NÃO CALARÃO GLENN!

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“Uma ameaça à liberdade de imprensa.” (Rodrigo Maia, do DEM, Presidente da Câmara dos Deputados, sobre a denúncia do Ministério Público Federal de Brasília contra o jornalista Glenn Greenwald, em 21 de janeiro de 2020).

Jamais poderíamos imaginar que estaríamos junto com Rodrigo Maia, um deputado de direita, de um partido de direita, no meso coro, em pleno ano de 2020, clamando pela liberdade de expressão e contra os abusos continuados de procuradores que atropelam a Constituição, rasgam o artigo 5º e usam de seus poderes para atuar politicamente e perseguir o jornalismo e os jornalistas. Depois da “convicção sem provas”, do procurador-monetizante Deltan Dallagnol e do conluio permeado de crimes processuais entre o então juiz Sérgio Moro e os procuradores justiceiros-lavajatistas, agora chegamos na era (seria mesmo a “nova era”?) de alguém ser denunciado sem sequer ter sido investigado ou indiciado.

O procurador Wellington Divino Marques de Oliveira, que já havia iniciado uma perseguição contra o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, agora denunciou o jornalista Glenn Greenwald, do The Intercept, a quem o procurador considera “partícipe” dos crimes de invasão de dispositivos de informática e associação criminosa, no caso dos hackers que invadiram os aparelhos de Sérgio Moro e outras autoridades.

O jornalismo investigativo do The Intercept desbaratou e desmascarou a Lava Jato, mostrando ao mundo o viés político-partidário, parcial e recheado de ilegalidades e crimes processuais, em que Sérgio Moro, em diálogos subterrâneos com procuradores, no lugar de julgar com isenção, trabalhou como chefe da acusação. Até veículos conservadores da mídia e apoiadores da Lava Jato criticaram os métodos criminosos de Moro, Dallagnol e outros procuradores no conluio político, perpetrado por Moro e seus procuradores subalternos, que condenou Lula e levou o fascismo ao poder.

Sabe-se que o procurador Wellington Divino Marques de Oliveira é bolsonarista. Mas isso não é o passaporte, como ele pensa, para perseguir o jornalismo, intimidar jornalistas e tentar criminalizar o trabalho investigativo de um dos jornalistas mais laureados do mundo. Pior do que isso: através de um abuso do poder em que o jornalista Glenn foi considerado “partícipe”, mesmo depois de a Polícia Federal não ver nenhum crime em sua atuação jornalística e, pior, mesmo com o STF já tendo decidido por uma liminar que Glenn não pode ser processado. Ou seja, em sua sanha de perseguição, o procurador Wellington Divino está até afrontando uma determinação da mais alta Corte do Judiciário. Claro que a denúncia não será aceita, mas vivemos um momento em que fascistas e nazistas, seja no Judiciário, no Executivo, no Legislativo ou na PGR, sentem-se empoderados para tentarem consumar as maiores aberrações. Eles tentam. Se colar, colou. Foi o caso de “fechar o STF”. Foi o caso de “reeditar o AI-5”. Foi o caso de colocarem um nazista declarado para dirigir a cultura do país. Foi o caso de colocarem um negro racista na Fundação Palmares. Em todos esses deprimentes episódios, a sociedade reagiu e os nazi-fascistas tiveram que engolir a seco as suas doentias pulsões. O mesmo ocorrerá no caso dessa descabida, ilegal, absurda e indecente denúncia feita contra o jornalista Glenn Greenwald. Nada calará Glenn e a tentativa de Bolsonaro e dos bolsonaristas, seja no Executivo, no Judiciário, no Legislativo ou na PGR, de implantar uma lei da mordaça sempre terá como resposta a repulsa mais veemente.

O episódio da denúncia desse procurador bolsonarista contra o jornalista Glenn ataca toda a democracia, todo o jornalismo e todos os jornalistas. O episódio envergonha o Brasil e já repercutiu negativamente até no The New York Times, que considerou a denúncia uma “perigosa ameaça às leis”. No Brasil, diversas associações de jornalistas repudiaram a infundada e absurda denúncia.

Gostaríamos de ouvir, e ainda não ouvimos, manifestações de jornalistas lavajatistas e defensores de Sérgio Moro e seus métodos, como Merval Pereira, Carlos Alberto Sardenberg e outros, que vêm mantendo um silêncio total em relação à perseguição ao jornalista Glenn. Vocês poderão ser, quem sabe, os próximo alvos. Porém, enquanto isso, todos juntos com Glenn e em defesa da liberdade de expressão, de jornalismo e contra o fascismo! Nada calará o jornalismo e nem o jornalista que mostrou ao mundo a maior podridão da história do Judiciário brasileiro!

