MANIFESTAÇÕES FASCISTAS FRACASSARAM

manifestações da dirieta fracassamA convocação feita pelos fascistas para que seus séquitos tomassem as ruas no dia de hoje pedindo  o fechamento do Supremo Tribunal Federal foi um fiasco. Mas o grupo que prega o golpe e quer o fechamento da Corte anda agindo pelas redes sociais. E, mais uma vez, Regina Duarte, a “namoradinha que tem medo”, foi viver um papel deprimente na vida real. Ela convocou seus seguidores para a manifestação de hoje, mas parece que seus seguidores é que estão com medo dela. Até o José de Abreu, Presidente autoproclamado do Brasil e colega de profissão da “namoradinha que tem medo”, disse que está com medo dela. A bolsonarista Regina Duarte mandou a seguinte pérola pelas redes sociais: “Se acabar com o STF, com certeza acaba a corrupção.”

Já a deputada federal Joice Hasselmann, a líder bolsonarista no Congresso que só sabe defender a reforma da previdência lendo a cartilha porque não tem argumentos, afirmou que “se o STF não acabar com a palhaçada, irei pedir o artigo 142 da Constituição.” A deputada bolsonarista referia-se ao artigo da Constituição que estabelece o emprego das Forças Armadas em caso de ameça à soberania nacional. Se o artigo 142 tiver mesmo que ser invocado, terá que ser para tirar o próprio Bolsonaro do poder, que está levando o Brasil a ser um ancilar dos Estados Unidos, tanto política quanto economicamente.

Com menos de três meses de governo Bolsonaro, já se fala de novo em intervenção militar. Isso é porque eles ganharam as eleições. Imaginem se tivessem perdido. O certo é que as manifestações de hoje foram uma derrota para o ex-juiz bolsonarista Sérgio Moro e para Deltan Dallagnol, o “homem das convicções sem provas” que queria administrar 2 bilhões e 500 milhões da Petrobrás.

Algumas notas sobre as manifestações fascistas marcadas para hoje nos dão uma noção do fracasso das mesmas. Coletamos algumas para ilustrar:

“Em Brasília, ato pró-Lava jato reúne 50 pessoas e 15 cães neste domingo.” (Blog do Esmael).

“50 pessoas e um gato protestaram no Rio contra o STF.” (Diário do Centro do Mundo). 

“Em manifestações esvaziadas pelo Brasil, direita pede extinção do STF e intervenção militar.” (Revista Forum).

Houve até quem dissesse que os protestos do MBL em São Paulo mais pareciam um velório da Lava Jato. Restam à Regina Duarte e Joice Hasselmann ficarem disparando besteiras pelas redes sociais. Já Sérgio Moro poderia refletir sobre a sua condição de ministro que “teria carta branca” e não pode nem mesmo nomear uma suplente de um conselho. Quanto a Dallagnol, talvez seja hora de um novo “jejum espiritual” até o STF for extinto. Lembrando que o Supremo Tribunal Federal foi criado pela Constituição de 1891 e já tem, portanto, quase 130 anos. E, apesar de todas as pressões e ingerências dos regimes de exceção, sobreviveu à ditadura do Estado Novo e à ditadura militar. Pensando bem, não seria um punhado de meia dúzia de fascistas de merda que iriam acabar com ele hoje.

 

FASCISTAS X DEMOCRACIA

FASCISTAS X DEMOCRACIA“ATENÇÃO: esqueçam o ‘cabo e o soldado’. Só você pode defender a Lava Jato agora. Vamos às ruas neste domingo exigir que o Congresso acabe com a palhaçada do STF. Lista de cidade em breve!” (Convocação dos fascistas do MBL para manifestação nesse domingo, dia 17, contra o STF).

Neste domingo, 17 de março, mais uma vez a história do Brasil irá registrar um teste de resistência da democracia. Inconformados com as últimas decisões do Supremo Tribunal Federal, que suspendeu os efeitos do acordo bilionário entre a PGR, a Petrobrás e os Estados Unidos e com a decisão de transferir para a Justiça Eleitoral processos referentes ao uso de “caixa 2”, diversos grupos de extrema-direita apoiadores de Bolsonaro estão convocando para uma manifestação onde exigem a destituição dos 11 ministros do STF.

