PREVIDÊNCIA: A RESPOSTA DO POVO ARGENTINO

argentinos protestambandeira da argentinaHá algum tempo os “hermanos”, como carinhosamente chamamos nossos vizinhos sul-americanos, estão nos ganhando. Em 2013, foi eleito no conclave o Papa Francisco, que é argentino. Na Copa do Mundo realizada no Brasil, em 2014, eles não apenas chegaram à nossa frente como foram à final, perdendo o título com um gol na prorrogação. Nesta semana, a equipe do Independiente fez a festa no Maracanã, faturando o título da Copa Sul-Americana. Alguns dirão que o exemplo do Papa só é válido para quem é católico. Que o exemplo da Copa do Mundo, só para quem gosta de futebol. E que o exemplo do título do Independiente, só para quem é flamenguista.

Mas nesta semana, os argentinos nos deram um outro exemplo, que serve para todos os brasileiros. Um dia após a vitória do Independiente, o povo argentino foi às ruas para, com toda sua fúria, repudiar o projeto de reforma da previdência proposto pelo Presidente Maurício Macri. Dezenas de milhares de argentinos concentraram-se nas imediações do Congresso para protestarem contra a mesma coisa que Temer quer fazer com trabalhadores e aposentados brasileiros. Tanto Temer como Macri querem jogar nas costas do povo trabalhador o ônus que eles dizem ser a previdência. Aumentar tempo de contribuição, aumentar a idade mínima, taxar aposentados que já deram o seu quinhão por toda uma vida. Enfrentando a polícia, que reprimiu com violência os protestos populares, o povo, em alguns momentos, teve que recuar das balas e dos gases tóxicos lançados pelas forças repressoras. Mas quem acabou recuando mesmo foi o governo. O próprio líder de Macri no Congresso, diante da pressão do povo, acabou pedindo o fim da sessão e a votação não aconteceu. Mais uma vitória maiúscula do povo argentino.

E nós? O governo Temer já recuou, pois não tem os 308 votos para emplacar a votação que poderá condenar jovens brasileiros ao trabalho eterno. Aqui, a votação no Congresso foi adiada para fevereiro, após o Carnaval.  O Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, com a sua inconfundível voz de bêbado, disse em entrevista que o adiamento é bom para que se possa discutir e esclarecer os pontos da reforma com a população. E quando eles discutiram? Nessa reforma, só foram ouvidos empresários e banqueiros, os grandes interessados em sua aprovação.

Claro que até fevereiro o governo tentará comprar os votos que faltam, para chegar ao fatídico número 308. Imaginem o período de recesso parlamentar com Carlos Marun, o homem que zombou do povo com sua dancinha, negociando com deputados igualmente corruptos iguais a ele? Marun agora é o Ministro da Articulação Política. Vai ser uma festa. Muitos deputados ainda se dizem “indecisos” porque querem negociar mais vantagens.

Cabe ao povo brasileiro não deixar que, nessa, os argentinos nos superem. Eles conseguiram barrar a votação que acabaria com suas aposentadorias. Temos que fazer o mesmo por aqui.  Senão, mais uma vez, o meu amigo professor Ronaldo Cruz, brasileiro “naturalizado” argentino, vai me sacanear. E, desta vez, para sempre.

MÉDICI CASSADO NA UFRJ

médici ditadorO ditador Médici, que governou o Brasil durante os “anos de chumbo”, entre 1969 e 1974, teve o seu título de Doutor Honoris Causa cassado,  por unanimidade e aclamação, pelo Conselho Universitário da UFRJ. A láurea havia sido outorgada ao ditador em 1972, em uma época em que as universidades federais eram violentadas, sob todos os aspectos, pelos governos das casernas com a existência de “alunos-delatores” e da “polícia universitária”. Foi um período em que a instituição teve vários de seus professores cassados, banidos do país e desaparecidos. Segundo a Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos, 24 estudantes e 2 professores da UFRJ foram assassinados ou desapareceram só durante o governo Médici.

A manutenção desta láurea ao ditador que ficou marcado pelas torturas e pela institucionalização da violência de Estado no Brasil, representava um escárnio e uma afronta às memórias e às famílias daqueles que foram vitimados no governo Médici. Era uma ofensa à própria instituição, visto que a UFRJ foi sistematicamente violentada durante a ditadura do general-torturador. Não deixa de ser também uma reparação moral, ainda que tardia, a todas as vítimas de Médici pelo Brasil afora.

A cassação do título de Médici pela UFRJ foi, ainda, marcada por um grande simbolismo, visto que a revogação foi oficializada no dia 10 de dezembro de 2017. 10 de Dezembro é o Dia dos Direitos Humanos, que foram sistematicamente desrespeitados durante toda ditadura militar, especialmente durante o governo Médici. Parabéns à UFRJ pela medida, pois esta homenagem era uma agressão à Universidade, à democracia e aos direitos humanos.

