ele), o empresário-bandido ligado a Sérgio Cabral, é uma das “cerejas” do bolo em que Witzel se meteu. Agora, aguarda-se a delação de Edmar Santos, o secretário de Saúde preso que disse ter provas contra o governador. Não foi à toa que Fernando Ferry, ao demitir-se de secretário de Saúde pouco mais de um mês após assumir o cargo no lugar de Edmar Santos, disse que “o poço era mais fundo do que ele pensava” e que “não queria manchar o seu CPF.”

O resultado da pesquisa, evidentemente, não podia ser outro. Mas, ainda assim, fica a pergunta: em que estado, em que país, em que mundo ou em que galáxia vivem os quase 8% que, de acordo com a pesquisa, consideram a gestão de Witzel no combate à pandemia como ótima ou boa?

UMA JUSTIÇA PARA NÓS, OUTRA PARA O QUEIROZ

“Uma justiça para nós, outra para o Queiroz.” O Brasil viveu, na última semana, uma das maiores aberrações e prova de seletividade e parcialidade do Poder Judiciário, quando outros presos, pelos mesmos motivos, tiveram negados os seus pedidos de prisão domiciliar, o mesmo que foi concedido ao miliciano e “laranja” da família Bolsonaro Fabrício Queiroz e sua mulher foragida, Márcia Aguiar. O presidente do STJ, João Otávio de Noronha, que aceitou o pedido da defesa de Queiroz, concedeu ao “laranja” dos Bolsonaros a prisão domiciliar. João Otávio de Noronha entendeu que Queiroz, por ser do grupo de risco da Covid-19 e também portador de câncer, merecia um tratamento humanitário. E mais, merecia os cuidados de sua mulher, Márcia Aguiar, até então foragida da Justiça. Então, em uma canetada, o presidente do STJ mandou Queiroz para casa e, junto com ele, sua mulher, mesmo sendo ela uma foragida. A decisão, evidentemente, causou espécie até mesmo entre seus próprios pares do tribunal.

Então outros presos, na mesma condição do Queiroz, entenderam que teriam o mesmo direito: presos doentes, do grupo de risco da Covid-19 e precisando de tratamento domiciliar. A exceção, excepcionalíssima, pois no “pacote” beneficiou até a miliciana foragida, estava aberta. A jurisprudência estava criada. Foi aí que o Coletivo de Advocacia em Direitos Humanos pleiteou junto ao “humanitário” magistrado João Otávio de Noronha o mesmo direito para todos os demais presos na mesma situação do Queiroz. Mas todos foram negados, mesmo estando em situação idêntica à do miliciano-laranja da família Bolsonaro.

Não foi à toa que Bolsonaro afirmou que, ao conhecer o magistrado João Otávio de Noronha, disse que foi “amor à primeira vista”. O amor foi correspondido. Que se dane a lei, a isonomia, que se dane a igualdade perante a lei. Junte-se a essa aberração o fato de que o presidente do STJ é candidatíssimo à vaga de ministro do STF que será aberta em novembro e Bolsonaro terá que fazer a indicação.

Ao contrário dos fascistas bolsonaristas, não iremos pedir o fechamento do STJ. Exigimos sim, investigação sobre o tratamento escandalosamente protecionista do presidente do STJ, que deve se explicar não apenas à sociedade, mas também ao próprio Judiciário. Ou o benefício escandaloso concedido ao Queiroz e sua mulher foragida é revertido, ou todos os demais presos, nas mesmas condições, terão que usufruir do mesmo direito.

Quanto ao presidente do STJ, que se cuide também por um outro motivo: o Bolsonaro pode te usar, como usou o Moro, e depois te descartar.

AGU É DO ESTADO, NÃO DO GOVERNO!

O artigo 131 da Constituição Federal é claro: a Advocacia-Geral-da-União (AGU) representa judicialmente a União. Ela não representa os interesses de um governo, de um partido político ou de organizações e pessoas apoiadoras do Presidente. Muito menos organizações criminosas.

Ao acionar a Advocacia-Geral-da União para pleitear a inconstitucionalidade do bloqueio de contas de seus apoiadores, Bolsonaro está usando uma instituição do Estado para representar e defender interesses de seus apoiadores. Estaria Bolsonaro convicto de uma recente declaração que fez, quando afirmou que ele “era a Constituição”? Nesse momento, não queremos entrar no mérito dos conteúdos das contas dos bolsonaristas que foram bloqueadas. Claro que, em nome da “liberdade de expressão”, diversos crimes podem ser praticados pela internet. Por exemplo: Roberto Jefferson, de fuzil em punho, defendendo Bolsonaro e ameaçando o STF; Bernardo Kuster ameaçando Gilmar Mendes e Dias Toffoli; Sara Winter, em tom de ameaça, dizendo que foi treinada na Ucrânia e que “chegou a hora de ucranizar”. É tudo a mais simples “liberdade de expressão”.

