O ESTELIONATÁRIO ELEITORAL E A CPMF

“Não pergunta se eu sou favorável, porque aí já é maldade.” (Jair Bolsonaro, sobre a nova CPMF proposta por Paulo Guedes, em 18 de julho de 2020).

Uma das características muito citadas para definir Jair Bolsonaro é aquela que diz que “ele não enganou a ninguém”. Isso porque, em seu governo, Bolsonaro vem mesmo cumprindo o que sempre defendeu em seu discurso: ele incentiva o armamentismo, agride o meio ambiente, é inimigo das artes e da ciência, é racista, é lacaio dos Estados Unidos, quer destruir as universidades públicas, execra o educador Paulo Freire, odeia os índios, ataca a imprensa, quer a volta do AI-5, incentiva e participa de atos antidemocráticos que pedem o fechamento do Congresso e do STF, agride a ordem institucional com ameaça de golpe, garantindo-se nos militares e não tem qualquer sensibilidade ou empatia. Quanto a isso, é verdade que Bolsonaro não enganou a ninguém. Mas será que Bolsonaro não enganou mesmo a ninguém? Vejamos:

Bolsonaro e seu filho Dudu Bananinha, quando deputados, sempre afirmaram enfaticamente que eram contra a reforma da previdência. Mas aí ele ouviu o Posto Ipiranga e passou a ser a favor. Claro, desde que ela não fosse para os militares. E nem para os juízes. E nem para outras castas. E assim se fez a reforma da previdência que ele dizia ser contra.

Mas Bolsonaro também era contra o foro privilegiado, que ele dizia, como aparece em um vídeo, ser “coisa de vagabundo”. Agora seu filho Flávio Bolsonaro ganhou um “foro privilegiado retroativo” no caso do desvio de dinheiro público (a vulgarmente chamada “rachadinha”). Ou seja: para Bolsonaro o seu filho Flávio também é um “vagabundo”, como todos os outros que desfrutam do foro. Mas o foro privilegiado do Flávio é “retroativo”. Assim, é possível que Bolsonaro considere o seu filho ainda mais “vagabundo” do que os outros.

Bolsonaro também era contra o viés ideológico no Ministério da Educação. Ele sempre falava, na campanha, que a Educação jamais poderia ter viés ideológico. Mas no meio do caminho tinha um astrólogo chamado Olavo, que indicou o colombiano Vélez e o energúmeno Weintraub para a pasta, transformando o MEC em um aparelho ideológico olavista.

Mas Bolsonaro também era contra a “velha política” do “toma lá, dá cá” e, com essa convicção, sempre afirmou que “jamais faria aliança com o Centrão”. E o que fez Bolsonaro recentemente? Aliou-se ao Centrão e, em troca do apoio das “prostitutas do Congresso” já encheu o Centrão de cargos e anda lado a lado com seu novo aliado: o impoluto, íntegro e incorruptível Roberto Jefferson.

Sabem contra o que Bolsonaro também era? Ele era contra a criação de novo imposto, do tipo CPMF. Só que um novo CPMF está vindo por aí. A ideia, claro, é do Paulo Guedes e tem o apoio do general Mourão. Pelos cálculos do Posto Ipiranga, a nova CPMF teria alíquotas ente 0,2% e 0,4%, sendo assim até maior do que a antiga que Bolsonaro dizia ser contra. Bolsonaro, ao recusar-se a responder se era contra ou a favor, limitou-se a dizer que o novo imposto seria para desonerar a folha de pagamento, porque “a vida do empresário é difícil” (atenção “dono de lojinha”: esse “empresário” do qual Bolsonaro fala não é você!)

A volta da CPMF é apenas mais um dos muitos estelionatos eleitorais de Bolsonaro. Resta saber se dessa vez o Paulo Skaf irá colocar o seu pato na Avenida Paulista. Ou se, como Bolsonaro, ele também agora já é a favor.

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