LARANJEIRO DO TURISMO DANÇOU

“Ministro Ramos, o Sr. é exemplo de tudo que não quero me tornar na vida, quero chegar ao fim da minha jornada exatamente como meus pais me ensinaram, leal aos meus companheiros e não um traíra como o senhor”. (Marcelo Álvaro Antônio, ministro do Turismo demitido ontem por Bolsonaro, queixando-se do general Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo).

“Tá sabendo do Gilson? É ministro. O Gilson é um cara muito competente nessa área. O outro está fazendo um bom trabalho também mas… Deu problema”. (Jair Bolsonaro, justificando a demissão de Marcelo Álvaro Antônio do Ministério do Turismo).

Jair Bolsonaro acaba de demitir Marcelo Álvaro Antônio (aquele do escândalo das candidaturas laranjas, lembram?) do cargo de ministro do Turismo. No lugar de um dos homens do “laranjal do PSL” Bolsonaro nomeou, temporariamente, o sanfoneiro Gilson Machado. O escândalo das candidaturas laranjas não foi motivo para Bolsonaro demitir Marcelo Álvaro Antônio. Mas agora Bolsonaro diz que ele “deu problema” porque chamou, em um grupo de WhatsApp, o ministro da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, de “traíra”. Segundo o agora ex-ministro, o general Ramos teria pedido a Bolsonaro que o Ministério do Turismo fosse ocupado por alguém do “Centrão”. Tudo para facilitar a eleição do candidato de Bolsonaro à presidência da Câmara, Arthur Lira, do PP.

Dá para acreditar no motivo pelo qual o Bozo demitiu o ministro do Turismo? Claro que não! Primeiro porque Bolsonaro nunca preservou a imagem dos generais de seu governo. Ao contrário, sempre os esculachou. O general Pazuello que o diga. Em segundo lugar, se chamar o general Ramos de “traíra” é motivo para demissão, então por que Bolsonaro não demitiu o ministro destruidor do Meio Ambiente, Ricardo Salles, quando, em outubro, chamou o mesmo general Ramos de “Maria Fofoca” e “Banana de Pijama”? E mais: a mensagem de Marcelo Álvaro Antônio foi publicada em um grupo de WhatsApp, que é restrito a algumas pessoas. Já a mensagem de Ricardo Salles ofendendo o general Ramos foi publicada no Twitter, para o mundo todo ver. O problema, portanto, não é esse.

A verdade é que Bolsonaro precisava do cargo de ministro do Turismo para entregá-lo ao “Centrão” na reforma ministerial prevista para o início de 2021. O cargo é uma das moedas de troca a ser entregue ao “Centrão” pelo apoio ao candidato do Planalto a presidente da Câmara dos Deputados. Então, só faltava um pretexto. Bastou Marcelo Álvaro Antônio chamar o general Ramos de “traíra” e pronto… Era tudo o que Bolsonaro queria. Agora, o cargo fica livre para ser entregue às prostitutas do “Centrão” na “nova política” de Bolsonaro. Conclusão: em mais um episódio de baixaria do governo Bozo, o “Centrão” sai, de novo, lambendo os beiços. Tudo em nome da “nova política”.

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