O LEÃO DA METRO

“Está chegando a hora de tudo ser colocado no devido lugar.” (Jair Bolsonaro, em 17 de junho de 2020, “rugindo” mais uma vez).

Em uma mensagem (que não pode ser chamada de indireta) Bolsonaro mandou mais um recado para o STF. Insatisfeito com as ações da Suprema Corte, especialmente depois da autorização dada pelo Supremo para que fossem quebrados os sigilos bancários de parlamentares que são seus aliados. São dez deputados e um senador investigados por participação na máfia das fake news. Então, mais uma vez, Bolsonaro “rugiu”.

A biografia de Bolsonaro, aliás, pode ser resumida dessa forma: militar inexpressivo, parlamentar nulo, Presidente da República despreparado. Mas uma coisa sempre ele teve: a capacidade de rugir estrondosamente como um leão, mesmo sendo o rato que é. Como militar, foi um indisciplinado que respondeu a inquérito acusado de colocar bombas em quartéis. Saiu do Exército pelo esgoto. Mas sempre rugindo.

Depois, veio a fase de parlamentar. Como deputado federal por tantos anos, sua influência era nula. Ele era o baixo do baixo clero. Nada de projetos. Nada de produção legislativa. Mas notabilizou-se sempre pelos seus rugidos nazi-fascistas, que eram ignorados muitas vezes até mesmo por seus próprios pares.

E desde quando assumiu a Presidência da República Bolsonaro não fez outra coisa. Ele não governa. Ele não dialoga com a sociedade e com as instituições. O tempo todo ele continua rugindo: para jornalistas, para o coronavírus, para o Congresso, para o STF, para os adversários políticos, para as entidades internacionais. Depois do “eu sou a Constituição”, do “acabou, porra” e de outros rugidos autoritários, agora Bolsonaro, insatisfeito com o STF, que é um dos poderes da República, rugiu de novo, e disse que “está chegando a hora de tudo ser colocado no devido lugar.” O leão da Metro, que mais parece um rato, rugiu de novo.

Mas, pelo histórico de morde-assopra, depois da repercussão tudo vira fita. Igualzinho ao leão da Metro. Ruge, ruge, depois diz que defende a Constituição, a democracia e que respeita o STF e o Congresso. Só que agora o rugido foi mais alto.

Seria ameaça? Seria premonição? Seria blefe? Desde ontem que cientistas políticos, psiquiatras, astrólogos (incluindo o Olavo), psicanalistas e até estrategistas do terraplanismo estão se esforçando para decodificar a mensagem de Bolsonaro. Porque o rugido de ontem foi muito alto. Mas não o suficiente para intimidar o STF, que segue impávido como poder da República e já decidiu, por 8 votos a zero (por enquanto) que o inquérito da máfia das fake news irá prosseguir. Os juízes não se intimidaram com ameaças de bolsonaristas que defenderam, pelas redes sociais, o estupro e assassinato de suas filhas. E também não se intimidaram ao serem chamados de “filhos das putas” e ameaçados de levarem tiros a queima-roupa de bolsonaristas. O inquérito das fake news continua. Então, o leão da Metro rugiu: grrrrrrrrrrrrrrr... Aguardando agora o começo da nova fita…

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