EXTRA! MÉDICI PROIBIU O BIQUÍNI!

eduardo 03

Eduardo Bolsonaro, o filho de Bolsonaro indicado pelo pai para ser embaixador nos Estados Unidos, está prestes a ser sabatinado pelo Senado, que decidirá sobre a sua indicação. O possível embaixador do Brasil na embaixada mais importante de nosso país disse estar se preparando para a sabatina e, dentre outras coisas, está estudando história pelo Youtube. Mas parece que ele não consegue nem mesmo responder a uma sabatina rampeira e de esquina, como a do Programa Sílvio Santos. Eduardo, o pretenso embaixador do Brasil nos Estados Unidos, participou de um quadro no Programa Sílvio Santos, junto com seu irmão Flávio, chamado “Jogo das Três Pistas”. No jogo, são dadas até três pistas e o participante deve, valendo-se das pistas, dizer o nome da pessoa, lugar ou objeto. A prova da qual Eduardo e seu irmão participaram dava pistas para, a partir das mesmas, um deles acertar qual o Presidente da República e, a certa altura da prova, foram dadas as seguintes pistas sobre um Presidente da República:

“Nasceu no Mato Grosso do Sul”; “proibiu o biquíni”; “renunciou à Presidência”.

É incrível, fantástico e risível, mas Eduardo Bolsonaro, o (quem sabe), embaixador do Brasil nos Estados Unidos, respondeu, quando só haviam sido dadas as duas primeiras pistas: “Médici.” Logo Médici, o ditador que é ídolo de toda a família Bolsonaro, em que o governo foi o auge dos “anos de chumbo”, com comprovadas torturas, prisões, assassinatos e desaparecimentos de presos políticos. É isso aí: Médici proibiu o biquíni. Essa deveria ser exibida em um antigo programa chamado “Acredite se quiser”. Só espero que o pai de Eduardo, inspirado no ditador militar que foi um de seus ídolos, não tome a mesma medida.

Abaixo o vídeo em que Eduardo Bolsonaro, indicado embaixador nos Estados Unidos, expeliu mais um disparate. A resposta do “03” pode ser vista no vídeo abaixo, a partir de 19 minutos e 40 segundos:

MORO NÃO RENASCERÁ NEM DAS CINZAS

moro morreu 2A decisão da Segunda Turma do STF, ao anular uma sentença do então juiz Sérgio Moro, na qual o atual ministro bolsonarista havia condenado o ex-presidente da Petrobrás, Aldemir Bendine, a 11 anos de reclusão, é simbólica, em razão de, pela primeira vez, uma sentença proferida por Sérgio Moro na Lava Jato ter sido anulada. A sentença não foi reformada. Foi anulada. O entendimento da Segunda Turma foi o de que o réu, que havia sido alvo de delação premiada, deveria ter sido ouvido ao final do processo, o que não ocorreu. Com essa decisão, Sérgio Moro fecha o ciclo e acaba sendo “enquadrado” pelos três poderes.

Primeiro foi o Legislativo. Tendo que se curvar às pressões de parlamentares, Moro, já como ministro da Justiça, viu-se na situação de, contrariando seus princípios, ter que fatiar o pacote anticrime, sua maior bandeira e, talvez, a sua grande plataforma para uma eventual campanha em 2022. A Câmara ainda tirou o COAF de seu ministério, contrariando um de seus maiores desejos. Como se não bastasse, foi trucidado na audiência na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados ao tentar se explicar sobre o escândalo das conversas com procuradores. Não conseguiu, e ainda saiu escorraçado da Câmara aos gritos de “ladrão” e “fujão”.

No Executivo então nem se fala. Bolsonaro vem, desde os primeiros dias de governo, desautorizando Moro, o “ex-super-herói que teria carta branca”. Ele não pôde nomear a suplente de um conselho consultivo; a redação final do texto do pacote anticrime foi enviada à Câmara dos Deputados sem que ele lesse; Bolsonaro intervém na Polícia Federal, diz que Moro “não tem mais a caneta” e quem manda é ele. E agora, ao pedir ao Presidente do STF, Dias Toffoli, que reconsiderasse sua decisão de paralisar as investigações que receberam dados do COAF, só para beneficiar a família do Presidente, Moro levou um “passa fora” de Bolsonaro. Foi noticiado, inclusive, o episódio de uma discussão, aos berros, entre Moro e Bolsonaro e o próprio ex-juiz já sabe que virou pó no governo de ultra-direita que elegeu-se graças a ele.