Os cães bolsonaristas já vêm, há algum tempo, rosnando contra a democracia. Desde a campanha eleitoral que diversos avisos vinham sendo dados sobre a ameaça ao ambiente democrático que representaria a eleição de Bolsonaro. Agora, bolsonaristas e diversos outros grupos neofascistas voltam-se contra a Corte Suprema, exigindo a destituição de todos os seus membros. Em um vídeo publicado no dia de ontem, Eduardo Bolsonaro, que já havia atentado contra o STF, comentou as últimas decisões da Corte e alertou para o fato de que o tal “pacote anticrime” do Moro significará, se aprovado, uma anulação da decisão do STF em relação ao envio de delitos eleitoras para a Justiça Eleitoral. Abre-se, assim, um conflito de poderes que ameaça o equilíbrio e a independência dos mesmos. Será que teremos, neste episódio, um round “Moro X STF”?

Além do MBL, outras organizações neofascistas estão convocando para manifestações nesse domingo: Vem Prá Rua, Revoltados On Line, Patriotas Lobos Brasil, #NasRuas e Avança Brasil. Não é de hoje que o bolsonarismo vem querendo ter um controle total do STF. O projeto de Bolsonaro sempre foi aumentar o número de juízes da Corte para 21, com ele evidentemente indicando mais 10 e tendo o Supremo em suas mãos. Como a proposta não avançou, então dias Tóffoli foi cooptado e, em momento algum, desde que assumiu a Presidência da Corte, Toffoli tomou uma atitude incisiva contra os ataques que o Supremo sofreu, inclusive do próprio filho do Bolsonaro. Tóffoli tentou contemporizar e entendeu que, tendo um general como assessor, “o soldado e o cabo” não seriam ameaça. Mas os meninos do MBL já mandaram o recado: “esqueçam o cabo e o soldado”.

Insatisfações com decisões do Supremo são comuns e todos têm o direito de criticar. Isso é uma coisa. Outra coisa é atentar contra a democracia e os poderes. Recentemente, o STF tomou decisões consideradas absurdas, inclusive por diversos juristas e ex-Ministros da Corte, e que desagradaram a esquerda de um modo geral, como o envio do processo contra Aécio Neves para o Senado, livrando o senador tucano, e a manutenção da prisão em segunda instância, que contraria o próprio artigo 5° da Constituição e foi uma derrota de Lula. Na época, o STF foi até ameaçado por um general. Bolsonaritas aplaudiram a ameaça. O STF colocou o “galho dentro” e a senhora Rosa Weber até mudou as suas convicções. No entanto, nas duas ocasiões, nenhuma organização ou partido de esquerda convocou a população para manifestações exigindo a destituição dos juízes do STF. Porém, os fascistas não pensam e não agem assim. O PSL, legenda de aluguel que abrigou Bolsonaro (me recuso a falar “partido do Bolsonaro” porque ele nunca teve partido), é um dos que está à frente das manifestações. Com um bando de neófitos no Congresso, sem liderança e sem rumo, o PSL quer conseguir no golpe aquilo que não consegue realizar em negociações políticas no Parlamento. Os fascistas que vão à ruas hoje pedem o impeachment dos 11 Ministros do STF. Isso já é previsto em lei. Trata-se de uma lei muito antiga, a Lei 1079, de 1950, que trata dos crimes de responsabilidade. Qualquer cidadão pode denunciar os Ministros do STF ao Senado por crime de responsabilidade, de acordo com o artigo 41 da Lei 1079. E há todo um ritual da denúncia até o julgamento. Então, quem quiser que vá ao Senado e denuncie. Esse seria o caminho legal. É assim desde 1950. Por que eles não repetem a dose e chamam a doutora Janaína para assinar o pedido de impeachment coletivo? Porém, sabemos que os neofascistas que hoje vão às ruas não querem esse caminho. E é bom saber que o Alcolumbre, Presidente do Senado, era o candidato do Onyx, o “ministro caixa 2” do Bolsonaro. Quem sabe o caminho não fosse facilitado?

