A FAMÍLIA DE “DEUS”, DA “MORAL” E DOS “BONS COSTUMES”

“Não se trata bem de uma família, mas de uma organização criminosa. Descobrimos que toda aquela imagem altruísta, de decência, era apenas um enredo para ela alcançar objetivos financeiros e a projeção política.” (Allan Duarte, delegado, em 24 de agosto de 2020).

A declaração do delegado Allan Duarte fala por si própria. A “família” da agora ré por assassinato, a deputada federal Flordelis era, na verdade, uma organização criminosa travestida de família. E nessa organização criminosa rolava de tudo: orgias sexuais “em família”, envenenamento, rituais macabros, briga por dinheiro e poder na igreja fundada pelo casal Flordelis e seu marido Anderson. Negócio, aliás, que prosperou, pois já contava com oito templos. Tudo por dinheiro. Mas Flordelis queria se livrar do marido (que já tinha sido seu genro) que, segundo suas próprias declarações deveria ser eliminado. Em uma dessas declarações, ela escreveu ao filho André:

“Pelo amor de Deus, vamos por um fim nisso. Me ajuda. Cara, tô te pedindo, te implorando. Até quando vamos ter que suportar esse traste no nosso meio?”

O “traste” em questão era o próprio marido, o pastor evangélico Anderson do Carmo. Flordelis, também “pastora”, queria tomar toda a rédea do dinheiro e da administração da igreja. Mas ela não queria se separar de Andersosn porque uma separação, segundo ela, “iria escandalizar o nome de Deus”. Então, vamos matar. Porque “matar”, para ela e seus comparsas, não escandaliza Deus. Dito e feito. Cravejado de balas (mais de 30 tiros), Anderson foi morto na porta de casa. Tudo armado pela “pastora”, “mulher de Deus” e da “família”, da “moral” e dos “bons costumes” Flordelis. A investigação mostrou que, por diversas vezes, Anderson teria sido envenenado com arsênico, certamente em doses homeopáticas, para não chamar atenção. Mas ele não morria e uma das “filhas”, envolvida nos crimes, chegou a afirmar: “Ele é ruim de morrer.”

Filhos biológicos e adotivos e uma neta: todos envolvidos no assassinato. Todos comandados pela “pastora” Flordelis. A família, com mais de 50 filhos, era uma verdadeira gangue que usava valores morais, éticos, religiosos e a instituição “família” para empanar crimes, orgias sexuais, rituais secretos e, por fim, o assassinato do marido, em um conluio “familiar”.

O episódio da família bandida de Flordelis mostra como muitos usam o nome de “Deus”, da “família” e “dos valores conservadores” para enganar uma sociedade, especialmente aqueles que se deixam seduzir por palavras que invocam sentimentos religiosos. Tudo manipulação. Tudo estratégia para galgar espaços políticos e principalmente grandes retornos financeiros. Tudo bem de acordo com o nosso tempo, em que picaretas e quadrilhas travestidas de “família” se elegem em nome de “Deus” e cometem crimes que vão desde as “rachadinhas”, passando pela lavagem de dinheiro, funcionários fantasmas e associação com as milícias até os assassinatos.

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