DÓRIA VICE DE ALCKMIN?

doria temer alckminOs tucanos, especialmente do grupo de Alckmin, estão desesperados. O tempo passa e o candidato tucano não decola nas pesquisas (ao contrário, ele vem caindo). Isso, apesar de toda a blindagem que o “picolé de chuchu” e seu partido possuem, tanto na mídia como no Judiciário. E agora, outras pesquisas revelam um dado curioso: Alckmin tem um melhor desempenho quando Dória aparece como vice em sua chapa. Aliados de Alckmin encomendaram pesquisas em que Dória é apresentado como vice de Alckmin e, nesse cenário, o desempenho de Alckmin sobe, a ponto de atingir os dois dígitos, algo que nunca chegou a acontecer em nenhuma pesquisa.

A situação já está levando a especulações em relação à chapa tucana: poderia ter o PSDB uma chapa “puro sangue”? Nada até agora foi dito oficialmente, mas uma chapa pura talvez fosse um dos únicos recursos possíveis para tentar alavancar a candidatura de Alckmin. Mas, ao mesmo tempo, lançar uma chapa pura dificultaria a formação de alianças.

Uma eventual chapa pura dos tucanos também esbarraria em uma proposta de FHC. Foi noticiado hoje que Fernando Henrique lançará em breve um manifesto conclamando a união de partidos de centro e sociais-democratas. FHC inclui, nessa pretensa união, o PSDB. Mas a participação do partido ficaria dificultada caso a legenda tucana venha para um pleito com uma chapa pura.

A verdade é que a grande estratégia tucana há muito já foi por água abaixo. Eles participaram do golpe, abocanharam quinhões de poder no governo golpista e criminoso de Temer e grande parte do pífio desempenho nas pesquisas deve-se a esse apoio inescrupuloso dos tucanos ao golpe, do qual Aécio teve participação capital. Mas chega a ser risível quando FHC diz que a união que propõe não deve contar com “partidos fisiológicos, como o MDB”, quando eles próprios foram fisiológicos ao participarem do lodaçal que é o governo Temer.

Quando Dória chega a ser uma alternativa desesperadora de recuperação dos tucanos, cheios de cardeais e “cabeças brancas”, é porque o partido está mesmo carcomido. Se o PSDB não entrasse na aventura do golpe e fizesse oposição ao governo Dilma aguardando a eleição, talvez estivesse em uma posição melhor. Mas a participação do PSDB, tanto no golpe como no governo Temer, foi uma autofagia dos tucanos. E, naquele ninho fétido, eles ainda vão se comer muito…

 

SERÁ QUE O “PRAVDA” VOLTOU?

pravda“A MESMA MÍDIA QUE ACUSA GEISEL DE MATAR 100 TERRORISTAS, APLAUDE LÊNIN, STALIN, CHE, FIDEL, QUE JUNTOS ASSASSINARAM 100 MILHÕES.” (Postagem do grupo direitista “Olavo de Carvalho”, do Facebook, compartilhada na rede por vários usuários).

“Pravda” era o nome do jornal oficial do Partido Comunista da União Soviética. “Pravda”, em russo, significa “verdade” e, nos tempos do comunismo tanto ortodoxo como reformista, já em fins dos anos 1980, o jornal era quase que “a única verdade”. Claro que o “Pravda” teve seus tempos áureos, especialmente na Guerra Fria. Desde 1991 ele já não mais representa a “verdade” que marcou os tempos do comunismo na extinta União Soviética.

Depois da divulgação dos assassinatos cometidos pelo general Ernesto Geisel durante a ditadura militar, setores direitistas estão reagindo de forma tresloucada, a ponto de publicarem e disseminarem absurdos que chegam a ser risíveis. Agora, os reacionários jogaram na rede que a “mesma mídia que acusou Geisel de matar aplaude Lênin, Stalin, Che e Fidel”. Aplaude? Fiquei me perguntando: das grandes mídias que divulgaram o documento da CIA que atesta as ordens de Geisel para matar opositores, qual delas aplaude Lênin ou Stalin, por exemplo? O Globo? A Folha? O Estadão? E as emissoras de TV? Globo, Band, Globonews e as emissoras dos pastores aplaudem Lênin, Stalin ou Che Guevara? Vamos às revistas: Veja, Época, Isto É, Exame… qual delas aplaude algum líder comunista?

Até nos veículos de tendência esquerdista, como o Jornal do Brasil e a revista Carta Capital, jamais vimos aplausos aos líderes comunistas citados. O que me leva, então, a uma pergunta: Será que o “Pravda” voltou?

