O MANIFESTO DOS “BARRICHELLOS”

Seis personagens da política brasileira, que têm em comum o fato de serem “presidenciáveis” assinaram e publicaram, no dia 31 de março (data em que os fascistas, erroneamente, comemoram o golpe militar, visto que o golpe foi em 1º de abril de 1964) um manifesto intitulado “Manifesto pela Consciência Democrática”. Preocupados com os arroubos autoritários e com as constantes agressões de Bolsonaro e seus comparsas ao Estado Democrático, os seis signatários do manifesto defendem a democracia, a liberdade e a Justiça, que eles veem como ameaçadas por Bolsonaro.

Mas quem são os seis signatários do manifesto? Ciro Gomes, Eduardo Leite, João Amoedo, João Dória, Luciano Huck e Luiz Henrique Mandetta. Dos seis, cinco votaram declaradamente em Bolsonaro em 2018 e outro deu as costas para o segundo turno, indo para Paris. Por que só agora, com dois anos e meio de atraso, eles fazem um manifesto pela democracia, quando poderiam – e deveriam – ter se manifestado nas urnas em 2018? Até porque Bolsonaro não enganou a ninguém, além dos trouxas.

Em 2018 haviam, no segundo turno, dois projetos nitidamente opostos em disputa. Um projeto autoritário e outro democrático. E eles votaram no autoritário. Pior, sem serem enganados. Eles apoiaram e votaram em quem sempre defendeu a ditadura, a tortura, em quem exaltou torturador, em quem prometeu fuzilar opositores ou mandá-los para a “Ponta da Praia” (centro de tortura e extermínio da ditadura militar). Eles votaram e apoiaram em quem disse que fecharia o Congresso. Eles votaram e apoiaram em quem falou que “o mal da ditadura foi torturar e não matar”. Eles votaram e apoiaram em quem nunca escondeu o seu autoritarismo, o racismo, a misoginia e a homofobia. Em 2018, eles tiveram a oportunidade de escolher entre o professor universitário e o miliciano, mas preferiram o miliciano. Eles sabiam o que queriam. Eles sabiam em quem e no quê estavam votando. Em São Paulo teve até o “Bolsodória”.

E agora, na maior cara de pau, vendo Bolsonaro ameaçar a democracia e mandando senha para um autogolpe, eles estão se manifestando em defesa da “democracia”. Na verdade, vocês são responsáveis diretos pela situação em que o Brasil está. Vocês tiveram a oportunidade de optar pela democracia, mas um ódio (ou uma inveja) infundado falaram mais alto. Então, que embalem o Messias que vocês ajudaram a parir. E nunca é demais lembrar que, depois da entrevista de ontem na Bandnews ao jornalista Reinaldo Azevedo, está mais do que evidente que o candidato do “centro”, da “centro-esquerda” e também da “esquerda”, é o Lula. 2022 é logo ali e vocês, certamente, estarão na mesma bifurcação de 2018. Basta votar em quem tem compromisso com a democracia, sem abrir mão das críticas, porque depois outro manifesto será como o de agora: o manifesto dos “Barrichellos”.

Um comentário sobre “O MANIFESTO DOS “BARRICHELLOS”

  1. Juliana Brasil

    Texto excelente professor! As vezes me pergunto se os defensores da ditadura tiveram aulas de Históriano colégio, pois identifico diversos analfabetos funcionais por todo lado. Espero que as pessoas saibam votar em 2022.

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