OS 80 ANOS DO REI QUE JÁ VESTIU A CAMISA DO OLARIA

Hoje Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, completa 80 anos de idade. Dos 1282 gols que marcou, três foram contra o Olaria. Isso em 1963. Mas os olarienses também se orgulham de terem visto Pelé vestir a gloriosa camisa do alvianil da Bariri um anos depois, em 1964. Hoje o mundo, e também de forma muito especial os olarienses, comemoram o aniversário do rei que um dia vestiu o manto olariense.

Em homenagem ao Pelé e aos olarienses, reproduzimos hoje o capítulo de nosso livro “Olaria – Histórias de um Centenário”, que fala do dia em que Pelé vestiu a camisa do Olaria.

O DIA QUE PELÉ VESTIU A CAMISA DO OLARIA

 Pelé consagrou-se no Santos, único clube brasileiro pelo qual ele jogou profissionalmente. Mas é sabido que, em algumas ocasiões especiais, jogos comemorativos ou amistosos, ele também vestiu a camisa de outros clubes: Vasco, Flamengo, Fluminense, Palmeiras e… Olaria. Isso mesmo, o nosso Olaria. O feito aconteceu no Maracanã, no dia 22 de março de 1964, em um jogo contra o Fluminense pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa (Torneio Rio-São Paulo). Foi o famoso jogo de “homenagem aos cariocas”, conforme consta na “Enciclopédia do Santos”, em que a equipe santista saiu vencedora por 1 a 0, gol de Pepe. Na verdade, este jogo serviu para a equipe do Santos fazer um agradecimento público à torcida carioca, que havia lotado o Maracanã para apoiar o time da Vila Belmiro nos jogos contra o Benfica e o Mílan, respectivamente em 1962 e 1963, quando o Santos sagrou-se bicampeão mundial. Mesmo sendo um time de São Paulo, o Santos optou por fazer seus jogos pelo Mundial no Maracanã e os torcedores da antiga Guanabara adotaram o alvinegro praiano como seu time.

Em agradecimento ao apoio recebido pela torcida carioca, naquele jogo de 1964 cada jogador do Santos entrou em campo com a camisa de um clube do Rio. Na época eram 12 clubes. Mas o futebol só tem 11 jogadores. O que aconteceu? Bem, ao chegar ao vestiário, a equipe do Santos trazia as camisas de 10 clubes: Campo Grande, Madureira, Flamengo, Vasco, América, Bangu, São Cristóvão, Portuguesa, Fluminense e Olaria. Não sei o porquê, mas não havia camisa nem do Botafogo e nem do Bonsucesso. O goleiro Gilmar foi o único a usar a camisa do Santos sobrando, portanto, 10 clubes. E Pelé escolheu a do Olaria, inscrevendo em nossa história mais esta página de glória: ter o Rei do Futebol vestido a camisa do alvi-anil da Bariri.

Muito já se falou em relação ao fato de Pelé ter escolhido a camisa do Olaria. Alguns dizem que Pelé foi “político”, não querendo assim optar por nenhuma camisa dos times das quatro maiores torcidas. Sinceramente, não acredito nesta versão, que até certo ponto tenta desvalorizar a escolha de Pelé. Fala-se muito da simpatia de Pelé pelo Vasco e ele próprio já se declarou vascaíno. Portanto, ele poderia ter escolhido a camisa do Vasco sem nenhum problema.  E, cá entre nós, se ele de fato quisesse ser “político” em sua escolha, teria optado pela camisa do Flamengo. Mas Pelé, além de ser inteligente, já conhecia o Olaria, time contra quem havia jogado no Torneio Rio-São Paulo de 1963. Pelé sabia que o Olaria tinha craques que, mais tarde foram parar sabem aonde? No próprio Santos. Foi o caso do goleiro Cláudio e do zagueiro Haroldo. Haroldo, inclusive, tem uma foto em destaque no Memorial das Conquistas, o Museu do Santos, junto com Coutinho, Edu, Mengálvio, Pepe,  e o próprio Pelé. Pelé fez uma escolha consciente e inteligente. Sua escolha não foi aleatória nem política. Infelizmente, nossa mídia local sequer menciona este episódio. Claro que as ocasiões em que Pelé usou as camisas de seus “queridinhos” são fartamente divulgadas. Aliás, Pelé, muito obrigado. Sua escolha também significou uma derrota da mídia elitista, que insiste em pensar que o futebol do nosso estado resume-se a apenas quatro clubes.

 PS.: Oito anos mais tarde, em 1972, seria a vez de Garrincha vestir a camisa olariense e quinze anos depois, em 1979, seria vez de Romário envergar a alvi-anil da Bariri!

(Extraído de: “Olaria – Histórias de um Centenário”, Pedro Paulo Vital, 2016, páginas 16 e 17).

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