VÍDEO ACIRRARÁ POLARIZAÇÃO

“O vídeo é sensacional.” (Carla Zambelli, deputada bolsonarista do PSL).

Engana-se quem pensa que os bolsonaristas ficaram chocados ou decepcionados com a exibição do vídeo da fatídica reunião do dia 22 de abril (ironicamente, a data tradicional do “Descobrimento do Brasil”). Bolsonaro dizer que quer o povo armado para enfrentar o isolamento; xingar governadores de “bosta” e “estrume”; falar que quer ter o controle de informações, que tem o seu sistema “particular” de informações e que não vai esperar ninguém foder sua família; atacar a imprensa e as instituições. Alguém acha que Bolsonaro perdeu seguidores por causa disso? Para Carla Zambelli, deputada bolsonarista, “o vídeo é sensacional”. Outra deputada bolsonarista, a Bia Kicis, disse orgulhosa: “Bolsonaro xinga para defender o povo dos ditadores e tiranos”.

O ministro da Educação chamar juízes da Suprema Corte de “vagabundos” e dizer que devem ser presos? A ministra dos Direitos Humanos pedir a prisão de governadores e prefeitos que, seguindo determinações médicas e da OMS, impõem o isolamento? O ministro do Meio Ambiente propor que o governo aproveite o foco da mídia na Covid-19 para “afrouxar as leis” e deixar “passar a boiada”? Claro que nada disso decepcionou os bolsonaristas. Ao contrário, eles estão orgulhosos de seu presidente e ministros. Todos, com suas falas ameaçadoras, violentas, baixas, covardes e odiosas os representam. Imaginem um ministro da Educação dizer que odeia a expressão “povos indígenas”. E o ministro da Economia dizer: “Deixa cada um se foder do jeito que quiser.” Isso, para os bolsonaristas, é um “gol de placa”. O ataque a adversários políticos, os xingamentos, as ameças feitas por Bolsonaro até mesmo a seus próprios ministros, a agressão às instituições democráticas…. Nada, absolutamente nada decepciona os seguidores de Jair Bolsonaro. Eles estão até comemorando. Sinal disso é que a deputada Carla Zambelli até anunciou uma outra manifestação pró-Bolsonaro para o próximo domingo. Depois de tudo o que foi exibido, disse a deputada: “o Presidente representa os brasileiros”. Já dá para prever o próximo domingo: manifestações pedindo intervenção militar, fechamento do Congresso e do STF, “minha bandeira jamais será vermelha”…

A publicidade do vídeo certamente irá acirrar ainda mais a polarização política. Porque o vídeo exibe, sem eufemismos, as confissões de vários crimes, tanto de Bolsonaro como de ministros, além de demonstrar a baixaria subterrânea que caracteriza aqueles que estão no comando de um país à deriva. O vídeo dá todos os motivos para o impeachment de Bolsonaro e processo de vários ministros. Mas com a aliança feita com o “Centrão”, que soma quase 150 votos na Câmara dos Deputados, por enquanto Bolsonaro não corre riscos. Já os bolsonaristas, com todas as barbaridades exibidas, estão em polvorosa e sentem-se até fortalecidos. A tendência é o aumento da polarização política.

SOBRE O VÍDEO: NÃO PERCAMOS O FOCO!

Enfim, o vídeo da fatídica reunião de 22 de abril foi divulgado pelo ministro do STF Celso de Mello. Alguma novidade? Não. Bolsonaro, um Presidente da República transtornado e desequilibrado desfila seu ódio e seu discurso violento com direito a um repertório de palavrões. Engana-se quem pensa que Bolsonaro perderá seguidores com as falas divulgadas. O vídeo é, de fato, estarrecedor, mas a boiada fascista mugiu de alegria e gozos venéreos ao ver seu líder falar em “querer a população armada”. Ou quando Bolsonaro chamou o Dória de “bosta” e o Witzel de “estrume”. Também sobrou para o prefeito de Manaus, também xingado de “bosta”. E também quando Bolsonaro atacou veículos de imprensa como a
Folha e O Globo. Sobrou até para o site direitista-morista O Antagonista. Nada disso é muito diferente do que ele diariamente faz.

