WEINTRAUB VAI PAGAR OS 50 MIL?

“A honra coletiva dos estudantes foi atacada, sem dó nem piedade, pelo ex-ministro. Para o mesmo, ofender as pessoas era coisa corriqueira.” (Trecho da sentença da juíza Sílvia Figueiredo Marques, que condenou a União pela fala de Weintraub atacando universidades federais).

Abraham Weintraub, o pior ministro da educação da história brasileira, se tiver (o que não acreditamos) um mínimo de caráter, deve pagar de seu próprio bolso a quantia de 50 mil reais à qual a União acaba de ser condenada em razão de sua fala criminosa, em novembro de 2019. Na ocasião, o então ministro bolsonarista da Educação afirmou que “as universidades federais têm plantações de maconha e seus laboratórios de química produzem drogas sintéticas.” A absurda fala foi uma agressão a professores, alunos, pesquisadores e às próprias instituições federais de ensino superior. Chamado para se explicar na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, Weintraub ratificou suas absurdas e criminosas afirmações.

Então a UNE (União Nacional dos Estudantes), entrou com uma ação civil pública contra a União, que acaba de ser condenada a pagar uma indenização de 50 mil reais, pelo dano que a fala criminosa de Weintraub causou à coletividade dos estudantes. A sentença acaba de ser dada pela juíza Sílvia Figueiredo Marques, da 26a. Vara Cível Federal de São Paulo. A quantia à qual a União foi condenada por causa de Weintraub vai para o fundo de defesa de interesses difusos, de onde terá uma destinação.

Weintraub proferiu a fala criminosa e, em seguida, ainda assumiu o que falou diante da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados. Agora, está na hora de assumir também o pagamento da indenização. Ou vai fugir dessa como fugiu do Brasil?

O BOLSONARISTA FUJÃO

Depois do ex-ministro semianalfabeto Abraham Weintraub ter fugido para os Estados Unidos, agora foi a vez do blogueiro igualmente bolsonarista Allan dos Santos fugir do país. Allan dos Santos é o dono do site de extrema-direita “Terça Livre”. O motivo da fuga de Allan dos Santos é o mesmo da fuga de Weintraub: não pagar pelos seus crimes. Isso porque, se Weintraub era investigado por crime de racismo e difamação contra os juízes do STF, Allan dos Santos é um dos investigados pelo STF no inquérito das fake news.

Porém, ao contrário de Weintraub, que entrou nos Estados Unidos passando-se por ministro, mesmo quando já não estava mais no cargo, o paradeiro de Allan dos Santos é desconhecido. A notícia da fuga de Allan dos Santos foi dada pelo próprio, através de uma live que teve ainda a participação de outro integrante da quadrilha das fake news, Bernardo Küster. Tanto Allan dos Santos como Bernardo Küster acabam de ter suas contas no Twitter bloqueadas.

Covardes e fujões. Esse é o perfil dos “patriotas” bolsonaristas, que cometem crimes e abandonam o Brasil. Weintraub ainda ganhou um presentão depois de todos os ataques que fez à Educação e, para vergonha do nosso país, ocupa um cargo no Banco Mundial. Agora, resta saber quem facilitou e quem bancou a fuga de Allan dos Santos e onde estará escondido o meliante cibernético-bolsonarista.

A VOLTA DO DOPS

O caso, além de gravíssimo, é confirmado pelo governo. O Ministério da Justiça não apenas admitiu, como também defendeu, o monitoramento de servidores públicos para a produção de um dossiê com os dados de servidores que se declarem, pelas redes sociais, como “antifascistas”. A lista, que hoje já conta com 579 nomes, é organizada pela Secretaria de Operações Integradas (Seopi), do Ministério da Justiça. A grande maioria dos nomes que constam no dossiê é formada por funcionários da segurança e professores universitários.

Em uma justificativa absurda, o Ministério da Justiça informou que a elaboração de tal dossiê tem como finalidade “prevenir práticas ilegais por parte dos funcionários e garantir a segurança”. Então, por que monitorar nas redes apenas servidores que se declarem “antifascistas”? Claro que a denominação “antifascista” evidencia que tal servidor é oposição ao governo Bolsonaro. Então, não resta dúvidas de que o tal monitoramento é sim uma espionagem com um filtro ideológico e com fins claros de retaliações.