 

 

A VOLKSWAGEN E A DITADURA

volkswagenPara além de corrupções e propinas, que tanto vem indignando os brasileiros nos últimos anos, as relações subterrâneas entre empresas e governos possuem outros traços que não podem deixar de, igualmente, terem a nossa repulsa. Empresas transnacionais tiveram participações, em alguns casos decisivas, em termos de colaboração com regimes totalitários. A IBM, por exemplo, contribuiu com o governo nazista de Hitler, quando foi fornecedora da tecnologia de cartões perfurados através das máquinas hollerit. O negócio entre a empresa norte-americana e o governo nazista envolveu milhões de dólares e a tecnologia de cartões perfurados foi utilizada nos campos de concentração para tipificar os prisioneiros (judeus, negros, homossexuais, comunistas, ciganos). Os cartões perfurados, bem depois da Segunda Guerra, só foram popularizados no Brasil no início dos anos 1970, com a criação da Loteria Esportiva.

Nesta semana foi divulgado um relatório, resultante dos estudos do historiador alemão Chistopher Kooper, que comprova que a Volkswagen não apenas apoiou, como contribuiu com a ditadura militar. A contrapartida ia muito além dos badalados “incentivos fiscais”. O estudo, cuja veracidade foi reconhecida pela própria empresa, mostra que a Volkswagen mantinha em seu setor de vigilância industrial um monitoramento que apontava para o governo os funcionários que eram opositores do regime, especialmente aqueles que eram envolvidos em atividades sindicais.  A contrapartida? Em troca, os governos militares comprometiam-se em “controlar o salário-mínimo” (leia-se: arrochá-lo) e também proibir greves.

A parceria da Volkswagen com os governos da ditadura militar levou à demissão e à prisão de vários funcionários. Isso sem falar que dependências da empresa também foram cedidas para serem centros de tortura. O arrocho do salário-mínimo, que atingiu a todos os brasileiros e não apenas os funcionários da Volkswagen, mostra bem quem pagou pelo fatídico “milagre econômico” da Era Delfim. Já os beneficiados…

A colaboração vergonhosa da empresa alemã com os governos militares foi lamentada pelo presidente da Volkswagen na América Latina, Pablo di Si. Em nome da empresa, ele oficialmente pediu desculpas ao povo brasileiro. Mas não é o bastante. E a própria empresa já afirmou que seu reconhecimento da colaboração e o pedido de desculpas não significa que ela irá querer discutir indenizações. Até porque o “controle do salário-mínimo” atingiu milhões de brasileiros. E seus efeitos são vistos até hoje.

É bem simbólico o fato de Paulo Maluf, corrupto-mor e defensor perpétuo da ditadura militar, então Prefeito de São Paulo, ter presenteado cada jogador da seleção brasileira, campeã da Copa de 1970 no México, com um fusca. Tudo pago com dinheiro público. Será que o brinde também fazia parte do acordo?

 

O CAPACHO-DANÇARINO DO TEMER

marunCertamente nenhuma figura representa com mais fidedignidade a podridão do governo Temer e o PMDB do que o deputado federal Carlos Marun. O ser peçonhento em questão tem, em sua folha corrida, o fato de ser um dos defensores mais ardorosos de Eduardo Cunha e, regularmente, visita o seu bandido-chefe na prisão. Ele é o deputado que, zombando do Brasil, dançou festivamente quando a Câmara dos Deputados, com votos comprados como se viu, livrou Temer, seu novo bandido-chefe,  da segunda denúncia da PGR. Trata-se de um ancilar, um ser asqueroso que, onde quer que ele vá, tem como resposta a repulsa de todas as pessoas de bem. Até mesmo de parte do PMDB, daqueles que, embora do partido do Temer, ainda possuem algum resquício, por ínfimo que seja, de vergonha na cara.

Marun é , estrategicamente, o relator da CPI da JBS, que nada mais é do que um foro onde Temer usa o seu capacho-dançarino para vingar-se do outrora amigo de transações subterrâneas, Joesley Batista, e do ex-Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, que denunciou o golpista do Jaburu por duas vezes. E o capacho-dançarino de Temer, futuro Ministro da Secretaria de Articulação Política (acreditem!), está fazendo o serviço como bom capacho que é. Este verme em estado de putrefação conseguiu, em sua sanha de puxa-saquismo, invocar até a nada saudosa Lei de Segurança Nacional, para, em seu relatório na CPI, indiciar o ex-Procurador Janot pelo crime de “subversão à ordem política”.  Logo a Lei de Segurança Nacional, um dos entulhos da ditadura militar nada saudoso a quem preza pela democracia e pelos direitos humanos. O capacho Marun está indo ao fundo do poço, não como pessoa, pois seria muito para ele, que está abaixo do poço, mas como alguém capaz de decantar um instrumento jurídico que lembra prisões arbitrárias, torturas, desaparecimentos e uma das eras mais obscuras da história brasileira. Chegar a invocar a Lei de Segurança Nacional é algo tão descabido como a própria existência física de Marun.

