URNAS SIM, GOLPE NÃO!

urna 2018não vai ter golpe“O PT descobriu o caminho para o poder, o voto eletrônico. A grande preocupação não é perder no voto, é perder na fraude. Então, essa possibilidade de fraude no segundo turno, talvez até no primeiro, é concreta.” (Jair Bolsonaro, candidato neofascista a Presidente da República, em transmissão ao vivo feita do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, em 16 de setembro de 2018).

“Sempre foi eleito através de urna eletrônica”. (Dias Toffoli, Presidente do STF, em 17 de setembro de 2018, em resposta ao candidato neofascista a Presidente da República, Jair Bolsonaro, que afirmou que as urnas serão fraudadas nas eleições). 

Bolsonaro, do hospital em que está internado, fez uma transmissão ao vivo, onde, mais uma vez, coloca sob suspeita a segurança das urnas eletrônicas e afirma que poderá haver fraude nas eleições. Na transmissão, Bolsonaro disse que sua preocupação não é perder no voto e sim na fraude. Claro que as infelizes declarações de Bolsonaro soam como uma ameaça de golpe. Tudo leva a crer que, em caso de derrota, ele não aceitará e não reconhecerá o resultado das urnas. Pelo que disse, só um resultado seria correto: a sua vitória. E se ele perder?

Os golpistas sempre se recusaram a aceitar os resultados das urnas. Foi o caso de outro fascista, Carlos Lacerda, em 1955, quando não reconheceu a vitória de Juscelino Kubitschek e tentou um golpe. Só que o marechal Lott, um militar legalista, “colocou o bloco na rua” e garantiu a posse de JK. E Lacerda colocou a “viola no saco”. Aécio, em 2104, procedeu da mesma forma. Ao não reconhecer a vitória de Dilma, ele plantou as sementes do que seria, mais tarde,  o golpe de 2016.

É interessante lembrar que a urna eletrônica foi introduzida pela primeira vez nas eleições de 1996. E, com as urnas eletrônicas, em todas as eleições, Bolsonaro sempre foi eleito deputado federal. Na última eleição, inclusive, ele foi o mais votado do Rio de Janeiro, com quase meio milhão de votos. Até então, ele não falava em fraude. Porém, de uns tempos para cá, tanto ele como seus séquitos frequentemente colocam sob suspeita a urna eletrônica. Por que será?

É necessário acrescentar que, periodicamente, o Tribunal Superior Eleitoral realiza testes públicos de segurança das urnas. Ao que se sabe, nem o partido de Bolsonaro ou algum de seus assessores técnicos jamais compareceram a qualquer desses testes para desmascarar a urna. O problema é que Bolsonaro sabe muito bem que dificilmente vencerá a eleição no segundo turno e, há três semanas do pleito, com o clima em que se encontra o país, fazer uma declaração irresponsável dessa, é colocar combustível em uma reação golpista no caso de ser derrotado.

O Presidente do TSE já respondeu. Porém, Bolsonaro teria que ser judicialmente interpelado e saber de uma vez por todas que os tempos de golpes e ditaduras já passaram. Em sua fala infeliz, ele citou o PT que, segundo ele, descobriu que o voto eletrônico é o caminho do poder, como se fosse o PT que tivesse criado o voto eletrônico. O PT, como já dissemos, aceitou as regras do jogo ao trocar seu candidato e, com isso, reconheceu a legitimidade do processo eleitoral. Do mesmo modo, ao registrar sua candidatura, Bolsonaro também aceitou as regras do jogo. Sua declaração ameaçadora de golpe merece todo repúdio. Do mesmo modo que repudiamos o atentado que sofreu, que em última instância atenta contra a democracia, agora repudiamos sua infeliz declaração, que parece antecipar sua própria derrota e querer um pretexto para golpear a voz do povo através das urnas.