Em relação às falas comprometedoras e criminosas de seus ministros, também nada nos surpreende. Weintraub dizer que “tem que prender esses vagabundos, a começar pelo STF” e Damares dizer que “tem que prender governadores e prefeitos” e que “o Ministério da Saúde está cheio de feministas” ? Nenhuma surpresa! A pergunta é: em todas essas falas, e poderíamos citar várias outras, onde está a surpresa e a novidade, em se tratando de Bolsonaro e seus ministros? E alguém pode ficar admirado com a fala criminosa de Ricardo Salles, que sugeriu aproveitar o foco da imprensa na Covid-19 para “passar a boiada e simplificar normas de baciada, aprovando reformas infralegais”? O que não podemos é perder o foco e, se todas as falas deploráveis serão aplaudidas pela claque fascista-bolsonarista uma coisa, no entanto, não podemos deixar de levar em conta. E essa coisa chama-se foco. O foco deve ser no motivo que levou à divulgação do vídeo. E o motivo é uma acusação seríssima feita por Sérgio Moro: a de que Bolsonaro estava querendo interferir na Polícia Federal, querendo trocar chefes, superintendentes e obter informações. Outras utilidades o vídeo poderá (e deverá) ter, como processar Weintraub, que chamou os ministros do STF de vagabundos e que teria que prendê-los. Pode também sobrar para a Damares. Mas não podemos, nesse momento, perder o foco, que é a comprovação do crime de responsabilidade de Bolsonaro em querer interferir na Polícia Federal. E o vídeo fornece provas disso em vários momentos. E isso é o que deve interessar fundamentalmente.

Quando Bolsonaro diz, aos berros: “Eu não vou esperar foder a minha família toda, de sacanagem, ou amigos meus, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence a estrutura nossa. Vai trocar! Se não puder trocar, troca o chefe dele! Não pode trocar o chefe dele? Troca o ministro! E ponto final!”, não é preciso fazer grandes contorcionismos hermenêuticos para perceber que ele está sim falando que vai interferir, que quer o controle e que está mandando um recado direto para Moro.

Quando Bolsonaro diz, aos berros: “eu tenho a inteligência das Forças Armadas que não tenho informações. ABIN tem os seus problemas, tenho algumas informações. Só não tenho mais porque tá faltando, realmente, temos problemas, pô. Aparelhamento, etc. Mas a gente não pode viver sem informações,” também não é preciso nenhum exercício hermenêutico para percebermos que ele quer informações de órgãos de Estado e não devem atuar como órgãos ou polícias de governo. Mas ele acrescenta:

Sistema de informações. O meu, particular, funciona.” Nessa fala, inclusive, dá para fazer um “link” com a entrevista que Gustavo Bebianno deu, poucos dias antes de falecer, no programa “Roda Viva”, quando ele disse que Bolsonaro estaria criando uma “ABIN paralela”.

Enfim, quando Bolsonaro diz, ainda aos berros, que “a PF não lhe dá informações”, as iniciais “PF” não se referem, evidentemente, a “prato feito”, “pato feio”, “por favor” ou, para usar um linguajar bolsonarista, “puta foda”.

Portanto, o vídeo é sim uma prova contundente dos crimes de Bolsonaro. E isso é o que deve primordialmente interessar. Há um detalhe no vídeo que chama atenção: Sérgio Moro praticamente não fala, percebeu que foi ameaçado e que já estava frito. Em dado momento, ele levanta-se e sai da reunião. Depois retorna, pede a palavra e parece que já havia, naquele momento, tomado a decisão de sair da muvuca em que se meteu e acusar Bolsonaro, visto que a reunião estava sendo filmada e as provas ali estavam. Mas Moro, que disse nunca ser político e sempre foi, principalmente quando juiz, não deixou de aproveitar a baixaria reinante e exibir-se, de outra forma, para os seus seguidores. Então, pediu que fosse incluído no Pró-Brasil o combate ao crime organizado e à corrupção. Ou seja, no meio de tantas baixarias, ele seria o “impoluto de alto nível”. Ali, os moristas também vibraram.