DIA DO GARI E A PRAÇA

garipraça marechal maurício cardosoHoje é o Dia do Gari, o profissional que cuida da limpeza de nossa cidade. O gari sempre me traz à memória a antiga Praça Gari, localizada em Olaria, entre as ruas Leopoldina Rego e Professor Plínio Bastos. A antiga Praça Gari é do tempo em que a Rua Leopoldina Rego, movimentadíssima, ainda era em mão dupla. Pertinho da praça, a antiga fábrica de artefatos de couro Mundial despertava os moradores da região com sua sirene. Em 1971 era inaugurada a Escola Aníbal Freire, vizinha da praça e, no ano seguinte, o Supermercado Ideal. Um outro estabelecimento ilustre, também de 1971, era a Padaria Nossa Senhora da Aparecida onde, mais tarde, viria a ser o Restaurante Porretão e, posteriormente, Trop Itália. Lembro-me de um pequeno monumento na praça com o seu nome estampado: “Praça Gari”.

A Praça Gari era uma referência para a comunidade. Ali realizavam-se festas juninas, exibições de filmes e as mais variadas atividades recreativas. Mas, apesar de tudo isso, estávamos em plena ditadura militar. Em meados dos anos 1970, o nome da praça foi, inexplicavelmente, alterado de Praça Gari para Praça Marechal Maurício Cardoso. A fábrica Mundial não mais existe e, no lugar do Ideal, o supermercado agora é o Extra. O golpe militar chegou nos garis e acabaram com o nome da praça que homenageava todos eles.

Mas a praça representa resistência. E em 2011, essa resistência derrotou as pretensões da Prefeitura de construir uma UPA no local. Os moradores se mobilizaram e conseguiram reverter o projeto, quando a praça já estava até com tapumes. Criou-se o grupo “Amigos da Praça Marechal Maurício Cardoso”, que promove vários eventos culturais no local, incluindo uma feira orgânica aos sábados e o chorinho orgânico no primeiro sábado de cada mês.

Hoje, estamos homenageando os garis. Porém, dentro do calendário de eventos culturais da praça, o dia 16 de maio deveria ser incluído. A eterna Praça Gari ( por ora, esqueçam o marechal!) deveria até ter alguma placa indicativa de sua antiga denominação. E, quando os garis trabalham por lá, nem imaginam que, um dia, aquele logradouro era uma homenagem a eles. Naquela praça, não estão mais os mesmos bancos, as mesmas flores ou os mesmos jardins, como diria o saudoso Carlos Imperial, em uma de suas composições mais famosas. Mas estão as eternas lembranças de uma época, igualmente de resistência e onde hoje a resistência insiste em não cessar. Há dois meses, no dia 17 de março,  houve uma homenagem à vereadora Marielle Franco e ao motorista Anderson Gomes na praça. E, tenho certeza, o antigo nome da praça inspira essa resistência. Parabéns aos garis!

 

SEM AMEAÇA E SEM JEJUM

o jejum de dallagnol

O Ministro Gilmar Mendes acolheu o pedido da defesa e determinou a soltura de Paulo Preto, o operador de propinas do PSDB. Paulo Preto atuou como operador financeiro do propinoduto tucano nos governos de Serra e Alckmin. Só que, desta vez, não houve ameaça de nenhum general ao STF. E também não tivemos o jejum político-espiritual do Procurador Deltan Dallagnol, o homem das “convicções sem provas”. Muito, muito diferente de quando o Supremo julgou, no início de abril, a questão da prisão da segunda instância e decidiu por rasgar a Constituição, jogando no lixo o seu artigo 5º, quando a Corte deveria ser a guardiã da Magna Carta.

Enquanto isso, os tucanos envolvidos em escândalos seguem incólumes à Justiça, que vem se mostrando tão golpista como os demais poderes. Aécio, que já foi salvo pelo mesmo Supremo, terá seu processo remetido para Belo Horizonte, ficando nas mãos de promotores e juízes amigos, mesmo com todas as evidências de seus escandalosos crimes. Alckmin já está em campanha para Presidente da República e converteram sua corrupção para “caixa 2” e também será julgado por magistrados amigos de São Paulo. Serra continua no Senado. O ET parece que foi mesmo para o espaço e nem se ouve mais falar sobre ele. Aliás, em certos momentos, o silêncio da mídia é uma modalidade de blindagem. Temer e sua camarilha de corruptos continuam no poder, mas não há nada no governo golpista que leve a ameças de generais ou a jejuns político-espirituais de procuradores.