Não foi à toa que Bolsonaro confessou na fatídica reunião de 22 de abril que tinha um “sistema particular de informações”. Agora, começamos a ver que ele não estava de brincadeira.

É bom lembrar que o tal “dossiê”, além de clara intenção de perseguição política, viola o artigo 5º da Constituição, que consagra o “habeas data”, que é o instituto que impede que governos mantenham registros sobre cidadãos em razão de suas ideologias. O mesmo “habeas data” dá ao cidadão o direito de ter acesso a todas as informações a seu respeito em poder dos órgãos públicos, o que é o caso. Hoje, são 579 nomes, mas tudo leva a crer que, se nenhuma medida for tomada, pelo Congresso ou pelo Judiciário, o Brasil poderá voltar a ter aqueles arquivos de tempos nada saudosos de DOPS, CENIMAR, SNI e outros. Essa é uma “boiada” que não pode passar durante a pandemia!

EM EDITORIAL, GLOBO LANÇA CANDIDATOS

Em Editorial publicado na edição de hoje e intitulado “A difícil busca pelo fim da polarização”, o jornal O Globo clama por uma alternativa de candidatura que, em suas palavras, “supere o choque entre os extremos.” Lembrando que falta “um ano e três meses” para a eleição presidencial de 2022 (eles erraram na conta!), o jornal da família Marinho lamenta a tal polarização, e afirma que, no segundo turno de 2018, Bolsonaro teve como adversário Haddad, representante de um “PT em frangalhos”. E, finalmente, apresenta alternativa de candidaturas que, segundo o jornal, devem ser de centro e com um rosto de algum conhecimento popular. E cita, como “alternativas”, João Doria (PSDB), Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, também do PSDB e seu próprio funcionário Luciano Huck. Nossos comentários:

Primeiro, a tal “polarização”. De fato há uma polarização, mas que começou a ser gestada em 2013 e consolidou-se em 2014, quando Aécio Neves, o então candidato da Globo, não aceitou a derrota nas urnas. Mas a polarização começou com o “anti”. Em 2014, Bolsonaro era um obtuso e canhestro deputado federal, do baixíssimo clero, que só aparecia em discursos de ódio, homofóbicos, defendendo ditadura, tortura e torturadores. Era preciso criar o “anti”. Criando-se o “anti” e, demonizando-o, identificando-o como o sinônimo da corrupção, fomentaria-se então o “protagonista da moral e do combate à corrupção”. Em consórcio como o então juiz Moro, a Globo, com seu jornalismo rasteiro, parcial, seletivo e engajado politicamente, trucidava o PT, seu líder Lula e a então Presidente Dilma. Não estamos com isso querendo dizer que não aconteceram erros no PT, mas outros partidos, especialmente o PSDB, eram sistematicamente poupados do jornalismo “investigativo” da Globo que, com seu “microscópio moral” foi capaz de ver até um pedalinho, mas nunca conseguiu enxergar o escândalo do Banestado e todas as demais falcatruas tucanas que, só agora, tardiamente e sem qualquer efeito político, começam a pipocar na mídia. Então, com o “demônio” criado, era só indicar o “Messias”, que não seria, no “cálculo hedônico” da Globo, o “Jair”. Claro que seria um tucano, de preferência. Mas quem acabou ocupando esse espaço foi a extrema-direita, o fascismo bolsonarista, que acabaria crescendo especialmente depois do golpe de 2016, do qual a Globo também foi partícipe. A atuação parcial do jornalismo da Globo acabaria tendo efeito negativo para ela própria. A Globo agiu como aquele “flanelinha”, que guardou a vaga para outro. Finalmente, em 2018, a polarização, que hoje a Globo lamenta, já estava consolidada: dos 13 candidatos a Presidente da República, apenas dois (Bolsonaro e Haddad) fizeram mais de 75% dos votos no primeiro turno. Os demais foram meros figurantes. Mas não esqueçamos que a polarização teve início com a criação do “anti”. E a criação do “anti”, de grande responsabilidade da Globo, foi anterior ao surgimento do “protagonista da moral”.