 

BOLSONARO, O CRÍTICO CINEMATOGRÁFICO

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O grande cineasta e crítico cinematográfico Jair Bolsonaro, de renome internacional pelo seu conhecimento sobre a sétima arte já decretou, com a autoridade de sua competência sobre o assunto, que o filme “Democracia em Vertigem”, dirigido por Petra Costa e indicado ao Oscar na categoria de melhor documentário, não é documentário e sim “ficção”. Do alto de sua autoridade em relação ao cinema, Bolsonaro disse que o filme, além de ser “ficção”, é uma “porcaria” e ainda acrescentou, em sua abalizada e bem fundamentada crítica: “para quem gosta do que urubu come, é um bom filme.”

Mas Bolsonaro foi além. O seu conhecimento sobre cinema é tanto que ele nem precisou assistir ao filme para dar o seu respeitado parecer. Ele admitiu não ter visto o filme, mas ainda assim reiterou que o mesmo é uma “ficção, porcaria e bom para quem gosta do que urubu come.” Sua antevisão para expor sua crítica técnica e estética sobre filmes é impressionante! Ou seria “imprecionante”, como escreveu o seu ministro da Educação?

O filme foi indicado ao Oscar para concorrer à categoria de melhor documentário. Pensávamos, em nosso humilde conhecimento, que documentário fosse o oposto de ficção, ou seja, que um filme-documentário fosse a expressão da realidade. A Academia de Hollywood também. Mas depois da abalizada crítica de Bolsonaro, talvez a Academia de Hollywood até mude a categoria de “Democracia em Vertigem” e a coloque como ficção. Ou, quem sabe, já que o renomado crítico cinematográfico Jair Bolsonaro afirmou que o filme é uma “porcaria”, talvez a Academia até exclua o filme de concorrer ao Oscar. Nada como ter um Presidente que é cineasta e crítico cinematográfico. Aliás, as opiniões de Bolsonaro já estão balançando os alicerces da Academia de Hollywood e Bolsonaro poderá entrar para a história como o primeiro crítico cinematográfico que levou a Academia a mudar uma indicação ao Oscar! Aí eu concordo com o Weintraub, e já é imprecionante”, com “C” mesmo!

GOEBBELS, O PATRONO DA ARTE BOLSONARISTA

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“A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes de nosso povo, ou então não será nada.” (Roberto Alvim, Secretário de Cultura do governo Bolsonaro, em vídeo diulgado em 16 de janeiro de 2020).

“A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada.” (Joseph Goebbels, ministro da Propaganda de Hitler).

Todos sabem que a arte é um dos alvos de ataques do governo Bolsonaro. E o Bolsonaro não limitou-se a acabar com o Ministério da Cultura. Bolsonaro também não se satisfez em agredir e ofender artistas. Agora, ao que tudo indica, o governo Bolsonaro vai querer implantar um viés nazista na arte. O seu secretário nacional de Cultura, Roberto Alvim, que tornou-se conhecido depois de ter ofendido a irreprochável Fernanda Montenegro, deixou claro que é um nazista com todas as letras. Ontem ele postou um vídeo para falar das diretrizes que arte brasileira terá em sua gestão e, pasmem, repetiu quase que totalmente uma fala de Joseph Goebbels, o famigerado ministro da Propaganda de Hitler. As falas de Roberto Alvim e Goebbels são praticamente iguais, tanto no conteúdo como nos termos utilizados. O ministro da propaganda de Hitler dizia que a arte alemã, a partir do nazismo, seria heroica. Já Roberto Alvim, repetindo o ministro nazista, disse que a arte brasileira será heroica e nacional. Goebbels dizia que a arte alemã tinha que ser imperativa e vinculante, ou não será nada. E Roberto Alvim, repetindo a fala de Goebbels,  disse a arte brasileira será profundamente vinculada às aspirações do povo, imperativa, ou não será nada.

O nefasto vídeo ainda traz como música de fundo uma ópera de Wagner. Logo Wagner, que era o músico predileto dos nazistas. Não pode ser coincidência! Tanto a fala como a música remetem à Alemanha de Hitler. A partir de 1 minuto e 42 segundos do vídeo, o secretário de Cultura bolsonarista repete as palavras de Goebbels, informando as diretrizes nazistas que a arte terá na “nova era”. Confiram:

POR QUE MILITARES NO INSS?

