O GURU VIRÁ ALGEMADO?

guru ilegal

Olavo de Carvalho, o “filósofo coprológico” e guru do bolsonarismo já poderá, a partir de amanhã, ser deportado dos Estados Unidos. O seu visto de permanência vence nesse dia  17 de fevereiro e ele já poderá, como qualquer brasileiro ilegal, embarcar em um dos aviões fretados por Trump e ser mandado de volta ao Brasil, juntamente com todos os demais brasileiros ilegais.

Olavo de Carvalho, não faz muito tempo, andou mendigando pelas redes sociais para pagar seu tratamento de saúde nos Estados Unidos. E também andou passando o pires para arrecadar, junto a seus seguidores, recursos para pagar seus impostos atrasados nos Estados Unidos. Para morar e trabalhar no país do Trump, o estrangeiro não pode dar calote fiscal. O “green card” do guru bolsonarista, que permite que ele trabalhe e more no país, foi emitido em 17 de fevereiro de 2010 e vence em 17 de fevereiro de 2020. Portanto, a partir de amanhã, o guru já estará na condição de ilegal.

Resta saber se Bolsonaro irá interceder ao seu “amigo” Trump (coisa que não fez em relação a outros brasileiros ilegais) para que mantenha o seu guru por lá. E ainda cabe uma pergunta: será que o Olavo irá voltar algemado para o Brasil, assim como os demais brasileiros que foram remetidos de volta por Trump? Aguardemos os desdobramentos do caso do guru na ilegalidade.

RASPUTIN CAGA PARA O BRASIL

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“Eu estou cagando para o Estado Brasileiro.” (Olavo de Carvalho, o Rasputin do bolsonarismo, em vídeo divulgado em 16 de fevereiro de 2020).

“Merda”, “Porra”, “Caralho”, “Bosta”, “Cagando”, “Tem que sair dando o cu”, “Foderam”, “Puta que o pariu”… Esses e outros termos e expressões “educadas” e “civilizadas” dominaram o vocabulário de alguém que diz “preparar adultos para a vida intelectual” em uma conversa com uma jornalista do jornal “O Globo”. Estamos falando do “Rasputin do bolsonarismo”, o astrólogo e “filósofo coprológico” Olavo de Carvalho. O vídeo com o áudio completo da conversa foi publicado pelo próprio Olavo de Carvalho nas redes sociais que, a certa altura, diz que “está cagando para o Estado Brasileiro”.

O vídeo, de quase 8 minutos, é um desfile de impropérios, baixarias e xingamentos. E de elogios ao governo Bolsonaro, que o astrólogo-guru diz estar “maravilhoso”. Ao estilo do “bom Rasputin”, ele diz que não tem qualquer interferência no governo Bolsonaro. E, no final, ele, junto com mais alguém, dá uma baita gargalhada. Talvez a versão sonora das “bananas” que Bolsonaro vem dando para a imprensa. Assistam pelo link abaixo ao festival de baixarias e xingamentos do “educador bolsonarista”:

https://www.youtube.com/watch?v=R7fqKqrprm0&fbclid=IwAR09o2o078cYQcKphODp7aHUVZoPDSNXVwogUHANkOXidvbW_dlQlua7-SE 

LULA, PAPA E “O OUTRO ENCONTRO”

lula papa

O Papa Francisco não é apenas um líder religioso. Ele também é um Chefe de Estado. E o Vaticano, mesmo sendo o menor país do mundo, pode-se dizer que possui a maior “população” do planeta, juntamente com a China. Dados oficiais publicados no Vatican News, órgão oficial de informação da Santa Sé, dão conta de que o número de católicos no mundo chega a 1 bilhão e 300 milhões de pessoas, praticamente a mesma população da China. Mas o Papa é um chefe de Estado cosmopolita, de todas as nacionalidades. A influência do Papa é imensa e o Conclave, colégio eleitoral que o elege, tem representantes de praticamente todas as nacionalidades.

Na última quinta-feira, 13 de fevereiro, o ex-Presidente Lula viajou até o Vaticano e encontrou-se com o Papa Francisco. Embora a reunião tenha tido caráter privado, sabe-se que a pauta do encontro foi, conforme anunciado pela assessoria de Lula, a fome, a desigualdade social e a intolerância. Uma pauta absolutamente pertinente para o encontro com o Sumo Pontífice.