A outra afirmação do Editorial do Globo chega a ser risível. Diz o jornal da família Marinho que “em 2018 Bolsonaro foi ao segundo turno com um PT em frangalhos”. Frangalhos? Um partido que leva todas as porradas da mídia, sofre um golpe em 2016, tem o seu líder preso e impedido de disputar a eleição e, mesmo assim, lança um candidato faltando 20 dias para o pleito, vai ao segundo turno, faz 47 milhões de votos e ainda a maior bancada na Câmara dos Deputados, é um partido em “frangalhos”? Nessa a família Marinho viajou!

E, finalmente, os candidatos apresentados pelo Globo para superar a polarização criada por eles próprios: Doria, Eduardo Leite e o próprio funcionário deles, Luciano Huck. São de “centro” e são “rostos conhecidos”. Não sei se o Ciro, ou a Marina ou até o cabo Daciolo vão engolir essa. É o neo-tucanato, que a Globo tenta insistentemente emplacar, depois de tentar e ter perdido com Serra, Aécio e Alckmin (esse por duas vezes). Como o proto-tucanato já virou cinzas e hoje protagoniza as páginas policiais, então chegou a hora dos “neos”. Chama atenção a ausência de Moro na lista de “alternativas” do Globo. Em um momento que a Lava-Jato vem sendo encurralada por acusações graves, e no dia seguinte em que ganhou força uma “quarentena” para ex-juízes concorrerem a cargos eletivos, o Globo preferiu, por enquanto, ficar arredio em relação a seu outro candidato. Mas uma coisa parece não mudar na família Marinho: eles são mesmo tucanos de carteirinha!

COMEÇOU A VENDA DO BANCO DO BRASIL

“Tem que vender essa porra logo!” (Paulo Guedes, o ministro-banqueiro, sobre o Banco do Brasil, na reunião de 22 de abril de 2020).

“Dormia
A nossa pátria mãe tão distraída
Sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações.”
(“Vai Passar”, Chico Buarque).

A ordem dada pelo ministro-banqueiro Paulo Guedes de vender o Banco do Brasil, que ele chama de “porra”, já está sendo executada. Pior: a preço de banana podre. Mas o Banco do Brasil é uma “porra” que Paulo Guedes e outros banqueiros querem. Ele vale muito e se for vendido por cerca de 10% do seu valor, melhor ainda.

Rubem Novaes, recém-demitido da presidência do Banco do Brasil, não foi embora sem antes fazer um “negócio da China” com os banqueiros. Ele vendeu uma carteira de crédito do banco, no valor de 2,9 bilhões, pela bagatela de apenas 371 milhões. Um verdadeiro crime de lesa-pátria!

Agora, a Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil pediu para que o Tribunal de Contas da União investigue essa tenebrosa transação.

E quem foi o felizardo comprador da carteira de crédito por um preço quase dez vezes menor que seu valor? Ninguém menos do que o banco de investimentos BTG Pactual. Por uma incrível “coincidência”, um dos fundadores do BTG Pactual, é o próprio ministro-banqueiro Paulo Guedes. Essa não precisa nem desenhar.

Uma coisa é certa: se o Banco do Brasil é mesmo uma “porra” como disse Paulo Guedes, então os banqueiros, inclusive de seu banco, adoram se lambuzar nessa porra!

O “SNI” PARTICULAR DO BOLSONARO

“O meu sistema particular de informações funciona, e o oficial desinforma.” (Jair Bolsonaro, na reunião de 22 de abril de 2020).

A funesta e famigerada reunião ministerial de 22 de abril foi um festival de confissões de crimes: crimes ambientais, crimes contra o Estado Democrático, crimes contra a administração pública, crimes de difamação e até racismo. E uma das confissões foi feita pelo próprio Bolsonaro, quando, insatisfeito pelo fato de não ter informações que não deveria mesmo ter, admitiu, com todas as letras, que tinha o seu sistema “particular” de informações. E mais: disse que o sistema “particular” que possuía funcionava e seria melhor do que o oficial.