Em grande parte, o STF está colhendo o que plantou. Em momentos em que o bolsonarismo não estava no poder, a Corte se acovardou, se curvou a ameaças e, em um ambiente de ódio, parece que não quis “se misturar” àquilo que supostamente era o objeto do ódio (Lula, Dilma, PT, esquerdas…). Naquelas ocasiões, o funcionamento das instituições não sofria as ameaças que sofre agora. Porque parece que chegamos  na metástase e extirpar o câncer fascista agora será muito mais difícil. Ele cresceu. E neste domingo ameaça a democracia, que ainda terá muito que lutar para sobreviver.

A CONFISSÃO DO “TOMA LÁ, DÁ CÁ”

toma lá, dá cá

Crédito da imagem: Amarildo Lima, “Humor Político” (humorpolitico.com.br).

“Vou conseguir logo de cara as indicações para a Funasa e o Incra e tentarei pegar um terceiro negócio.” (Julian Lemos, deputado federal do PSL, em conversa telefônica com Fábio Nóbrega Lopes, assessor do Ministério do Turismo, confessando a troca de cargos por votos a favor da reforma da previdência).

Grampo ilegal é crime. Será? Perguntem ao político e ministro da Justiça, Sérgio Moro. Se ainda lhe restar um mínimo de coerência, o ministro bolsonarista Sérgio Moro dirá que “se o grampo for do interesse público, então está tudo bem.” Foi assim que o então juiz se justificou quando, ilegalmente, grampeou uma conversa da ex-presidente Dilma e mandou o áudio para a Rede Globo. Tudo em nome do “interesse público”.

E não seria do interesse público a sociedade ter conhecimento do balcão imoral de negócios, já aberto pelo governo Bolsonaro, para a aprovação da reforma da previdência? Pelo que se pode constatar na conversa entre o deputado Julian Lemos e Fábio Nóbrega Lopes, deputados estão sendo comprados para darem o seu voto a favor da reforma que condena os trabalhadores a só se aposentarem com a certidão de óbito. O “toma lá, dá cá” está mais do que escandaloso e só não o admite quem for cego ou mau caráter. Estão rifando o povo em troca de cargos. O diálogo, de 12 minutos, é uma confissão do balcão de negócios que virou a chamada “negociação” com o Congresso para aprovar a reforma da previdência. Justamente com um governo que, ao enganar trouxas, disse que “acabaria com negociatas, com corrupção e com o toma lá, dá cá”.

O deputado Julian Lemos diz que a gravação foi um crime e que ele já descobriu tudo. Falou que foi uma “armaçãozinha”, que o fato é grave e que “vai rolar Polícia Federal”. Na verdade, não é uma “armaçãozinha”. É uma grande armação e, desde já, a votação da reforma da previdência deve ser colocada sob suspeita. O que foi revelado na conversa do deputado do PSL não deixa de ser uma espécie de “mensalão pago à vista.” Pelo que se pode constatar na gravação, os votos para a reforma da previdência estão sendo comprados por Bolsonaro de sues próprios “aliados”. Quando um Presidente recém-eleito, ainda com um capital político considerável, tem que distribuir cargos àqueles que se dizem seus próprios aliados em troca de votos, então lembramo-nos daquele anúncio antigo de uma marca de biscoito, que dizia “é fresquinho porque vende mais ou vende mais porque é fresquinho?” Parodiando o anúncio, poderíamos dizer: “A articulação política é uma merda porque o Presidente é uma bosta ou o Presidente é uma bosta porque a articulação política é uma merda?”

Se Bolsonaro precisa comprar seus próprios aliados, então o Brasil não está acima de nada. Então ele não é líder nenhum. Então o “Deus” deles é o dinheiro. Quanto ao ataque e às ameaças feitas pelo deputado flagrado no áudio confessando a compra de votos, seria bom ouvir o “herói de Curitiba”, político Sérgio Moro. Se ele não mudou de opinião de novo, como fez em relação ao “caixa 2”, então dirá que o grampo telefônico foi em nome do interesse público. Ou, como dizia o Ibrahim: de leve…

SUZANO, ÓDIO E ARMAS

Primeiramente, duas imagens para nossa reflexão:

bolsonaro ensina crianças a imitar arma com a mão

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“Se os professores estivessem armados, e se os serventes estivessem armados, essa tragédia de Suzano teria sido evitada.” (Major Olímpio, senador bolsonarista do PSL, sobre o massacre na escola em Suzano, em 13 de março de 2019).

