MORO X BOZO OU “O ROTO” X “O ESFARRAPADO”

Enfim, Sérgio Moro saiu do governo Bozo, desfazendo o consórcio pelo qual o ex-juiz garantiu, com sua atuação parcial e criminosa, a eleição do capitão fascista que, igualmente, exerce a Presidência da República de forma criminosa. Moro se deixou usar, assim como Bolsonaro também. Bolsonaro usou a popularidade de Moro como “moralista” e Moro usou o espaço no governo de Bolsonaro para firmar-se como político. Enquanto um foi útil para o outro, eles se aturaram. Mas sempre com cada um visando seu próprio ego e seus projetos pessoais e políticos. Porém, o tempo e os sucessivos desgastes fizeram com que o “cobertor ficasse curto”. Só haveria espaço para um (e, quiçá, para nenhum). E Moro, pela primeira vez, não aceitou ser desmoralizado, o que, aliás, é o que ele mais foi enquanto serviu como capacho do governo miliciano que ajudou, de forma decisiva, a levar ao poder. Afinal, de ingênuo Moro nada tem. Ou será que ele pensava que, se não teve poder nem para nomear uma suplente, repito, suplente, de um conselho meramente consultivo, ele acha que poderia emplacar o diretor geral da Polícia Federal? Então, ao ser mais uma vez desmoralizado por Bolsonaro, Moro revolveu não só chutar o balde. Ele partiu para o ataque contra seu ex-chefe. Ele se calou no caso do Queiroz e das rachadinhas do Flávio Bolsonaro. Ele se calou no caso das fake news de Carlos Bolsonaro e do gabinete do ódio. Ele se calou nas manifestações fascistas contra a democracia, até porque ele também é outro fascista. Mas agora, cansado de ser capacho de miliciano, ele acaba de nos oferecer uma baita delação premiada.

Moro disse tudo: um Presidente da República não pode aparelhar a Polícia Federal e querer usá-la politicamente. Também não pode ter acesso aos conteúdos de investigações e inquéritos em curso. Também não pode querer usar a Polícia Federal para blindar os crimes de seus filhos. Também não pode querer interferir no andamento de inquéritos de parlamentares de sua base, em curso no STF. Jamais um Presidente da República pode querer fazer da Polícia Federal um órgão de governo, quando esta deve ser um órgão de Estado. Moro “provou” tudo o que disse no seu “Diário Oficial”: o Jornal Nacional, seu parceiro de longas datas, presenteando a Globo com mensagens de texto entre ele e Bolsonaro e também entre ele e a deputada bolsonarista Carla Zambelli. Interessante. Dessa vez, ao contrário de quando o The Intercept apresentou mensagens de texto provando os crimes de Moro, a Globo não chamou-as de “supostas”. Agora, para a Globo, são mensagens “autênticas”. Aliás, o Jornal Nacional de ontem foi um verdadeiro “horário eleitoral gratuito” para Moro.

Mas, se por um lado Moro está certo sobre os crimes praticados por Bolsonaro que ele elencou, devemos lembrar que, se um Presidente da República não pode fazer nada daquilo, um juiz também não pode ser parcial. Um juiz também não pode ter militância política. Um juiz também não pode fazer conluio com procuradores. Um juiz também não pode sugerir a troca de um promotor. Um juiz também não pode vazar áudio de uma Presidente da República para a Globo. E um juiz também não pode vazar delação premiada faltando três dias para uma eleição, quando essa delação favorece o candidato que ele apoiava e do qual, depois, tornou-se ministro.

Ou seja, Moro e Bolsonaro são ambos criminosos. E agora temos a briga do “roto” contra o “esfarrapado”, em uma cisão já previsível da extrema-direita visando as eleições de 2022. A delação feita por Moro ao deixar o governo certamente culminará em inquéritos contra Bolsonaro e o processo de impeachment não poderá mais ser retido pelo Rodrigo Maia, que já não deve mais ter fraldas suficientes de tanto se borrar. Mas não nos esqueçamos de que em breve o próprio Moro será julgado no STF pela sua parcialidade no processo contra Lula. Enfim, nessa guerra entre entre Bolsonaro e Moro, que ainda vai render muito, ambos são indignos. Ex-comparsas, agora inimigos, ambos se merecem. E o Brasil não merece nenhum dos dois.

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