DEPUTADO BOLSONARISTA DESRESPEITA A BANDEIRA NACIONAL

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“São consideradas manifestações de desrespeito à Bandeira Nacional, e portanto proibidas: III – Usá-la como roupagem, reposteiro, pano de boca, guarnição de mesa, revestimento de tribuna, ou como cobertura de placas, retratos, painéis ou monumentos a inaugurar.” (Lei 5700/1971, a Lei que regulamenta a confecção e uso dos símbolos nacionais, em seu artigo 30).

Sabe aqueles nacionalistas de merda, que se apropriam dos símbolos nacionais, dizem que sua bandeira “jamais será vermelha” e que exigem respeito à bandeira do Brasil? Eles sequer conhecem a lei que regula a utilização dos símbolos para os quais eles próprios pedem respeito e são os primeiros a desrespeitá-los.

A Lei 5700/1971, feita em plena ditadura militar, ainda vigora em nosso país. E, em seu artigo 30, item III, considera uma manifestação de desrespeito à Bandeira nacional a sua utilização como roupagemO deputado federal Bibo Nunes, bolsonarista do PSL do Rio Grande do Sul, desrespeitando a lei e, portanto, desrespeitando a Bandeira Nacional, compareceu ao plenário literalmente fantasiado de bandeira brasileira. A fanfarronice desrespeitosa do deputado ocorreu por ocasião da discussão do projeto de lei que autoriza a utilização do símbolo nacional em vestimenta e assessórios visíveis ao público.

Que fique claro: o projeto em questão trata do uso do símbolo em vestimenta e não de sua transformação em vestimenta. Em segundo lugar, mesmo que o projeto autorizasse a utilização de nossa bandeira como roupagem, trata-se ainda de um projeto e, portanto, não é lei. Assim, ainda vigora a o disposto na Lei 5700/1971. Portanto, o deputado Bibo Nunes cometeu sim o crime de desrespeito à Bandeira Nacional previsto na lei e esperamos o enquadramento desse nacionalista-chauvinista e fanfarrão.

 

 

QUARENTINHA E A CONDECORAÇÃO DO SNIPER

quarentinha editado

“Era pago para isso e não estava fazendo nada além de meu trabalho e minha obrigação.” (Waldir Cardoso Lebrego, o “Quarentinha”, craque e ídolo do Botafogo nas décadas de 1950 e 1960, quando perguntavam a ele porque não sorria e não festejava quando fazia gols).

Mais uma vez invoco o ensinamento de Waldir Cardoso Lebrego, o “Quarentinha”, craque e ídolo do Botafogo que, atuando nas décadas de 1950 e 1960, marcou mais de 300 gols. Quarentinha ficou conhecido como “o artilheiro que não sorria” porque, quando marcava gols, não gostava de festejar e nem de ser festejado, dizendo que não estava fazendo mais do que a obrigação para a qual era pago como profissional. “Não sou pago para comemorar”, dizia o ídolo botafoguense.

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, por iniciativa de deputados do PSL, decidiu conceder a Medalha Tiradentes, a mais alta honraria da Casa, ao atirador de elite que alvejou mortalmente o sequestrador que mantinha 39 reféns em um ônibus na ponte Rio-Niterói no último mês de agosto. O sniper, cujo nome, por razões evidentes, será mantido em sigilo, foi considerado pelos proponentes da láurea como um “herói” e, para protegê-lo, foi informado que a medalha será entregue ao seu comandante. O referido sniper passa assim, oficialmente, a ser considerado um herói, apesar de anônimo. A concessão da homenagem, como era esperado, dividiu os deputados. Não é nosso objetivo, por ora, entrar nesse mérito. Queremos, isso sim, lembrar do saudoso artilheiro Quarentinha quando marcava seus gols. Mas suponhamos, a título de raciocínio, que o sniper tenha cumprido de maneira perfeita a sua missão ao matar o sequestrador e, até usando a lógica utilitarista, sua ação tenha se justificado pelo fato de que, naquele momento extremo, seria necessário ceifar uma vida para que outras 39 fossem salvas. Então o sniper, usando toda a sua perícia, preparo técnico e treinamento, cumpriu de forma perfeita e briosa a sua missão. Ora, ele é pago para isso e não fez nada além de sua obrigação. Na condição de servidor do Estado do Rio de Janeiro, o sniper, como diria Quarentinha, não fez nada além de seu trabalho.