Agora foi a vez do Judiciário. Se bem que vários setores do Judiciário, em diversas instâncias, vêm tendo uma postura que foge ao habitual corporativismo e condenando as ações criminosas de Moro enquanto juiz, tais como parcialidade e ativismo político, conforme revelado pela Vaza Jato. Agora, o Judiciário anula uma sentença de Moro. Suas sentenças pareciam “cláusulas pétreas do Judiciário”, mas hoje sabemos que tanto suas sentenças como ele próprio nunca passaram de castelos de areia. Tudo resultado de parcialidade, ativismo político e conluio entre Moro e procuradores igualmente criminosos e incentivado por grupos fascistas e midiáticos, interessados em mudar o resultado eleitoral.

A decisão da Segunda Turma do STF abre caminho para futuras anulações de sentenças sabidamente anuláveis e por motivos ainda mais graves, como a parcialidade do ex-juiz. Pelo visto, esse não renascerá nem mesmo das cinzas…

A ESTUPIDEZ OFICIAL

bolsonaro macron

Bolsonaro e seus fiéis seguidores são capazes dos recursos mais baixos, mais abjetos, quando querem ofender, e não dialogar, com seus desafetos políticos. Eles seguem, à risca, a cartilha do guru de Richmond Olavo de Carvalho que oferece, entre seus mais importantes “ensinamentos”, a recomendação de destruir a pessoa e não a ideia do adversário, seja qual for o recurso. Agora, foi a vez do presidente da França, Emmanuel Macron, a quem Flávio Bolsonaro, o pretenso embaixador nos EUA, recentemente chamou de “idiota”. Haja diplomacia! Aliás, para um pretenso diplomata que já afirmou que “diplomacia sem armas é o mesmo que música sem instrumentos”, nenhuma inovação. Tudo por causa das críticas de Macron a Bolsonaro e seu governo, em razão do desastre ambiental na Amazônia. Macron chegou a afirmar que a política ambiental predatória de Bolsonaro poderia melar o acordo comercial União Europeia-Mercosul. Tudo que não pudesse ser tratado a não ser pelo diálogo e pela via diplomática, sem armas, sem ofensas e sem baixarias capazes de deixar-nos enauseados.

Pois agora (mais uma vez) Bolsonaro lança mão de um recurso repugnante para atingir o Presidente da França, Emmanuel Macron. Em uma postagem pelas redes sociais, um de seus séquitos, identificado como Rodrigo Andreaça, fez uma postagem exibindo os dois presidentes com suas respectivas mulheres e a legenda: “Entende agora por que Macron persegue Bolsonaro?” E acrescentou que “é inveja do Macron”, comparando as duas mulheres.

Que os séquitos de Bolsonaro ajam dessa forma não é surpresa. Também não é surpresa que Bolsonaro pense dessa forma. Porém, a resposta do Presidente da República, enquanto pessoa pública e representante do Brasil, foi lastimável, pois Bolsonaro, sem (mais uma vez) qualquer postura de estadista, replicou, em tom de deboche e visando humilhar o presidente francês pelo fato de sua mulher, Brigitte Macron, ser 24 anos mais velha do que ele. Respondeu Bolsonaro:

“Rodrigo Andreaça não humilha cara. Kkkkkkk.”

Não é nenhuma novidade que, em apenas 29 minutos, 861 bolsonaristas tenham curtido a asquerosa e nauseabunda resposta de Bolsonaro. É absolutamente inadmissível, inaceitável e repulsivo o recurso rasteiro de Bolsonaro no episódio. Como Presidente da República, deveria ignorar o comentário ou até admoestar seu seguidor, pois esse não deve ser nem o nível e nem o tom das discussões envolvendo a questão da Amazônia, dos acordos comerciais ou de qualquer divergência com outros estadistas. Isso não é brincadeira. Isso não é apenas machismo. Isso mostra o nível, o caráter (ou melhor, a falta dele) de quem, sem argumentos, sem discurso, sem projetos, sem conhecimento, faz do poder um instrumento de suas sanhas de ódio e vingança gratuitos. Como, certa vez, disse Galileu Galilei, quando era perseguido pela Inquisição: “o fato de alguém ter o poder, não significa que tenha a razão.” Nunca a máxima de Galileu se encaixou tanto em um Presidente da República. O que baliza o atual Presidente de nosso país é a mais irracional, odiosa e repugnante estupidez!

