DECOTELLI E A EXPLICAÇÃO QUE FALTA

Imagem acima: a Escola Municipal Laura de Queiroz, em Itabirito, Minas Gerais. A escola possui 255 alunos, mas receberia mais de 30 mil laptops.

O substituto do predador Abraham Weintraub no Ministério da Educação começou mal porque começou mentindo. Em seu currículo, Carlos Alberto Decotelli afirmava ser “doutor” pela Universidade Nacional de Rosário, na Argentina. Foi desmentido pelo próprio reitor da instituição, que confirmou que Decotelli cursou as disciplinas e cumpriu os créditos, mas não teve tese aprovada e, assim, não lhe foi outorgado o título de doutor. Com o desmentido, consequentemente ele também não tem o “pós-doutorado” na Alemanha, porque apenas doutores podem ter a titulação de “pós-doutor”. O mesmo reitor da Universidade de Rosário disse que sua tese foi rejeitada, sem nenhum parecer favorável.

Depois de ser “pego na mentira”, Decotelli já retificou o seu currículo. Melhor assim. Se bem que ainda há outra acusação sobre as “pedaladas acadêmicas” do substituto de Weintraub. Ele é acusado de plágio em sua dissertação de mestrado. Thomas Conti, professor do Insper, acusou Decotelli de ter copiado trechos de um relatório da Comissão de Valores Mobiliários. Evidentemente essa acusação já está sendo checada e esperamos que o ministro Decotelli esclareça e a verdade venha à tona.

Mas a grande explicação que o país exige do agora ministro Carlos Alberto Decotelli não é sobre se ele é mestre, doutor, pós-doutor ou se copiou textos de outrem em sua dissertação. Perto de outra explicação que Decotelli deve à sociedade, aquelas até que são “fichinhas”. Refiro-me ao Edital de número 13 do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), publicado em 2019. Decotelli presidia o FNDE antes de assumir o comando do Ministério da Educação e, portanto, ele foi o grande responsável por esse Edital. E o que esse Edital estabelecia? Tratava-se da licitação para a compra de 1 milhão e 300 mil computadores que seriam destinados às escolas públicas. Tudo custando a “bagatela” de 3 bilhões de reais. Repetindo: 3 bilhões de reais. O problema a ser explicado é o porquê de Decotelli ter deixado a presidência do FNDE logo depois que a CGU (Controladoria-Geral da União) apontou a existência de “muitos caroços nesse angu”.

As contas eram nababescas e até fictícias para um país marcado pela exclusão digital: 355 escolas iriam ganhar mais de um computador por aluno. Uma média excelente, em se tratando da realidade brasileira. Mas o que soou como um retumbante “caroço no angu” foi o caso da Escola Municipal Laura de Queiroz, localizada em Itabirito, Minas Gerais. A escola, que tem apenas 255 alunos, seria contemplada com 30.030 laptops. Isso dá uma média de 117,76 laptops por aluno. A auditoria feita pela Controladoria foi clara e enfática, e diz que houve a estimativa de “um número maior do que o necessário de computadores a serem adquiridos, usando critérios falhos e sem base técnica.”

O nome da escola é “Laura de Queiroz”. Como se não bastasse a incrível coincidência do nome “Queiroz” na escola, tudo leva a crer que ela foi o grande exemplo da maracutaia que estava prestes a se consumar. Isso porque o Edital acabou sendo revogado e está sendo refeito.

Os estranhos números do Edital que foi cancelado surgiram sob a gestão de Carlos Alberto Decotelli na presidência do FNDE. Para um governo que sempre se arvorou de representar “o fim da mamata”, o senhor Decotelli deve uma explicação ao povo brasileiro: como uma escola com 255 alunos receberia mais de 30 mil laptops? Explica aí, senhor ministro. E, logo de saída, esteja certo de uma coisa: para dar essa explicação nem é preciso ter mestrado, doutorado ou pós-doutorado.

