A PORRADA QUE MORO LEVOU E A MANCHETE DO GLOBO

No dia seguinte a uma das decisões mais importantes tomadas pelo Judiciário brasileiro nos últimos tempos, que foi a decisão da primeira turma do STF de barrar a delação de Palocci do processo contra Lula, tendo em vista o flagrante uso político de tal delação, o jornal O Globo não faz qualquer referência a essa importante decisão em sua primeira página. Nem mesmo em um cantinho escondido. O jornal da família Marinho preferiu dar destaque, na sua primeira página, a uma entrevista de Flávio Bolsonaro, em que o filho enrolado do Presidente critica a própria Lava Jato: “Flávio critica Lava Jato e defende atuação de Aras”. Essa foi a principal manchete do Globo no dia seguinte à decisão da primeira turma do STF que viu parcialidade no então juiz Sérgio Moro, que entendeu que Moro cometeu ato ilícito ao usar a delação de Palocci contra Lula para beneficiar Bolsonaro na eleição.

Gilmar Mendes, em seu voto, foi bem claro e objetivo: “Moro pretendeu criar um fato político contra Lula.” A pergunta que não apenas Gilmar Mendes se fez, mas que qualquer pessoa de bom senso faria, é: por que Moro demorou tanto para divulgar a tal delação de Palocci? Isso porque Moro demorou 3 meses para juntar a delação de Palocci aos autos. Claro que essa demora foi proposital. Por que? Porque ele esperou um momento político adequado e esse momento foi exatamente quando faltava menos de uma semana para a eleição de 2018. O trecho abaixo, proferido por Gilmar Mendes, é contundente:

“Resta claro que as circunstâncias que permeiam a juntada do acordo de delação de Antonio Palocci no sexto dia anterior à realização do primeiro turno das eleições presidenciais de 2018 não deixam dúvidas de que o ato judicial encontra-se acoimado de grave e irreparável ilicitude”.

E Ricardo Lewandowski, que também votou pela retirada da delação de Palocci, completou:

A determinação da juntada dos termos de colaboração premiada consubstancia, quando menos, inequívoca quebra de imparcialidade”.

Ilicitude e quebra de imparcialidade. Dois evidentes fatores que já foram mais do que falados em relação a Moro no processo contra Lula, mas que agora é corroborado pela Suprema Corte. Edson Fachin foi o voto contrário (e vencido).

Não resta dúvida que essa decisão pode significar o início de um reparo, ainda que parcial, dos danos causados por Sérgio Moro à Justiça e à democracia brasileira. A decisão pode ser vista como uma prévia do julgamento da imparcialidade do juiz que foi decisivo na ascensão do fascismo ao poder.

Mas noticiar essa derrota do lavajatismo e especialmente do Moro, em sua primeira página, seria demais para O Globo. Estrategicamente eles deram destaque às críticas do Flávio Bolsonaro à própria Lava Jato. Só em um cantinho da página 14, sem qualquer destaque, O Globo menciona a porrada que Moro levou, sem dar qualquer destaque ao assunto. Esse é o “modo Globo” de fazer jornalismo “imparcial”. Conta outra!

Resta agora o julgamento de Moro pelos demais crimes cometidos quando atuou como ativista político travestido de juiz. E, aproveitando para responder ao Diogo Mainardi, dono do site lavajatista e de extrema-direita O Antagonista: Mainardi perguntou se agora vão condenar o Moro e absolver o Lula. Não sei se vão absolver o Lula. Há outros processos e outras instâncias. Mas que o Moro tem que ser condenado sim pelos seus crimes, disso nós não temos dúvida.

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