No entanto, isso não é tudo. Porque, por detrás das páginas bloqueadas, está o financiamento público, ou seja, de empresas do governo, a apoiadores do próprio governo. E isso não é grave, porque é gravíssimo. A Secretaria de Comunicação e empresas públicas devem se explicar sobre o apoio financeiro, através de propagandas oficiais, dadas a sites bolsonaristas. Há indícios claros de que dinheiro público financia as máquinas bolsonaristas pela internet.

Então, a coisa vai muito além da “liberdade de expressão”. A direita não está calada na internet. São vários os sites de direita e ultra-direita, inclusive bolsonaristas, que estão no ar. E até os próprios “bloqueados” continuam ativos nas redes. Mas os casos das contas bloqueadas de bolsonaristas estão muito além da simples “liberdade de expressão”.

Claro que o mérito será discutido e resolvido judicialmente, como deve ser. Porém, Bolsonaro comete mais um crime ao usar a AGU para representar e defender seus apoiadores, acusados de crimes que, se comprovados, farão com que ele coloque essa mácula na AGU: a de representar a defesa de criminosos. Do mesmo modo que ele já maculou outras instituições de Estado, como o Exército. Assim, antes de decidir se os bloqueios são ou não constitucionais, devemos nos perguntar: o uso da AGU, pelo Presidente da República, para defender seus apoiadores, é constitucional? Ou, em outras palavras: a AGU pertence ao Estado Brasileiro ou ao governo Bolsonaro?

MAIA INIMIGO DOS PROFESSORES

A Educação teve uma grande vitória com a aprovação do Fundeb.
Foi uma vitória de alunos e profissionais de Educação. E foi uma derrota acachapante de Bolsonaro. Mas Rodrigo Maia, o presidente da Câmara dos Deputados, agora ameaça os professores. Ele quer reduzir o piso nacional do magistério, que atualmente é corrigido pelo custo-aluno. Só que o Rodrigo Maia quer que o piso do magistério seja corrigido pelo INPC, que é o índice oficial da inflação, o que tornaria o reajuste dos professores muito menor.

Para isso, Rodrigo Maia quer tirar do armário o Projeto de Lei 3776/2008, que propõe que o piso salarial dos professores seja corrigido apenas pelo INPC e não pelo custo-aluno. Caso a pretensão de Maia se concretize, o piso nacional do magistério cairia sensivelmente. A tabela abaixo mostra, nos últimos dez anos, a comparação entre o INPC e o custo-aluno, e permite constatar que a ameaça de Rodrigo Maia de desengavetar o Projeto de Lei 377/2008 é uma ameaça real ao ganho dos professores:

Não resta dúvida de que Rodrigo Maia, ao querer desengavetar um projeto que reduz o piso dos professores, não tem qualquer compromisso com a Educação. Ele é amigo do Paulo Guedes. Ele é amigo dos banqueiros. Ele é amigo do “mercado”. Mas provou ser inimigo dos professores. Depois da aprovação do Fundeb, nova mobilização será necessária para barrar a pretensão de Rodrigo Maia de querer rebaixar o salário dos professores. Vamos dizer “não” ao “Botafogo”!

GUEDES QUER TAXAR LIVROS

Certamente nenhuma medida do governo Bolsonaro é tão icônica como a proposta contida na reforma tributária do ministro-banqueiro Paulo Guedes, que pretende taxar os livros. A reforma proposta pelo banqueiro não mexe nas grandes fortunas e prevê um imposto menor para os bancos. Até aí nenhuma novidade. Enquanto isso, os templos religiosos de tubarões como Edir Macedo, Silas Malafaia, R.R. Soares, Valdemiro Santiago e outros mascates milionários da fé ficam isentos de impostos. E aí sobrou para… os livros!

Para um governo que tem como inimigo o educador Paulo Freire, dificultar o acesso aos livros é uma medida plenamente coerente. Segundo a proposta do banqueiro-ministro, os livros passariam a pagar uma alíquota de 12%, a título de contribuição de bens e serviços. O banqueiro Paulo Guedes justifica a taxação dos livros como uma cobrança que substituiria o pagamento do PIS/COFINS. Ocorre que os livros são isentos de PIS/COFINS desde 2004, isenção esta dada no primeiro governo Lula. Assim, os livros, pela proposta do ministro-banqueiro, passariam a pagar um imposto que, até então, não pagavam.