O FORO PRIVILEGIADO “RETROATIVO”

O desembargador Paulo Rangel, da 3a. Câmara Criminal do Rio de Janeiro, e que marcou o “gol” de desempate a favor da defesa de Flávio Bolsonaro, acaba de criar mais uma jurisprudência na Justiça: a do foro privilegiado “retroativo”. Isso porque, ao dar seu voto decisivo atendendo à defesa de Flávio Bolsonaro no caso das “rachadinhas”, Paulo Rangel entendeu que, mesmo não sendo mais deputado estadual, o inquérito de Flávio Bolsonaro deveria sair da primeira instância. Com sua decisão, Paulo Rangel entendeu que, mesmo não tendo mais a função de deputado estadual e ainda que o suposto crime tenha sido cometido fora das funções parlamentares, ainda assim Flávio Bolsonaro teria direito ao foro privilegiado “retroativo”.

A decisão de Paulo Rangel contraria não apenas uma súmula do STF, mas também suas próprias convicções. Em seu próprio livro, o desembargador Paulo Rangel critica de forma contundente o instituto do foro privilegiado, que ele chama,sugestivamente, de “presente de Natal”. Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro, em vídeo, já chamaram o foro privilegiado de “porcaria”. Parece que as circunstâncias mudam mesmo as convicções de muita gente.

Ao contrariar tanto uma Súmula do STF como suas próprias convicções, Paulo Rangel agora, já que mandou para o espaço suas próprias convicções, não poderá, também, jogar fora sua própria coerência. Porque, num futuro não muito distante, outros recursos podem chegar até ele, com o mesmo pleito de Flávio Bolsonaro. Isso porque o “filho 01” do Presidente não é o único enrolado no desvio de verbas públicas conhecido como “rachadinhas”. Há muitos deputados estaduais na ALERJ enrolados com esse crime. E de vários partidos. Então, se um dia qualquer desses deputados perder o mandato, for investigado pelo mesmo motivo de Flávio Bolsonaro e recorrer à 3a. Câmara Criminal, evidentemente Paulo Rangel (assim espera-se) deve, ao menos, manter a sua coerência, já que a “convicção” asseverada em seu livro é mesmo de araque. Ou seja: como votará Paulo Rangel, daqui por diante, em recursos iguais ao da defesa de Flávio Bolsonaro?

Depois de Sérgio Moro ter criado a “jurisprudência da desculpa”, ao ter desculpado seu ex-colega de governo Onyx Lorenzoni, que confessou ter praticado o crime de caixa 2, agora o desembargador Paulo Rangel entrará para os alfarrábios da história judiciária brasileira por ter criado uma outra novidade: o “foro privilegiado retroativo”.

QUEIROZ: DE GUARUJÁ PARA ATIBAIA

Imagem acima: reprodução.

Exatamente uma semana após o “laranja” da família Bolsonaro, Fabrício Queiroz, ter sido preso no sítio do advogado dos Bolsonaros, o “Anjo” Frederick Wassef, o Jornal da Band levou ao ar ontem uma matéria que comprova que, antes de chegar ao sítio de Atibaia, Queiroz fez uma “escala” em um apartamento, também de propriedade de Wassef, no Guarujá. Para aqueles que adoravam ficar falando em “Guarujá” e “Atibaia”, está aí o que vocês queriam: a mesa está mais do que farta.

Praia das Pitangueiras, Guarujá. Em um apartamento de propriedade da família de Wassef, Fabrício Queiroz ficou hospedado (leia-se: escondido), entre 2018 e 2019, antes de ser, finalmente, confinado em Atibaia. Uma das testemunhas ouvida pela reportagem da TV Bandeirantes afirmou:

“No começo, ninguém sabia que era o Queiroz. Porque o prédio tem muito poucos moradores. A maioria do pessoal que frequenta o prédio é turista. E ele chegou no final do ano. Normalmente, no final do ano tem muito, muito turista aqui dentro do prédio. O pessoal do prédio foi perceber que era o Queiroz depois do carnaval, mais ou menos.”

