ESPECIAL: OLARIA 105 ANOS

E JÁ PASSAMOS DO CENTENÁRIO

(Texto extraído de nosso livro “Olaria – Histórias de um Centenário”, páginas 40 e 41).

Há mais de 100 anos surgia o “Gigante da Bariri”. Era uma quinta-feira, primeiro de julho de 1915 e, naquela noite, uma reunião na casa do capitão Alfredo de Oliveira , na Rua Filomena Nunes, fundava o glorioso Olaria que, inicialmente, chamou-se “Olaria Futebol Clube”. Era o início do século XX e as elites ainda dominavam a economia, a política e o futebol: os grandes cafeicultores dominavam o poder político do país e os ricos descendentes de ingleses ainda insistiam em monopolizar o futebol. Mas a iniciativa dos rapazes que fundaram o Olaria representava um rotundo “não” ao elitismo no futebol. No lugar dos “Stutfields”, “Normans Himes” e “Calverts” da zona sul, teríamos agora os “Emílios”, “Joões Éguas” e “Norivais” do subúrbio leopoldinense. Não resta dúvidas de que a fundação do Olaria como um clube de futebol no subúrbio da Leopoldina e em plena era do domínio das oligarquias no Brasil, contribuiria para a popularização do esporte bretão que consagrou nosso país. E que hoje orgulha sócios, torcedores e moradores da região que consagrou, além do Olaria, a Imperatriz Leopoldinense, o Cacique de Ramos, a Unidos de Lucas, o nosso irmão Bonsucesso Futebol Clube. Junto com nossos jogadores de futebol, chegavam ao nosso clube os escoteiros do mar, que aos montes tornavam-se sócios do Olaria. Não tardou para que viéssemos a ser um clube de terra e mar, com uma sede náutica na saudosa Praia de Maria Angu ainda no início dos anos vinte.

E as glórias não tardaram a vir, tanto dentro como fora de campo. Nas quatro linhas o Olaria ascenderia, de forma invicta, à primeira divisão em 1931, depois de enfrentar adversários valorosos, campos esburacados e até porrada com o time do Mavilis, no Caju, em um certame que contava com 16 times e só o campeão subiria. Fomos o clube da resistência quando, em 1937, nossos adversários fizeram uma paz com um golpe que nos tirou da primeira divisão. Mas os olarienses obstinados fundaram o Oriente que, por algum tempo, insistiu em dar fôlego aos ideais dos rapazes de 1915 e não deixou nosso futebol morrer. Inspirados em um nome que é o da terra do sol nascente, os criadores do Oriente não permitiram que o Olaria entrasse em um túnel sem luz. E veio mais do que isso. Veio o sol que, em 1947, com a construção de nosso estádio, nos levaria triunfalmente de volta à primeira divisão e tornaria o famoso “alçapão” a causa dos maiores calafrios de nossos adversários, pois “aqui era o Camboja, aqui o couro comia!”

E mesmo com o Maracanã, a partir de 1950, o gigantismo do maior do mundo não arrebataria os ânimos bariris, pois as campanhas do Olaria a partir de 1950 foram memoráveis, fossem dentro ou fora do alçapão. Tanto que ganhamos no Maracanã o primeiro título do Estado da Guanabara em 1960, quando sagramo-nos campeões do Torneio Início, após derrotarmos o Fluminense por 2 a 0 na final. Fora de campo, a degradação ambiental prenunciava o fim da Praia de Ramos, já no início dos anos 60. Mas o Olaria já era um leopoldinense cosmopolita e construiria seu parque aquático para orgulho e lazer dos seus associados e moradores de toda região.

E por que viramos “Atlético”? Porque o Olaria, embora tenha nascido do futebol, tornou-se um clube poliesportivo, conquistando inumeráveis títulos no basquetebol, ciclismo, natação, judô, voleibol, dentre outras modalidades. E nosso crescimento foi avassalador: logo após o maior parque aquático da Leopoldina, veio o maior ginásio de clubes do Estado do Rio de Janeiro. Quanto orgulho de ser Olaria! E quem não se orgulharia de ser Olaria, o clube onde Romário começou e onde Garrincha terminou? Quem não se orgulharia de ser Olaria, um dos poucos clubes que teve seu manto vestido por Pelé? Quem não se orgulharia de ser Olaria, primeiro campeão brasileiro da série C? Clube por onde passaram técnicos como Tim, Domingos da Guia, Paulinho de Almeida, Duque, Renê Simões e Antônio Lopes? Só quem não conhece ou quem ainda não saiu da caverna construída pela grande mídia que, com sua escuridão, só permite que seus prisioneiros vejam 4 clubes no Rio de Janeiro. Mas a realidade está aqui, pertinho de nós. Basta sair do túnel elitista da mídia, entrar nos trilhos e desembarcar na estação de Olaria. A saudosa cantora Nora Ney, o sambista Elton Medeiros, o economista Carlos Lessa e o técnico Joel Santana, também nos orgulham por serem torcedores declarados do nosso Olaria. Assim como nós, eles sabem o que é ser Olaria. É ter orgulho de mais de 100 anos de história em que, não sendo maioria, não tendo apoio da mídia, superando golpes históricos, crescendo impetuosamente, jamais desistimos, jamais desistiremos. Viveremos eternamente lutando para a concretização, pelo respeito e pelo crescimento dos ideais daqueles que naquela quinta- feira, primeiro de julho de 1915, ousaram fundar um clube de futebol em Olaria, raízes deste bonito e emocionante fruto azul e branco que tanto amamos!

PS: Dedico este texto à memória de nossos fundadores: Alfredo de Oliveira, Carolino Martins Arantes, Hermogêneo Vasconcellos, Isaac de Oliveira, Jaci de Oliveira, Gumercindo Roma, Manoel Gonçalves Boaventura.

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