Essa história, na verdade, é mais antiga. Gustavo Bebianno, pouco antes de falecer afirmou, em entrevista no programa Roda Viva, que Bolsonaro tinha a intenção de criar uma espécia de “Abin paralela”. Na entrevista, Bebianno afirmou que a sugestão para a criação desse sistema “particular” de informações teria sido do filho de Bolsonaro, Carlos, vulgo “Carluxo”. Bebianno também revelou naquela oportunidade que um delegado da Polícia Federal participaria dessa tal “Abin paralela”. Infelizmente a morte de Bebianno não permitiu que mais detalhes sobre essa tal “Abin paralela” que Bolsonaro pretendia criar viessem à tona.

Mas agora as coisas estão começando a aparecer. Foi revelado que Jair Bolsonaro possui um dossiê com informações de opositores. O arquivo do tal dossiê teria uma lista com os dados de 579 servidores públicos federais, especialmente servidores da área de segurança e professores. O tal dossiê, além de ilegal, é uma medida flagrantemente fascista, com o intuito de perseguir, ameaçar e retaliar servidores que tenham uma postura oposicionista em relação ao governo. Vale lembrar que, pelo que foi divulgado, o tal dossiê é mesmo uma lista de “inimigos”, visto que os 579 integrantes fichados teriam sido identificados como participantes de movimentos antifascistas. Os listados no dossiê estariam sendo monitorados e, evidentemente, tendo suas privacidades e também liberdade, em todos os sentidos, violadas.

A iniciativa de tal absurdo, nitidamente fascista, é de um órgão denominado Secretaria de Operações Integradas (Seopi), subordinada ao Ministério da Justiça. A tal Secretaria é nova na estrutura administrativa e foi criada por Sérgio Moro, sabe-se lá com qual intenção. Porém, sabemos que ela é uma espécie de “inteligência” do Ministério de Justiça. Com a saída de Moro, André Mendonça, seu substituto na pasta da Justiça, deve ser inquirido para explicar o porquê de tal dossiê, cuja existência foi noticiada por Rubens Valente, do site Uol. O objetivo do dossiê é identificar os servidores “antifa”, ou seja, antifascistas. A Seopi, admitindo a existência do relatório, limitou-se a dizer que trata-se de “atividade de rotina”. Já pensaram se isso for mesmo “rotina”? André Mendonça, que comanda o ministério ao qual a Seopi está subordinada, tem a obrigação de prestar os esclarecimentos sobre essa medida, que representa mais um golpe contra a democracia perpetrado pelo governo fascista de Bolsonaro. Vários partidos políticos já protocolaram, na Câmara dos Deputados, pedidos de convocação do ministro André Mendonça para que ele explique esse absurdo. E mais: além do pedido de convocação de André Mendonça para que se explique na Câmara dos Deputados, o Ministério Público Federal, através do procurador Enrico Rodrigues de Freitas, já tomou providências para que o governo justifique a elaboração desse “SNI” particular do Bolsonaro que deve, para o bem da democracia, ser desbaratado, e seus mentores e executores (incluindo Bolsonaro), responsabilizados na forma da lei.

URGENTE: OUTRA COINCIDÊNCIA!

Parece sina, mas praticamente aos “45 do segundo tempo” a família Bolsonaro e o “laranja” do clã, Fabrício Queiroz, ganharam mais um motivo para respirarem aliviados. O ministro Félix Fischer, do STJ, acaba de ser internado, às pressas, em Brasília. Félix Fischer nada mais é do que o relator do caso do habeas corpus concedido a Queiroz pelo presidente do STJ, João Otávio de Noronha, que deu prisão domiciliar ao “laranja” em benefício que, absurdamente, foi estendido à sua mulher foragida. As notícias dão conta de que o ministro Félix Fischer será submetido a uma cirurgia de emergência. Seria o estrangulamento de uma hérnia.