Enfim, o vídeo contém falas agressivas, fascistas, criminosas, baixas, ofensivas, ameaçadoras e comprometedoras para muitos. Se bolsonaristas e moristas vibraram com as performances de seus líderes, ambos ainda terão que se explicar. Está nas mãos do procurador-geral Aras fazer uma denúncia para que ele não passe à história como mais um “engavetador”, como foram os procuradores da Era FHC. Quanto ao Moro, o mesmo STF que hoje liberou o vídeo, ainda irá julgar sua parcialidade como juiz. O jogo só está no começo. E não percamos o foco!

SKAF, ALIADO DO BOZO, VIRA RÉU POR PROPINA

Paulo Skaf, o presidente da FIESP que foi um dos articuladores do golpe de 2016 e que lançou a campanha “Não vou pagar o pato” acaba de virar réu, acusado de ter praticado “caixa 2” e de ter recebido propina de mais de 5 milhões da Odebrecht. Skaf é um dos “impolutos” aliados do governo genocida de Bolsonaro, juntamente com o “Centrão” de Roberto Jefferson e Cia.

A denúncia do Ministério Público Eleitoral foi aceita pelo juiz da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, Marco Antônio Martins Vargas. Como já é bem conhecido, a Odebrecht usava codinomes para identificar os beneficiários do dinheiro sujo das propinas que pagava. Dada a ascendência libanesa de Skaf, seus codinomes na lista de propinas da Odebrecht eram “Kibe” e “Tabule”. Tudo a ver!

Disse o magistrado Marco Antônio Martins Vargas, ao justificar a aceitação da denúncia do Ministério Público Eleitoral:

“Conjunto de indícios, por ora, capaz de reforçar a convicção sobre o envolvimento dos denunciados no complexo esquema de pagamento de propina, omissão de dados à Justiça Eleitoral e lavagem de capitais, supostamente erigido para dissimular os fins ilícitos dos grupos políticos e empresariais apontados”.

Em 2016, a campanha “Não vou pagar o pato”, que defendia o golpe contra Dilma, liderada por Skaf e sua FIESP, atingiu o auge, inspirando os bolsominions a trajarem o abadá de patos amarelos com a camisa da CBF. A porta da FIESP, na Avenida Paulista, era o local das manifestações desses mesmos patos, que grasnavam “contra a corrupção”. Os mesmos patos que hoje defendem o “Flávio das Rachadinhas”. Os mesmos patos que hoje defendem o Queiroz. Os mesmos patos que hoje defendem o “Onyx caixa 2”. E, certamente, os mesmos patos que agora estarão defendendo o dono da FIESP. Isso porque “a mamata ia acabar”. Quáquáquáquáquá…

APROVAÇÃO DE BOLSONARO LADEIRA ABAIXO

A pesquisa XP divulgada nesta quarta-feira, 20 de maio, não deixa dúvidas: cada vez mais a aprovação ao governo de Bolsonaro cai e o índice de reprovação já chegou a 50%. Além da maior crise de saúde pública vivida pelo país, é necessário esclarecer que a crise econômica precede a pandemia. Antes mesmo do coronavírus, a cotação da bolsa só vinha caindo e o dólar estava nos píncaros. A moeda norte-americana já está batendo na porta dos 6 reais. A crise sanitária e a incapacidade de Bolsonaro de enfrentá-la, além dos desatinos e das ameaças constantes de Bolsonaro à democracia, fizeram com que seus índices de aprovação despencassem. Não faz sentido culpar a pandemia pela queda de aprovação. Ao contrário, em alguns países os chefes de Estado estão crescendo em popularidade pela competência com que estão enfrentando a crise e unindo o país para combatê-la o que não é, absolutamente, o caso do energúmeno, tosco e temerário Jair Bolsonaro.