BOZO X MORO: O BARRACO

bozo x moro 2

“Se o senhor não pode ajudar, por favor, não atrapalhe!” (Jair Bolsonaro para Sérgio Moro, em reunião no final de julho).

Sérgio Moro é a “bola da vez” do desastroso governo Bolsonaro. Depois das frituras de Gustavo Bebianno, Ricardo Vélez, do general Santos Cruz, de Joaquim Levy, do diretor do INPE, dentre outros, agora quem entrou no óleo fervente do Bozo foi o ex-juiz, que pensava que iria atuar no governo como ele atuava na Lava Jato. Moro imaginava que seria o “super-ministro”. Ledo engano. Acumulando as mais contundentes derrotas e humilhações no governo ultra-direitista que ele próprio ajudou a eleger com suas ilegalidades como juiz, parece que a defenestração se aproxima.

Já está claro que Moro não tem qualquer poder em seu próprio ministério. Isso já foi demonstrado quando ele sequer pôde nomear uma suplente para um órgão meramente consultivo. Agora Moro demonstrou insatisfação em relação ao protecionismo dado pelo presidente do STF, o cooptado ministro Dias Toffoli, a Flávio Bolsonaro, quando ordenou a paralisação de todas investigações originadas do compartilhamento de dados do antigo COAF (agora UIF – Unidade de Inteligência Financeira). Ao que se sabe, Moro teria pedido a Toffoli que revogasse a decisão sobre o COAF que beneficiou o filho do Bolsonaro. Afinal, Moro tem que prestar contas aos seus fãs que o alçaram à condição de “super-homem”. E calar-se diante do protecionismo filhotista-familiar do Bozo seria mais uma desmoralização para quem já anda tão desmoralizado.

A presença de Moro como ministro era importante para Bolsonaro, que tomou para si um discurso de combate à corrupção que tinha no ex-juiz a sua personificação. Além disso, a atuação de Moro como juiz foi decisiva para a vitória de Bolsonaro. Bolsonaro dava a entender que a recompensa viria com a indicação do “justiceiro de Curitiba” para ministro do STF. Mas, ao que tudo indica, o tal “bilhete premiado” não vai mesmo sair. Ou melhor, parece que já saiu, mas para o outro filho de Bolsonaro, Eduardo.

A situação de Bolsonaro e Moro chegou a um impasse. Evidentemente, já de olho em 2022, conforme ele mesmo sinalizou, Bolsonaro não tem interesse que Moro tenha protagonismo em seu governo. Isso foi demonstrado especialmente quando o tal pacote anticrime, a grande bandeira de Moro, talvez também visando 2022, foi colocado em segundo plano por Bolsonaro. Agora, Moro insurge-se contra o engavetamento das investigações das transações suspeitas de Flávio Bolsonaro e desperta a ira do Bozo. E agora? Bolsonaro demite Moro ou Moro se demite? O “barraco” ocorrido no final de julho e que teria resultado até em bate-boca entre Bolsonaro e Moro já é notícia no dia de hoje, em reportagem do jornalista Jailton Carvalho, do jornal O Globo. Moro não poderá negar, até porque, segundo o ex-juiz, a mídia da família Marinho é tão fidedigna que ele chegou até a usar matérias do mesmo veículo como “provas” contra Lula.

A saída de Moro do governo parece ser uma questão de tempo. O que não se sabe é quem tomará a iniciativa: se o próprio de se demitir ou o Bozo de demiti-lo. O escândalo da Vaza Jato deixou Moro enfraquecido e vulnerável no governo e ele passou a ter que engolir tudo a seco, especialmente quando Bolsonaro o enquadra, sempre lembrando-o que “ele já não tem mais a caneta”. Hoje, Moro sabe que o combate à corrupção não era uma pauta real do governo Bolsonaro.