Queiroz teria ficado escondido no apartamento do Guarujá por um período de 5 meses (certamente entre dezembro de 2018 e maio de 2019), o que coincide com o período em que o Ministério Público queria tomar o seu depoimento, mas não o achava. E mais: durante a estadia de Queiroz no apartamento da família de Wassef no Guarujá, o “Anjo” esteve por lá para visitar o “arquivo vivo”. Disse um dos entrevistados:

“Quando o Queiroz tava lá, o ‘Frederico’ apareceu algumas vezes lá. Todo mundo viu o ‘Frederico’, conhecido como ‘Fred’, no prédio, frequentando o edifício.”

O advogado Frederick Wassef é muito falastrão e isso tem assustado a família Bolsonaro. Só que ontem ele não quis saber de conversa. A reportagem da Band ligou para ele, o jornalista se identificou e Wassef foi muito gentil logo no início da conversa. Quando o jornalista disse que estava na Praia das Pitangueiras, no Guarujá, imediatamente o “Anjo” desligou o telefone. Mas logo depois de ter batido o telefone na cara do jornalista, certamente o “Anjo” deve ter recebido várias outras ligações. Adivinha de quem?

MARRECO REJEITADO

O ex-juiz, ex-ministro de Bolsonaro, ex- futuro ministro do STF e atual colunista do site ultra-direitista O Antagonista, Sérgio Moro, está sendo o elemento de discórdia da frente pela democracia “Direitos Já”. O movimento que, teoricamente, congrega todos aqueles que tenham um mínimo de compromisso com a democracia, programou um ato virtual para esta sexta-feita, dia 26.

Mas o convite para que Sérgio Moro, um dos maiores responsáveis pela ascensão do governo fascista com sua parcialidade enquanto juiz, participe da frente pela democracia, está dividindo o movimento. A proposta de convidar Moro para participar do ato foi do deputado federal José Nelto, do Podemos, e foi logo rechaçada por muitos participantes, dividindo o grupo.

O “racha” se justifica pelo fato de que Sérgio Moro, agora funcionário do Diogo Mainardi, é amplamente rejeitado por vários integrantes do movimento. E a rejeição se justifica. Sérgio Moro, com sua parcialidade e ativismo político já mostrados em sua atuação na Lava Jato, condenou Lula sem provas (as “provas” eram frágeis, como o próprio Dallagnol reconheceu em uma das conversas dos porões lavajatistas) e, além de definir a eleição presidencial com sua atuação parcial como juiz, ainda fez parte, por 1 ano e 5 meses, do governo fascista-miliciano que levou ao poder. Depois de definir a eleição de 2018 e perceber que foi usado, desmoralizado e descartado pelo governo fascista do qual participou, ele pulou do barco e agora fala em “democracia”. Depois de servir ao fascismo e chafurdar no esgoto bolsonarista, agora ele tenta mudar a sua imagem. Mas o ex-office boy do Bolsonaro, depois da exposição das entranhas da Lava Jato e de sua participação no governo miliciano, não tem qualquer credencial para falar em “democracia”.

Rejeitado no “Direitos Já” Moro tem, no entanto, uma alternativa: que faça a sua “live pela democracia” junto com o Diogo Mainarni, seu novo patrão. E, de quebra, poderia chamar o Merval Pereira. Fica a dica, marreco!

WEINTRAUB, FUGA E FRAUDE

Que o ex-ministro analfabeto e destruidor da educação brasileira Abraham Weintraub fugiu do Brasil não resta nenhuma dúvida, pois ele próprio confessou a fuga quando disse que “agora é evitar que me prendam, cadeião, e me matem. Estou saindo do Brasil o mais rápido possível.” Então, em relação à fuga de Weintraub, não há qualquer dúvida. Ele responde a inquérito por ofensa e ameaça ao STF, racismo e também está no inquérito das fake news.

Mas a impressão (ou quase certeza) que se tem é que o próprio Bolsonaro, que deu todas as condições à fuga de Weintraub, agora parece querer rifá-lo e deixá-lo “ao Deus dará”. Tudo por causa da lambança (ou seria fraude?) da mudança da data de exoneração do ex-ministro. A saída de Weintraub do Ministério da Educação foi anunciada dia 18, quinta-feira. Porém, a publicação da exoneração no Diário Oficial deu-se no sábado, dia 20, em edição extraordinária. Na noite de sexta-feira, 19, ele fugiu para os EUA. O que significa isso? Significa que, oficialmente, Weintraub foi mantido como ministro para que, em sua fuga, pudesse ainda contar com as regalias de um passaporte diplomático e entrar nos Estados Unidos sem as restrições, especialmente de quarentena, que todos os passageiros oriundos do Brasil devem cumprir. Portanto, a exoneração só aconteceu oficialmente quando o ex-ministro fujão já estava em segurança em solo norte-americano.