A proposta de taxar os livros em 12% trará, evidentemente, o encarecimento dos mesmos e, consequentemente, a dificuldade de acesso. Há um outro detalhe: com os 12% que o governo quer cobrar sobre os livros, em muitos casos o governo irá ganhar mais do que o próprio autor da obra.

O mesmo governo que flexibilizou e aumentou a posse e uso de armas e munições, agora quer taxar livros e, consequentemente, dificultar o acesso à leitura e à cultura. Antes fosse um “mito”. Mas, infelizmente, é a pura realidade.

PEDRO FERNANDES INVESTIGADO

“Chefe comendo meu rabo./ Não caiu pagamento. Setembro./Com certeza, caiu sim./ Não fizeram. Pedro acaba de me ligar.” (Trecho de conversa pelo celular entre Marcus Vinícius Azevedo da Silva, sócio da Riomix e o empresário Flávio Chadud, que consta no relatório da Polícia Civil do RJ).

Afinal, quem seria o “chefe” que estaria “comendo o rabo” de um dos interlocutores da conversa acima? E quem seria o “Pedro” que teria ligado para um dos interlocutores reclamando de que o “pagamento não tinha caído”? Para a Polícia Civil do Rio de Janeiro, o suspeito de “ser o chefe” e “estar comendo o rabo” é Pedro Fernandes, secretário estadual de Educação do Rio de Janeiro. O inquérito da Polícia Civil investiga fraudes na Fundação Leão XIII, que esteve sob a administração de Pedro Fernandes quando ele era secretário de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Social. Em 2017, a Fundação Leão XIII passou para a sua gestão, quando foi implementado o programa “Novo Olhar”, com a finalidade de oferecer exame de vista e óculos para os alunos da rede estadual. Os desvios de verbas com o programa ultrapassam os 66 milhões de reais e a Fundação Leão XIII, por indicação de Pedro Fernandes, era presidida por Sérgio Fernandes, ex-deputado estadual.

Um detalhe: Sérgio Fernandes, apesar do sobrenome, não tem parentesco com Pedro Fernandes. Aliás, ele nem tem “Fernandes” no nome. Seu nome é Sérgio Bernardino Duarte, mas adotou na política o sobrenome “Fernandes” para expressar inequivocamente que é aliado de Pedro Fernandes e da vereadora Rosa Fernandes. E, talvez, até para confundir os eleitores com um suposto parentesco. Algo semelhante ao que fez o deputado Hélio Bolsonaro, conhecido como “Hélio Negão”.

De acordo com a Polícia Civil, Pedro Fernandes era um dos que se beneficiava com o dinheiro desviado do programa “Novo Olhar”. Em um dos cadernos apreendidos pela Polícia aparecem as iniciais “PF” (seria “Pedro Fernandes”?), como tendo recebido propinas de licitações da Fundação Leão XIII. O tal “PF” teria recebido um “biscoitinho” de 145 mil. Há até uma menção ao tal “chefe” ou “PF” de que ele era exigente e queria sempre receber em grana viva.

Tudo ainda está na fase de inquérito. Pode ser evidência. Ou pode ser coincidência. Aguardemos o desfecho das investigações para sabermos se o tal “chefe”, de nome “Pedro” e com as iniciais “PF” é mesmo o atual chefe da Educação do Estado do Rio de Janeiro e homem de confiança do enrolado governador Witzel. Se não for, tratar-se-á de uma coincidência digna de entrar na coleção do doutor Samuel Spier, o célebre “colecionador de coincidências” de uma das histórias do matemático Malba Tahan.

BOLSONARO, O DISSEMINADOR DO VÍRUS

Imagem acima: foto de Adriano Machado – Agência Reuters.

As atitudes mais do que irresponsáveis, criminosas, de Jair Bolsonaro parece que não terão fim. Ele está infectado com o coronavírus e, depois do terceiro teste, mesmo tomando a sua “milagrosa” cloroquina, continua com a doença. Doença que ele jamais respeitou. Doença da qual tripudiou e que já matou mais de 83 mil pessoas no Brasil.

