TEMER, O “EMBAIXADOR” DO BOZO

Não chegou a ser surpresa o convite feito por Bolsonaro ao golpista Michel Temer para chefiar, na condição de “embaixador extraordinário”, a missão brasileira que irá ao Líbano levar a ajuda do governo brasileiro àquele país, após a trágica explosão no porto de Beirute. E por que não chega a ser surpresa o convite feito por Bolsonaro ao Temer?

Primeiro porque Temer já vem há algum tempo atuando como uma espécie de “conselheiro informal” de Bolsonaro. O próprio Bolsonaro já foi pedir conselhos ao Temer e Temer admitiu as consultas que lhe foram feitas. Então Bolsonaro, depois de se aliar ao “Centrão”, que ele próprio chamou de “o que há de pior no Brasil”, agora massageia o ego do Temer. É a “nova política” do Bolsonaro, que ele tanto pregou em seu discurso de esquina para enganar trouxas. Aliança com o “Centrão” e Temer como chefe de uma missão especial do Brasil: eis a “nova política” de Bolsonaro.

Mas tudo isso faz sentido. Bolsonaro é ignorante em muitas coisas, mas não é bobo para outras e tem outros “conselheiros” para além do Temer. O “Centrão” rachou e, assim, o “toma lá, dá cá” que ele já realiza com essa turma, mesmo já tendo dado mais de 300 cargos a esses apoiadores de ocasião, poderá não lhe render os votos suficientes no Congresso. E é aí que entra o Temer. Temer, mesmo tendo deixado o governo desgastado com os escândalos de sua gestão, ainda tem bom trânsito e influência no MDB, que também está no balaio do “Centrão”, e o convite feito a Temer pode ser entendido como uma espécie de troca. A influência de Temer em boa parte do MDB não pode ser desconsiderada, especialmente quando Bolsonaro precisará de votos no Congresso. Então, esse convite representa um nítido troca-troca.

Por um lado, o convite pode ajudar a, quem sabe, melhorar um pouco a imagem do Temer. Em troca, Temer atua nos bastidores para garantir votos do MDB ao Bolsonaro. Só que Temer precisará de autorização judicial para ir ao Líbano. Réu por corrupção, Temer não pode deixar o Brasil sem autorização judicial. Mas isso não será problema. Temer não vem tendo nenhum empecilho da Justiça para deixar o Brasil. Ele já foi à Inglaterra e à Espanha dar palestras. Tratamento muito diferente de quando retiveram o passaporte do Lula, impedindo-o de participar de uma conferência da ONU. Certamente o Temer repetirá para Bolsonaro a frase que o eternizou, no inesquecível diálogo com Joesley Batista: “Tem que manter isso, viu?”

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