Claro que foi um escândalo. Desde a própria confissão de Weintraub até a logística do governo que acobertou a fuga, usando o ardil de “segurar” a publicação de sua exoneração para ele chegasse aos Estados Unidos ainda na condição oficial de ministro.

Mas esse escândalo (mais um) não foi bem digerido e, por conta de representação do STF Bolsonaro, para se resguardar, decidiu retificar a data da exoneração de Weintraub para sexta-feira, dia 19. Isto significa que, enquanto Bolsonaro se resguardava, rasurando (mais uma vez) o Diário Oficial, Weintraub não era mais ministro quando chegou aos Estados Unidos, dia 20. Restam, assim, inúmeras perguntas:

Quais as condições reais em que Weintraub entrou nos Estado Unidos? Ele cometeu a fraude de ter usado passaporte diplomático mesmo não sendo mais ministro, como agora está provado pelo próprio Diário Oficial? Qual a atuação do Itamaraty na fuga de Weintraub? O que o governo dos Estados Unidos sabe sobre a condição de Weintraub?

Deputados de partidos da oposição já denunciaram Weintraub ao embaixador dos Estados Unidos no Brasil. Tudo está mostrando que hoje Weintraub está ilegalmente nos EUA e cabe a pergunta: se brasileiros estão com restrições para entrar nos EUA, como que o Weintraub (que já não era mais ministro quando lá chegou, como agora do próprio Diário Oficial comprova) entrou no país de Trump?

Parece que depois do “abracinho” que deu no Bozo, Weintraub passará à condição de mais um objeto usado e abandonado na pista por Bolsonaro, a exemplo de outros. Até porque a sua indicação para o Banco Mundial já está ameaçadíssima, com as informações que estão chegando aos membros da instituição sobre seus crimes. Na condição visivelmente fraudulenta em que entrou nos EUA e que lá se encontra, e respondendo a inquéritos no Brasil, pode ser até que ele seja deportado em um daqueles aviões em que Trump mandava de volta brasileiros algemados. E sem direito a quarentena, patrocinada pelo “Anjo”, no “Solar de Atibaia”.

PARA TRUMP, BOZO É PÓ DE TITICA

O tal do “mito” não passa mesmo é de um mitomaníaco. Aliás, como muitos dos (ainda) defensores dele. A tal “amizade com a família Trump” é igual à tal “aliança estratégica com os EUA”, que seria firmada no governo Bolsonaro. Nunca passaram de meros delírios. Mas Trump, mesmo com Bolsonaro tendo mandado um sonoro “Y love you” para ele, não tem tempo a perder com seus vassalos insignificantes. O Brasil, e muito menos Bolsonaro, jamais foram assuntos relevantes para Trump em se tratando de segurança. Pelo menos é o que nos revela o livro de John Bolton, ex-assessor de Trump para assuntos de segurança.

No livro, intitulado “Na Sala Onde Aconteceu”, o ex-assessor de Trump mostra que, quando se trata de segurança, tanto o Brasil como principalmente Bolsonaro, jamais foram assuntos de importância para o governo Trump. E que tipo de importância poderia ter um “aliado” com submissão ancilar? O próprio Trump tentou bloquear o livro de Bolton, mas a Justiça dos EUA garantiu a sua publicação. Claro que Trump queria que subservientes e vassalos sem nenhuma importância para ele, como o Bolsonaro, continuassem pensando que estão em um “acordo de aliança estratégica”.

