“CERCADINHO” É SÓ O COMEÇO…

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Passar a virada do ano na praia é algo que evoluiu como a própria praia. Se antes, para a elite econômica, a praia era coisa de “índio”, passar o Ano Novo na praia era pejorativamente tida por essa mesma elite como coisa de “macumbeiro”. Até que, em 1980, uma iniciativa do Hotel Meridién de soltar uma cascata de fogos, lançou uma tradição que culminaria no maior espetáculo pirotécnico do planeta: a queima de fogos em Copacabana no Réveillon. Mas, para isso, tiveram que tirar os espíritas das areias, porque agora entrava em cena o mercantilismo que traria sim recursos para a cidade, mas que não deveria chegar a um ponto tão absurdo. Muitas das coisas que nasceram sob a égide popular acabaram sendo apropriadas pela elite, privatizadas e gerando lucros para alguns. Mas o povo, em grande parte, foi escanteado. Aconteceu assim até mesmo com o próprio Carnaval.

Agora, chegamos ao absurdo e inadmissível patamar de privatizar espaços públicos, como a própria areia da praia. São os “cercadinhos”, autorizados por Decreto Municipal, que nada mais são do que privatizações de lotes da praia que tornaram-se áreas “VIP$”. Esse absurdo havia sido derrubado pelo TRF-2. Mas a Prefeitura recorreu e o STJ liberou a ocupação do espaço público das praias do Rio de Janeiro para fins privados. Esses “cercadinhos” chegavam a cobrar de 400 até 800 reais por pessoa, para os afortunados ficarem em uma área pública com mais conforto. São as “praias particulares”, com direito a lautas patuscadas e DJ particular. Tudo explorado pelos próprios quiosques, que já são concessionários de um espaço da praia. Ontem, em Copacabana, os “cercadinhos” não ficaram apenas nas areias e nos quiosques, mas invadiram os calçadões e até os barraqueiros resolveram tomar posse de seus “quinhões”. Nada muito diferente dos tão famigerados “flanelinhas”, que devem ser endemoniados pelos próprios “VIP$” que pagaram para ficar privativamente em um local que é de todos.

É inadmissível, sob todos os aspectos, a privatização de um espaço público como as areias da praia, para lucros de poucos. Os “cercadinhos” poderão ser o início de algo que, há algum tempo, já falávamos. Quem sabe, em um futuro não muito distante, surjam “camarotes VIP$” do Leme ao Forte de Copacabana? Seria o “neoliberalismo na praia”? Conforto e lucros para alguns… E Rede Globo para outros…

 

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