O que interessa é que o Lula está preso. O que interessa é que o Lula não vai disputar a eleição. E o que interessa mais ainda é que acabou a corrupção no Brasil e, por isso mesmo, também acabaram os jejuns e ameaças.

O VELHO DISCURSO DA NOVA DIREITA

novo

“A camiseta da seleção de vôlei não é laranja como a do Partido Novo, mas amarela. Jamais será vermelha.” (Bernardinho, técnico de voleibol e “Embaixador” do Partido Novo, no primeiro encontro nacional da legenda, no Rio de Janeiro, no último sábado).

E a cromofobia está de volta, com novos ares, mas com o velho discurso que faz lembrar os tempos da Guerra Fria e a ditadura dos generais que mandavam matar “subversivos vermelhos”. O Partido Novo reuniu-se no último sábado, no Centro de Convenções SulAmérica em seu primeiro encontro nacional, onde foram apresentados seus pré-candidatos a deputado federal e estadual. Bernardinho, que desistiu de sua candidatura a Governador e agora é “Embaixador” do partido, foi o ponto alto do encontro. Bernardinho é aquele outsider tipo “apolítico”. Mas ele era tucano e apoiou o Aécio em 2014. E agora está no Partido Novo, que é presidido pelo banqueiro João Amoedo, que também é o candidato do partido a Presidente da República.

O Partido Novo quer apresentar-se como uma nova alternativa na política. O nome da legenda já sugere. Mas, em essência, o partido nada tem de novo. E, a partir do momento em que a cromofobia faz parte de seu discurso, aí mesmo é que a velha ladainha ressurge, em um tempo que o fascismo sitia o nosso país. Dizer que a bandeira, a camisa, a calça ou seja lá o que for, jamais serão vermelhas, é entoar o discurso da extrema-direita à la Bolsonaro. Como se não bastasse a velha agenda direitista do Partido Novo, qual seja: privatizações, ataque aos servidores públicos, que o próprio Bernardinho chama de “privilegiados”, ataque aos direitos trabalhistas e a sorte de todos entregue ao “mercado”, agora o Partido Novo começa o expurgo ao vermelho, repetindo as antigas ladainhas das “donas-de-casa-moralistas colecionadoras de ursinho de pelúcia” que estiveram nas Marchas da Família com Deus Pela Liberdade pré-golpe de 1964.

Que o Partido Novo levante e defenda suas bandeiras liberais, que diga que o Estado é um “elefante branco”, que defenda todo tipo de reforma. Mas, por favor, não coloque ingrediente neofascista em seu discurso. Se assim continuar, em seu próximo discurso Bernardinho irá falar que “os vermelhos comem criancinha”. Certa vez eu falei, que até pela sua gênese e agenda que defende, o Partido Novo seria um “PSDB genérico”. Mas se o discurso do partido do banqueiro João Amoedo continuar nesse tom, eu direi que o partido é um “genérico do Bolsonaro”. Como o presidente do partido é banqueiro, é até capaz de ele lançar uma moeda virtual, tipo bitcoin. E, no câmbio, ela acabaria tendo a mesma cotação da “BolsoCoin”. Mas isso é assunto para outra ocasião.

COMEÇA A UNIÃO DA DIREITA

picole-chuchu

Uma reunião realizada na última quarta-feira, dia 9, firmou um acordo entre os candidatos de direita para a eleição presidencial. A verdade é que, excetuando-se o fascista Bolsonaro, a direita não tem nenhum candidato que chegue aos dois dígitos. Alckmin, Rodrigo Maia, Henrique Meirelles, Flávio Rocha, dentre outros, patinam nas pesquisas, entre 1% e 8%. A estratégia de união das direitas é algo muito comum no cenário político brasileiro. Muito mais comum do que a união das esquerdas. Na reunião da última quarta-feira, o DEM, PP, Solidariedade e PRB, teriam fechado o apoio a uma única candidatura – com certeza, a de Alckmin. Alckmin, além de pertencer a um partido mais forte, tem grande blindagem da mídia e do Judiciário, o que será fundamental durante a campanha. A remessa de seu processo para a Justiça de São Paulo já deu o tom de que ele passará incólume dos escândalos em que é envolvido. Essa costura da direita, evidentemente, aposta em um cenário sem Lula na disputa e o objetivo seria derrotar o fascista Bolsonaro no segundo turno.

