COM O SUPREMO E COM O CENTRÃO, ACABOU A CORRUPÇÃO!

“Eu acabei com a Lava Jato porque não tem mais corrupção no governo.” Jair Bolsonaro, em 7 de outubro de 2020).

Finalmente acabou a corrupção e, com ela, a Lava Jato. Bolsonaro, assumindo o papel do Poder Judiciário, decretou o fim da Lava Jato porque no governo dele não tem corrupção. E, de quebra, no dia seguinte, ainda encheu de loas o atual ministro da Justiça, André Mendonça, sem deixar de dar mais uma porrada no usado e pisoteado ex-ministro Sérgio Moro, quando disse que “o atual ministro da Justiça é muito, mas muito melhor que o outro que nos deixou há pouco tempo.”

Sem querer entrar na briga Bozo/Moro, até porque os dois se merecem, Bolsonaro deveria, antes de decretar “o fim da Lava Jato“, dar algumas explicações sobre coisas de seu governo e/ou que envolvem pessoas de seu governo e de sua família, para depois poder pensar em falar no fim da corrupção. E o que Bolsonaro tem que explicar que ainda não foi explicado?

Primeiro, os 39 quilos de cocaína encontrados no avião presidencial. Será que o sargento que foi preso é um “lobo solitário”? Quem do governo estava por trás do tráfico? Quem seria o destinatário do pó? Isso, até hoje, não foi explicado.

Bolsonaro também não explicou até hoje um rumoroso e escandaloso caso de seu governo, ocorrido em 2019, quando FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) pretendia comprar 1 milhão e 300 mil computadores, tudo a um custo de 3 bilhões. Mas a Controladoria da União descobriu que só uma escola, em Minas Gerais, receberia mais de 30 mil computadores, tendo apenas 255 alunos. Depois da descoberta, tudo foi cancelado. Mas até hoje não se sabe quem foram os corruptores e os corrompidos.

Bolsonaro também tem que explicar, porque não convenceu a ninguém, como que uma doação de 7,5 milhões, feita pela Marfrig, foi parar no caixa do programa Pátria Voluntária, da dona Michelle Bolsonaro. A doação, que deveria ser usada para a compra de testes da Covid-19, foi desviada porque o governo alegou que a Saúde “não precisava mais de testes”, quando o que mais se fala é de subnotificação. Sabe-se ainda que parte do dinheiro que deveria ir para os testes da Covide-19 acabou parando nas mãos de uma ONG (Bolsonaro odeia ONGs!) indicada pela ministra fundamentalista Damares.

Mas Bolsonaro ainda se esqueceu de mencionar outros fatos: o laranjal do partido pelo qual foi eleito, em que o seu ministro do Turismo está envolvido; o caixa 2 confessado pelo seu outro ministro, o da Cidadania; a condenação do seu ministro destruidor do meio ambiente por improbidade administrativa. Isso sem falar nas “rachadinhas” e funcionários fantasmas dos gabinetes de seus filhos e também do seu quando era deputado; a compra de imóveis pela sua família com dinheirama viva; a lavagem de dinheiro com loja de chocolates e as falcatruas do miliciano Queiroz em um consórcio criminoso com toda sua família. Aí é só “abafar”. Até porque muita coisa de seus filhos poderá chegar ao Supremo! Mas “a corrupção acabou”.

A “corrupção acabou”, coincidentemente, no mesmo momento em que Bolsonaro aliou-se ao “Centrão” (que ele dizia ser o que há de pior na política) e, em acordo com o “Centrão”, nomeou para o STF alguém que poderá vir a ser seu julgador, de seus filhos e de seus aliados do próprio “Centrão”. Agora ele não vai mais falar “Acabou, porra!”, até porque o abraço em Dias Toffoli consumou e simbolizou a relação Executivo-Judiciário. Com o Legislativo, a relação já tinha recebido as bênçãos do “Centrão”. Fechar o Congresso dos aliados do “Centrão”? Fechar o Supremo do aliado Dias Toffoli? Nem pensar! No fim das contas, Bolsonaro turbinou a fala emblemática de Romero Jucá: em acordo com o Supremo, com o “Centrão” e tudo, acabou a corrupção, porra!

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