De acordo com a pesquisa XP, 50% dos entrevistados consideram o governo Bolsonaro ruim ou péssimo (nas pesquisas anteriores esse número era 36% e 40%). Aqueles que consideram o governo ótimo ou bom caiu de 30% para 25% em relação às pesquisas anteriores. Já o percentual dos que consideram o governo regular também caiu e foi para 23% (nas pesquisas anteriores era 30% e 26%).

A mesma pesquisa aponta que 3 em cada 4 brasileiros apoiam o isolamento social, ao contrário de Bolsonaro, o que representa 75%. Esses números mostram que o bolsonarismo não passa hoje de uma bolha fascista que, apesar de barulhenta e arruaceira, cada vez encolhe mais. Bolsonaro não é chefe de Estado ou um líder do qual o país muito precisaria diante da crise. Tornou-se apenas o líder de uma seita de fanáticos e visionários neofascistas.

A militarização do governo e a aliança com os corruptos do “Centrão” são sinais claros da perda de apoio popular de Bolsonaro. Ele tenta segurar-se em uma fração de militares que aceitaram o papel de subserviência, apesar de serem altos oficiais. E a aliança com o “Centrão”dispensa comentários. Talvez o Bozo agora pense que eles são “idealistas e patriotas”. Afinal, o Roberto Jefferson já está até pegando em fuzil para defender o Bolsonaro…

CLOROQUINA E A SENTENÇA APÓCRIFA

Imaginem uma receita médica, de um medicamento que pode causar sérios efeitos colaterais, incluindo a morte. Agora imaginem essa mesma receita médica sem a assinatura de nenhum médico. E mais: a farmácia pode vender o tal medicamento mesmo com a receita sem qualquer assinatura, desde que o paciente assine um termo de responsabilidade. Caso ele morra, talvez alguém ainda diga: “E daí?”

Pois o protocolo editado ontem pelo Ministério da Saúde (que encontra-se sob intervenção militar) liberando o uso da cloroquina para pacientes com a Covid-19, mesmo em casos leves, é algo exatamente assim. O “médico”, “bioquímico” e “farmacêutico” Jair Bolsonaro já concluiu que a droga deve ser usada em qualquer caso do coronavírus, mesmo que seja leve. O Ministério da Saúde também. Porém, o “general-ministro-interventor da Saúde” não assina o protocolo. O “médico”, “bioquímico” e “farmacêutico” Jair Bolsonaro também não assina. Aliás, nenhum médico ou técnico do Ministério da Saúde (sob intervenção militar) assina o documento. E, mesmo assim, ele está valendo. Será?

Ou seja: eles liberam o medicamento, mas se resguardam de qualquer responsabilidade. É “chover no molhado” repetir o que quase todos os especialistas já disseram sobre a tal droga: não há qualquer comprovação científica de sua eficácia no tratamento da Covid-19 e os riscos de seu uso são altíssimos. Não foi à toa que Bolsonaro editou uma Medida Provisória que o isentará de culpa em casos de erros no combate à Covid-19.

No final das contas, ninguém seria mesmo responsável e o “irresponsável” seria o usuário. Afinal, o capitão não assinou. O general também não. A culpa, assim, será de quem “acreditou” mas não soube usar.

Abaixo, divulgamos a íntegra do protocolo apócrifo. São 14 páginas, mas ninguém assina o documento.

FLAMENGO E VASCO VIRAM CÚMPLICES DO BOZO

“Eles podem se tornar homicidas.” (Carlos Augusto Montenegro, dirigente do Botafogo, sobre os movimentos de Flamengo e Vasco pela volta do futebol).