 

 

OS SANTINHOS SEM O “SANTO”

presidente 13

Quando Alckmin e toda laia golpista do PSDB fecharam acordo com o “Centrão”, certamente sabiam que estavam fazendo acordo com o maior conglomerado de prostitutas da política brasileira. O “Centrão” é sinônimo de fisiologismo, de governismo (seja qual for o governo), de “toma lá, dá cá”, de “quero o meu”. E a estagnação do “Santo” (alcunha de Alckmin na lista de propinas da Odebrecht) nas pesquisas de intenção de votos já está fazendo com que seus supostos aliados pulem do barco, especialmente no Nordeste. Ou seja, ainda a três semanas do pleito, o “Santo” já está sendo “cristianizado” (termo do vocabulário político que significa abandono dos aliados, em alusão a Cristiano Machado, candidato a Presidente em 1950, que sofreu exatamente isso).

Nesse final de semana chegou a notícia de que, no Nordeste, candidatos de partidos aliados da coligação do PSDB estão pedindo votos em suas campanhas para o número 13, ou seja para o PT, para o cargo de Presidente da República. Isso vem acontecendo especialmente com os candidatos do DEM e do PP. Embora a campanha do “Santo” tenha enviado santinhos com o nome “Alckmin” para Presidente, seus supostos “aliados” não estão usando o referido material. Sendo o Nordeste o maior reduto petista e, especialmente, lulista do Brasil, candidatos a deputado, visando terem retorno eleitoral na região, estão distribuindo santinhos em que aparecem, além de seus números, o 13 para Presidente. Há ainda casos de candidatos que, se não pedem o voto de Presidente para o PT, omitem o nome do “Santo” em seus santinhos.

O abandono do barco está ocorrendo mais cedo do que se esperava e, assim, o Picolé de Chuchu vai começando a ser derretido por seus próprios “aliados” na região Nordeste. Nada que não pudesse ser previsto, em se tratando de partidos do “Centrão”, como o DEM e o PP. Ao menos resta um consolo para Alckmin: apesar da traição, já esperada evidentemente, o “Santo está sendo cristianizado”

HADDAD X TORQUEMADAS

entrevista haddad“Uma coisa é ter ideologia na vida pessoal, outra coisa é transportar essa ideologia à vida profissional, para seguir servilmente ao patrão”. (Arcírio Gouvêa Neto, diretor da Associação Brasileira de Imprensa e ex-jornalista de O Globo, em artigo publicado na revista Forum, em 15 de setembro de 2018, referindo-se à entrevista de Haddad no Jornal Nacional).

A técnica de entrevista possui dois princípios básicos que, quando não seguidos, colocam a perder todo o objetivo da mesma, seja para coletar dados de pesquisa ou para explorar opiniões, propostas e ideias do entrevistado. O primeiro princípio é: o bom entrevistador deve falar pouco e ouvir muito. E o segundo: o bom entrevistador não deve induzir o entrevistado a respostas, nem tentar mudar o curso das mesmas.  Quando esses dois princípios não são seguidos, a entrevista torna-se inócua. Ela pode até virar um inquisitório com finalidades ignóbeis, tentando atender a certos interesses, principalmente políticos. E foi exatamente isso o que aconteceu na chamada “entrevista” do candidato do PT à Presidência da República, Fernando Haddad, no Jornal Nacional da última sexta-feira, 14 de setembro.

A declaração que abre esse artigo é de um ex-jornalista de O Globo, diretor da ABI e secretário de uma comissão de defesa da liberdade de expressão. E, em suas palavras, os prepostos da família Marinho, William Bonner e Renata Vasconcellos, praticaram de tudo naquela ocasião, menos jornalismo. Foi um inquisitório que lembra tempos sombrios da história, em que a simples acusação já era um passaporte para a fogueira. Os dois “entrevistadores” (que mais pareciam dois “Torquemadas”) a serviço da família Marinho envergonharam a categoria profissional dos jornalistas, segundo Arcírio Gouvêa. Com artilharia pesada, sem permitir que Haddad concatenasse sua argumentação, a saraivada de interrupções deixava no ar as perguntas em tom acusatório e passava-se para outra “acusação”, com a anterior ficando com a resposta prejudicada. Muitas, sem permitir que Haddad concluísse sua resposta. Levantamentos mostraram que Haddad foi interrompido 62 vezes pelos “entrevistadores”. Só para se ter uma ideia, Alckmin, o candidato deles, só foi interrompido 17 vezes.