Por que o encontro de Lula com o Papa que, repito, é um Chefe de Estado, causou tanto pânico em Bolsonaro, no general Heleno e em outras figuras do governo? O encontro, que já teve algumas imagens divulgadas, tratou de questões gerais sobre o problema da desigualdade no mundo e o Papa mostrou-se muito satisfeito em receber o ex-Presidente. Mas a primeira reação de Bolsonaro, com seu eterno e abjeto ódio, foi desqualificar o Papa. Disse Bolsonaro, babando de raiva e querendo diminuir a importância do encontro:

“O Papa é argentino, mas Deus é brasileiro.”

Ô Bozo, você plagiou o próprio Papa! Que Deus é brasileiro, o Papa já havia dito em julho 2013, quando chegou ao Rio de Janeiro para a XXVIII Jornada Mundial da Juventude. Na ocasião, em um encontro no Riocentro, disse o sumo Pontífice:

“Se Deus é brasileiro, então o Papa é carioca.”

Além de mais uma besteira expelida pelo Bozo, soube-se que o general Heleno disse impropérios, xingou o Lula e, provavelmente, deve ter dado murros na mesa. Por que o encontro de Lula com o Papa incomodou tanto essa gente?

Enquanto isso, no dia de ontem, apenas dois dias depois do encontro de Lula com o Papa o próprio Bolsonaro, junto com o mesmo general Heleno, vieram ao Rio de Janeiro participar de um “outro encontro” para dar uma força ao pastor R.R. Soares, o dono da Igreja Internacional da Graça de Deus e “vendedor televisivo de milagres”. Era aniversário de 40 anos da Igreja de R.R. Soares. Com certeza, a pauta do encontro deles não foi a desigualdade social e nem a intolerância. Os vendedores televisivos de milagres não querem pagar impostos e, em troca, oferecem o seu rebanho de fiéis para fins eleitorais. Eis a diferença entre os dois encontros. Seria bom que Bolsonaro também se encontrasse com  o Papa. Nem que fosse para levar um puxão de orelhas.

 

 

OS “EDUCADORES” DE WEINTRAUB

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“Cingapura” é o nome de um método de ensino de Matemática que ficou muito famoso no mundo especialmente depois que Jeff Bezos, o homem mais rico do planeta e dono da Amazon, passou a adotá-lo na educação de seus filhos. Hoje, o site The Intercept Brasil publica uma matéria intitulada “Um Encontro Imprecionante (o título dispensa explicações), que fala sobre uma reunião do ministro semi-analfabeto da Educação com um grupo de lobistas do referido método. Até aí, tudo muito normal. Porém, de modo igualmente normal, qualquer pessoa também normal esperaria que o encontro tenha ocorrido com pessoas qualificadas para discutir a implementação do método, como professores, matemáticos, educadores ou pedagogos, por exemplo. No entanto, o “imprecionante” do encontro com Weintraub para discutir o método de ensino de Matemática são exatamente os seus convidados para a reunião. O The Intercept teve acesso às agendas e constatou que os participantes da reunião são tão desqualificados para debater qualquer assunto ligado à Educação como o próprio ministro semi-analfabeto é desqualificado para ocupar o Ministério da Educação. Participaram da reunião com Weintraub:

Otávio Fakhoury: Quem é esse cara? Algum professor, educador ou matemático? Não. Embora não seja uma celebridade, ele é um dos mais importantes milicianos virtuais do bolsonarismo. Colaborador de um site ultra-direitista chamado Crítica Nacional, é um especialista em espalhar notícias falsas. As maiores barbaridades já foram espalhadas pelo site de extrema-direita do qual o sr. Fakhoury é ativista, incluindo a “notícia” de que “a ONU faz lobby para a pedofilia”.

Naomi Yamaguchi: Foi candidata a deputada federal pelo PSL. Ela obteve irrisórios 5905 votos e, claro, não foi eleita. Verificamos algo que não está na matéria do The Intercept e constatamos que, na sua ficha de candidata, sua ocupação consta como “Outros”. Em sua página no Facebook aparece que é formada em Administração de Empresas. Ela participou da equipe de transição do ex-ministro bolsonarista da Educação, o colombiano Ricardo Velez.

Sívia Fernanda Moura de Andrade: Essa é, acreditem, dona de uma fábrica de cosméticos e gerencia uma página de extrema-direita no Facebook chamada “Adeus PT”.

