VAI! ABRAÇA O FROTA!

tábata alexandre frota

“Tabata Amaral, o PSL está de braços abertos para você.” (Alexandre Frota, deputado bolsonarista do PSL, convidando a deputada Tábata Amaral, que traiu o PDT e a classe trabalhadora, para se juntar ao bolsonarismo).

Aquela “menina que ia mudar o mundo” e que enquadrou o então ministro da Educação em uma audiência, não passou de um engodo. Tábata Amaral, a jovem deputada que era tida como uma nova voz da centro-esquerda, rendeu-se ao poderio do bilionário que financia o seu mandato e votou a favor da reforma da previdência, que penaliza os mais pobres e poupa militares, o Judiciário e os próprios parlamentares. Ela traiu o PDT. Mas o que, efetivamente o PDT poderia esperar de uma parlamentar que é financiada por um bilionário banqueiro que tem a sua própria bancada? Sim, porque hoje, no Congresso, além das já conhecidas bancadas temáticas, como a bancada ruralista, a bancada evangélica e a bancada da bala, existem bancadas patrocinadas por mega-empresários que são suprapartidárias, exatamente para não aparentar que existe uma descarga de dinheiro em um único partido. É o caso da “bancada Lemann”, à qual pertence Tábata Amaral. O bilionário Paulo Jorge Lemann bancou a candidatura de Tábata e outros parlamentares. Então, a “menina que ia mudar o mundo” teve que votar como mandou o seu chefe.

Ontem, cumprindo a ordem do mecenas de sua campanha e que é dono de seu mandato, aquela “menininha que ia mudar o mundo” não esteve nem aí para o partido e, principalmente, para os trabalhadores de faixas salariais mais baixas, exatamente aqueles que serão penalizados com a reforma da previdência encomendada pelos banqueiros e pelo mercado, dos quais os senhores Paulo Guedes e Rodrigo Maia são prepostos.

A grande diferença de votos favorável à reforma foi fruto de um “toma lá, dá cá” não apenas por parte dos partidos da base aliada. Quando vemos parlamentares da oposição votando a favor dos banqueiros, é porque há um outro “toma lá, dá cá”. A “bancada Lemann” é apenas um exemplo.

Agora, só falta a Tábata aceitar mesmo o convite de Alexandre Frota e filiar-se ao PSL porque, depois do que ela fez na votação da reforma da previdência, ela merece mesmo é ser abraçada pelo Alexandre Frota.

O QUE HÁ POR TRÁS DA TÁBATA?

tábatalemannO que há por detrás da Tábata Amaral, do PDT de São Paulo, a jovem deputada federal que arrasou o ex-ministro bolsonarista da Educação em uma audiência? Naquela ocasião, muitos a viam como uma jovem força progressista, a serviço da defesa dos interesses populares no Congresso. A esperança ficava ainda maior dentro do próprio PDT, há tempos sem ter no Congresso uma jovem liderança na luta pelos interesses dos trabalhadores.

Agora, a jovem deputada Tábata Amaral mostrou, de fato, para o que veio. E malogrou as esperanças. Ela votou, na comissão especial, a favor da reforma da previdência do preposto dos banqueiros Paulo Guedes. E certamente também votará a favor da reforma no plenário. Como uma jovem deputada, que em sua primeira notável atuação na Câmara dá todas as esperanças de representar os interesses populares vota contra a aposentadoria dos trabalhadores?

Na verdade, Tábata Amaral nunca foi independente. Ela foi eleita com o apoio decisivo  do empresário Jorge Paulo Lemann. Ele é o homem mais rico do Brasil, com uma fortuna que se aproxima dos 30 bilhões de dólares. Ele também é banqueiro e tem um conglomerado de empresas, que vão de cervejaria até empresas de fast food. Jorge Paulo Lemann chegou até a criar a sua própria “bancada”, formada por candidatos apoiados  por ele, e Tábata é uma das componentes da chamada “bancada Lemann”. O PDT, para ela, foi apenas uma formalidade. Principalmente em São Paulo, onde poucos até sabem que o PDT existe. Com um apoio desses, evidentemente a deputada Tábata Amaral não poderia ser independente e seu voto favorável à reforma da previdência é a conta da fatura. Só que a deputada já está repassando essa fatura para os trabalhadores e aposentados. Jorge Paulo Lemann, Paulo Guedes e outros banqueiros agradecem.

QUEM SERÁ O “PESSOAL”?

quem é o pessoal

A divulgação do primeiro áudio da Vaza Jato vai muito além da comemoração expressa de Dallagnol à decisão que impediu Lula de dar uma entrevista à Folha de São Paulo. As palavras de Dallagnol mostram que o conluio da desmoralizada Lava Jato ia muito além da 13ª Vara Federal de Curitiba e dos procuradores subordinados a Moro. Quando Dallagnol recebeu a notícia sobre a decisão que censurava a entrevista de Lula, decisão esta tomada por Luiz Fux, a mesma ainda não era pública. Dallagnol recomenda no áudio que não se divulgue a decisão, especialmente para que não houvesse tempo hábil para recurso da outra parte.  Tudo visando, evidentemente, o segundo turno da eleição de 2018.