Não chega a ser novidade essa atitude asquerosa de um conglomerado de comunicações que sempre esteve do lado golpista e que, percebendo a ascensão de Haddad e do PT, que eles tiveram o protagonismo de vilipendiar, crescer na preferência do eleitorado, só lhes resta usar do baixo recurso de tentar agredir e denegrir a imagem de um candidato que tem tudo para fazer os Marinhos, mais uma vez, “colocarem a viola no saco”.

A chamada “entrevista” com Haddad foi mais um desserviço da Globo à democracia. Foi mais um de seus golpes baixos. Como foi o Escândalo da Proconsult em 1982. Como foi o Escândalo da Parabólica em 1994. O jornalismo sério e comprometido com a liberdade de expressão e com a democracia deve repudiar o asco que foi a suposta “entrevista” com Haddad. Assim como Arcírio Gouvêa Neto ficou indignado, na condição de jornalista, certamente a maioria deles também deverá estar.

No entanto, Haddad não perdeu a oportunidade de responder à altura a seus algozes golpistas. Ao falarem que a “ex-presidente Dilma está sendo investigada” (ela lidera a corrida ao Senado em Minas), Haddad retrucou, lembrando que “A Globo também está sendo investigada”, o que causou frenesi nos inquisidores. Principalmente quando Haddad lembrou que a investigação da Globo é sim de interesse nacional, por ser a mesma uma concessão de serviço público.

Foi sim uma noite para ser esquecida em termos de democracia e liberdade de expressão. Mas também uma noite que sempre será lembrada em relação ao que é o uso de uma concessão pública com fins políticos e eleitorais. Pior do que isso: em moldes inquisitoriais para seus desafetos. Mas, diante de seus aliados, um “Torquemada que vira ursinho de pelúcia”

REMORSO E AUTOFAGIA DOS GOLPISTAS

golpe 2016“O partido cometeu um conjunto de erros memoráveis. O primeiro foi questionar o resultado eleitoral. Começou no dia seguinte (à eleição). Não é da nossa história e do nosso perfil. Não questionamos as instituições, respeitamos a democracia. O segundo erro foi votar contra princípios básicos nossos, sobretudo na economia, só para ser contra o PT. Mas o grande erro, e boa parte do PSDB se opôs a isso, foi entrar no governo Temer. Foi a gota d’água, junto com os problemas do Aécio (Neves). Fomos engolidos pela tentação do poder”. (Tasso Jereissati, ex-Presidente do PSDB, em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo em 13 de setembro de 2018).

As afirmações acima, feitas por um dos cardeais e ex-Presidente do PSDB, não deixam de ser uma confissão. Juntamente com um remorso. Confissão de ter entrado na aventura golpista. E remorso porque o golpe que apoiaram acabou gerando uma autofagia dos tucanos. FHC, em outra entrevista a O Globo, em junho deste ano, também já tinha feito a sua confissão, embora de forma eufemística e não tão clara como Tasso Jereissati, ao afirmar que o impeachment da Dilma foi um “arranhão constitucional”.

As palavras de Tasso Jereissati coincidem com um contexto em que o candidato tucano Geraldo Alckmin permanece estacionado nas pesquisas de intenção de voto, mesmo com todo o chamado “latifúndio” de tempo de TV e ainda com toda a estrutura do partido e apoio da mídia, do grande capital e do “mercado”. Tasso reconhece o boicote feito contra o governo do PT, admitindo o erro. A ganância pelo poder não conquistado pelo voto, ao fazer parte do criminoso governo Temer, também é um erro admitido pelo ex-Presidente do PSDB. Isso sem falar da recusa em aceitar o resultado das urnas, em 2014, na famosa declaração de Aécio, quando disse que “iria tacar fogo no país”.