Uma interessantíssima matéria publicada no site Ponte, especializado em direitos humanos, justiça e segurança, nos ajudará a pensar a tragédia de Suzano sob aspectos que não estão, nem de perto, relacionados a armar ainda mais a população, especialmente os profissionais de educação. A matéria do site Ponte fala da repugnante comemoração de extremistas que participam de um fórum que dissemina ódio e crimes na internet. Esses sites de disseminação de ódio sempre existiram na internet e seus frequentadores costumam esconder os perfis para disseminarem seus ódios pela rede. Os executores da barbárie na escola em Suzano são tidos como “heróis” em um desses fóruns de ódio, chamado “Dogolachan”. Os assassinos de Suzano, que acabaram mortos, eram participantes do fórum “Dogolachan”. Porém, outros lá se encontram e podem, a qualquer momento, “aflorar”, como eles próprios falam.

Os participantes do “Dogolachan” possuem um perfil que pode começar a nos fazer pensar, em nível amplo, as causas do massacre. Eles são, em primeiro lugar, mal resolvidos sexualmente. Sabe-se que não conseguem, por algum motivo, fazer sexo e, a partir de então, passam a culpar as mulheres. Daí, o sentimento misógino. Portanto, a misoginia desses disseminadores de ódio vem de suas próprias incapacidades de praticarem atividade sexuais. Isso torna-se uma obsessão, que desemboca no ódio às mulheres.

O racismo é outro traço característico desses psicopatas e sociopatas. Um dos comentários do “Dogolachan” afirma  que Luiz Henrique de Castro, o assassino de 25 anos de idade, era injustiçado “por ser branco demais.” 

Há outra característica presente, que é a homofobia. Talvez, o ódio aos homossexuais venha do fato de eles terem a certeza de que, enquanto os homossexuais são resolvidos sexualmente, eles não o são. Então, isso logo se transforma em ódio e os homossexuais, também, em alvo.

Um traço importante presente no fórum de ódio “Dogolachan”, segundo seu próprio moderador, é seu “apoliticismo apartidário”. O moderador afirma que “o sangue dos garotos não é da direita, da esquerda, PT, PSDB, Dória, Haddad ou Bolsonaro”. É evidente que não são militantes políticos. E é aí que queremos chegar. Seria uma impostura atribuir a qualquer partido político alguma responsabilidade pelo ataque. Até porque, tratam-se de psicopatas e sociopatas.

Mas quando vemos, na política, o incentivo a certas causas de ódio que são traços característicos  desse bando de criminosos psicopatas e sociopatas, então ela pode sim ter alguma motivação. Agora, junte todas as frustrações de jovens que não conseguem se relacionar com mulheres, são racistas, misóginos e homofóbicos e ainda, como se definem, são “vítimas de um sistema opressor”, e coloque armas ao alcance deles. Pronto, algum massacre estará a caminho.

Não, major Olímpio! Não são armas nas mãos dos professores nas escolas que irão resolver esse problema. Até policiais, que foram treinados para isso, cometem verdadeiros desastres. O perfil dos psicopatas e sociopatas é claro. O que tem que mudar, para que tragédias como essas não se repitam, é o cultivo de valores de respeito às diferenças, à diversidade. É mostrar que a cultura é plural e que ninguém é superior ou inferior a ninguém por sua cor, sexo, orientação sexual, religião. Os assassinos afloraram seus recalques em uma escola pública, que é um ambiente bastante vulnerável. Mas, se pudessem, não dariam tanta pulsão às suas vazões, “respirariam fundo”, contariam de um até cem e tentariam alvos como alguém que, sendo tudo o que eles odeiam (por exemplo, mulher, negra e homossexual, como a Marielle), conseguiram ocupar um espaço na política ou na sociedade que eles jamais admitiriam.

De certa forma, os dois assassinos de Suzano não são tão diferentes dos assassinos de Marielle, exatamente um ano depois da brutal execução da vereadora e seu motorista. Basta ver que as bandeiras de Marielle representam tudo o que os frustrados do “Dogolachan” odeiam. Tal como os assassinos de Marielle. Porém, alguns se tornam profissionais e canalizam seus ódios para um caminho político. Outros, “afloram” ainda muito jovens. Outro ponto comum? O acesso às armas e toda uma contraeducação voltada para o ódio. E o que falar do incentivo para que crianças simulem uma arma com as mãos?