Só para ficarmos no Estado do Rio de Janeiro: nesse exato momento, e todos os dias, médicos, especialmente cirurgiões, estão salvando vidas de pessoas nos hospitais estaduais, apesar das péssimas condições de trabalho, salário e descaso das autoridades. Não seriam eles, também, heróis? E se contabilizássemos as vidas que já foram salvas pelos profissionais de saúde nos hospitais estaduais? Acho que faltariam medalhas na ALERJ. Mas, tal como nos ensinou Quarentinha, os médicos e outros profissionais de saúde não fazem nada além de suas obrigações.

O mesmo exemplo estende-se aos profissionais de educação. Com suas atuações, muitas vezes professores, orientadores educacionais, supervisores e diretores de escolas, salvam vidas com uma educação inclusiva e que, trazendo jovens e até adultos para as escolas, ensinam, aconselham, orientam e, literalmente, também salvam vidas. Não seriam esses profissionais, também, heróis? E se contabilizássemos quantas vidas já foram salvas por esses profissionais? Nesse exato momento, em várias escolas, muitos profissionais de educação em suas escolas estão empenhados na campanha “Setembro Amarelo”, onde dialogam com os alunos a prevenção do suicídio. Não sabemos contabilizar, mas temos a certeza de que vidas são salvas com esse trabalho, ainda que não seja necessário dar um tiro. Acho que também faltariam medalhas na ALERJ se esses “heróis” das escolas também fossem condecorados. Mas, tal como nos ensinou o craque Quarentinha, os profissionais de educação não fazem nada além das obrigações para as quais são pagos.

Poderíamos estender a gama de profissionais do Estado que salvam vidas, como os bombeiros, que também arriscam suas vidas para salvar outras. E os “salva-vidas” das praias? E poderíamos seguir em frente com essa lista. Suponhamos, então, que todos sejam “heróis”, já que todos salvam vidas.

A morte do sequestrador Willian Augusto da Silva, aos 20 anos de idade, ao contrário de Quarentinha foi comemorada como se fosse um gol pelo governador Wilson Witzel que, antecipando-se à ALERJ, prometeu uma homenagem ao atirador. O governador Witzel ainda tem mais de três anos de mandato pela frente e, ao que parece, já lançou-se candidato a Presidente da República. Que tal o governador, junto com os deputados do PSL que o apoiam, darem mais atenção, dignidade e valorização a tantos outros profissionais aqui citados, que diariamente estão salvando vidas em nosso Estado, nas mais diferentes funções? Porque, se isso realmente acontecesse, o craque Quarentinha nos diria que o governador também não estaria fazendo nada além da obrigação para a qual foi eleito e é pago pelo povo do Estado.

VÃO INCENDIAR O CONGRESSO?

incêncio

“Por vias democráticas a transformação que o Brasil quer não acontecerá na velocidade que almejamos… e se isso acontecer. Só vejo todo dia a roda girando em torno do próprio eixo e os que sempre nos dominaram continuam nos dominando de jeitos diferentes!” (Carlos Bolsonaro, o “Carluxo”, filho de Jair Bolsonaro, via Twitter, em 10 de setembro de 2019).