Logo logo este protozoário podre estará assumindo uma pasta que tem como função negociar com o Congresso e com os partidos políticos. Com que credencial? A de ser o fiel escudeiro de Cunha? A de ser um dançarino que zomba da Nação? Ou a de ser o novo vaso sanitário do Temer?

 

ALCKMIN, O CANDIDATO DO TEMER

alckmin e temerpsdb-pmdbO destaque do final de semana ficou por conta da 14a. Convenção Nacional do PSDB. Apesar das baixarias e de uma inequívoca divisão interna, duas coisas unem os tucanos  para as eleições de 2018: a primeira é “Somos todos Temer” e a segunda “Somos todos anti-Lula e anti-PT”. Teve brigas, cadeiras voando, claques de filiados para aplaudir e vaiar, mas uma coisa não mudou:  Aécio está mais isolado do que centro-avante de time na retranca e nem tomou o lugar a ele destinado na mesa. O Playboy do Pó foi vaiado e saiu pela porta dos fundos.

Mas a grande certeza da convenção tucana em relação às eleições presidenciais não é só o fato de Alckmin, eleito presidente do partido, ter também sido lançado à Presidência da República. A grande certeza é que Alckmin será o candidato de Temer em 2018. Aliás, todo programa criminoso de reformas e ataques aos direitos trabalhistas implementado por Temer e seus comparsas, fazem parte do conteúdo neoliberal do outrora social-democrata PSDB. Essa história do “desembarque do governo Temer” sempre foi um jogo de cena. Todas as falas, principalmente a de Alckmin, concentraram-se na defesa da reforma da previdência que exclui, por exemplo, militares e juízes. Na verdade, trata-se da reforma do grande capital estrangeiro, que já usa até de chantagens para que a mesma seja aprovada de qualquer maneira. Alckmin terá o papel de defender o governo Temer e ele chegou a dizer em seu discurso que Temer “está revertendo a tragédia econômica em que o país foi colocado”. Lembrando, aliás, que o Brasil retornou ao Mapa da Fome da ONU a partir do governo Temer.

Percebe-se, aliás, que o PMDB de Temer nem precisará lançar candidato próprio em 2018. Alckmin e seu PSDB preenchem todos os principais requisitos. Para começar, o PSDB, indiscutivelmente, é um  partido imune à Justiça, seja na primeira instância ou no STF. Nenhum figurão do PSDB é preso ou cassado. Eduardo Azeredo, o tucano criador do mensalão,  nunca foi punido e seu processo está perto de prescrever. Alckmin jamais foi incomodado pelos escândalos do Metrô e da merenda escolar. O ex-presidente FHC nunca foi chamado para explicar-se como comprou sua mansão em Paris. Serra jamais foi incomodado pelo escândalo dos 23 milhões. E Aécio manda e desmanda no STF. Nem a prova concreta de corrupção e ameaça de morte tiraram-lhe o mandato ou a liberdade. Além de imune ao Poder Judiciário, o PSDB sempre teve a simpatia e a boa vontade da mídia que, quando bate nos tucanos, é apenas uma porradinha de espuma, o famoso “tapinha que não dói”.

A tarefa de Alckmin não vai ser fácil. Lula só vem crescendo e defender a reforma da previdência sem perder votos será seu grande desafio. FHC provocou, disse já ter vencido Lula duas vezes. É verdade. Também é verdade que o PT á venceu o PSDB três vezes e sem ajuda da mídia. Alckmin também terá que superar o ultra-direitista Bolsonaro que, nos planos do PSDB,  fará o papel de “boi de piranha”, sendo defenestrado na hora certa. Ele será identificado como o “fascista escroto”, enquanto Alckmin trará para si a imagem do “neoliberal moderno”.

Com a Justiça e a mídia a seu lado, o PSDB vai tentar conquistar o apoio popular. Mas Lula também está em campanha e defender Temer significará defender um governo que não chega a 1% de aprovação, talvez o mais impopular da história. Apoiar tudo o que Temer realizou sem dizer que esteve, o tempo todo, ao lado de seu governo, vai ser um novo teatro que a mídia terá que montar. Que venham as mentiras!