É impossível dissociar o PSDB do governo Temer e de tudo o que que ele representou para o país em termos de corrupção e impopularidade. E agora o preço está vindo como castigo que anda a cavalo. É o preço da história. Claro que os golpistas tucanos já sabem que melhor seria ter deixado o governo Dilma terminar, fazer a oposição democrática, não embarcar na aventura golpista, inclusive fazendo parte do governo, e tentar conquistar o poder pelo voto. O golpe foi, enfim, a autofagia dos próprios tucanos.

Agora é tarde. E a “dor de corno” pela qual passam os tucanos é bem singular, porque é uma “dor de corno” de quem traiu e não de quem foi traído. Agora é tarde e tudo indica que as urnas serão o antídoto ao golpe.  Agora é tarde e Dilma, a golpeada, mantém-se com sobras em primeiro lugar na corrida ao Senado por Minas Gerais. Agora é tarde e Haddad, lançado há apenas três dias, está em franca ascensão e tem tudo para ir ao segundo turno. Enquanto isso, o Picolé de Chuchu derrete nas pesquisas. Que venham outros golpes!

BRASIL, VENEZUELA E O IDH

idh 2017A ONU divulgou o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) referente a 2017, dentre 189 países. O IDH é um índice que avalia a qualidade de vida nos países, levando-se em conta saúde, educação e renda. Mas outros indicadores também podem ser considerados como, por exemplo, a desigualdade. O IDH é medido em uma escala que vai de 0 (zero) a 1 (um) e quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento humano.

O que chama a atenção em relação ao Brasil é que, a exemplo do ano passado, nosso país encontra-se atrás da Venezuela. Isso mesmo, podem acreditar: O IDH da Venezuela é maior do que o do Brasil. No resultado divulgado, o Brasil, dentre os 189 países, aparece na 79a. posição, com o IDH 0,759. A Venezuela está uma posição acima do Brasil, com IDH 0,761. Quando vemos pela mídia tantas notícias sobre falta de alimentos, debandada geral de imigrantes venezuelanos entrando no Brasil, crise de desabastecimento e até discursos na campanha política clamando coisas do tipo “não vamos deixar fazerem do Brasil uma Venezuela”, o resultado é mesmo de causar estranheza.

Deve haver uma explicação para tal. E temos uma leitura a respeito dessa situação. Em primeiro lugar, é necessário esclarecer que o IDH é aferido pela ONU e que a ONU é dominada por países que até são hostis ao governo da Venezuela. Assim, não se pode falar em critérios de “favorecimento político”.  Claro que, para quem disse que o Comitê dos Direitos Humanos da ONU é “fajuto”, é normal esperar dos mesmos que digam que essa classificação da ONU também é “fajuta”. Afinal, o que se passa nos países do caudilho Maduro e do golpista Temer?

A Venezuela é um país quase que exclusivamente dependente do petróleo e as oscilações de preços do produto influem diretamente em sua economia. E esse preço, nos últimos anos, já sofreu quedas superiores a 20%. Isso sem contar o embargo econômico, liderado pelos EUA,  que os governos venezuelanos estão sofrendo há tempos. Claro que a situação gera sérios problemas. No Brasil, todos os índices mostram que, após o golpe de 2016, o Brasil teve, absurdamente, um declínio geral na qualidade de vida. A própria ONU, após a usurpação do poder por Temer, recolocou o Brasil no mapa da fome, de onde já tinha saído e não só não poderia, como não deveria mais ter voltado. Acrescente-se a isso o corte em investimentos básicos promovido pelo governo golpista, que afetaram saúde e educação no ano passado e já trouxeram reflexos no IDH agora divulgado. A pobreza sabidamente aumentou e são muitos os casos de brasileiros que, sem conseguirem pagar pelo gás, estão cozinhando na lenha. Muito possivelmente existam no Brasil, país de dimensões s continentais, “muitas Venezuelas” iguais àquelas que a Globo nos mostra.  São “rincões de pobreza” onde falta até água potável. A situação no Brasil fica mais dramática, e aí temos também um reflexo de políticas econômicas, quando a desigualdade entra na aferição do IDH. Se a desigualdade for levada em conta, aí o Brasil vai para IDH 0,578 e cai 17 posições. Isso tem a ver com concentração de renda. Perguntem para o bilionário Amoedo, que quer implantar o “novo” no Brasil.