A (mais uma vez!) repugnante declaração de Carlos Bolsonaro, o filho de Presidente, de que as transformações que ele e sua turma desejam ( e não o Brasil) não poderão acontecer na velocidade em que pretendem se forem através das vias democráticas pode, com certeza, ser chancelada por toda a família Bolsonaro. Eles sempre desprezaram a democracia, defenderam os governos tirânicos e militares e o ídolo deles é um torturador assassino. Evidentemente a declaração, tratando-se de quem vem, não pode ser interpretada como alguém que conhece e aceita as regras do jogo democrático. Claro que qualquer mudança pela via democrática é mais lenta, porque requer debates no Congresso e na sociedade. Isso sem contar com a viabilidade legal, e aí o Judiciário também deve pronunciar-se. É assim o funcionamento das instituições em uma democracia.

Desde a sua posse, Bolsonaro e sua família atentam contra a democracia. Ameaças ao Supremo Tribunal, ao Congresso e a todas as instituições representativas da sociedade, sejam elas sindicais, culturais, científicas, LGBTs, etc. Mas a democracia vem resistindo a todas as investidas, desde a ameaça “do cabo e do soldado”, no caso do Supremo, até a tentativa de Bolsonaro de “virar a mesa” em uma medida provisória rejeitada no Congresso e que ele tentou mesmo assim reeditar.

A nauseante afirmação de Carlos Bolsonaro teve a repulsa da direita liberal, como os presidentes da Câmara e do Senado, respectivamente Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, e também, mais uma vez, do Vice-Presidente Hamílton Mourão, talvez o único membro do atual governo que, desde a posse, vem tendo uma postura de estadista.

Já falamos, em outro momento, das incríveis semelhanças entre a ascensão de Hitler ao poder na Alemanha, em 1933, e de Bolsonaro no Brasil, quando publicamos, em 9 de outubro de 2018, um artigo em que falávamos da possibilidade de um autogolpe após as eleições, intitulado “Fujimori e o Reich Tupiniquim”. Para quem não lembra ou não leu, aí vai o link;

https://pedropaulorasgaamidia.com/2018/10/09/fujimori-e-o-reich-tupiniquim/

Observávamos, na ocasião, as inúmeras semelhanças entre Hitler e Bolsonaro (ambos ex-militares, que apoderaram-se de um minúsculo partido e o transformaram em grande, que souberam se aproveitar das crises econômicas em seus países e do descrédito dos partidos e políticos tradicionais, ambos militaristas, que invocavam Deus em seus discursos, apresentavam-se como savadores da Pátria e que venceram as eleições pelas regras democráticas). Mas, e depois? Hitler tornou-se um ditador, como todos sabemos, derrubando as próprias escadas da democracia pelas quais ele subiu ao poder. Mas na época de Hitler, faltava uma tragédia que não fosse particular e, quem sabe, fizesse lembrar Nero na época da perseguição aos cristãos? Que tal, então, tirar proveito de um incêndio? Tão logo o líder nazista chegou ao poder, em 1933, o Reichstag (Parlamento alemão), foi totalmente destruído por um incêndio. Para Hitler, o incêndio não passava de uma “conspiração comunista”. Então, a Gestapo (polícia política de Hitler) prendeu um jovem holandês, que era comunista, acusando-o de ter sido o autor do fogaréu. Sob as mais terríveis torturas, o rapaz afirmou ter agido sozinho, mas a versão seria a de que foi uma “conspiração comunista”. Mais de 60 anos depois, a versão oficial foi desmentida por um ex-oficial nazista, com a descoberta de um documento datado de 1955, encontrado no Tribunal de Hanover, que confirma a versão fajuta dos nazistas para acabarem com a democracia e tirar o nazismo de dentro do armário.

Na era Bolsonaro, as coisas vão se caminhando de um modo muito análogo. Depois de todas as coincidências, parece que a democracia ainda reluta, e muito, para resistir, e vem resistindo, às tentativas de um retrocesso sem precedentes. Na Alemanha, o incêndio ao Parlamento acabaria sendo o passaporte para a ditadura nazista e o cartão vermelho para a democracia.