Então, continuando a sua escalada de irresponsabilidades e atitudes criminosas ele resolveu, bem ao estilo “Collor”, andar de moto. Claro, sem usar máscara. E, para consumar mais um crime contra a saúde pública, parou para conversar com garis que trabalhavam nas proximidades do Palácio da Alvorada. Bolsonaro, em mais essa estupidez criminosa, não descumpriu apenas a recomendação médica de ficar em isolamento por estar contaminado. Ele também descumpriu determinação legal do governo do Distrito Federal. Ele descumpriu recomendações sanitárias. Ele descumpriu as mais elementares regras de civilidade e respeito.

Mas há que se destacar também a imprudência dos garis. Ao perceberem que Bolsonaro, infectado e sem máscara, aproximava-se deles, deveriam recusar a conversa e se afastarem. Foram tão irresponsáveis como o irresponsável-mor. Do mesmo modo que também são irresponsáveis os participantes da claque de fascistas que param em aglomerações e sem máscaras para ouvir seus vômitos verborrágicos.

Os garis que estavam na roda (na foto aparecem três), deveriam ser identificados, afastados do trabalho, repreendidos por conversarem com um doente sem máscara e colocados em isolamento. Mas todos sabem que isso não vai acontecer. E, infelizmente, o vírus agradece mais uma vez ao seu principal disseminador no Brasil.

FUNDEB: BOZO PERDEU E DIZ QUE GANHOU

“Votação do Fundeb na Câmara representa derrota para o governo Bolsonaro.” (Correio Brasiliense).

“Centrão alertou Planalto: governo sofreria derrota se insistisse em mudar PEC do Fundeb.” (g1.globo.com).

“Em derrota do governo, Câmara dos Deputados aprova o Fundeb permanente.” (brasildefato.com.br).

“Derrota acachapante do governo no Fundeb.” (O Globo, primeira página de 23/07/2020).

“Bolsonaro perde: Câmara aprova Fundeb.” (pensarpiaui.com).

“Vitória da Educação contra Bolsonaro.” (Diário do Centro do Mundo).

“Derrotado na Câmara, Bolsonaro tenta lucrar politicamente.” (garrone.com.br).

“O governo conseguiu ontem mais uma vitória, aprovamos o Fundeb e o Senado e deve seguir para o mesmo caminho.” (Jair Bolsonaro, em 22 de julho de 2020).

Pinçamos acima algumas repercussões da mídia, de diversas tendências políticas, pós-votação do Fundeb. O governo, como todos sabem, foi fragorosamente derrotado. Bolsonaro, com sua covardia e omissão que lhes são características, em momento algum preocupou-se com a renovação do Fundeb, que expiraria no final desse ano. Depois da derrota que ele sofreu na Câmara, na maior sem-vergonhice e cara-de-pau ele veio dizer que foi uma “vitória do governo”. Vitória do governo? Vejamos:

Bolsonaro queria adiar a votação do Fundeb. Perdeu. Toma-lhe!

Bolsonaro queria que o Fundeb só voltasse a vigorar em 2022, deixando 2021 no vácuo. Perdeu de novo. Toma-lhe!

Bolsonaro queria tirar recursos do Fundeb para o seu “Renda Brasil”. Perdeu mais uma vez. Toma-lhe!

Bolsonaro queria desviar recursos do Fundeb para o ensino privado, com o tal do “voucher”. Perdeu novamente. Toma-lhe!

E, finalmente, tentando tirar recursos para pagamento dos professores, Bolsonaro, tendo o Partido Novo como seu preposto, tentou desvincular os 70% do Fundeb para pagamento dos profissionais da Educação. Perdeu mais uma vez. Toma-lhe!

Ou seja, Bolsonaro perdeu todas. E de goleada.

Então, de forma covarde, quando viu que não conseguiria mudar o texto original da relatoria, Bolsonaro, de maneira oportunista, calhorda e sem-vergonha, resolveu “apoiar” o relatório. E agora, mesmo sofrendo uma derrota insofismável e nocauteante, na maior cara-de-pau ele tenta surfar na onda, como se fosse vencedor. Não, fascista! Você perdeu e a Educação, os estudantes e os professores do Brasil ganharam.

Sobrou para a deputada Bia Kicis. A deputada bolsonarista foi uma das que manteve-se fiel a Bolsonaro até o último minuto, votando contra o Fundeb. Então, Bolsonaro a destituiu da vice-liderança do PSL. O motivo? Ela foi leal ao Bolsonaro e defendeu até o fim tudo o que Bolsonaro queria, votando contra a PEC. Nossa mensagem para Bia Kicis: Bem feito! Você merece, sua ancilar do fascismo!