Marcus Tadeu Quarentei Cardoso: Vereador tucano na cidade de Itapetininga, São Paulo, elegeu-se apresentando-se como “delegado”. Soube-se que esse vereador ficou conhecido por, acreditem, ter autorizado cultos religiosos noturnos em cemitérios.

Em resumo: um fascista que propaga fake news, uma ex-candidata do PSL, uma dona de  fábrica de cosméticos e um vereador ligado a cultos religiosos em cemitérios foram os “especialistas” em Educação que participaram da reunião para discutir um método de ensino de Matemática. Aliás, “educadores” dignos de um Weintraub. Tal como o ministro, eles e esse encontro, como bem disse o The Intercept são, realmente, “imprecionantes”.

INTERVENÇÃO MILITAR NA CASA CIVIL

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Crédito da imagem: Nani, publicado em tijolaço.net

Desde a época da ditadura militar que a Casa Civil não era ocupada por um militar. O último militar ocupante da pasta, que tem estreita proximidade com a Presidência da República, havia sido o general Golbery do Couto e Silva. Isso, há quase 40 anos, no governo Figueiredo. Essa semana o general Braga Netto, que tornou-se conhecido por ser o comandante da intervenção militar no Rio de Janeiro, foi nomeado para substituir o desgastado, esvaziado, inoperante e desprestigiado Onyx Lorenzoni. A ida do general Braga Netto para a Casa Civil aumenta a militarização do Planalto e do Ministério bolsonarista como um todo. Ainda não fiz o levantamento, mas provavelmente o governo Bolsonaro venha a ser aquele que mais teve ministros militares em toda a história. Mais assessores militares até mesmo do que os governos da ditadura militar. Agora, todo Planalto está militarmente blindado, visto que, além da Casa Civil, a Secretaria-Geral, a Secretaria de Governo e o Gabinete de Segurança Institucional que, junto com a Casa Civil, funcionam no Palácio do Planalto, também já eram ocupados por generais. O Planalto está, literalmente, militarizado.

A militarização do governo Bolsonaro, chegando até a Casa Civil, pode ter diversas leituras. Há uma, entretanto, que é imediata: a chamada “ala ideológica” do governo ultra-direitista, que abrange os seguidores do astrólogo e “filósofo coprológico” Olavo de Carvalho sai enfraquecida. Depois de quase 40 anos anos, o que mais poderia significar o retorno de um militar à Casa Civil?

Em nosso entender, a absoluta falta de quadros por parte da extrema-direita está levando a essa militarização. Basta ver a pasta da Educação, talvez a mais inoperante do governo. Ou ainda as Relações Exteriores. Ambas, de linha “olavista”, envergonham o Brasil. Quem existe, dentro dos quadros bolsonaristas, que seja um quadro competente, do ramo, para ocupar pastas como essas?

A Casa Civil é um cargo essencialmente político e entendemos que sua ocupação por um militar é absolutamente inadequada. Mesmo porque Braga Netto, além de ser um militar da ativa, não é um “ideólogo” como foi Golbery. Basta dizer que Golbery, dentre outras coisas, foi o mentor da reforma partidária de 1979, que dividiu as oposições numa época em que a ARENA, partido do governo militar, estava em franco declínio. Resultado: o governo militar passou, com essa divisão, a ter o maior partido, o então PDS. Jogada de mestre e Golbery era, de fato, uma exceção. Outro detalhe importante: Golbery tornou-se ministro-chefe da Casa Civil nos momentos da chamada “distensão política”, durante os governos Geisel-Figueiredo, governos esses que enfrentaram a chamada “linha dura” e tiveram que tomar partido contra os atentados terroristas fascistas (ataques à OAB e Câmara Municipal, além do malogrado atentado do Riocentro). Só que Bolsonaro, diferentemente, inflama o extremismo de direita e nem ele próprio e seus ministros medem palavras, atos e suas consequências.

O que esperar de Braga Netto em mais uma “intervenção” para a qual foi nomeado? Ele não é propriamente um “ideólogo” como foi Golbery, o último milico ocupante de sua cadeira. E Braga Netto tem um lastro de popularidade, visto que a intervenção militar no Rio de Janeiro inegavelmente teve o apoio da grande maioria da população, mesmo cometendo excessos e não gerando os resultados prometidos.