A cada declaração de desprezo aos valores democráticos, seja por parte de Bolsonaro ou de seus filhos, inflama-se ainda mais o país, pois ao mesmo tempo eles incentivam suas hostes neofascistas e produzem reações de repúdio. A narrativa de conspiração, que vem desde a eleição, com a permanente dúvida sobre as urnas eletrônicas que o elegeram, levou Bolsonaro a sempre buscar, por si ou pelo seu filho Carlos, seu porta-voz de fato, alguma brecha para um autogolpe. Fiquemos atentos, pois ainda falta uma coincidência entre a Alemanha de 1933 e o Brasil atual. Que tal um incêndio no Congresso Nacional? Talvez a brigada de incêndio do Congresso Nacional e o Corpo de Bombeiros de Brasília devam ficar de sobreaviso. Será que depois de mais essa declaração ofensiva à democracia, poderá surgir em cena um “novo Adélio”? E quem sabe, dessa vez, um Adélio incendiário?

MORALISMO E PATRIOTISMO COMO ESTRATÉGIAS

crivella e bolsonaro 2O recrudescimento explícito de uma agenda moralista, religiosa e de ufanismo patriótico, vai muito além do que as aparências podem nos levar a pensar. O que há de comum entre Bolsonaro e Crivella, além de serem conservadores que apelam para a religiosidade, a “família” e que auto-proclamam-se arautos da “moral” e dos “bons costumes”?  Resposta: ambos, além de absolutamente incompetentes para os cargos que foram eleitos, estão em vertiginosa queda de popularidade segundo as últimas pesquisas. Os desastres do governo Bolsonaro no Brasil e do governo Crivella na cidade do Rio de Janeiro explicam a perda de apoio até por quem os apoiavam recentemente. No caso de Bolsonaro, a pesquisa Datafolha mostrou que ele é o Presidente com a pior avaliação no primeiro ano de mandato desde Collor, em 1990. E, dentro de seu governo, perde em popularidade até para ministros, inclusive para o “piroambientalista” Ricardo Salles. Já Crivella, flertou esse ano com o impeachment e já é tido como um dos piores prefeitos da história do Rio de Janeiro. Pesquisas apontam que o bispo da Universal detém o maior índice de rejeição de todos os tempos na prefeitura carioca.

Mas há um outro aspecto comum entre Bolsonaro e Crivella: ambos são candidatos à reeleição e já veem, pelo retrovisor, o incômodo de eventuais adversários (alguns, antigos aliados), que farão, dos desastres de suas administrações, os caminhos para tomar-lhes os respectivos lugares. Diante dessa situação, e com governos altamente repudiados, Bolsonaro e Crivella partem para a seguinte estratégia: trazer de volta  um clima de campanha eleitoral (que no caso de Bolsonaro é permanente) e a retomada de discursos e práticas para inflamar, trazer para as ruas e satisfazer a fatia de seus eleitores mais fiéis. Então, inebriados pelo discurso religioso, patriótico, do verde e amarelo, da bandeira que jamais será vermelha, da moral, da família, dos bons costumes, do combate à pornografia, lá vamos nós tentar mudar a onda.

Primeiro, o Bolsonaro: ao invocar o povo a vestir o verde e amarelo no dia da Independência, ele ressuscita a segregação dos “inimigos” da Pátria. Ao mesmo tempo, compra briga com outros chefes de Estado, visando maior apoio por, aparentemente, estar defendendo os interesses nacionais. Dizer que o perigo vem de fora é sempre uma estratégia para capitalizar uma união em torno de qualquer governo. E, no dia da Independência, cercar-se do dono da Igreja Universal (uma fábrica de votos) e desfilar abraçado com Sérgio Moro, o ministro que tem quase o dobro de sua popularidade, pode muito bem ajudar a mudar o jogo a seu favor.

Já no caso de Crivella, apelar para a agenda de costumes e em defesa da “família” (que “família”?) é um bom caminho para manter em alerta o seu eleitorado tradicional e que aceita até morrer em um hospital municipal, desde que seja em nome de “Deus” e da “família”. Crivella não tem nada de bobo. Ele sabia que a censura na Bienal era um ato ilegal. Primeiro por ser inconstitucional. Segundo, por não ter havido qualquer ordem judicial para busca e apreensão. E ele também sabia que haveria uma repercussão e uma reação estrondosas ao seu ato obscurantista. Mas, ao mesmo tempo, despertaria suas hostes religiosas e conservadoras que aprovariam seu ato e viriam em sua defesa.