Para encerrar,  antes que alguém diga que eu estou defendendo o Maduro, repito o que disse ano passado quando comentei esse mesmo assunto: quero que o Maduro se exploda. Quanto ao Temer, esse eu quero é que se foda mesmo.

O GENERAL E A CONSTITUIÇÃO

constituição e povo“Uma Constituição não precisa ser feita por eleitos pelo povo.” (General Hamilton Mourão, candidato a Vice-Presidente da República na “chapa pau-de-arara”, em Curitiba, em 13 de setembro de 2018).

Repugnante e inaceitável, sob todos os aspectos, a (de novo!) infeliz declaração do general Hamilton Mourão, às vésperas de nossa atual Constituição completar 30 anos de vigência. Ao afirmar, com todas as letras, que “uma Constituição não precisa ser feita por eleitos pelo povo”, o general Mourão coloca sob ameaça a atual Constituição (que foi feita por representantes do povo, em 1988) e, também, o ambiente democrático. Aliás, a ameaçadora declaração do general Mourão dá bem o tom de sua chapa. Com Bolsonaro se recuperando do atentado, parece que o general Mourão assumiu o protagonismo para expelir asneiras e ameaças ao ambiente democrático em nome da “chapa pau de arara”.

O Brasil já teve em sua história 7 Constituições. 3 delas não foram feitas por eleitos pelo povo e marcaram períodos de exceção e atentado ao Estado de Direito. Em 1824, o Imperador D. Pedro I, após dissolver a Assembleia Constituinte, impôs uma Constituição que instaurou uma ditadura absolutista no Brasil. A repressão aos grupos liberais foi a marca registrada de seu governo. Com D. Pedro II, criou-se o parlamentarismo, mas o povo continuou afastado das decisões políticas. Com o Estado Novo, a partir da Constituição de 1937, que também não foi feita por eleitos pelo povo, instaurou-se a ditadura getulista que, durante 8 anos, suspenderia os direitos individuais e as regras democráticas. Depois, em 1967, e com o “Emendão” de 1969, feita sob encomenda pelo regime militar, e sem a participação do povo, a ditadura militar dava formatação jurídica aos seus governos: fim das eleições diretas, fechamento dos partidos políticos, excesso de atribuições ao executivo, censura e perseguição aos opositores.

Num momento em que a democracia brasileira, apesar de todas as dificuldades e ameaças sofridas pelas “naftalinas fascistas” que saíram dos armários, vem se consolidando, o general Mourão, mais uma vez, perdeu a oportunidade de ficar calado ou, ao menos, não proferir frases que ameaçam o ambiente democrático. A nossa atual Constituição, das sete de nossa história, já é a terceira mais longeva, só perdendo para a de 1824 e a de 1891. Isso mostra que,  com todos os problemas e ameaças sofridas, a “Constituição Cidadã” de 1988 vem resistindo aos algozes da democracia.

Claro que juristas podem e até devem opinar e dar sugestões sobre a elaboração de uma Constituição. Assim foi com a de 1988. Mas a Constituição deve ser o resultado da soberana vontade popular e não da imposição de “ilustrados” ou “iluminados”. E, se for o caso de se fazer outra, que se chame o povo para participar. Pensávamos que não precisaríamos mais lutar por algo tão elementar na vida democrática. Por isso, não podemos perder a oportunidade de repelir uma declaração tão desastrosa, infeliz e ameaçadora feita por um candidato a Vice-Presidente da República. E é sempre bom lembrar que, se o PT aceitou as regras do jogo ao trocar seu candidato, o general Mourão também deve aceitar as regras do jogo democrático. Sob pena de de desonrar sua própria farda, que deve estar sempre a serviço da Constituição, da ordem democrática e da soberania popular.

