O JUIZÃO QUE O BOZO AMA

“A primeira vez que o vi foi amor à primeira vista.” (Jair Bolsonaro, derretendo todo o seu “amor” a João Otávio de Noronha, o juiz que mandou Queiroz e sua mulher foragida para casa).

O “amor” de Bolsonaro pelo juiz João Otávio de Noronha, o presidente do STJ que tirou Queiroz da cadeia, foi “à primeira vista”. E a reciprocidade do amor não demoraria. Ontem foi cometido, segundo juristas e até magistrados do próprio STJ, um dos maiores absurdos da história judiciária brasileira, com a concessão de prisão domiciliar para uma pessoa foragida. A decisão monocrática do juiz João Otávio de Noronha de conceder prisão domiciliar a Fabrício Queiroz e, no mesmo combo, para sua mulher foragida, Márcia Aguiar, não tem precedentes na Justiça brasileira. E, claro, abri-se um precedente que levará pessoas na mesma condição a pedirem o mesmo benefício. Isso, se a Justiça for mesmo “para todos”. O mesmo juiz João Otávio de Noronha já havia negado esse mesmo benefício para dois presos. Mas concedeu-o ao Queiroz. E, criando uma jurisprudência temerária, concedeu-o também para a mulher foragida do “laranja” dos Bolsonaros.

Mas esse “amor à primeira vista” tem uma história. E, desde a declaração de Bolsonaro quando afirmou que o amava, João Otávio de Noronha não vem fazendo outra coisa em suas decisões que não seja favorecer Bolsonaro. Foi esse mesmo juiz que atendeu Bolsonaro quando este não queria mostrar o seu exame do coronavírus à imprensa. Foi também esse juiz que decidiu que o racista que ocupa a Presidência da Fundação Palmares permanecesse no cargo. O “amor” já era mais do que correspondido. Levantamento feito pelo Estadão já havia sinalizado que, em quase 80% de suas decisões, João Otávio de Noronha favorecia Bolsonaro. O “amor” era mesmo lindo!

Mas no meio de todo esse “amor” há uma cobiça do juiz que Bolsonaro tanto ama e que tanto o agrada. O maior desiderato de João Otávio de Noronha é ser indicado ministro do Supremo Tribunal Federal. E as decisões que favorecem Bolsonaro, por mais absurdas que sejam, devem mesmo contar pontos nessa linda história de amor. Até porque amor se responde com amor. E só o Bolsonaro pode realizar o grande desiderato de João Otávio de Noronha, porque é o Bolsonaro que indicará, em novembro, um novo ministro do STF.

Recentemente, em um de seus “pitis autoritários”, Bolsonaro, aos berros, disse que “decisão absurda não deve ser cumprida”. Mas agora quem tomou uma decisão absurda foi o juiz que é o amor de sua vida, e para beneficiar a ele próprio. Porque prisão domiciliar para foragido significa que a senhora Queiroz nem passará pela cadeia. Vai direto para casa “cuidar do Queiroz”. Esse, aliás, foi o argumento do juiz que Bolsonaro tanto ama para tomar a absurda e estapafúrdia decisão. E se a senhora Queiroz não aparecer, quem vai “cuidar” do “laranja” da família Bolsonaro?

A indecente decisão do juiz que o Bozo tanto ama traz um alívio para ele e sua família enrolada. Porque, fora da cadeia, praticamente não haverá pressão para uma delação premiada, coisa que já era aventada. A própria filha do casal, também investigada, já havia “soltado o verbo” e reclamando da situação de abandono pelos Bolsonaros. Agora, com o Queiroz em casa, Bolsonaro e família respiram aliviados.

É necessário, apesar dessa absurda e visivelmente parcial decisão do presidente do STJ, que se esclareça: ao contrário dos fascistas apoiadores de Bolsonaro, jamais pediremos o fechamento do STJ. Que essa decisão absurda e flagrantemente parcial e aduladora seja revertida pela própria Justiça!

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