Então, ao invés de debatermos e tentarmos resolver as grandes questões nacionais ou da cidade, melhor requentar a diferença entre patriotas X “inimigos da Pátria”; defensores da família X “imorais”; pudicos X “depravados”. Nada melhor para empanar a incompetência, obtusidade e impopularidade de ambos. Nessa, o capitão indisciplinado e o bispo estão juntos.

INDEPENDÊNCIA OU MORTE COM SBT E RECORD

independência com record e sbt

Parada da Independência com a mídia aliada, amiga e cúmplice. Essa foi a estratégia “patriótica” de Bolsonaro no Dia da Independência. Depois de começar o dia exaltando os Estados Unidos por ter sido o primeiro país a reconhecer a nossa independência, ele foi para o desfile e, no palanque, em local de destaque, com o Presidente ao centro, estavam o bispo Macedo, dono da Igreja Universal e da TV Record e Senor Abravanel, o Sílvio Santos, dono do SBT. O que simboliza a exaltação aos Estados unidos no dia de nossa independência e a adulação ao megaempresário neopentecostal e ao “homem do baú”?

Em relação à exaltação aos Estados Unidos, não haveria data mais apropriada para Bolsonaro demonstrar todo o seu servilismo. Quando os Estados Unidos reconheceram imediatamente nossa independência, o Presidente norte-americano era James Monroe, aquele que ficou famoso por uma doutrina panamericana que recebeu o seu nome. Era a “doutrina Monroe”, sintetizada na frase “a América para os americanos”. Claro que para as ambições imperialistas dos Estados Unidos no continente, o reconhecimento era fundamental. Os norte-americanos queriam um país sem monopólio comercial para impor o seu domínio econômico. E assim se fez: A América para os americanos… do norte! Essa máxima sintetiza um detalhe que a doutrina Monroe escondia, mas seus tentáculos expressavam sem nenhum sofisma. Tal como agora.

Quanto à presença do bispo Macedo (leia-se Record) e Sílvio Santos (leia-se SBT)  em local de destaque no palanque, claro que foi um recado para a Globo mandado pelo monstro que ela também ajudou a parir. Essa história de que, com as novas tecnologias, a televisão ficou para trás, não é bem assim. A TV ainda é um grande veículo de comunicação e, em alguns momentos, a Record e o SBT até ultrapassam a Globo. E desde a posse que elas tranformaram-se em veículos “oficiais” do governo Bolsonaro. O recado foi claro e a Globo já deve estar com “as barbas de molho”: ou entra no jogo do Bolsonaro ou será constantemente retaliada, inclusive financeiramente. A Globo e seus jornalistas servis também têm grande responsabilidade por toda a tragédia que assola o Brasil. De 2014 em diante, especialmente, eles fizeram de tudo para demonizar o PT e as esquerdas em geral, que cometeram sim erros como todos os governos, mas jamais os governos Lula/Dilma colocaram a democracia brasileira e suas instituições em sinal de alerta. E a atuação da Globo (mais panfletária do que jornalística) jamais foi equânime, sempre blindando seus apaniguados, especialmente os tucanos.

