DE GUEDES PARA OS “DONOS DE LOJINHAS”

A patética reunião ministerial regada a xingamentos, palavrões, baixarias e ameaças, exibida para todo o Brasil, trouxe muitos recados que mostram o que e quem esse governo realmente representa. E agora quero destacar uma das falas de Paulo Guedes na reunião que mais parecia uma assembleia de milicianos e que certamente desencantará muitos “donos de lojinhas” que votaram no Bolsonaro. E, genericamente, quem são os “donos de lojinhas”? São aqueles pequenos, micro e “nano” empresários, que possuem um pequeno negócio, muitos deles com no máximo dois ou três empregados, que pagam seus impostos, geram muitos empregos (porque eles são muitos) e sobrevivem até com dificuldade. Esses “donos de lojinhas” são verdadeiros heróis, porque trabalham, produzem, geram empregos e não vivem da especulação, como os banqueiros.

Porém, uma epidemia grassou há alguns anos sobre esses “donos de lojinhas”. Refiro-me à epidemia de mitomania. Sim, porque muitos deles achavam que eram burgueses, grandes empresários e que quando o banqueiro Paulo Guedes falava antes da eleição, esses “donos de lojinhas” achavam que Paulo Guedes estava falando com eles. Ledo engano. Os “donos de lojinhas” pelo Brasil afora embarcaram no discurso neoliberal, do Estado mínimo, do empreendedorismo sem burocracias e com o total apoio daquele que aplicaria no Brasil os ensinamentos do liberalismo energúmeno de Chicago. Associado ao fato de muitos desses “donos de lojinhas” sofrerem da mitomania de acharem-se “burgueses”, o discurso da anticorrupção se encaixava perfeitamente. “O Estado estava podre”. Esqueciam-se muitos desses “donos de lojinhas” que o Estado, com o qual Guedes queria acabar e está acabando, era sua fonte de créditos. Principalmente o Banco do Brasil. E o que disse Guedes ao seu chefe e aos seus pares na reunião dos aloprados, sobre o Banco do Brasil? Eis:

“Tem que vender essa porra logo!”

Será que para os “donos de lojinhas”, seria bom vender a “porra” do Banco do Brasil? Para Guedes, que é banqueiro e representa os banqueiros, seria ótimo. Mas os “donos de lojinhas” devem saber que negociar com banco privado não é uma maravilha de Chicago…

O pior, porém, estava por vir. A outra declaração de Guedes, deve ser considerada emblemática para o desencanto dos “donos de lojinhas”. Disse o “Posto Ipiranga”:

“Nós vamos ganhar dinheiro usando recursos públicos para salvar grandes companhias. Agora, nós vamos perder dinheiro salvando empresas pequenininhas.”

Bem, parece que não precisa desenhar. A pandemia vai passar. Restarão empresas quebradas (grandes, médias, pequenas e micros). Não resta dúvida sobre quem Paulo Guedes quer e vai ajudar. Claro que o Luciano Hang, dono da Havan, estará garantido. Não resta dúvida sobre quem Paulo Guedes e sua Escola de Chicago representam. Então, aos “donos de lojinhas” que, depois dessa, ainda insistirem em apoiar esse governo, mesmo sabendo que para o governo vocês não representam nada e, por isso, ele não representa vocês, só restará uma saída: se vocês continuam mitomaníacos que se acham “burgueses”, então está na hora de procurar um psiquiatra ou um psicólogo.

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