Ficou claro que Dallagnol recebeu uma informação privilegiada (no caso, a decisão de Fux proibindo a entrevista) antes de a mesma ser tornada pública. Ao advertir seus colegas de que “o pessoal pediu para a gente não comentar aí publicamente”, não é necessário grande esforço exegético para deduzirmos que o tal “pessoal” é exatamente quem vazou a informação privilegiada para Dallagnol. E, evidentemente, o próprio ministro Luiz Fux começa a entrar na linha daqueles suspeitos mais evidentes. Isso porque a decisão foi dele. E quem vazou a decisão para Dallagnol antes de ela ser publicada? O próprio Fux? Outro ministro do STF? Tudo leva a crer que não era apenas um conluio da nada saudosa “República de Curitiba” e sim um “conluião”. Aparentemente, “com o Supremo e tudo…” Olha o Romero Jucá aí!

Parece que as peças do aparente “conluião” começam a se encaixar. Primeiro, foi o Moro dizendo a Dallagnol que “em Fux nós confiamos”. Agora, após Fux tomar a decisão que impediu a entrevista, esta decisão é comunicada de forma privilegiada a Dallagnol. Mas o “pessoal” pediu para não comentar publicamente.

Afinal, quem será o “pessoal” ao qual Dallagnol se refere? Em menos de um minuto de fala Dallagnol praticamente confessa o conluio. E mais: com a participação muito provável de instâncias superiores do Judiciário, em especial o STF. Receio que, daqui a pouco, algum ministro do STF peça “licença”. A conferir.

VAZOU O ÁUDIO!

DALLAGNOL VAZOU 2

“Mas a notícia é boa, para terminar bem a semana, depois de tantas coisas ruins, e começar bem o final de semana.” (Deltan Dallagnol, em 28 de setembro de 2018, comemorando a decisão que impedia Lula de dar entrevista à Folha de São Paulo,  em áudio divulgado pela Vaza Jato)

O primeiro áudio da Vaza Jato foi, enfim, divulgado. Nele, o procurador Deltan Dallagnol, o tarefeiro de Moro, comemora a decisão de Luiz Fux proibindo a entrevista de Lula à Folha de São Paulo. O áudio é de 28 de setembro de 2018, quando faltavam poucos dias para o segundo turno da eleição presidencial.

A alegria de Dallagnol com a proibição da entrevista de Lula é evidente, o que comprova o viés político de todo o conluio Moro-procuradores. Dallagnol foi tão engajado em suas atitudes que teve o cuidado de pedir para que a decisão de Fux não fosse divulgada, a fim de não dar tempo de um recurso da Folha. O áudio, de aproximadamente um minuto, também mostra que Dallagnol ainda possuía o privilégio de saber de forma antecipada da decisão de Fux, especialmente quando ele diz que “o pessoal pediu para a gente não comentar aí publicamente…” Quem seria, afinal, esse “pessoal” ao qual Dallagnol se refere?

Dallagnol hoje deveria estar se explicando na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Mas ele fugiu da audiência, assim como seu chefe também fugiu com a tal licença fajuta. Essa é mais uma que ele deverá explicar. Ouçam o áudio:

 

A FUGA DE BATMAN E ROBIN

os-fujc395es-2.jpgSérgio Moro vai licenciar-se do cargo de ministro da Justiça na próxima semana. Oficialmente, a justificativa do afastamento, que será entre 15 e 19 de julho, é para que o ex-juiz trate de “assuntos particulares”. Tudo seria normal e razoável se esse pedido de licença não ocorresse no auge do escândalo que desnudou o viés político, a parcialidade e os crimes processuais cometidos por Moro. E os áudios estão prestes a saírem do forno.

Mas a coisa não fica só por aí. Evidentemente, além de tentar fugir do escândalo do qual é o epicentro, a tal licença para “assuntos particulares” ocorre no momento em que a Polícia Federal, subordinada ao ministério de Moro, e o COAF, iniciaram uma investigação ao jornalista Glenn Greenwald, o que não deixa dúvidas que se trata de uma retaliação rasteira contra o jornalista responsável pela divulgação dos subterrâneos da Lava Jato.

Enquanto Moro tenta fugir pedindo licença, o procurador Dallagnol, seu subordinado no conluio de ilegalidades, também fugiu. Dallagnol, que deveria comparecer amanhã na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados para se explicar sobre o escândalo da Vaza Jato, já afirmou que desistiu de comparecer.

Ontem Moro entraria em campo no Maracanã para, segundo Bolsonaro, testar sua popularidade. Não entrou. Medo das vaias ou dos gritos de “juiz ladrão”? Agora, o ministro bolsonarista, com apenas 6 meses de trabalho, já quer férias e sairá de cena em meio ao escândalo dos vazamentos. Enquanto isso, seu subordinado jejuno foge da audiência na Câmara dos Deputados. Quando os “heróis justiceiros” preferem fugir é porque eles não passam mesmo é de castelos de areia. Será que o general Heleno ainda dirá que o Batman irá atrás do Coringa? Mesmo depois de ele fugir junto com o Robin?