Já dissemos que o Brasil está doente e não curaremos certos cânceres que, infelizmente cresceram em nossa sociedade, com ódios e armas. Isso para que “Realengos” e “Suzanos” fiquem apenas como dolorosas lembranças nos livros de história e jamais retornem às manchetes dos jornais.

 

 

VIVENDAS, FOTOS E FICHAS

vivendas da barraAvenida Lúcio Costa, 3100 – Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Este é o endereço do luxuoso Condomínio Vivendas da Barra onde, durante um ano, ficou escondido o bandido que fuzilou a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes. O bandido do Vivendas, Ronnie Lessa, preso ontem, tinha muitos vizinhos, sendo que o mais conhecido é Jair Bolsonaro. Foi descoberto que Ronnie Lessa tinha um paiol na casa de um amigo, onde ele escondia 117 fuzis M-16. Foi a maior apreensão de armas da história do Rio de Janeiro. Bandido profissional, que enriqueceu como matador de aluguel. Ligado a quadrilhas milicianas. De altíssima periculosidade.

Lembro-me que, durante a intervenção militar no Rio de Janeiro, o Exército estava fotografando e fichando os moradores de favelas, sob a alegação de que, naquele ambiente, poderiam estar escondidos bandidos perigosos. Tudo em nome da “segurança”, da “lei” e da “ordem”. As favelas eram considerados locais “potenciais” de permanência e esconderijo de criminosos e o Exército tinha que fotografar e identificar os moradores para saber quem verdadeiramente era quem. Isso porque  moradores e visitantes também eram considerados “potenciais suspeitos”.

A prisão do bandido que assassinou Marielle e Anderson não foi a prisão de um bandido qualquer. Ele não é nenhum tresloucado. E, desde ontem, parece que só estamos vendo a ponta do iceberg. Um bandido que possui 117 fuzis escondidos, além de profissionalíssimo, é de altíssima periculosidade. Deve ter ligações diversas, pois quem iria “consumir” 117 fuzis? Seriam encomendas? E quem seriam os receptadores? Com um bandido dessa magnitude preso, resta saber suas ligações. Ronnie Lessa morava no mesmo condomínio luxuoso do Bolsonaro, mesmo sem ter renda compatível para tal. Se seguirmos a mesma linha dos interventores do Rio de Janeiro, então todos os moradores do Vivendas da Barra são potenciais suspeitos. E também seus visitantes. Não seria, também, o caso de fotografá-los e fichá-los por questões de segurança? Sim, porque o vento que venta lá tem que ventar aqui e se tem bandido perigoso escondido na favela, também tem no luxuoso condomínio da Barra da Tijuca. Só para termos uma ideia de que nosso pleito não é absurdo: o Condomínio Venâncio V, localizado na Rua Aristides Espínola 27, no Leblon, tonou-se muito famoso porque ali residia um bandido bem conhecido, chamado Sérgio Cabral. Trata-se de um prédio pequeno, de apenas cinco andares, dos quais três andares eram moradias de bandidos investigados e presos na Lava Jato. Se, em um pequeno prédio de apenas cinco andares, três abrigavam bandidos, então a probabilidade de o mesmo existir em um condomínio muito maior na Barra é bem grande.

Ficamos nos perguntando se os investigadores irão solicitar as gravações das câmeras de segurança do condomínio, bem como os registros dos visitantes nesse período, se é que já não o fizeram. Devem existir gravações detalhadas porque, em um bom período do ano passado, o condomínio foi muito frequentado em razão de ser o local de residência de um então candidato a Presidente da República. Tudo em nome da segurança pública e, quiçá, nacional. Até porque, como bem disse o jornalista José Luiz Datena, em seu programa “Brasil Urgente”, de ontem: “O cara morava no condomínio do Presidente. Já pensou se o cara dá um tiro no Presidente?…”

PARA ALÉM DOS RATOS MERCENÁRIOS

assassinos de marielleFaltando dois dias para completar 1 ano do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, hoje foram presos os executores do crime. O PM reformado Ronnie Lessa, de acordo com as investigações, foi o atirador e o ex-PM Élcio Vieira de Queiroz dirigiu o Cobalt que interceptou o carro onde estava a vereadora para que o duplo assassinato fosse consumado.