O jornalista Kennedy Alencar fez um levantamento de quantas vezes o Brasil e Bolsonaro são citados na obra de Bolton. O Brasil é citado 13 vezes e Bolsonaro apenas 3. Só para termos uma ideia da disparidade, a Venezuela (com quem o próprio Trump já admitiu recentemente dialogar) é citada 347 vezes no livro, e Nicolas Maduro 196. Já a China foi merecedora de 365 citações e o presidente chinês Xi Jinping foi citado 90 vezes. Se o Brasil estivesse mesmo nos planos de Trump para qualquer coisa em relação a segurança e estratégia deveria ter sido citado, ao menos, o mesmo número de vezes que a Venezuela, visto ser o Brasil vizinho do governo desafeto de Maduro.

A tal “parceria” ou o tal “acordo estratégico” com os EUA que Bolsonaro sempre propagou nunca passaram, de acordo com o que se pode perceber pelas citações ao Brasil e a Bolsonaro, de um delírio de Bolsonaro e seu ministro olavista das Relações Exteriores. Pelas citações de países e governantes, dá para perceber que, segundo Bolton, durante todo esse tempo o Trump teve mais o que fazer além de ficar iludindo um mitomaníaco delinquente. Para Trump, Bolsonaro e seus seguidores já são muito úteis ao prestarem continência e desfraldarem a bandeira dos Estados Unidos em manifestações fascistas. Porque, quando a coisa é séria e quando o jogo é mesmo “à vera”, Bolsonaro não passa mesmo é de uma pitada de pó de titica.

UM ANJO QUE MENTE

Em que lugar do Brasil um imóvel vazio vai ter contas de luz com valores superiores a 300, 400 e até 700 reais? Seria em Atibaia? O advogado da família Bolsonaro, Frederick Wassef, que disse não saber que tinha alguém em sua casa de Atibaia e até afirmou que ela estava vazia, não respondeu à jornalista Andreia Sadi se Queiroz entrou no imóvel “voando” ou “pulando o muro”. Wassef já foi desmentido por Márcio Motta, ex-presidente do PSL, que afirmou ter ido, no ano passado, buscar Queiroz em Atibaia e trazê-lo até o Rio de Janeiro para visitar a família.

E agora o “Anjo” da família Bolsonaro está sendo desmentido pelas contas de luz de seu próprio imóvel. Um matéria publicada neste domingo pela revista Forum exibe as contas de luz do sítio de propriedade de Wassef em que Queiroz ficou escondido. E mostra que, até o mês de maio de 2018, o valor das contas era de 30 reais, o que mostra que, até essa data, o imóvel esteve mesmo vazio. Porém, a partir de junho daquele ano, a conta já sobe para 533 reais, oscila entre 200 e 300 reais nos meses seguintes e atinge até o valor de 773 reais em setembro de 2019.

As contas foram exibidas pela revista Forum no mesmo dia em que Frederick Wassef, na maior cara de pau, afirmou em entrevista que o imóvel esteve vazio por todo esse tempo. Além de mentiroso, Wassef também é caloteiro. A reportagem da revista mostra que, nos três últimos meses, as contas não foram pagas e os devidos atrasos estão registrados nas mesmas. Como durante a pandemia não pode haver corte no fornecimento de energia elétrica, certamente o “Anjo” valeu-se desse benefício para não pagar o que deve.

Só falta agora o “Anjo” dizer que o consumo registrado nas contas foi de um “gato” que o vizinho do lado fez para roubar a luz de sua casa. Será que, com os enredos tragicômicos criados pelo advogado angelical bolsonarista a Globo vai ter a ideia de fazer uma nova versão da nova “Anjo Mau”, sucesso nos anos 1970? Aguardando…

QUEIROZ E O PÊNIS TAMANHO COMETA

Imagem acima: Reprodução

“O Ministério Público está com uma pica do tamanho de um cometa para enterrar na gente e não vem ninguém agindo.” (Fabrício Queiroz, em 2018).

Não temos dúvidas, aliás, temos certeza de que, se não fosse a prisão do bandido de estimação e “laranja” de sua família, Bolsonaro não teria comparecido ontem ao enterro do soldado paraquedista Pedro Lucas. Ontem foi domingo e domingo tem sido o dia em que Bolsonaro sai sem máscara pelas ruas de Brasília (cometendo infração conforme legislação local), causa aglomeração e participa das manifestações antidemocráticas a seu favor, com pautas inconstitucionais e de agressão aos poderes da República.

