DINO E AS LIÇÕES DA HISTÓRIA

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“O Brasil vive uma conjuntura de trevas. Nós temos uma ameaça objetiva à vida democrática, à dissolução da nação. O nazismo está entronizado como política de Estado daqui e de acolá. O vídeo de Roberto Alvim não é algo isolado. É preciso ter responsabilidade.” (Flávio Dino, do PCdoB, governador do Maranhão, em entrevista à Folha/UOL, em 22 de janeiro de 2020).

Flávio Dino, o governador do Maranhão que foi chamado por Bolsonaro de “governador de paraíba que não deveria receber nada”, finalmente explicitou a necessidade pela qual a conjuntura política brasileira atual clama: é necessária a formação de uma frente ampla para combater a bolha nazi-fascista do bolsonarismo que está no poder. Flávio Dino parece não ter esquecido as lições de história e as conjunturas em que foram formadas as frentes amplas. Na época da ascensão do nazi-fascismo na Europa, entre os anos 1920 e 1930, formaram-se frentes antifascistas integradas por comunistas, socialistas e liberais. Tudo para combater e evitar a metástase do fascismo. O mesmo ocorreu no Brasil, nos anos 30, quando a Aliança Nacional Libertadora, uma frente de esquerdas, formou-se para combater o integralismo, a versão brasileira do fascismo.

O Brasil vive um momento onde definitivamente não há lugar para vaidades, egos ou disputa pela liderança da oposição. O momento atual do Brasil é de grave ameaça à democracia e ao Estado de direito e essas ameaças não têm sido pontuais. A fala nazista de Roberto Alvim, o secretário de Cultura nomeado por Bolsonaro, como bem disse Flávio Dino, não é algo isolado. Os ataques do bolsonarismo à imprensa e ao Poder Judiciário, as sucessivas menções a uma reedição do AI-5, os pedidos de bolsonaristas para o fechamento do STF, a censura, o nacionalismo exacerbado que escolhe “inimigos da Pátria”, associados ao fundamentalismo religioso colocam o Brasil em uma era obscurantista, onde o sectarismo e as vaidades políticas farão com que a escuridão do túnel pelo qual passamos aumente ainda mais.

Flávio Dino, ao defender a necessidade de uma frente ampla para combater o fascismo, em entrevista à Folha/UOL, foi bem claro:

“O que eu tenho defendido com a ideia da frente ampla é a compreensão de que, quando você está num quadro de defensiva estratégica, que é o que nós vivemos em 2013, e mais acentuadamente desde o impeachment, você tem de reunir forças para retomar as condições de apresentar o seu programa, transformá-lo em vitorioso e implementá-lo.” 

Dino está tão convicto, assim como nós, da necessidade de uma frente ampla, que já conversou até como direitista Luciano Huck. Não é hora de “petismos”, “psolismos”, “lulismos” ou qualquer outra denominação de vertente política que divida a oposição, o que só favorecerá o fascismo. Lideranças como Lula e o PT, Ciro Gomes e o PDT, Marcelo Freixo e o PSOL devem ter a responsabilidade de entender que um confronto, seja político ou de vaidades, entre eles, só irá beneficiar a bolha fascista que encontra-se no poder. Que as esquerdas, a exemplo de Flávio Dino, aprendam de uma vez por todas as lições da história. Por mais prematuro que possa parecer, a campanha para 2022 já começou e as eleições municipais deste ano serão uma prévia não apenas para as possibilidade eleitorais da esquerda, mas especialmente para a sua maturidade e responsabilidade políticas. Todos, sem exceção, terão que ceder em algum ponto, ainda que em uma eventual, porém necessária aliança, tenham que deixar alguns elementos de suas vozes para depois. Sob o risco real de calarem-se para sempre.

 

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