Como bem falou a viúva de Marielle, Mônica Benício, foram presos “dois ratos mercenários.” Agora, segue a pergunta: Quem mandou matar Marielle? Quem está além dos dois ratos imundos e mercenários? Crime de ódio? Sim, um crime de ódio. Um crime de ódio com requintes de profissionalismo, meticulosamente planejado e executado por um ex-PM que foi sniper e conhecia tudo sobre a cabeça dos policiais. Meses de pesquisa sobre a vida de Marielle e seus familiares. Será que dá para acreditar que os dois “ratos mercenários”, como bem os qualificou Mônica Benício, agiram sozinhos pelo ódio? As investigações mostram que eles pertenciam a organizações criminosas poderosas, com influência política e com uso de munições desviadas da própria Polícia Federal.

Os matadores de aluguel, geralmente, não possuem bandeiras e nem ideologias. E ainda que as tenham, para eles isso não é relevante, desde que haja o dinheiro. De que vivia um sargento reformado que entrou para o banditismo, a ponto de morar em uma mansão na Barra da Tijuca, no mesmo condomínio luxuoso de Jair Bolsonaro, avaliada em 4 milhões? Claro que ele era um profissional. Muito bem pago. Como os vencimentos de um sargento da PM o levaram a tamanho patrimônio?

Para além dos dois ratos imundos e mercenários, muita água ainda pode (e deve) rolar. E não é que surge na história um outro Queiroz! Igualmente motorista. Igualmente ex-policial. Igualmente miliciano. Quanta coincidência! Élcio de Queiroz, expulso da PM, dirigiu o carro do crime. Élcio de Queiroz, assim como seu “xará de sobrenome” também era ligado a Bolsonaro, com quem tinha uma foto publicada no Facebook. As ligações com Bolsonaro parecem ser antigas, pois a foto do Facebook data de 2011 e já circula pelas redes sociais. As postagens feitas no Facebook por Élcio sempre foram no sentido de tripudiar os direitos humanos, justamente uma das bandeiras de Marielle. Jair Bolsonaro, como sempre de forma estúpida e revelando seu total despreparo para o cargo que ocupa, ao comentar a prisão dos dois bandidos, declarou esperar “que realmente a apuração tenha chegado de fato a quem foram os executores, se é que foram eles, a quem realmente mandou matar.” E concluiu seu comentário tétrico: “E também estou interessado em saber quem mandou me matar.” “Se é que foram eles…” Bolsonaro ainda acredita na inocência!

Entre os dois episódios (o da facada em Juiz de Fora e o assassinato de Marielle) existem abissais diferenças. Primeiro a própria postura de Bolsonaro e sua família no caso Marielle/Anderson: ninguém se pronunciou. Já no caso da facada, todos os seus adversários políticos se pronunciaram, repudiando o atentado, inclusive o PSOL. Em segundo lugar, as investigações da Polícia Federal em relação a Adélio Bispo já se encerraram e as mesmas concluíram que, além de sofrer transtornos mentais, Adélio agiu sozinho. No caso Marielle/Anderson as investigações prosseguirão e poderão, igualmente, concluir que os dois bandidos presos hoje tenham agido sozinhos ou não.

Agora, imaginem se Adélio Bispo fosse do sindicato dos metalúrgicos, morasse no mesmo prédio do Lula e sua filha tivesse sido namorada do Lulinha… Além de miliciano e vizinho de Bolsonaro, Ronnie Lessa já foi sogro de um dos filhos de Bolsonaro. Palavra do delegado Giniton Lages, que respondeu a essa pergunta em sua entrevista coletiva, quando confirmou que um dos filhos de Bolsonaro já foi namorado da filha de Ronnie Lessa, acrescentando, no entanto, que isso não tem qualquer ligação com o crime.

Poderíamos, nesse momento, parafrasear Shakespeare: “Há mais coisas entre dois ratos imundos e mercenários e o crime a ser apurado do que possa imaginar nossa vã filosofia.”

