A ESTRATÉGIA DO BOZO PARA NÃO DEPOR NA PF

O ministro do STF, Celso de Mello, determinou que Jair Bolsonaro, acusado de interferir na Polícia Federal para que ele e seus familiares não sejam investigados, terá que depor, presencialmente, na própria Polícia Federal da qual ele é acusado de interferir. Bolsonaro pretendia prestar seu depoimento por escrito, no conforto de sua residência palaciana, assessorado por advogados e técnicos e, certamente, até com um redator. Porém Celso de Mello entendeu – acertadamente – que Bolsonaro, por não ser testemunha e nem vítima no inquérito, visto que é investigado, não poderá desfrutar dessa regalia. Como disse o próprio magistrado:

“O Senhor Presidente da República, por ostentar a condição de investigado, não dispõe de qualquer das prerrogativas a que se refere o artigo 221 do CPP, a significar que a inquirição do Chefe de Estado, no caso ora em exame, deverá observar o procedimento normal de interrogatório.”

“Procedimento normal de interrogatório”. Como qualquer cidadão. Afinal, como ele e seus próprios seguidores sempre repetiram, “a lei é para todos”. Mas Bolsonaro não quer que a lei seja “para ele”. Assim, já foi anunciado que Bolsonaro irá recorrer ao próprio STF para mudar a determinação do ministro Celso de Mello, que é o relator do caso no STF.

Via de regra, quem é inocente e é acusado de algo que não cometeu, o que mais quer é ir depor, esclarecer os fatos. De preferência, presencialmente e o mais rápido possível. Mas não é o caso de Bolsonaro que, aliás, deu nítidas manifestações de pretender interferir na Polícia Federal, especialmente na fatídica reunião de 22 de abril. Está tudo gravado.

Mas há uma outra estratégia, esta sim a mais provável que seja usada por Bolsonaro, que é a protelação. Celso de Mello, que exigiu o depoimento presencial de Bolsonaro, se aposentará no primeiro dia de novembro. Então, Bolsonaro já está urdindo uma trama para não depor presencialmente. Essa trama consistiria em adiar o depoimento e aguardar a aposentadoria de Celso de Mello. Então, o substituto de Celso de Mello, que será nomeado pelo próprio Bolsonaro, ficaria à frente de seu caso, visto que é costume no STF o ministro substituto herdar os casos daquele que saiu. Então, com um ministro de sua inteira confiança, totalmente comprometido com ele, Bolsonaro ganharia o direito de depor por escrito e no conforto de sua residência palaciana.

Tudo isso, porque ele sempre foi contra “foros” e “privilégios”. Tudo isso porque ele sempre disse que “a lei é para todos”. Menos para ele e sua família enrolada.

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