Mas Bolsonaro mudou desde quinta-feira, quando foi anunciada a prisão do Queiroz, o “PC Farias versão Bozo”. E ele foi preso justamente na casa do advogado da família. Então, o “laranja” da família preso na casa do advogado da família foi o golpe que fez Bolsonaro desaparecer. Primeiro, deixando os bovinos do curralzinho do alvorada no vácuo. Depois, visivelmente abatido, desconfortável e até com aparência de quem havia chorado há pouco, recebeu o “abracinho” do fascista fujão. Mais tarde, deixou a tradutora de libras também no vácuo, não conseguindo concatenar ideias e por cerca de 10 segundos ficou remexendo papéis sobre uma mesa sem saber o que dizer. E a tradutora, consequentemente, sem ter o que traduzir.

Até que chegou o primeiro domingo pós-prisão do Queiroz. Bolsonaro já tinha mudado o discurso. Depois do “Acabou porra” e de usar o nome das Forças Armadas indevidamente, como “bicho-papão” ou “espantalho” da democracia, de forma ameaçadora e sugestiva de golpismo, Bolsonaro agora diz que “o papel das Forças Armadas é defender a democracia”. E, por fim, nesse primeiro domingo depois que “a casa caiu na casa de seu advogado” Bolsonaro, pela primeira vez depois de muitos domingos, não compareceu às manifestações fascistas em apoio a ele próprio. Também não tivemos a presença de nenhum ministro (e nem o ministro da Defesa sobrevoando o local das manifestações). O que aconteceu?

Bem, parece que depois de tanto ameaçar e tentar amedrontar a sociedade com uso das Forças Armadas, “artigo 142” e um discurso golpista, quem está agora vendo fantasmas é o próprio Bolsonaro. E são muitos os fantasmas que o assombram nesse momento. Em 2018 o próprio Queiroz vaticinava: “o Ministério Público está com uma pica do tamanho de um cometa para enterrar na gente e não vem ninguém agindo.” As palavras de Queiroz em 2018 falam por elas próprias. Ele sabia do tamanho do esquema e de tudo o que podia acontecer. Reclamava porque “ninguém vinha agindo”. Mas um detalhe chama a atenção nas “sacrossantas” palavras de Queiroz: o pênis do tamanho de um cometa, como bem disse o miliciano, seria enterrado “na gente” e não apenas “nele Queiroz”. Será que ele ficará sozinho com o pênis do tamanho de um cometa? Soube-se que na primeira noite em Bangu ele já chorou muito. Parece que ele vai querer dividir esse “presentinho”. Ele já reclamava da falta de ajuda e dizia que “o cara lá” estava hiperprotegido. Mas Queiroz não é o único fantasma que assombra Bolsonaro. A mulher do Queiroz, agora foragida, é outro espantalho que ronda Bolsonaro. E a filha do “laranja”, que já falou que sua família estava sendo usada pelo Bolsonaro? E se o “Anjo” que guardou o Queiroz, encurralado, também resolver abrir o bico?

Mas parece que Bolsonaro também vaticinou. Na reunião dos fascistas aloprados de 22 de abril, Bolsonaro falou que ” os caras estão querendo as nossas hemorroidas”. E a tal “pica do tamanho de um cometa”, prevista por Queiroz, já chegou. Resta saber se apenas o Queiroz terá que ir ao proctologista.

A VOLTA DA WEB RÁDIO JOVEM OLARIA

Hoje, no meio da pandemia, da prisão do Queiroz e da fuga do Weintraub, reservamos um momento especial para externar nossa satisfação com o retorno da Web Rádio Jovem Olaria. Teríamos muitas razões, incontáveis até, para falarmos de nossa satisfação pelo retorno da Web Rádio Jovem Olaria. Porém, quero destacar alguns dentre esses muitos motivos:

Primeiro, porque a Web Rádio Jovem Olaria faz parte da história de nosso blog. Foi a Web Rádio que lançou o quadro “Pedro Paulo Rasga a Mídia”. Isso, lá pelos idos de 2010 e ela sempre estará presente em nossa história, como mostramos e reconhecemos em nossa página principal, quando falamos da história do blog.