Bozo com a camisa do Flamengo. “Flávio das Rachadinhas” com a camisa do Vasco. O encontro, em Brasília, não estava na agenda oficial. Mas rolou até almoço e com a presença do novo aliado de Bolsonaro, o “impoluto” Roberto Jefferson que, por razões óbvias, não aparece na foto. O objetivo do encontro era efetivar um projeto que, há muito, Bolsonaro defende: o retorno das atividades do futebol em plena pandemia. O encontro aconteceu no mesmo dia em que o Brasil registrou exatos 1179 óbitos pela Covid-19 e com o país já batendo os 18 mil mortos e rumando para os 300 mil casos. A curva está em plena ascensão. E parece que os desatinos também.

O conluio Fla-Vasco já vinha de bastidores. Rodolfo Landim, presidente do Flamengo e Alexandre Campello, presidente do Vasco, ao contrário de Fluminense e Botafogo, já vinham articulando o retorno do futebol em plena pandemia. No encontro com Bolsonaro, foi discutida a possibilidade de o Estádio Mané Garrincha, em Brasília, ser o palco de treinos e jogos do que ainda resta do Campeonato Estadual do Rio de Janeiro. A aproximação dos dois rivais tem um motivo: queda nas arrecadações. O Flamengo deve até estar sentindo mais, dado o seu “patamar” financeiro. Claro, a queda rubro-negra será ainda maior. Campello e Landim pediram a Bolsonaro que o Ministério da Saúde (sob intervenção militar) crie um protocolo que regulamente o retorno dos jogos. Se o ministro-interventor, o general Eduardo Pazuello, vai sujeitar-se a chancelar o uso da cloroquina, claro que para ele não será nenhum problema chancelar a volta do futebol. Carlos Augusto Montenegro, dirigente do Botafogo, disse em relação às movimentações de Flamengo e Vasco, que “eles podem se tornar homicidas.” Causa ainda mais espécie o fato de o presidente vascaíno ser um médico. Por sinal, um ortopedista muito conceituado. Mas parece que a asfixia financeira e a proximidade das eleições no clube que preside, está fazendo o doutor Campello atravessar um perigoso sinal e recorrer ao “Presidente Caveira”. Lamentável.

A inspiração para o retorno do futebol vem da Bundesliga, o campeonato alemão, que retornou seguindo rígidos protocolos. Não há como comparar a evolução da pandemia na Alemanha, seus recursos e a sua rede de saúde. Sem contar que a pandemia lá já foi declarada em janeiro e ainda houve um grande e transparente debate sobre o retorno das atividades. O mesmo ocorrendo com a Coreia do Sul, primeiro país a retornar com o futebol.

Flamengo e Vasco chegaram a dar exemplos esperançosos, quando ofereceram suas instalações para a montagem de hospitais. Mas parece que ambos sucumbiram aos delírios bolsonaristas. É nesse momento de crise que vemos quem são os “grandes presidentes”, os “grandes administradores”. O sr. Rubens Lopes, conhecido como “Rubinho”, que preside “ad eternum” a Federação de Futebol do Rio de Janeiro, também é médico e não sabemos ainda se ele chancela essa articulação de Flamengo e Vasco com Bolsonaro. No entanto, certamente Landim e Campello não teriam ido a Brasília sem antes terem conversado com o doutor Rubinho. Flamengo e Vasco, através de seus presidentes, muito provavelmente não representam seus quadros sociais e suas torcidas nesse pleito. E, ao tornarem-se cúmplices do Bolsonaro, serão cobrados por terem sido agentes da tragédia.