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“Militares no INSS? Não tem cabimento…” (General Santos Cruz, via Twitter, em 16 de janeiro de 2020).

Em 2014 precisei tirar uma Certidão de Tempo de Contribuição (CTC) em uma agência do INSS. Na porta da agência havia uma barraquinha onde se vendia café, água, refrigerantes, biscoitos, etc. Mas na barraquinha também tirava-se cópias do tipo xerox, coisa muito útil, pois quase sempre eram necessárias ao segurado as cópias de alguns documentos. Fiquei impressionado com o conhecimento do rapaz da barraquinha. Ele sabia exatamente quais os documentos necessários para qualquer coisa. E ainda orientava e dava informações aos segurados. O rapaz, mesmo em um emprego informal, parecia um funcionário da recepção do INSS lá de sua barraquinha.

Agora Jair Bolsonaro anuncia que irá convocar militares da reserva para o mutirão que será feito no INSS, com o intuito de atender à demanda daqueles que precisam da seguridade social. A reforma da previdência encomendada pelos banqueiros foi aprovada. Certamente, se alguém for a algum banco privado para comprar algum plano de previdência privada, tudo está funcionando no sistema. Mas o sistema do INSS não foi atualizado para a reforma que o governo tanto queria. Então, depois de décadas, voltaram as filas do INSS e todos os processos estão parados. E, na maior tranquilidade, o governo diz que tudo se normalizará só em setembro. (Sic!)

Então, Bolsonaro decidiu convocar militares da reserva para mais uma “boquinha”. Eles serão chamados para o trabalho de atendimento no INSS e, por esse trabalho, o contracheque deles irá engordar em 30%. Evidentemente, surge a pergunta: já que é para convocar uma equipe complementar, por que militares? E por que não funcionários do INSS já aposentados? Ou ainda, por que não dar uma oportunidade de trabalho, mesmo que temporário, para desempregados ou pessoas que vivem na informalidade, como o tal rapaz da barraquinha que sabia tudo sobre a documentação necessária? Ou ainda, por que não dar uma oportunidade a jovens que completaram 18 anos? Por que tudo tem que ser militarizado?

Não estamos sozinhos em nossa opinião. O general Santos Cruz, um dos mais respeitados de nosso Exército, foi absolutamente contrário à convocação de militares. Disse o general em seu Twitter:

“Militares no INSS? Não tem cabimento. Os funcionários do INSS sabem dar as ideias para a solução. Tem que valorizar a instituição e as soluções irão aparecer. Colocar militares para qq coisa é simplismo, falta de capacidade administrativa. É obrigação valorizar as instituições.”

Essa decisão de Bolsonaro mostra, mais uma vez, a sua falta de compromisso com as instituições. Ele está, subliminarmente, querendo dizer que os militares da reserva, que sequer foram aposentados pelo INSS, têm melhores condições de trabalhar na área do que os servidores civis que por lá passaram. Serão 7 mil militares da reserva engordando os seus contracheques, trabalhando em uma área que desconhecem sob todos os aspectos. E nem uma empatia eles poderão fazer ao se depararem com as pessoas que necessitam da seguridade social. Simplesmente porque eles ficaram de fora da reforma da previdência. O “sacrifício patriota” foi para os de sempre…

 

GENERAL DESCOBRE A PÓLVORA

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“O cara não sabe nada, pô! É um despreparado.” (General Augusto Heleno, sobre Jair Bolsonaro, sem saber que estava sendo gravado, publicado no livro “Tormenta”, da jornalista Thaís Oyama).

Que Jair Bolsonaro é absolutamente despreparado, sob todos os aspectos, para o exercício de qualquer cargo público, isso não é novidade para nós. Péssimo militar, teve que ser reformado. Deputado federal absolutamente nulo, usou de suas décadas de mandato para exalar ódio e rancor. Mas quando alguém que é um de seus próprios pares e ocupa um cargo de primeiro escalão em seu governo diz que Bolsonaro é um despreparado, então a coisa não é invenção de adversários.

Foi no final da campanha eleitoral de 2018. O atual ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, em um jantar com empresários, sem saber que estava sendo gravado, disparou, referindo-se a Bolsonaro:

“O cara não sabe nada, pô! é um despreparado.”