Félix Fischer poderia rever a decisão que beneficiou Queiroz e, em uma exceção inédita e escandalosa, sua mulher foragida. E, pelo histórico do ministro Fischer, a família Bolsonaro e seu “laranja” deviam estar com calafrios. Isso porque, dos 137 pedidos de habeas corpus submetidos à apreciação de Félix Fischer por motivos de saúde, 133 foram negados. É uma estatística realmente assustadora e, se levarmos em conta histórico do ministro, muito provavelmente o miliciano-laranja e sua esposa não ganhariam, de novo, um “presente”.

O que se sabe é que, com o afastamento de Félix Fischer, a decisão sobre o “presente” dado ao Queiroz e sua mulher, irá para a quinta turma do STJ. Mas, para a alegria dos Bolsonaros e seu “laranja”, isso não tem prazo para acontecer. Enquanto isso, da varanda do apartamento em que estão, na Taquara, Queiroz e sua mulher vão tomando banho de sol, pegando ar fresco e rindo da cara dos babacas que repetem, aos quatro cantos, que “a Justiça é para todos!”

TOFFOLI TRAVA IMPEACHMENT DE WITZEL

Nunca tivemos como objetivo cassar o mandato de alguém, mas, sim, de levar a verdade para a população. Se precisamos mudar algo para essa verdade vir à tona, que seja feito.” (Deputado Chico Machado, do PSD, presidente da comissão de impeachment da ALERJ, que será desfeita).

Não somos pitonisa. E nem pretendemos ser. Mas já começo a ver esse processo de impeachment contra o governador Wilson Witzel como um grande teatro – assim como foi um teatro o processo de impeachment do Crivella. Agora o presidente do STF, Dias Toffoli, acaba de acolher o pedido da defesa de Witzel, para que a comissão que analisa o processo seja dissolvida e outra comissão seja formada. Motivo: não foi cumprida a proporcionalidade dos partidos políticos na formação da comissão. Não vamos aqui ficar dando uma de “justiceiros lavajatistas”, como os seguidores do marreco. Se a lei exige o princípio da proporcionalidade na formação da comissão, que tem 25 membros, e esse princípio não foi seguido, então, a comissão é mesmo ilegal. Foi uma “barbeiragem” tão grande, que dá a impressão até de ter sido proposital. Com a decisão de Toffoli, tudo vai começar do zero e Witzel ganha tempo para negociar (cargos, venham que eu vos quero!). Mas também, certamente os deputados ganham mais tempo para barganhar. Muitos parecem estar como crianças em uma vitrine de padaria, sem ainda terem se decidido o que vão escolher. Deixar esse “furo” elementar, principalmente tendo Witzel um excelente advogado (Manoel Peixinho), parece mesmo ser parte de um teatro – quiçá pantomímico.

Se “o objetivo não é cassar o mandato de alguém, mas sim levar a verdade para a população”, como disse o deputado Chico Machado, presidente da comissão que acaba de ser desfeita, então por que abrir o processo de impeachment? Bastaria, então, uma CPI. Se 69 dos 70 deputados foram “favoráveis” ao impeachement, incluindo aqueles do próprio partido de Witzel, certamente eles seriam também a favor de uma CPI para levar a verdade à população.

O não cumprimento do princípio da proporcionalidade é um erro tão elementar, que chega a gerar dúvidas sobre sua intencionalidade. Agora, outra comissão será formada e um prazo de dez sessões terá que ser observado para Witzel apresentar sua defesa. O prazo se esgotaria nesta quinta-feira, dia 30. E assim, tudo faz parecer que todos, e não apenas Witzel, ganham tempo em toda essa história, que já começa a ganhar ares de “mal contada”.

CENSURA É OUTRA COISA!

Ontem, em um artigo intitulado “Uma Justiça para nós, outra para o Queiroz”, criticávamos veementemente o presidente do STJ, João Otávio de Noronha, pela decisão absurda, seletiva e visivelmente parcial com que ele concedeu o benefício da prisão domiciliar para Fabrício Queiroz e sua mulher foragida, negando o mesmo benefício para os demais presos em idênticas condições. Foi absurdo. Foi revoltante. E nossa crítica foi dura e contundente. Exerci meu direito consagrado no artigo 5º de nossa Constituição para livremente me expressar e criticar a decisão de um magistrado.