 

 

BOLSONARO: DIFAMADOR E COVARDE

BOLSONARO MENTIROSO“Quem quer que seja minimamente honesto intelectualmente e ouvir os tais áudios não encontrará – desafio a encontrar – o conteúdo atribuído à repórter e com o qual o próprio presidente da República se lança a difamá-la. Simples assim. Questão objetiva. Não há.” (Carlos Andreazza, diretor-executivo do Grupo Record, via twitter, em 10 de março de 2019, sobre o conteúdo falso atribuído por Jair Bolsonaro à jornalista Constança Barbosa).

O Grupo Record, braço das comunicações da Igreja Universal do Reino de Deus, da qual o Sr. “bispo” Edir Macedo é dono, sempre apoiou Bolsonaro desde as eleições. Quando até o diretor-executivo do Grupo Record, a emissora oficial do governo fascista, vem a público, através de seu twitter, negar a mentira que Bolsonaro atribuiu a uma jornalista para justificar ameaças e linchamentos à profissional por seu exército virtual de covardes, então já não temos mais dúvidas do mau-caratismo e covardia de um dito “presidente da república” (com minúsculas mesmo!)

A jornalista em questão é Constança Rezende, do jornal O Estado de São Paulo, vítima das táticas embasadas nas mentiras e intimidações que caracterizam o fascismo. Jair Bolsonaro, para despertar a ira de seu exército fascista na internet, publicou um áudio em seu twitter e atribuiu à jornalista, onde ele afirma que ela teria dito “querer arruinar a vida de Flávio Bolsonaro e buscar o impeachment do presidente” e ataca a imprensa. “Ela é filha de Chico Otavio, profissional do ‘O Globo’. Querem derrubar o Governo, com chantagens, desinformações e vazamentos.”  A gravação, porém, não contém absolutamente nada que chegue, sequer, perto do conteúdo mentiroso inventado por Bolsonaro. A jornalista apenas fala das atividades do COAF, que registrou as movimentações financeiras criminosas de Bolsonaro e sua família, fato já conhecido mundialmente. O que a jornalista faz é um comentário sobre os fatos, afirmando tão somente que “o caso pode comprometer” e “está arruinando Bolsonaro”. Na gravação, em inglês, Constança Rezende, em nenhum momento, afirma que ela iria arruinar a vida de Bolsonaro ou o governo.

Bolsonaro, de forma criminosa, além de atribuir dolosamente à jornalista algo que em nenhum momento ela afirmou, não satisfeito ainda publicou a foto da profissional de imprensa, visando assim expô-la a um linchamento virtual por parte dos bandidos fascistas a seu serviço na rede.

Nada de se estranhar para um “presidente” que foi eleito à base das mentiras mais imundas já inventadas em um processo eleitoral e igualmente disseminadas de forma criminosa. Nada de se estranhar para um “presidente” que, segundo a agência “Aos Fatos”, de cada 10 declarações, 6 são falsas ou distorcidas. Nada de se estranhar para um “presidente” que sempre mostrou sua covardia e nunca prezou o debate com a sociedade, escondendo-se nas redes sociais divulgando mentiras, propagando ódios e vídeos depravados que, certamente, expressam seu inconsciente reprimido.

Todo esse quadro de ações criminosas fascistas, tendo como protagonista o próprio “presidente da república” (com minúsculas mesmo!) já era esperado. Professores, imprensa, trabalhadores em geral, movimentos sociais e qualquer opositor, tal como em qualquer regime fascista devem, para Bolsonaro,  ser tratados com a “solução final”. Ele chega, em suas postagens doentias, a falar até do extermínio de opositores, tal como no lamentável discurso em que citou a nada saudosa “Ponta da Praia”, o centro de torturas e extermínio da ditadura que ele sempre apoiou.

A jornalista Constança Rezende é mais uma das vítimas da sanha dos fascistas empoderados. Nossa solidariedade não restringe-se apenas à ela, mas à democracia, ao Estado de Direito constantemente ameaçado desde 1º de janeiro de 2019. E, por que não dizer, ao Brasil? Sim, porque tudo acontece com pouco mais de dois meses de “governo” e, a cada momento, torna-se mais evidente que Bolsonaro está com sérios transtornos mentais. Será que bastaria interná-lo em um manicômio? Porque, certamente, o Brasil também está doente…