A revelação da declaração sincera e bombástica do general Heleno aparece no livro da jornalista Thaís Oyama – “A Tormenta – o governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos”. É nesse mesmo livro que a jornalista Thaís Oyama revela que o ex-juiz-valentão-xerifão Sérgio Moro teria chorado quando Bolsonaro havia decidido demiti-lo, mas o mesmo general Heleno teria intercedido e salvo o emprego do marreco de Maringá.

Então, para o general Heleno, Bolsonaro não sabe nada e é um despreparado. Parabéns general! O senhor acaba de descobrir a pólvora!

 

 

A RODA SERÁ VIVA OU MORTA?

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No próximo dia 20, segunda-feira, às 22 horas, irá ao ar o primeiro programa Roda Viva do ano. A primeira edição do ano marcará a estreia da jornalista Vera Magalhães como apresentadora. O Roda Viva é um programa apresentado pela TV Cultura e especializado em entrevistar personalidades do mundo político, de todos os matizes ideológicos. E o entrevistado no primeiro programa do ano será o ex-juiz e sempre político, o ministro bolsonarista da Justiça Sérgio Moro.

O programa Roda Viva, que pretende apresentar-se como “isento”, terá uma grande oportunidade de demonstrar essa condição no próximo dia 20, especialmente em razão do convidado. O pluralismo do programa deve ser representado não apenas pela diversidade dos entrevistados, mas também pela diversidade de quem entrevista. Sérgio Moro já esteve no programa, em março de 2018. Porém, naquela ocasião, ainda como juiz e em sua redoma de “moralizador”, “soldado contra a corrupção” e “redentor da Justiça” Moro, ainda encoberto pela auréola que a mídia golpista o outorgou, desfilava como se fosse a voz da Justiça que saiu do mundo das Ideias de Platão e deslocou o seu modelo para a Terra. Porém, no meio do caminho, mais precisamente no mês de junho de 2019, havia um The Intercept, que desnudou o viés político, a parcialidade e o conluio entre Moro e procuradores, em uma relação subterrânea, imoral, criminosa e abjeta, que desmoralizou o agora ministro bolsonarista e teve o repúdio até mesmo de veículos da mídia que sempre o apoiaram. Há muitas perguntas a serem feito a Moro, não apenas em relação às revelações do The Intercept, mas também sobre o conteúdo do livro “Tormenta – O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos”, de Thais Oyama, que fala do episódio deprimente que Moro teria protagonizado, ao chorar quando Bolsonaro ameaçou demiti-lo por conta de sua crítica à suspensão das investigações contra o filho do Presidente e que, dali para frente, Moro teria jurado fidelidade a Bolsonaro e passado a expressar publicamente essa fidelidade em forma de servilismo para não perder o emprego. Será que esses episódios serão objeto de perguntas a Moro?

Fica agora a expectativa sobre os jornalistas convidados para sabatinarem Moro e, de quebra, uma pergunta: o programa Roda Viva será “chapa branca”? A pergunta se faz necessária, tendo em vista que quando Manuella D’Ávila foi a convidada do programa, colocaram um batalhão de jornalistas com a missão de emparedar a então candidata a vice na chapa de Haddad. Um dos convidados, inclusive, era um político e fazendeiro bolsonarista que não deu trégua para a Manuella. E agora? Quem serão os “jornalistas” convidados? Tudo bem que um dos convidados, por exemplo, seja o lavajatista-morista-global Merval Pereira. Tudo bem em se convidar algum jornalista do site ultra-direitista e perpétuo defensor de Moro, O Antagonista. Porém, especialmente depois dos subterrâneos revelados pelo The Intercept, caso não haja nenhum jornalista do The Intercept entre os entrevistadores, então ficará comprovado que o programa será um palanque político para Moro e que a isenção do programa é conversa para boi dormir. O laureado jornalista Glenn Greenwald, em seu Twittter, afirmou que seria um ato indesculpável e covarde a ausência de um jornalista do The Intercept entre os convidados para entrevistar Moro. E ainda podemos até questionar se a ida de Moro ao programa foi negociada, com a escolha prévia, pelo ministro bolsonarista, de quem irá entrevistá-lo. Hoje já está sendo divulgada a notícia de que Moro estaria cogitando desistir de comparecer ao programa caso o The Intercept participe da entrevista, o que seria a comprovação de sua covardia e fraqueza.