2018: A ELEIÇÃO DOS ROBÔS DIGITAIS

botA internet tem sido uma fronteira aberta para as chamadas “fake news” (há quem diga que, se é “news” não pode ser “fake”). De qualquer modo, a expressão se universalizou e tem sido uma das armas mais difundidas nos debates políticos virtuais. É como se fosse uma arma não-convencional no debate político. Caracteriza o modo fascista de fazer política. E elas podem ter um efeito devastador. Durante muito tempo, milhões de pessoas tinham a “certeza” de que o Lula era o dono da Friboi.  O que muitos não sabem é que “notícias” como essas muitas vezes (na maioria até) não são disparadas por pessoas, mas pelos chamados “bots”, os “web robôs” ou “robôs digitais”.

Esses robôs virtuais não passam de programas de computadores que simulam ações humanas, de modo repetitivo. São os robôs virtuais que disseminam mentiras, calúnias, ofensas e todo tipo de inverdades contra partidos e, principalmente, candidatos. O robô atua na internet como se fosse um ser humano, capaz de replicar as respostas que são enviadas às suas afirmações programadas. Isso já existe muito hoje em dia e há uma estimativa de que haverá um crescimento muito grande da utilização dessa ferramenta nas eleições de 2018.

Evidentemente, a disseminação dos chamados “robôs digitais” é diretamente proporcional à polarização política. Podemos dizer que, desde 2014, especialmente a partir do segundo turno com o embate Dilma/Aécio, o Brasil definitivamente dividiu-se politicamente. E essa divisão política vem ganhando um novo pólo, com o crescimento da extrema-direita, representada por Bolsonaro.

O Tribunal Superior Eleitoral vem mostrando preocupação com a utilização dos “robôs digitais” e, essa semana, iniciou um debate, juntamente com o Ministério da Ciência e Tecnologia, com a finalidade de avaliar a influência da internet nas eleições.

Existem propostas que querem obrigar candidatos e partidos a prestarem contas, além dos recursos financeiros, também dos recursos tecnológicos a serem utilizados nas eleições. Mas é praticamente impossível barrar a entrada dos malditos robôs no debate político. Eles são disseminadores de mentiras e de ódios sem fundamentos, capazes de devastar a imagem pessoal de qualquer um. Hoje, sem sabermos, conversamos e discutimos com robôs na internet. E é muito difícil identificá-los. Mas aí vai uma dica: a primeira coisa que um humano deve fazer para não ser influenciado por um web robô é deixar, ele próprio, de ser um robô, usando o filtro da crítica e não se deixando contaminar pela mídia. Cuidado! O “plim-plim” é um sinal inequívoco de que estão querendo te transformar em um robô.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CPI DOS ÔNIBUS: QUEM VAI SOBRAR?

cpi dos ônibusEnfim, por determinação do Tribunal de Justiça do Rio de janeiro, a ALERJ vai instalar a CPI dos ônibus. Os transportes rodoviários do Rio de Janeiro, há décadas controlados por uma máfia, precisam ser passados a limpo. São péssimos serviços, falta de transparência nas planilhas e, em muitos casos, certeza de corrupção. A quadrilha comandada por Sérgio Cabral levava propina para autorizar aumento nos preços das passagens, beneficiando empresários e prejudicando a população mais necessitada. Existem fortes indícios de relações subterrâneas entre parlamentares e empresas de ônibus e, com a CPI, certamente veremos que tal promiscuidade chegará em financiamentos de campanhas eleitorais.

A CPI já era para ter sido instalada em agosto, quando o PSOL protocolou o pedido de instalação, com as assinaturas de 27 parlamentares, 3 a mais do que o necessário. No entanto, 6 parlamentares retiraram suas assinaturas, o que inviabilizou a formação da CPI. É muito provável que os seis parlamentares que melaram a CPI tenham algum compromisso com empresários e isso certamente será mostrado nas investigações.

Vale ressaltar que a “máfia dos ônibus” teve vários de seus integrantes presos, incluindo o empresário Jacob Barata Filho. Mas o mafioso foi posto novamente na rua por decisão monocrática de Gilmar Mendes, “o juiz que faz bandidos sorrirem”.

É absurdamente lamentável que essa CPI, que é um clamor popular, venha a ser instalada por determinação da Justiça. Isso porque, há anos, tenta-se investigar o que há por trás dos transportes públicos do Rio de Janeiro, mas o comprometimento de vários deputados com a máfia das empresas dos ônibus vinha barrando a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito. Ou seja, se dependesse da ALERJ, a CPI jamais sairia.

Resta a pergunta: quem vai sobrar? O comportamento de muitos deputados da ALERJ tem nos mostrado a serventia que seus mandatos vem tendo para os empresários de ônibus. A “caixa-preta” deverá ser aberta e o povo deve estar atento. Muita podridão ainda irá aparecer. Que a CPI traga o saneamento moral e a melhoria dos serviços nos transportes coletivos do Rio de Janeiro. E que o povo defenestre nas urnas os deputados-comparsas da máfia das empresas de ônibus.