EDUCAÇÃO E SAÚDE À DERIVA. E VIVA O 4 DE JULHO!

No momento em que o país mais precisa de ministros da Saúde e da Educação, os dois ministérios estão à deriva e o país rumo ao caos. Na Saúde, o cargo de ministro é simbolicamente ocupado por um general-paraquedista que aceitou fazer o papel de “cartório” do negacionismo bolsonarista. Já a Educação nunca teve, na prática, qualquer ministro e os que por lá passaram, especialmente Weintraub, limitaram-se a agredir a Educação e a travar uma incessante guerra ideológica em defesa dos princípios olavistas. Nada mais. Na Saúde, o prazo de validade de “interino” do general já expirou há tempos. E médico que honre a sua formação e respeite a ciência não poderá, jamais, fazer o papel que o general prestou-se a fazer para o capitão. Desonroso para o general. Desonroso até para as Forças Armadas.

Como se não bastasse a pandemia, onde oficialmente o governo nega a sua gravidade e até a desdenha, a Educação passa por um momento extremamente crítico. E, por incrível que pareça, o próprio Bolsonaro virou refém dos olavistas, que parecem mesmo mandar no MEC, mesmo depois da saída de Weintraub. Foram eles, os olavistas, que colocaram o Renato Feder para correr sem ele sequer ter assumido. Feder, um cara de direita e privatista da Educação, não foi aceito pelos olavistas, que confessam que o Ministério da Educação deve ser uma seara de guerra ideológica. O Twitter do deputado federal bolsonarista Carlos Jordy, comemorando a desistência de Feder, mostra muito bem isso. Escreveu o deputado bolsonarista:

“Não basta ser técnico, tem que ser conservador. A guerra cultural só não existe se deixarmos o adversário ter a hegemonia.”

De certo modo, o próprio Boslonaro sempre falou mesmo foi para essa turma. Desde a campanha, sem qualquer projeto para a Educação, repetia mantras como “doutrinação marxista”, “escola sem partido”, “banir o Paulo Freire”, “kit gay” e outras barbaridades. Projeto para a educação, nenhum. Ele apenas incentivava essa guerra, e continuou incentivando já como Presidente. A ponto de o Weintraub, que chamou as universidade federais de “centros de balbúrdia com plantações de maconha”, ser tido como um dos ministros que ele mais gostava.

Só que o Bolsonaro levou um “tranco” com a prisão do Queiroz e a iminente prisão da mulher do “laranja” de sua família. Então ele, seguindo conselhos de não olavistas, baixou a crista, moderou o tom autoritário, deixou de parar no curralzinho de seus seguidores para vomitar besteiras, não fez mais declarações polêmicas e nem ameças golpistas se garantindo nos milicos e, finalmente, entregou-se ao “Centrão”. Antes a “velha política” do que o impeachment. Renato Feder era bem aceito pelo “Centrão”, que tem votos no Congresso. Mas não era aceito pelos olavistas, que representam parte significativa nos tais 30%. No fundo, a Educação hoje está sendo disputada pelo “Centrão” e pelos olavistas, com os milicos correndo por fora. E por isso Bolsonaro sabe que, seja qual for a indicação, esta lhe trará problemas em termos de apoio político. Pior: ele precisa tanto do “Centrão” como dos olavistas. Do “Centrão” pela governabilidade. E dos olavistas para que a chama da guerra ideológica, que ele próprio sempre pregou e incentivou, não se apague.

Enquanto isso a Educação, a exemplo da Saúde, agoniza sem ministro e sem projetos. Questões cruciais da Educação precisam de soluções: quando será o ENEM? Quando e de que modo as aulas presenciais retornarão nas escolas e nas universidades? Como ficará o calendário letivo de 2020? Essas questões, de urgência urgentíssima, necessitam de um diálogo e ações sincronizadas entre os Ministérios da Educação e da Saúde. Mas o Brasil está sem ministro nas duas pastas. E, em meio a toda essa situação, Bolsonaro lançou Feder na arena dos olavistas e evangélicos e, solene e alegremente, foi comemorar a Independência dos Estados Unidos…

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