 

 

 

 

E O 13 LEVANTOU A TAÇA!

daniel alvesO teste de popularidade que Bolsonaro disse que faria com Sérgio Moro ( e não com ele próprio) trouxe surpresas desagradáveis para o ultra-direitista ontem no Maracanã, na final da Copa América entre Brasil e Peru. Bolsonaro já havia avisado que iria ao jogo junto com o ministro do escândalo da Vaza Jato, acrescentando que “o povo vai dizer se o Moro está certo.” Foi mais uma tirada de Bolsonaro para jogar seu ministro, já depauperado pelos escândalos, na fogueira. Mas não adiantou. Protestos do lado de fora do Maracanã repudiaram Bolsonaro. Dentro do Maracanã, Bolsonaro foi vaiado. E, na solenidade de entrega das medalhas, o técnico Tite evitou ter qualquer contato com Bolsonaro, recusando-se, inclusive, a cumprimentá-lo.

As vaias registradas quando Bolsonaro entrou em campo para a premiação vieram, em grande parte, de setores mais elitizados do estádio, o que mostra queda de popularidade em seu próprio eleitorado, visto que as camadas mais ricas votaram em Bolsonaro. Evidentemente também foram entoados gritos de “mito”.  Quantificar vaias e aplausos é impossível e, como sempre, cairemos em um conflito de narrativas. Bolsonaro foi sim vaiado e também foi aplaudido. Entretanto, por estar no Rio de Janeiro, onde foi maciçamente votado e em um evento em que os ingressos eram caríssimos e, portanto, com um público elitizado (exatamente o perfil de seu eleitorado) e levando-se em conta ainda que só transcorreram seis meses de seu governo, esse misto de vaias e aplausos dá bem o sinal da vertiginosa queda de sua popularidade.

Querer se apropriar da seleção, dos símbolos nacionais, das cores nacionais ou das vitórias esportivas é uma tática fascista antiga. A bandeira, as cores e a seleção brasileira de futebol não pertencem a um grupo político, como os fascistas hoje no poder querem dar a entender. E as vitórias esportivas não encobrem escândalos do governo, como o do Queiroz, do envolvimento com as milícias, dos “laranjas” do PSL, da cocaína no avião ou da compra do “Centrão” para aprovar a reforma da previdência. Também não encobre o escândalo da Vaza Jato, que desmascarou o ex-juiz criminoso.

Moro não foi ao campo, conforme havia prometido Bolsonaro. Certamente, além das vaias, o ex-juiz bolsonarista tenha evitado ver, de perto, Daniel Alves, o capitão número 13 do Brasil, levantar a taça. Depois dos últimos acontecimentos, ver o número 13 erguer a taça? Certamente um simbolismo, talvez de uma outra vitória. Mas essa Moro não irá comemorar.

 

MORO E A CONEXÃO VENEZUELA

moro-venezuela.jpg“Talvez seja o caso de tornar pública a delação da Odebrecht sobre propinas na Venezuela. Isso está aqui ou na PGR?” (Sérgio Moro, sugerindo a Dallagnol o vazamento de informações sigilosas para favorecer politicamente a oposição venezuelana, em 5 de agosto de 2017).

As novas revelações da Vaza Jato publicadas neste domingo, 7 de julho, pela parceria The Intercept/Folha de São Paulo mostram que a atuação política de Moro não se limitava apenas ao Brasil. Além de querer derrubar os governos petistas Sérgio Moro, enquanto juiz, também queria interferir na vida política da Venezuela, visando favorecer a oposição daquele país e prejudicar o governo de Maduro. Os próprios procuradores, incluindo-se o subordinado de Moro, Deltan Dallagnol, sabiam que teriam que agir na ilegalidade e as próprias palavras de Dallagnol nos diálogos comprovam isso.

Moro queria vazar informações sigilosas sobre a delação da Odebrecht com o intuito de influenciar na vida política venezuelana. Dallagnol sabia da ilegalidade do vazamento. No entanto, não se opôs e ainda sugeriu como o mesmo poderia ser feito sem levantar suspeitas. Disse Dallagnol a seu chefe Sérgio Moro:

“Não dá para tornar público simplesmente porque violaria acordo, mas dá pra enviar informação espontânea [à Venezuela] e isso torna provável que em algum lugar no caminho alguém possa tornar público.”

O vazamento ilegal sugerido por Moro acabaria sendo consumado e o próprio Dallagnol, mesmo sabendo dos riscos e da ilegalidade cometida, ainda afirmou, em relação aos venezuelanos, que “eles têm o direito de se insurgir.”

A “conexão Venezuela” é mais uma aberração cometida por Sérgio Moro enquanto juiz e comprova o seu viés exclusivamente político em toda a sua atuação como juiz: no Brasil, para tirar da eleição o candidato líder nas pequisas e levar a extrema-direita ao poder, onde, após a eleição, instalou-se como ministro. E, como se não bastasse, ainda tomou medidas ilegais para, como ancilar de Trump, favorecer a oposição a Maduro na Venezuela. Isso ainda vai dar power point