A família Marinho certamente está em uma baita sinuca. Ou a Globo continua sendo constantemente retaliada ou passa a apoiar 3 anos e 4 meses de uma potencial ditadura. Para quem apoiou 21 anos de uma ditadura real, talvez não seja uma sinuca de bico tão grande assim.  Apenas do tamanho do bico de um tucano…

 

CORRE, CRIVELLA, CORRE…

censuradoOs heróis do Clube Marvel certamente já não são mais os mesmos e é possível que qualquer dia surja uma versão do Capitão América “anti-Trump”, que muito certamente seria censurada pelo Bolsonaro. E que tal o príncipe Namor ressurgir na pele de um negro chamado João Cândido, o marinheiro que até hoje causa calafrios nos almirantes? Dar ressignificações a protótipos pode, muitas vezes, ser o viés educativo dos quadrinhos. Outros super-heróis, de outros significados, podem igualmente ser desconstruídos, como Batman e Robin. Batman não passa de um justiceiro que age na base do “bandido bom é bandido morto”. Como seria um “novo Batman” defendendo os direitos humanos, e nem por isso, deixando de fazer justiça? Quanto a ser gay, se aquela narrativa que ficou muito famosa for mesmo verdadeira, já passou da hora de ele se assumir com o menino prodígio (para tristeza da Mulher Gato).

O Brasil vive a era do fundamentalismo. A ordem unilateral e sem qualquer respaldo judiciário dada pelo bispo que governa a cidade do Rio de Janeiro de mandar recolher os exemplares da história em quadrinhos “Os Vingadores – A Cruzada das Crianças”, em plena Bienal do Livro, é mais um recorde vergonhoso para a cidade que, outrora vanguarda política do país, agora cai nas mãos de visionários messiânicos e neopentecostais. Crivella já havia censurado museus em 2017, quando uma onda neofascista, que vinha de Bolsonaro, explodiu no país à caça de artistas. Até os meninos “bem comportados” do MBL entraram nessa. Os professores também são alvos constantes da sanha dessa gente. Seguidores fanáticos de Bolsonaro já sugeriram que os livros de Paulo Freire fossem queimados em praça pública, juntamente com um boneco que o representasse. Pouco antes da censura na Bienal do Livro decretada pelo bispo da Universal, Bolsonaro já havia imposto a censura à Ancine e Dória já havia mandado recolher livros didáticos em São Paulo.

No caso da censura imposta por Crivella, a causa foi a ilustração da obra “Os Vingadores”, que mostra um beijo gay entre dois meninos. Crivela invocou a “defesa à família”. Que família? Assim como os heróis Marvel e Batman e Robin podem não ser mais os mesmos, a família já é muito diferente daquela que nós conhecíamos há tempos. A lei hoje reconhece em nosso país famílias homoafetivas com dois pais ou duas mães. Incentivar a sexualidade nas crianças? Mas e se fosse um beijo entre um menino e uma menina, também não haveria o incentivo à sexualidade? Ou esse incentivo só acontece se for entre pessoas do mesmo sexo? Claro que é homofobia pura.

A ordem de Crivella, ao mandar fiscais da Secretaria de Ordem Pública invadirem a Bienal para recolher os livros cumprindo a censura por ele imposta, ultrapassou as fronteiras e chegou ao ilustrador do livro, o britânico Jim Cheung. O desenhista ficou surpreso com a atitude de Crivella, até porque o livro já foi publicado há quase dez anos. Se o ilustrador ficou surpreso, como carioca ficamos envergonhados. Depois de endemoniar o Carnaval e censurar exposições de arte, agora, desrespeitando a Constituição, Crivella acrescenta mais uma obra ao seu “índex” fundamentalista. Quando os fiscais da “Cruzada” chegaram ao Riocentro, o livro que era alvo da busca inquisitorial dos censores já havia se esgotado. Parece que muitas famílias gostaram do livro…

Mas muita água ainda deve rolar debaixo dessa ponte. O que Estrela Polar, Colossus, Batwoman, Daken, Lanterna Verde, Homem de Gelo, Apolo e Meia Noite possuem em comum, além de serem heróis ou personagens de quadrinhos? Eles são gays! Corre, Crivella, corre… A Bienal termina amanhã e muitas famílias devem estar ameaçadas…

BOLSONARO REPUDIADO ATÉ PELA DIREITA

imprensa chilena reage

“Seu país só não é uma Cuba graças aos que tiveram a coragem de dar um basta à esquerda em 1973, entre esses comunistas o seu pai brigadeiro à época”. (Jair Bolsonaro, em resposta a Michelle Bachelet, que afirmou ter observado no Brasil uma redução do espaço democrático).