ALCKMIN E AS FATURAS DO GOLPE

ALCKMIN,TEMER“O PSDB não tem nada a ver com o governo Temer.” (Geraldo Alckmin, candidato do PSDB à Presidência da República, na sabatina realizada por “O Globo”, “Época” e “Valor Econômico”, em 13 de setembro de 2018).

É isso mesmo leitores. Não inventamos absolutamente nada. O disparate cínico e debochado que vocês acabaram de ler foi expelido por Alckmin, com toda a cara de pau que lhe é característica, na sabatina realizada ontem. Querendo distanciar-se do governo impopular, criminoso de corrupto de Temer, do qual seu partido teve (e ainda tem) participação direta, Alckmin, no desespero de sua agonizante candidatura, agora quer afastar o PSDB da máfia do Juburu. Só que o PSDB tem sim tudo a ver com Temer. Como tem tudo a ver com Aécio. Como tem tudo a ver com Beto Richa. Como tem tudo a ver com Reinaldo Azambuja. Como tem tudo a ver com Eduardo Azeredo.

Responsável direto pelo golpe que derrubou a Presidente Dilma em 2016, o PSDB aliou-se à escória mais abjeta e podre da política brasileira, liderada pelo bandido Eduardo Cunha. Tudo para tirar o PT do poder e tomar parte no butim golpista, que lhe rendeu 4 ministérios no governo Temer. Acrescente-se a isso o fato de que o PSDB aprovou todas as reformas do governo Temer que agridem os trabalhadores, incluindo-se aí a reforma trabalhista, que sepultou a CLT. E não devemos esquecer que, até hoje, Aloysio Nunes, derrotado com Aécio em 2014, permanece no governo Temer. Claro, com apoio dos tucanos. Porque se fosse sem a chancela do PSDB, o ex-guerrilheiro pilantra já teria sido expulso de seu partido. Grande parte do PSDB também votou para que as denúncias contra Temer fossem arquivadas, o que o manteve na Presidência.

Alckmin não pode esquecer de que as faturas do golpe estão chegado há algum tempo. E agora, mesmo com toda blindagem que ele possui da mídia (é o candidato da Globo) e do Judiciário (as denúncias contra ele jamais deram em coisa alguma), chegou a hora de ele explicar o inexplicável. Só que ele preferiu o caminho do golpe, e não do voto. E quem escolhe o caminho do golpe não tem moral para pedir votos. Aliás, não apenas o PSDB, como toda laia corrupta do “Centrão”, que apóia Alckmin, estiveram e ainda estão no governo Temer. O próprio golpista do Jaburu já afirmou que Alckmin é seu candidato. Porque Meirelles é apenas a sua “Geni” para levar as porradas, como já dissemos.

Agora, chegou a hora de acertar as contas e não adianta o “Picolé de Chuchu” querer dizer que seu partido não tem nada a ver com o governo Temer. Ele e seu PSDB são diretamente responsáveis pelo desastre administrativo, pela corrupção e por todos os crimes do governo Temer, ao qual deram respaldo desde o início. Agora, se Alckmin tivesse o mínimo de vergonha na cara, iria pedir votos ao Temer, ao Moreira Franco, ao Marun, ao Eliseu Padilha e à toda camarilha golpista que ele ajudou a levar ao poder e sempre apoiou. Estão chegando todas as faturas do golpe e o preço a ser cobrado pelas urnas aos golpistas vai ser caro, muito caro. E é bom lembrar ao “Picolé de Chuchu” que, enquanto a ex-Presidente Dilma voltará à cena entrando no Senado, que foi seu último algoz, restará a ele, caso a Justiça realmente entre em campo, responder pelos seus crimes juntamente com seus comparsas do Jaburu.