Bolsonaro, sem quadros entre os ideólogos olavistas, recorre aos militares. De uma certa forma, a o recurso aos militares pode ser um meio de compensar a absoluta incompetência dos olavistas. O ministro da Educação que o diga. Pode ser também um modo de empanar, com a visibilidade das tropas legais, a sua íntima relação e de sua família com paramilitares milicianos. De qualquer modo, não basta ser general. Santos Cruz que o diga. Braga Netto vai começar tendo que enfrentar o astrólogo-guru. E, conforme for, o próprio Bolsonaro. Caso ele consiga, enfrentando ambos, manter-se no cargo, aí já vale o título de “Golbery II”.

 

 

ARQUIVO BOM É ARQUIVO MORTO

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“Pode ter sido um disparo após a vítima ter caído no chão, porque a imagem me sugere ser de baixo para cima, da direita para a esquerda, em quase 45 graus. Esse disparo pode ser o que o povo chama de ‘confere’.” (Malthus Fonseca Galvão, médico legista, sobre um dos tiros que matou o miliciano Adriano da Nóbrega).

Aquilo que, inicialmente, foi rotulado como “teoria da conspiração” cada vez mais vai ganhando contornos precisos: tudo leva a crer, tanto evidências expressas como análises de peritos, que o miliciano íntimo da família Bolsonaro, Adriano da Nóbrega, foi mesmo executado como queima de arquivo.

Primeiro, a própria operação policial já deixa suspeita. Dela participaram 70 policiais do Bope da Bahia. Tratando-se de um bandido de altíssima periculosidade e com informações que poderiam comprometer muita gente, o miliciano deveria ter sido preso, jamais morto. É de se estranhar como que 70 policiais não conseguiram capturar um bandido que estava sozinho e que dias antes havia declarado que temia pela sua morte. Setenta não conseguirem pegar um cara vivo seria risível, se não fosse suspeito e lamentável.

Outro detalhe foi o desmanche da cena da ação policial. Por que a cena não foi preservada? Qual o interesse, e de quem, em destruir uma cena que deveria ser preservada para elucidar o que de fato aconteceu?

O médico legista Malthus Fonseca Galvão, da Universidade de Brasília, foi convidado pela revista Veja para emitir seu parecer sobre o cadáver do miliciano, sem ter conhecimento da identidade do morto. Todos os pareceres do médico legista indicam que Adriano da Nóbrega foi executado. Segundo o legista, as marcas deixadas no corpo sugerem que os tiros foram feitos a menos de 40 centímetros de distância, ou seja, à queima-roupa. Ele ainda afirma que os cortes na cabeça sugerem que o miliciano teria sido torturado com coronhadas. As afirmações são de um médico legista e não de um leigo. Coronhadas? Com que finalidade?

Todo cenário está mostrando que o miliciano ligado aos Bolsonaros foi mesmo executado como queima de arquivo. Resta saber como seguirão as investigações. A quem interessaria a morte do miliciano? Parece que quem sempre disse que “bandido bom é bandido morto” agora deve estar dizendo que “arquivo bom é arquivo morto.” Será que precisa desenhar?

 

 

POEMA – VIVA AS EMPREGADAS DOMÉSTICAS!

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“Não tem negócio de dólar a R$ 1,80. Todo mundo indo prá Disney, empregada doméstica indo prá Disney, uma festa danada. Pera aí.” (Paulo Guedes, o banqueiro-ministro da Economia de Bolsonaro, em 12 de fevereiro de 2020, comemorando a alta do dólar). 

A essa afirmação elitista, repugnante, segregacionista, discriminatória e criminosa de Paulo Guedes, um pequeno poema como resposta:

VIVA AS EMPREGADAS DOMÉSTICAS!

Trabalhava de sol a sol nas casas

Ganhando honestamente a minha vida

Pensando nos meus sonhos, dando asas:

Me aguarde que já vou, Disney querida!

 

Então, com o dólar baixo percebi

Que eu podia embarcar no avião

Fui juntando os meus cobres, e daí

Bilhete e passaporte em minha mão.

 

Mas a elite podre e corroída

Jamais se conformou com a minha ida

Cheguei a incomodar até banqueiro

 

Ministro parasita que especula,

Que com o dólar lá em cima ele até pula

Mandando que eu vá prá Cachoeiro!