QUE A ANVISA NÃO SE DEIXE CONTAMINAR!

Ontem, no final da tarde, pipocou a notícia de que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) suspendeu temporariamente os testes em humanos da vacina chinesa Coronavac. O motivo da suspensão, segundo a Anvisa, teria sido um “evento adverso grave” (leia-se: óbito). A suspensão dos testes pode acontecer nesse caso, pois a segurança da vacina poderia estar comprometida. A notícia da suspensão, em si, não é ruim, pois mostra que, em princípio, estaria havendo transparência nos procedimentos para a produção da vacina e que, apesar da emergência sanitária, não se pode disponibilizar para a população uma vacina insegura. É melhor esperar. A Anvisa é um órgão técnico e, até segunda ordem, insuspeito de ser contaminado politicamente, especialmente pelos devaneios criminosos de Jair Bolsonaro.

No Brasil, a vacina vem sendo desenvolvida no Instituto Butantan, em São Paulo. A ocorrência de um “evento adverso grave” em um dos testados foi notificada à Anvisa pelo próprio Instituto Butantan, que mostrou nada querer esconder. Porém, o diretor do Butantan, Dimas Covas, afirmou que o óbito registrado não está relacionado à vacina e que, portanto, não haveria motivo para a suspensão dos estudos. Assim como devemos respeitar a Anvisa, também devemos o mesmo respeito a Dimas Covas, cientista e professor titular da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP. Dimas Covas pronunciou-se sobre o óbito ocorrido, salientando que, em mais de 10 mil voluntários, pode ocorrer óbito, porém, não necessariamente relacionado à vacina:

“A Anvisa foi notificada de um óbito, não de um efeito adverso. Isso é diferente. Nós até estranhamos um pouco essa decisão da Anvisa, porque é um óbito não relacionado à vacina. Ou seja, como são mais de 10 mil voluntários nesse momento, pode acontecer óbitos. Nesse momento, [o voluntário] pode ter um acidente de trânsito e morrer. Ou seja, é um óbito não relacionado à vacina. É o caso aqui. Ocorreu um óbito, que não tem relação com a vacina.

Covas ainda queixou-se de que o Instituto Butantan, que ele preside, não foi notificado pela Anvisa sobre a suspensão dos testes. Dimas Covas reclamou que soube da suspensão através da imprensa, e não diretamente pela Anvisa.

As declarações de Dimas Covas sugerem que a Anvisa poderia não ter motivo para interromper os estudos da vacina. O que teria, de fato, acontecido? De um lado, uma entidade reguladora que merece respeito (a Anvisa); de outro, uma instituição científica que também merece respeito (o Instituto Butantan).

Enquanto acontece o conflito de versões, ficamos torcendo para que a Anvisa não tenha se deixado contaminar pelo bolsonarismo. Bolsonaro tem interesses políticos explícitos em que a vacina não seja aprovada. Para Bolsonaro, a vacina não é “do Brasil e do Butantan” e sim “da China e do Dória”. O Ministério da Saúde já está totalmente contaminado. Que a Anvisa não se deixe contaminar!

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