CONTINUAMOS SEM MINISTRO DA EDUCAÇÃO

“Não tenho como responder”, “não tenho como resolver isso”, “isso não tem nada a ver comigo”, “não temos esse tipo de interferência”, “não temos o poder de determinar”, “não foi um problema criado por nós”, “não temos recurso para atender”, “não tem como, vai fazer o quê?”. (Respostas de Milton Ribeiro, ministro da Educação, à jornalista Jussara Soares, do Estadão, em 24 de setembro de 2020).

Omissão e homofobia. Assim pode ser resumido o que disse o “ministro” da Educação, Milton Ribeiro, em sua entrevista à jornalista Jussara Soares, do jornal O Estado de São Paulo. Em meio à pandemia, o Brasil vive um verdadeiro drama na Educação, com a incerteza sobre o retorno das aulas presenciais. É evidente que o Ministério da Educação deveria coordenar a retomada das aulas e, enquanto o retorno não ocorre, contribuir para que o acesso ao ensino remoto seja garantido a todos. Porém, Milton Ribeiro disse que resolver o acesso dos estudantes à internet para o ensino remoto, bem como a retomada das aulas presenciais não são problemas de seu ministério e, por isso, não são temas do MEC. Se não são temas do MEC, então são temas de qual ministério? do Ministério da Defesa?

Na entrevista, Milton Ribeiro se omite de tudo. Foi algo tipo o famigerado “E daí?” de Jair Bolsonaro diante das mortes pelo coronavírus. Para o “ministro” da Educação, nada é responsabilidade dele e nem de seu ministério: acesso dos alunos à internet, retomada das aulas, desigualdade entre os alunos. Ou ele “não tem nada a ver” ou “não tem como resolver” ou “não tem o poder”. Assumiu o papel de mera figura decorativa diante da grave crise que atinge o ensino, em todos os níveis, no país. Assim como Bolsonaro se omitiu na questão da pandemia, dizendo ser atribuição de estados e municípios, Milton Ribeiro usou o mesmo ardil para manter-se omisso, afirmando que cabe a estados e municípios decidir sobre o retorno às aulas, não tendo o MEC nada a ver com essa questão.

Mas quando se tratou de homossexualismo, o ministro não fugiu: disse que “o caminho do homossexualismo se dá por famílias desajustadas.” Ou seja, homossexualismo é resultado de desajuste familiar. A homofobia do “ministro” foi o único momento em que ele não se omitiu de responder claramente e assumir uma posição. Em suma, continuamos, desde o início do governo Bolsonaro sem ministro da Educação. E, com certeza, assim ficaremos.

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