Porém, em nosso artigo, apesar das duras críticas, em nenhum momento ameaçamos o presidente do STJ. Como também não o ofendemos. E mais: não pedimos o fechamento do STJ, apesar de seu presidente ter tomado uma decisão considerada absurda até mesmo entre seus próprios pares. Porque se eu ameaçasse ou ofendesse o presidente do STJ, João Otávio de Noronha, eu estaria usando a minha liberdade de expressão para cometer crimes. E se eu, dada minha indignação pela sua absurda decisão, pedisse o fechamento do STJ, também estaria cometendo crime. A liberdade de expressão, assegurada no sacrossanto artigo 5º, permite a prática, a apologia ou a disseminação de crimes? Claro que não!

Agora, imaginem o Roberto Jefersson, aliado de Bolsonaro, aparecendo em uma foto, portando um fuzil e ameaçando o STF. Imaginem ainda a bolsonarista Sara Winter dizendo que foi “treinada” na Ucrânia e que “tem que ucranizar” e dizendo ainda que “sabe onde o Alexandre de Moraes mora e os lugares que ele frequenta.” Imaginem ainda, partidários de Jair Bolsonaro ameaçando juízes, pregando o fechamento do STF, do Congresso, ameaçando jornalistas e adversários políticos, difamando desafetos e propagando mentiras. Pois todas essas práticas criminosas estavam contidas nas páginas que foram suspensas das redes sociais bolsonaristas por ordem do ministro do STF, Alexandre de Moraes. Não houve qualquer censura. Porque, se houvesse censura, esses absurdos não teriam sido sequer levados ao ar.

Mas, o que é censura e quando ela ocorre? Censura é um filtro prévio ao qual conteúdos a serem publicados devem ser submetidos. É o que acontecia, por exemplo, na época da ditadura militar, defendida por Bolsonaro e seus seguidores. Censores faziam plantões nas redações dos jornais até o fechamento de suas edições, vetando conteúdos. Muitas páginas saíam em branco. Isso é censura. Censura é o que acontecia na ditadura militar, quando existia a Comissão Nacional de Moral e Civismo, que examinava previamente todos os livros de Estudos Sociais, vetando uns e liberando outros. Censura foi a proibição, em 1976, da exibição da novela “Roque Santeiro”. Censura é o que Bolsonaro, recentemente, prometeu fazer com a Ancine. Enfim, quando há censura, o conteúdo sequer chega a ser publicado. E essa prática é típica de regimes autoritários, como foi a ditadura militar defendida por Bolsonaro e seus seguidores. Naquela época, desafiar a censura era colocar a própria vida em risco. Foi o que muitos músicos, atores, escritores, poetas, jornalistas fizeram. Eles publicavam sem aviso prévio. Muitos deles, infelizmente, foram presos, torturados e assassinados.

Nenhum bolsonarista foi censurado e nem está censurado pela medida de Alexandre de Moraes. Eles tanto não foram censurados que chegaram a publicar os conteúdos. Porém, conteúdos flagrantemente criminosos, como ameaças, difamações e toda sorte de crimes contra a ordem democrática. E há ainda um outro detalhe, que é o rastro do financiamento. Foi constatado que muitas dessas páginas, que espalham ódios, ameças e atentam contra as instituições, eram financiadas por empresas do governo. A se confirmar, o criminoso seria o próprio governo.