Agora, humilhado por Bolsonaro e desmoralizado pelo escândalo da Vaza Jato, Moro espera pela demissão para, quem sabe, ir chorar nos braços do João Dória, que já até lhe ofereceu emprego? E muito provavelmente ele irá precisar…

PALAVRA DA “MUSA DO VENENO”

musa do veneno 2A entrevista de hoje da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, a preposta do agronegócio que ficou conhecida como “musa do veneno”, mostrou claramente que os próprios pares e aliados de Bolsonaro o contradizem. Ela disse que “é preciso baixar a temperatura” das críticas em relação ao que vem acontecendo na Amazônia. Quem ouve a “musa do veneno” pode até pensar que o seu Presidente segue esse estilo. O primeiro a inflamar e aumentar a temperatura em relação a tudo tem sido o próprio Bolsonaro e, no caso da Amazônia, as suas declarações ensandecidas, irresponsáveis e até acusações criminosas foram rechaçadas pelo Brasil e pelo mundo afora.

Mas na entrevista de hoje a ministra contradisse até mesmo os dogmas bolsonaristas sobre clima e meio ambiente. Primeiro, a senhora Tereza Cristina afirmou que também ocorreram incêndios florestais em Portugal, na Califórnia e até na Sibéria, justificando que os mesmos têm como causa as secas, o que ocorreria também no Brasil. Mas a ministra deve saber que as secas são resultado do aquecimento global e que o aquecimento global é negado por Bolsonaro e seus cúmplices ambientais. Logo, a ministra, ao contrário de Bolsonaro, está afirmando a existência do aquecimento global. Será que ela será considerada traidora por isso e terá o mesmo destino do diretor do INPE, que cumpriu seu papel mostrando a real situação da Amazônia?

Em segundo lugar, ao dizer que os incêndios são causados pelas secas e, portanto, admitir o aquecimento global, Tereza Cristina também está isentando as ONGs de culpa pela tragédia ambiental, contradizendo, assim, as acusações psicóticas de Jair Bolsonaro. Será ela considerada traidora também por essa afirmação?

Logo, em sua entrevista a ministra está afirmando que as secas são a causa dos incêndios e, portanto, que o aquecimento global é uma realidade. E também, ao contrário do que disse Bolsonaro, que as ONGs não são as culpadas pelos incêndios e sim as secas. Palavra da “musa do veneno”. E agora Jair?

AMAZÔNIA: CLAMOR MUNDIAL

AMAZÔNIA SOSO que a pop star Madonna, o craque do futebol francês Mbappé e o presidente da França, Emmanuel Macron, possuem em comum? Bem, hoje os três, juntamente com outras personalidades internacionais, manifestaram sua apreensão em relação às queimadas que estão destruindo a Amazônia. Até o prefeito de Nova Iorque manifestou-se, denunciando o aumento da destruição da região. A preocupação em todo mundo é tanta que uma reunião do G7 foi convocada para discutir o desastre ambiental do governo Bolsonaro e tentar conter a destruição. O Secretário Geral da ONU, António Guterres, também manifestou preocupação com os constantes incêndios na região.

Enquanto o mundo manifesta sua preocupação com a situação da Amazônia, Bolsonaro demite o diretor do INPE, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o cientista Ricardo Galvão que, cumprindo seu papel, divulgou a real situação do desmatamento na região. A política ambiental do governo Bolsonaro já vem sendo criticada há tempos, tanto por ambientalistas, cientistas e estadistas de todo mundo, dos mais variados matizes ideológicos, especialmente pela agenda e pelos seus dogmas oficiais, dentre os quais a negação do aquecimento global. Não tendo agenda, não tendo projeto, não tendo capacidade e competência para debater o assunto e com um ministro do meio ambiente que já foi até condenado por crime ambiental (sic!), Bolsonaro parte para a agressão gratuita, valendo-se da calúnia e acusando, genericamente, as ONGs pelos incêndios florestais. Quando, de forma absurda, Bolsonaro demitiu o diretor do INPE, ele já acusava irresponsavelmente o cientista de estar a serviço de alguma ONG.

