MORO E AS GARANTIAS

moro garantia 2

Sérgio Moro, o funcionário de Bolsonaro, recebeu de presente de Natal mais uma porrada, dentre as muitas que vem recebendo desde que aceitou participar do governo de ultra-direita. Dessa vez foi seu chefe (de novo!) que lhe desferiu um novo golpe: Bolsonaro manteve na lei anticrime o “juiz de garantias” o que, para os lavajatistas de todos os costados, é considerado um absurdo incentivo à impunidade. Moro esperava que seu chefe vetasse esse dispositivo e, depois de mais essa derrota, foi chorar o leite derramado nas redes sociais.

Se na época em que Sérgio Moro foi juiz de primeira instância existisse o “juiz de garantias”, muitas dos abusos e ilegalidades cometidos pelo próprio Moro não teriam acontecido. O exemplo mais marcante foi o do criminoso vazamento da conversa Dilma/Lula, que Moro entregou de bandeja para a sua parceira Globo soltar a bomba sensacionalista que “sacudiu o país”. Logo o Moro, que depois, quando foi desmascarado e desmoralizado pelo The Intercept, disse não gostar de sensacionalismo. Faz-me rir!

O que Moro ainda não externou, mas certamente a sua consciência mais pesada do que elefante deve ter em seu imo, é que grande parte da justificativa para a criação do “juiz de garantias” veio das ilegalidade e abusos cometidos tanto por ele como pelos seus parceiros lavajatistas do Judiciário e do Ministério Público. Não se trata de ser contra a Lava Jato ou contra o combate à corrupção, mas contra os métodos e práticas ilegais e abusivas por parte de algumas autoridades, dentre elas o próprio Moro quando foi juiz. Além da divulgação ilegal de grampos telefônicos, tivemos conduções coercitivas absurdas, quando o conduzido jamais havia sido intimado a depor. Tivemos operações policiais previamente anunciadas à Rede Globo, que chegava ao local da prisão ou da busca e apreensão antes mesmo dos policiais. Tivemos verdadeiras “colheitas” e não “coletas” de provas, visto que muitas delas foram mesmo plantadas contra réus politicamente selecionados. Tivemos divulgação de delação premiada (no caso, a do Palocci) na semana decisiva do segundo turno da eleição, nitidamente para prejudicar o adversário de Bolsonaro de quem, logo depois, Moro tornaria-se ministro. O lodaçal que manchou a Lava Jato foi, em grande parte, produzido e coordenado pelo próprio Moro, visto que a criação do “juiz de garantias” visa exatamente evitar que abusos, ilegalidades e fraudes processuais, isso sem falar na parcialidade e militância política, que marcaram a atuação do próprio Moro como juiz de primeira instância, não mais venham a acontecer.

Outro argumento dos “batmans lavajatistas” contra o “juiz de garantias” seria a “morosidade” na punição de corruptos. Interessante que esses mesmos “batmans” jamais reclamaram da morosidade do processo contra o tucano Eduardo Azeredo, que esteve em vias de prescrever depois de mofar por quase 20 anos na Justiça. Isso, ao mesmo tempo em que, em tempo recorde, Lula era julgado e condenado em duas instâncias. Também não se trata de defender Lula e sim de defender um tratamento equânime para que a Justiça verdadeiramente seja para todos, o que sabemos que não é. Até hoje Aécio, Alckmin, Serra, FHC e outros “inimputáveis” estão rindo na cara desses babacas.

Dois partidos políticos de direita já entraram com recurso no STF contra a criação do “juiz de garantias”: o Podemos e o Cidadania. É bom lembrar que no próprio Supremo existem ministros que já repudiaram publicamente a atuação de Moro como juiz. E a atuação ilegal, parcial e política de Moro quando juiz, certamente será objeto de discussão na Corte.

Não podemos encerrar sem fazer um questionamento: no mesmo dia em que Sérgio Moro foi às redes sociais protestar contra o “juiz de garantias”, aconteceu um atentado terrorista no Rio de Janeiro, com grupos fascistas assumindo sua autoria e, até hoje, o ministro da “Justiça” não fez qualquer pronunciamento sobre o atentado que desafia a já agredida democracia brasileira. O que Moro quer “garantir” com seu silêncio sobre o atentado terrorista e seu alarde contra o “juiz de garantias”?

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