GENERAL, “DOUTORA CLOROQUINA” E A CURA DO PEDÓFILO

Estamos sem ministro da Saúde. Ou melhor, há menos de uma semana que um general, que nunca foi médico, está à frente do Ministério da Saúde com o status de “interino”. Será? Fico pensando o que diriam se um médico fosse nomeado para comandar uma unidade militar. E ontem ele já cumpriu o seu primeiro compromisso oficial: na reunião virtual da OMS sobre a pandemia, em um inglês capaz de fazer Joel Santana sentir-se “doutor”, o general Eduardo Pazuello cumpriu as ordens do capitão: com o negacionismo característico dos bolsonaristas, ele minimizou a situação do Brasil (que já o terceiro do mundo em casos). Outra mentira foi o general ter dito que Bolsonaro está “dialogando” com Estados e Municípios. Mentira mais do que deslavada. Quando Mandetta ainda era o ministro Bolsonaro, sempre raivoso e belicoso, ficou furioso porque o então ministro foi em São Paulo dialogar com o governador Dória sobre a pandemia. E o general está disposto a emprestar seu nome para chancelar o uso da cloroquina, a poção milagrosa de dez entre dez bolsonaristas, sujando seu nome e o das Forças Armadas. Com essa atuação, o general tem tudo para deixar de ser interino e ser efetivado ministro. Mas parece que o general terá que enfrentar outros concorrentes.

O nome dela é Nise Yamaguchi. Médica, também conhecida como “Doutora Cloroquina”. Pela alcunha, nota-se que tem grandes chances de virar ministra. Além de grande defensora da cloroquina, a doutora Nise reúne outras credenciais importantes: ela já fez orações e chegou a chorar via Youtube. Já disse em várias entrevistas que toparia ser ministra. Evidentemente a “Doutora Cloroquina” tem chance.

Mas a doutora não está só. Osmar Terra, o “urubólogo à avessas” (sim, porque ele prevê a tranquilidade e acontece o caos) é outro candidato. Em entrevista no mês passado Osmar Terra garantiu que menos de mil brasileiros morreriam de Covid-19. Passado um mês de sua previsão, hoje exatamente 16.792 brasileiros já foram a óbito pela doença (fora as subnotificações). Osmar Terra, que já foi ministro de Bolsonaro ocupando a pasta da Cidadania, nega todos os protocolos da OMS, é contra o isolamento social e também é um defensor da milagrosa poção mágica bolsonarista. Claro que também está no páreo.

Competindo com a “Doutora Cloroquina” e o doutor Osmar, despontou das redes sociais um outro candidato. Por ter o apoio dos filhos de Bolsonaro, este outro candidato pode ser considerado fortíssimo. Seu nome: Ítalo Marsili. Também médico, apresenta-se como “psiquiatra”, mas em seu registro no Conselho Federal de Medicina não consta essa especialidade. O doutor Ítalo Marsili, além do apoio da prole bolsonarista, tem várias outras credenciais para ser o escolhido pelo capitão: dentre suas sinceras declarações, já falou que “o voto feminino é motivo de crise para a democracia.” Porque, segundo ele, basta “seduzir” uma mulher para fazê-la votar. Também já comparou Bolsonaro a Jesus Cristo. Já falou que “a arma de fogo amadurece o homem”. E, de quebra, chamou os ministros do STF de “vagabundos”. Olavista, chegou a mencionar em seu currículo “profissional” a informação de que já “morou com Olavo de Carvalho nos Estados Unidos.” Ele já está em campanha para ser nomeado e garantiu que, se ministro for, “não vai ter carinho com a mídia e fará um dossiê de cada jornalista, incluindo até os nomes de suas amantes e dos fornecedores de maconha e cocaína, seria lindo…” Mas, vamos à “parte médica” do doutor Ítalo Marsili. Sobre o novo coronavírus, ele disse que não passa de “uma porra de viruzinho”. Como não poderia deixar de ser, o doutor Ítalo também defende o uso da cloroquina e critica o isolamento social. Ainda sobre seus “feitos médicos”, o doutor Ítalo garantiu que já “curou” um pedófilo “receitando” para ele que transasse com prostitutas que tivessem cara de crianças. O próprio doutor escolhia as meninas que, segundo ele, apesar das “caras de crianças”, não eram crianças. E jurou ter “curado” o pedófilo. Socorro!!!!