Os bolsonaristas não foram desativados e nem proibidos de usar as redes sociais. Eles podem até criar outras páginas no lugar das que foram suspensas e dizer uma série de sandices, desde que não configurem crimes. Eles podem dizer, em defesa do governo Bolsonaro, que vão usar a cloroquina, que o Dória é comunista, que o nazismo é de esquerda, que a Terra é plana, que a escravidão foi boa para os negros, que não existe aquecimento global, que os livros têm um monte de coisas escritas, que o peixe é inteligente e desvia do óleo, que a Amazônia não pega fogo porque é úmida, que nas universidades federais existe balbúrdia, que o general é um bom ministro da Saúde, que Bolsonaro foi enviado por Deus, que a aliança com o “Centrão” é maravilhosa e representa a nova política, que o Roberto Jefferson é impoluto, que o Weintraub merece ir para a Academia Brasileira de Letras, e que o Olavo de Carvalho é o maior “filósofo” brasileiro. Fiquem à vontade.

Porém, ameaçar o STF com fuzil em punho, como fez o neobolsonarista Roberto Jefferson; ameaçar adversários políticos; difamar jornalistas, pregar ataques e fechamento de instituições, como o STF e o Congresso Nacional, veicular conteúdos falsos e anti-científicos sobre a Covid-19, são crimes em flagrante. E tanto as redes sociais, como a internet de um modo geral, não podem se transformar em searas para práticas e apologias criminosas. E foram exatamente essas práticas que levaram à suspensão das páginas bolsonaristas. Censura é outra coisa. E se liberdade de expressão for sinônimo de salvo-conduto para a prática de crimes, então a barbárie estará consolidada no Brasil.

WITZEL, O PIOR NO COMBATE À PANDEMIA

Imagem acima: o crescimento da desaprovação a Witzel no combate à pandemia do coronavírus. Fonte: pesquisa Revista Forum/Offerwise.

Wilson Witzel, o “xerifão” eleito na onda bolsonarista e que ia “dar tiro na cabecinha”, está com a cabeça a prêmio. Investigado na Polícia Federal, enrolado no escândalo da Saúde e sofrendo um processo de impeachment, o governador do Rio de Janeiro acaba de acrescentar em seu currículo mais um ingrediente: ele foi apontado como o pior governador em uma pesquisa que avalia a atuação dos governadores na gestão da crise da pandemia. A pesquisa em questão foi realizada pela Revista Forum, em parceria com a Offerwise e constava da seguinte pergunta aos entrevistados: Como você avalia a gestão do governador do seu estado na gestão da pandemia do coronavírus?

Aos entrevistados eram apresentadas quatro alternativas: Ótimo-Bom, Regular, Ruim-Péssimo, Não Sabe. De todos os governadores, Witzel foi o que teve a pior avaliação, com 59,2% dos entrevistados considerando a gestão de Witzel no combate à pandemia como ruim ou péssima. Apenas 7,7% consideraram a gestão ótima ou boa. A pesquisa, que vem sendo feita pela Revista Forum desde abril, mostra uma queda vertiginosa da aprovação de Witzel, que chegou a ser de 46,4% em abril. Os números desfavoráveis a Witzel começaram, como mostra o histórico das pesquisas, a subir em maio, quando o governador foi alvo de uma operação da Polícia Federal. Acrescente-se a isso que a Secretaria de Saúde virou um antro de ladrões e assassinos, visto que os roubos milionários de agentes públicos e empresários levaram à morte milhares de pessoas. Um verdadeiro latrocínio. Dinheiro desviado, esquema com “laranjas”, compra de respiradores que não eram entregues, mas que foram pagos, secretário e sub-secretário de Saúde presos. Mário Peixoto (sempre ele), o empresário-bandido ligado a Sérgio Cabral, é uma das “cerejas” do bolo em que Witzel se meteu. Agora, aguarda-se a delação de Edmar Santos, o secretário de Saúde preso que disse ter provas contra o governador. Não foi à toa que Fernando Ferry, ao demitir-se de secretário de Saúde pouco mais de um mês após assumir o cargo no lugar de Edmar Santos, disse que “o poço era mais fundo do que ele pensava” e que “não queria manchar o seu CPF.”

O resultado da pesquisa, evidentemente, não podia ser outro. Mas, ainda assim, fica a pergunta: em que estado, em que país, em que mundo ou em que galáxia vivem os quase 8% que, de acordo com a pesquisa, consideram a gestão de Witzel no combate à pandemia como ótima ou boa?