Enquanto isso, a esquerda continua com suas candidaturas, muitas igualmente patinando. Guilherme Boulos, Manuela Ávila e um eventual candidato do PT que não seja Lula, por exemplo, também patinariam. Uma frente de esquerda seria fundamental no confuso quadro eleitoral de momento que, sabemos, pode sim mudar. Mas, caso a aliança firmada pela direita apoiando Alckmin ganhe fôlego, e sem Lula na disputa, é bem provável que a esquerda fique alijada do segundo turno. Não cito Marina Silva e nem a incluo em qualquer possível acordo porque, como já falei em outras oportunidades, Marina é como um pêndulo, oscilando entre a direita e a esquerda. Trata-se de um fenômeno que nenhum cientista político explica. Talvez Galileu explique. Quanto a Ciro Gomes, ele é instável em todos os sentidos, não apenas emocional. Mas sua ausência no palanque de Lula no dia da prisão do líder petista é vista como imperdoável.

Há um ditado, que eu nunca esqueci, que diz que “é melhor aprender com os inimigos do que ensinar aos amigos”. Seria bom que as esquerdas aprendessem um pouco com a direita a se unirem em momentos cruciais. Antigamente, diziam que as esquerdas só se uniam na cadeia. Será que, doravante irão dizer que as esquerdas só se unem no palanque do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC?

NAZISTA CRIADOR DA “BOLSOCOIN” É PRESO

bolsocoin 2bolsocoin“BolsoCoin” é uma moeda virtual criada pelo bandido neonazista Marcelo Valle Silveira Mello. Inspirada em Jair Bolsonaro, o ultra-direitista candidato a Presidente da República, a moeda não tem a intenção de fazer concorrência aos “Bitcoins”. A “BolsoCoin” é apresentada como “a primeira moeda da direita alternativa e neonazista do Brasil”, segundo afirmação de seu próprio criador. A moeda é utilizada para pagar chantagistas e difamadores que atuam na internet, para fazerem ameaças e dilacerar a imagem de pessoas pela rede. Criada em janeiro deste ano, a moeda criminosa jamais foi objeto de qualquer declaração por parte do candidato “homenageado” ou de sua assessoria.

O neonazista Marcelo Valle Silveira é analista de sistemas. Mas, infelizmente ele só utiliza as suas habilidades cibernéticas para o crime. Na última quinta-feira, ele foi preso (de novo!), desta vez, na Operação Bravata, da Polícia Federal, que combate crimes via internet. Em 2012, o delinquente já havia sido preso por planejar, pela internet, um ataque a uma festa promovida por alunos da Universidade de Brasília. Preso, o bandido ganhou semi-aberto, mas continuou a praticar crimes pela rede. Nos sites e fóruns, Marcelo incita as pessoas aos crimes de estupro e assassinato de mulheres e negros. Marcelo entrou para a história jurídica do Brasil ao ter sido o primeiro condenado por crime de racismo via internet. Isso, em 2009, o que mostra que as práticas criminosas do seguidor de Bolsonaro são antigas. Em 2012, o criador da “BolsoCoin” também planejou uma chacina contra estudantes de Ciências Sociais em Brasília. Além dos crimes pelos quais foi preso (associação criminosa, ameaça, racismo e incitação ao crime), o delinquente bolsonarista ainda é acusado de ameaçar, com bombas, diversas universidades.

A prisão do terrorista de direita Marcelo não é um caso pontual. Isso porque, além de sua prisão, foram expedidos mandados de busca e apreensão em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Santa Maria e Vila Velha, o que mostra a dimensão tentacular da rede neonazista que, certamente, conta com vários participantes.

Atos como o desse criminoso neonazista apoiador de Bolsonaro já dá uma noção do tom da campanha daquela turma, que já começou. A criptomoeda é “virtual”, mas os crimes são reais. A disseminação do racismo, ameaça, ódio às mulheres, é no campo “virtual”, mas suas práticas são reais. A prisão desse bandido deve ser apenas o início, porque as investigações mostram que ele não está sozinho. Quem foi pago com as “BolsoCoins”? Quais são os outros integrantes dessa organização criminosa nazista? Qual o envolvimento da campanha do capitão nazista com os crimes? Essas questões devem ser elucidadas para que a Lei do Estado Democrático de Direito estirpe do convívio do ambiente plural da democracia esses e outros vermes putrefados e usuários da moeda podre.  marcelo valle siveira