Os crimes ambientais do governo Bolsonaro já eram anunciados e o presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental, Carlos Bocuhy, já declarou que o Brasil está diante de um “Estado de exceção ambiental”. Até a Nasa, a agência espacial idolatrada por Bolsonaro, registrou o aumento exponencial das queimadas na Amazônia. Esse triste episódio não deixa de ser uma tragédia anunciada e, com todos os problemas pelos quais a região sempre passou em todos os governos, envolvendo, de um lado, indígenas e ambientalistas e, de outro, o agro-negócio, mineradoras e madeireiras, a situação da região nunca levou a um clamor internacional tão enfático como visto atualmente. Enquanto Bolsonaro e seus soldados virtuais lançavam mentiras e calúnias pelas redes sociais, a agenda ambiental era desprezada e associada a “esquerdistas”, “índios vagabundos” e “ongueiros profissionais”.

O que o governo de extrema-direita faz com o meio ambiente é um crime de lesa-Pátria. Ou melhor, um crime de lesa-Mundo. E o mundo está dizendo não a Bolsonaro e sim à salvação da Amazônia!

PSL E OS “COCÔS COMUNISTAS”

20190822_1754031464305568.jpg“Vamos acabar com o cocô do Brasil. O cocô é essa raça de corruptos e comunistas.” (Jair Bolsonaro, em visita ao Piauí, em 14 de agosto de 2019).

Em recente visita ao Piauí ou, na “geografia bolsonarista”, à “Paraíba”, Jair Bolsonaro, eternamente em campanha, falou aos seus ensandecidos seguidores que vai “acabar com o cocô do Brasil”. E que o “cocô” são os “comunistas e corruptos”. Disse ainda, sempre sendo chamado de “mito” pelos seus séquitos, que nas próximas eleições mandará “essa cambada para a Venezuela ou para Cuba”. Mas parece que quem se antecipou foi o presidente de seu próprio partido, o PSL, deputado Luciano Bivar. E Bivar, presidente do partido de Bolsonaro, não foi nem para a Venezuela e nem para Cuba e preferiu ficar por aqui mesmo para encontrar-se com o dirigente do Partido Comunista Chinês, Li Jun. O embaixador chinês também esteve presente ao encontro. A agenda do encontro, pasmem, incluía “estreitamento dos laços partidários” e “trocas de experiência de governança”. Falou-se também do BRICS. Porém, certamente na avaliação de Bolsonaro o presidente de seu próprio partido foi encontrar-se com dois “cocôs”, visto que os interlocutores de Bivar são comunistas.

O guru de Richmond e auto-proclamado “filósofo” Olavo de Carvalho, o “Rasputin” do governo Bolsonaro, certamente não deve ter gostado nem um pouco do encontro de Bivar com o “cocô” chinês e muito provavelmente, tal como Bolsonaro, deverá disparar a sua metralhadora giratória, recheada de provérbios escatológicos, contra o presidente do partido de Bolsonaro.

Evidentemente, o encontro simboliza uma antítese do alinhamento político-ideológico do governo Bolsonaro, declaradamente ancilar do governo de Donald Trump. Especialmente num momento em que a guerra comercial China-Estados Unidos atinge o seu auge, esse encontro sinaliza que o PSL, através de seu representante legal caminha, ao contrário de Bolsonaro e seus séquitos extremistas, para o diálogo com quem pensa diferente. Pode ser um recado da cúpula do partido ao próprio Bolsonaro, com a singela mensagem de que a política é o espaço onde se discutem e se negociam as diferenças. Sem que seja necessário banir ou exterminar os que pensam diferente, como sempre diz Bolsonaro.

Aliás, as defecções no PSL, em relação à agenda bolsonarista, já são visíveis. Alexandre Frota, recém-deletado do partido, e Janaína Paschoal, ainda no PSL, não são os únicos exemplos. A China é uma grande e importante parceira comercial do Brasil e Bolsonaro comete, dentre outros, um grande estelionato eleitoral (claro, enganando seus próprios eleitores), pois, durante a campanha, afirmou que não tomaria medidas com “viés ideológico”. Mas tudo o que faz, desde a “diplomacia com armas”, passando pela educação, segurança e meio ambiente, é sim com viés ideológico ultra-direitista e excludente. Resta saber se, em uma eventual celebração de acordo com os chineses, que são comunistas, Bolsonaro também irá chamá-los de “cocôs”. Ou, quem sabe, usaria um eufemismo, classificando os camaradas chineses como “cocôs, abertos ao mercado”