Bolsonaro voltou a atacar. Dessa vez, a vítima da hidrofobia fascista de Bolsonaro foi a ex-Presidente do Chile, Michelle Bachelet. E, como sempre, da forma mais asquerosa, covarde e rasteira que se pode esperar e que, lamentavelmente, vindo de quem vem, já não causa mais surpresas no Brasil e no mundo. Só indignação e repulsa. Bachelet, que atualmente é alta comissária da ONU para os Direitos Humanos,  afirmou que  “o espaço democrático no Brasil está encolhendo”. Afirmação que, aliás, muitos nomes da própria direita brasileira já fazem. Perguntem para o Dória. Perguntem para os meninos do MBL. Perguntem para a doutora Janaína Paschoal. Isso, só para citarmos alguns exemplos de apoiadores de Bolsonaro que hoje pensam da mesma forma que a ex-Presidente chilena.

Ao replicar a ex-Presidente do Chile Bolsonaro, que sequer tem postura de ser humano, quanto mais de Presidente da República, mais uma vez partiu para o ataque a pessoas queridas de seus desafetos e que foram vítimas de ditaduras sanguinárias. Do mesmo modo que atacou o Presidente da OAB, cujo pai foi assassinado sob a ditadura militar, agora ele atacou o pai de Michelle Bachelet, assassinado sob a ditadura de Augusto Pinochet, que ele aproveitou para também fazer a apologia de sempre. O pai de Michelle Bachelet, Alberto Bachelet, era um militar legalista que recusou-se a chancelar o regime ditatorial e sanguinário de imposto por Pinochet em 1973, no golpe patrocinado pelos Estados Unidos que derrubou o Presidente legitimamente eleito Salvador Allende. Alberto Bachelet, acusado de “traição” por não apoiar o regime golpista e ditatorial, foi morto sob torturas em 1974 no regime assassino de Pinochet.  No Chile, tanto a imprensa como políticos de várias tendências, repudiaram as declarações de Bolsonaro.

Bolsonaro, mais uma vez,  desfere outro ataque. Mais um ataque brutal. Mais um ataque covarde e fora de qualquer propósito, pois se ele acha que no Brasil o espaço democrático não encolheu sob seu governo, então não será defendendo ditadura, tortura e ofendendo a memória de vítimas de ditadores que ele irá demonstrar o contrário. Até porque Michelle Bachelet falou aquilo que o os principais líderes mundiais, de vários matizes político-ideológicos, já falaram. No Chile, até a direita repudiou mais uma afirmação odiosa e animalesca de Bolsonaro, incluindo-se até mesmo o atual Presidente chileno, o direitista Sebastian Piñera, que cobrou de Bolsonaro respeito pelas pessoas. Disse o presidente chileno, que é aliado de Bolsonaro e adversário político da ex-Presidente Michelle Bachelet:

“Não compartilho em absoluto a alusão feita pelo presidente Bolsonaro a uma ex-presidente do Chile, especialmente em um tema tão doloroso como a morte de seu pai.”

Além do Presidente do Chile, o deputado Issa Kort, da União Democrática Independente, partido de direita que apóia o atual governo chileno, foi irretocável em seu repúdio a mais esse ataque monstruoso de Bolsonaro:

“Uma liderança política séria e responsável deve ter argumento e não fazer ataques.”

Nem mencionaremos os repúdios vindos da esquerda, tanto do Brasil como do Chile, porque tais menções tornam-se absolutamente desnecessárias. No Brasil, João Dória, direitista que apoiou Bolsonaro e que foi por ele chamado de “ejaculação precoce”, também voltou-se contra a declaração estúpida e repugnante do Presidente fascista, recomendando que Bolsonaro “cuide mais de seu povo.” Só que, antes de cuidar de seu povo, Bolsonaro deveria cuidar de sua mente doentia. Se é que a sua doença mental tem cura…