O programa Roda Viva terá uma grande oportunidade no próximo dia 20 de janeiro de mostrar se é isento ou parcial, se é unívoco ou plural e, principalmente, se a roda será “viva” ou “morta”. Iremos conferir.

PARABÉNS PETRA! O RESTO É “MECANISMO”…

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“Numa época em que a extrema direita está se espalhando como uma epidemia esperamos que esse filme possa ajudar a entender como é crucial proteger nossas democracias. Viva o cinema brasileiro!” (Petra Costa, diretora de “Democracia em Vertigem”, indicado para o Oscar de melhor documentário, pelo Twitter).

“Para quem gosta do que urubu come, é um bom filme.” (Jair Bolsonaro, cheio de ódio, recalque e rancor, sobre o documentário “Democracia em Vertigem”, indicado para o Oscar).

O recalcado, inculto, tosco e fascista Jair Bolsonaro mais uma vez assaca contra a cultura brasileira. Mas não tem mesmo jeito. Tudo e todos a quem ele menospreza e desdenha, acaba ganhando destaque internacional positivamente, ao contrário dele que, internacionalmente, já virou pilhéria e motivo de vergonha para o Brasil perante o mundo. Primeiro foi o Chico Buarque. Bolsonaro sempre odiou o Chico. Então, o Chico ganhou o Prêmio Camões de Literatura de 2019. Inimigo das artes e dos artistas, Bolsonaro disse que não assinaria o prêmio ganho pelo Chico (que é chancelado pelos governos de Brasil e Portugal), o que o compositor considerou um segundo prêmio. Isso sem falar do Paulo Freire, a quem criminosamente Jair Bolsonaro chamou de “energúmeno”. Orgulho do Brasil no exterior, Paulo Freire ganhou incontáveis prêmios internacionais e, enquanto Bolsonaro não quer que Paulo Freire seja estudado no Brasil, ele é objeto de estudo em vários países.

Até com a ativista adolescente Greta Thunberg ele vomitou seu ódio, chamando a menina de “pirralha”. Pois foi só Bolsonaro chamá-la, de forma desdenhosa, de “pirralha”, que ela logo depois foi eleita a “Personalidade do Ano” pela revista Time. Já há até quem garanta que Bolsonaro, covarde como sempre, não irá à Conferência de Davos de 2020 com medo de encontrar a “pirralha”, que certamente iria engoli-lo em um debate. Principalmente porque, na Conferência, a Amazônia será um dos temas. Já pensou Bolsonaro falando em Davos que o Leonardo Di Caprio mandou tacar fogo na Amazônia? Mas há um outro “destaque” nisso tudo: enquanto a adolescente sueca foi eleita “personalidade do Ano” pela Time, Bolsonaro foi eleito o “idiota do ano” por uma TV francesa.

Agora é o documentário “Democracia em Vertigem”, da cineasta brasileira Petra Costa, que fala sobre a ascensão da extrema-direita no Brasil e o golpe que levou à derrubada da ex-Presidente Dilma. “Democracia em Vertigem” acaba de ser indicado pela Academia de Hollywood para o Oscar de melhor documentário.  Aqueles que se vestiram de patos amarelos agora podem rever o papel deplorável que fizeram e como se expuseram ao ridículo em nível internacional. Claro que Bolsonaro e seus séquitos logo vão dizer que a Academia de Hollywood “é comunista ou esquerdista”. Bolsonaro pode ainda dizer que a indicação não passou de uma “retaliação do Leonardo Di Caprio”.

Qualquer obra de arte, inclusive cinematográfica, pode ter um viés ideológico, até porque não existe “neutralidade” ou “grau zero de ideologia” em nada. Mas quando se trata de um documentário, as coisas são diferentes. Um documentário deve primar pela autenticidade das fontes, pelo compromisso com a verdade, pela fidelidade dos fatos narrados e pelo embasamento documental. Então, o que o documentário “Democracia em Vertigem” tem para ser indicado ao mais importante prêmio do cinema internacional? Certamente, tudo isso.

Independentemente do que vai acontecer na entrega do prêmio, o recado foi dado e assimilado pelas cabeças pensantes do cinema mundial. A verdade sobre o golpe contra Dilma que levou a extrema-direita ao poder e um juiz parcial ao ministério da Justiça está exposta e internacionalmente reconhecida. Agora, parece que o mundo inteiro poderá saber do golpe, dos golpistas e dos patos-robôs. Parabéns Petra Costa! Parabéns ao cinema brasileiro! Parabéns à cultura brasileira! O resto é “mecanismo”…