MORO: DO OUTRO LADO DO BALCÃO

A Terra, ainda que para os bolsonaristas seja plana, continua a dar muitas voltas. E, em uma dessas voltas, Moro deixou de ser juiz, tornou-se um ministro figurante no governo fascista que, graças a ele, chegou ao poder e, finalmente, depois de usado, foi devidamente defenestrado. Agora, ele pede justiça. Agora, ele quer respeito. Agora ele quer imparcialidade e o estrito rigor da lei, sem conveniências políticas. Agora, ele quer o seu sagrado direito de defesa respeitado e invoca o respeito ao Estado Democrático de Direito. Tudo, absolutamente tudo o que ele não praticou, não cumpriu e não respeitou quando juiz. E ele deve mesmo estar muito preocupado com a PGR, comandada pelo procurador Augusto Aras. Ele não quer uma “justiça política”. Ele quer que tudo seja divulgado, a bem da verdade e da justiça. Pois é marreco… Como ensina o velho ditado: “No dos outros é refresco…”

Hoje ele está do outro lado do balcão. E deve ser muito incômodo, até revoltante, ter que enfrentar uma “justiça” que não leva em conta as provas e o direito de defesa. Hoje cidadão comum, ele tem do outro lado o Estado, que outrora ele próprio representou, sempre com parcialidade e ativismo político. Condenando sem provas. Fazendo conluio com procuradores. Interferindo como assistente de acusação. Não ouvindo quem poderia e deveria ser ouvido em favor da verdade (lembra do Tacla Duran?).

Agora, do outro lado do balcão, Moro começa a sentir na própria pele o veneno, as artimanhas e o ativismo político que ele próprio infringiu a outrem. A coisa pode até se reverter. De acusador, ele pode virar réu. Mas o ex-doutor juiz Sérgio Moro pode ficar tranquilo com uma coisa: todos aqueles que sempre o criticaram pela sua atuação política e parcial como juiz estarão do seu lado. Não do seu lado na briga com o Bozo. Até porque nessa briga não tem “mocinho”. Estamos todos ao seu lado na defesa de sua sagrada presunção de inocência, do respeito às provas, na divulgação de tudo o que possa ser o caminho da verdade. Que o senhor cidadão comum Sérgio Moro tenha garantidos todos os direitos e prerrogativas constitucionais estabelecidos na Carta de 1988 que ele próprio quando juiz não respeitou.

Sérgio Moro não é um caso isolado. Sabemos que muitos daqueles que, por pretensões políticas, usaram os mais subterrâneos e rasteiros recursos para clamarem contra o Estado de Direito. Aécio Neves foi um deles. Tanto o calhorda incentivou que a lei fosse rasgada que, quando ele foi vítima de seu próprio veneno, o próprio PT teve que defender os seus direitos constitucionais no Congresso. Lembra, senhor cidadão comum Sérgio Moro, da condução coercitiva do ex-Presidente Lula, decretada pelo senhor, quando sequer o intimaram para um depoimento? Tudo pelo show hollywoodiano da sua sempre parceira Globo

Pois é, cidadão comum Sérgio Moro. Agora, o senhor foi para o outro lado do balcão. E teremos muito que apoiar as suas prerrogativas e direitos constitucionais (o que não é favor, mas obrigação de qualquer cidadão), até porque o senhor não está enfrentando um presidente e um Estado qualquer. O senhor está enfrentando um Presidente miliciano e que quer implantar um Estado miliciano-policialesco no Brasil, controlar a Polícia Federal e que já tem até bandos e milícias armadas em sua defesa. Nunca o respeito ao Estado Democrático de Direito foi tão importante. Bem-vindo ao Estado Democrático de Direito, cidadão Sérgio Moro!

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