A JUSTIÇA É TUCANA

Imagem acima: Fotomontagem de Elinaudo Barbosa.

A revista Época, em sua edição que foi às bancas nesta segunda-feira, 3 de agosto, traz um interessante artigo do jornalista Guilherme Amado, intitulado “O Legado de Toffoli”. E por que citamos a revista Época? Porque a Revista Época pertence às Organizações Globo. E as Organizações Globo foram grandes parceiras dos abusos, ilegalidades e até crimes cometidos pela Lava Jato. As mesmas Organizações Globo que, lá por 2016, por ocasião do golpe, atuaram de modo a expor as mazelas petistas, mas omitir, e até blindar, as mazelas tucanas. As mesmas Organizações Globo que, em seus noticiários, tinham igual omissão ao não mencionar o desequilíbrio e o parcial método de “dois pesos e duas medidas” quando a “Justiça” tinha que decidir sobre os petistas e sobre os tucanos. E agora, Dias Toffoli acaba que determinar a suspensão das investigações contra o tucano José Serra. Sobre o assunto, escreveu o jornalista Guilherme Amado em seu artigo:

“Mais uma vez, foi reforçada a percepção de desequilíbrio do sistema judicial brasileiro como um todo, quando se trata de suspeitas de corrupção que envolvem o PSDB… Houve discrepâncias de tratamento ao longo da Lava Jato quando os alvos eram tucanos.”

Diz ainda o jornalista da Época:

“Mas as decisões de Toffoli ao longo de julho confirmaram a percepção de que a correta e necessária rigidez que pautou o STF contra o PT, não se aplica quando o alvo é tucano.”

O artigo de Guilherme Amado, ao ser veiculado em uma revista do Grupo Globo, mostra que até aqueles que antes se calavam diante dos desmandos, dos abusos, das ilegalidades, da parcialidade e até dos crimes cometidos pela Lava Jato, agora estão, embora tardiamente, reconhecendo o quanto a operação danificou o sistema judiciário brasileiro. Notem que o jornalista se refere à “Justiça como um todo”. Num momento em que a Lava Jato está emparedada, em guerra com a PGR, com Sérgio Moro perto de ter sua parcialidade julgada pelo STF e com as denúncias de abusos e de suas relações promíscuas e ilegais com os Estados Unidos, um artigo vindo de um veículo da Globo, grande consorte da Lava Jato, e que tem em Sérgio Moro um de seus prováveis candidatos, mostra que a insofismável parcialidade da Lava Jato, ao poupar tucanos e ser abusiva com o PT, não é uma mera “conversa de petista ou esquerdista”, como muitos “encantados” falavam e alguns ainda falam.

E agora, até o PSDB, que nunca se posicionou contra os excessos e abusos da Lava Jato, parece ter mudado de opinião. Simplesmente porque agora, embora tardiamente e sem qualquer implicação eleitoral, a Lava Jato chegou em José Serra e Geraldo Alckmin. Bruno Araújo, o presidente do PSDB, aquele que deu o voto decisivo no golpe de 2016 e se aliou ao governo Temer, disse que tanto Serra como Alckmin possuem plena confiança do partido. Em entrevista ao Estadão, Bruno Araújo disse que “assistir Geraldo Alckmin ser denunciado por corrupção é um sinal perigoso e de desalento daqueles que querem fazer vida pública.” Logo ele, que tanto defendeu a Lava Jato!

Hoje está sendo noticiado que Bruno Araújo “vê excessos na Lava Jato”. Pois é, mas só agora? Onde estavam Bruno Araújo e o tucanato quando Lula foi conduzido coercitivamente, mesmo sem ter sido intimado a depor? Onde estavam Bruno Araújo e os tucanos quando Moro vazou ilegalmente para a Globo a conversa telefônica da Presidente Dilma? Onde estavam Bruno Araújo e os tucanos quando Moro divulgou a delação premiada de Palocci faltando menos de uma semana para a eleição? Onde estavam Bruno Araújo e os tucanos quando ficou provado que Moro agiu parcialmente, em conluio com procuradores e como assistente de acusação em um processo do qual era “juiz”? Nesses casos Bruno Araújo não viu excessos?

Agora, ele mostra-se indignado. Mas, para tranquilidade dos tucanos, parece que o “Legado de Toffoli” ainda vai durar muito. O presidente do STF, Dias Toffoli, que está para deixar o cargo, nas palavras do jornalista Guilherme Amado acaba de dar mais um “presente” para os tucanos, ao determinar a suspensão das investigações contra José Serra.

Parece que não tem jeito. A “Justiça” é mesmo tucana. E agora, quem está dizendo é um jornalista do próprio Grupo Globo. E podem ter certeza: esse jornalista não é petista, esquerdista e muito menos “comunista”. Apesar disso, e ao contrário dos fascistas que apoiam Bolsonaro, que fique claro: Não vamos fechar o STF!

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