Mas não é apenas isso. A Web Rádio Jovem Olaria é, sem dúvida, desde 2010, o maior “departamento de marketing” do Olaria Atlético Clube, divulgando as coisas do nosso Olaria, especialmente do futebol, pelo mundo afora. Surgida fortuitamente em 2010, tudo por causa de um jogo com portões fechados contra o Boavista, os idealistas olarienses que a fincaram, sempre com diletantismo, competência e amor ao clube, tornaram a rádio uma referência para sócios, torcedores e simpatizantes do Olaria. Naquele já longínquo 18 de setembro de 2010, nunca poderíamos imaginar que o enredo iria muito além da transmissão de um único jogo.

No ano em que completa seu décimo aniversário e com o Olaria na luta, mais uma vez, pela reconquista de seu lugar na elite do futebol do Rio de Janeiro, a Web Rádio Jovem Olaria sobreviveu e, com certeza, seguirá ainda mais forte.

A equipe, conhecidíssima dos olarienses, conta com Clécio Vianna, Luiz Cláudio Colão, Bruno Soares, Arthur Neto e Patrick Queiroz. Nos 105 anos do Olaria e décimo aniversário da rádio e em um momento tão adverso, a família olariense não poderia contar com melhor alento do que esse retorno. E que o retorno da nossa queria Web Rádio Jovem Olaria venha com outro retorno: o do Olaria à elite do futebol do Rio de Janeiro.

A FUGA CRIMINOSA DE WEINTRAUB

O “patriota” fugiu. Covardemente, na calada da noite, com todo apoio oficial e ainda na condição legal de ministro, Abraham Weintraub desembarcou na manhã de ontem nos Estados Unidos. Para não estar diante das leis de seu país, onde responde por ofensas ao STF, além de ter seu nome no inquérito das fake news, Weintraub preferiu a infâmia e a covardia que sempre foram suas marcas e fugiu para não responder pelos seus crimes.

Mas a fuga do energúmeno bolsonarista teve o dedo sujo do próprio Bolsonaro, que o manteve como ministro até sua chegada em Miami. O ardil teve como objetivo garantir todas as prerrogativas de Wintraub até o último minuto, para que sua fuga não fosse frustrada. Especialmente para que ele continuasse sendo detentor do passaporte diplomático, na condição (ainda) oficial de ministro. Tão logo Weintraub desembarcou em Miami, Bolsonaro fez publicar, em edição extra do Diário Oficial, a exoneração do destruidor da educação brasileira.

É pouco dizer que Bolsonaro foi apenas cúmplice, porque ele foi co-participante do crime, ao dar todas as condições para que o calhorda fugisse do Brasil apenas para não responder às leis perante as instituições, conforme determina a Constituição. Os ainda defensores do indefensável poderão dizer: “Mas não havia qualquer mandado de prisão contra ele!” Porém, para configurar a fuga, não era preciso qualquer mandado, pois ele mesmo confessou que estava fugindo, quando afirmou publicamente, na TV e nas redes sociais, que era um fugitivo. Disse ele na CNN Brasil:

“Agora é evitar que me prendam, cadeião, e me matem.”

E ainda acrescentou, via Twitter:

“Estou saindo do Brasil o mais rápido possível.”

Nesse exato momento o covarde Abraham Weintraub é apenas um brasileiro comum no país de Trump. Seus inquéritos tramitarão no Brasil. E pode até ser que sua absurda indicação para o Banco Mundial, como “presente” de Bolsonaro por ele ter destruído a educação brasileira, nem se consume. Há uma grande mobilização para que o nome desse calhorda seja vetado pelos países com direito a voto. E, mesmo se for indicado, o mandato irá até outubro, quando novas negociações envolveriam uma outra eleição. Talvez seja o tempo dos processos pelos seus crimes correrem no Brasil e esse mafioso voltar algemado. Te prepara, porque os “vagabundos” te esperam…