BOZO E SUA SENTENÇA

pau de arar 2

“Se aparecer, boto no pau de arara o ministro, se ele tiver responsabilidade, obviamente.” (Jair Bolsonaro, afirmando que colocará ministro corrupto no pau de arara, em discurso em Palmas, Tocantins, em 12 de dezembro de 2019).

A tortura é um fetiche para Bolsonaro. Ao ponto de um torturador assassino ser o seu ídolo e autor do livro que ele já revelou ser sua leitura da cabeceira: o sanguinário Brilhante Ustra. Aliás, ditadura, AI-5, tortura, dentre outros expedientes, são o fascínio da família Bolsonaro. Agora, Bolsonaro afirmou que se algum de seus ministros for, comprovadamente, um corrupto, então ele o colocará no pau de arara, o instrumento de tortura que simboliza a ditadura militar no Brasil. Não me venham com esse papo de que é o “estilo”, é o “modo de ser” de Bolsonaro. Porque essa conversa de “ele é assim mesmo” não pode ser aplicada na apologia de crimes, especialmente considerados hediondos e que marcaram um período de tirania no país. Hoje, infelizmente, ele é o Presidente da República e tortura, pela Constituição, é um crime hediondo. A “ameaça” de Bolsonaro, além de ser uma falta de compostura por violar os princípios básicos da liturgia presidencial, é também criminosa. Bolsonaro quer ser “diferente” de outros Presidentes. Porque o recado dele deveria ser: “o ministro que for pego em atos comprovados de corrupção será exonerado e responderá dentro dos rigores da lei.” Mas isso é exatamente o que está na lei, e para Bolsonaro inflamar as suas hostes fascistas não seria o suficiente. Os cães danados têm que estar sempre ciosos.

Não é de hoje que Bolsonaro vomita suas pulsões bravateiras de tortura e extermínio. Ano passado, ainda em campanha pouco antes do segundo turno, disse que, se eleito, “mandaria os ‘petralhas’ para a Ponta da Praia” para serem metralhados. Lembrando que a “Ponta da Praia”, entre os milicos, é a Base Naval, localizada na Restinga da Marambaia, no Rio de Janeiro, para onde os opositores da ditadura eram levados para serem torturados e mortos. Seus séquitos tiveram espasmos orgasmáticos, como certamente tiveram ontem em Tocantins. Ocorre que agora, como Presidente, suas aberrações verbalizadas tornam-se muito mais graves. Ele afronta as leis. Ele afronta as instituições. Ele afronta os direitos básicos. Nada que chegue a surpreender em se tratando do líder de um governo que, segundo levantamento do Conselho Nacional de Direitos Humanos, em menos de um ano já violou 36 vezes os direitos fundamentais da pessoa.

Suas falas aberrantes parecem que são planejadas para serem expelidas em datas simbólicas. A “sentença do Bozo”, o asqueroso pau de arara, foi anunciada dois dias após a comemoração do Dia Internacional dos Direitos Humanos e na véspera do famigerado AI-5 completar 51 anos.

Levando-se em conta a nova “sentença do Bozo”, alguns ministros devem estar “piscando”. O primeiro deles é o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que confessou em um vídeo que viralizou pela internet, a prática de caixa 2. Se o próprio Sérgio Moro já falou que caixa 2 é pior do que corrupção, acredito que Bolsonaro não mandará o Onyx para o pau de arara. Esse deve ir direto para o “paredão”. E o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, o chefe das candidaturas laranjas que tirava dinheiro das mulheres? E o ministro predador do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que já foi até condenado por improbidade administrativa e escorraçado pelo seu próprio partido, o Novo? Isso sem falar no Secretário de Cultura, o tal do Roberto Alvim, que deixou de fazer uma licitação para contratar sua própria mulher… Pau da arara neles!

“Deus acima de todos”. Esse foi o lema da campanha bolsonarista. Que também era usado por Hitler, Mussolini, Salazar, Pinochet e outros tiranos sanguinários inspiradores de Bolsonaro. Que “Deus” é esse que apóia o pau de arara? Que “Deus” é esse que aprova a tortura?

Com certeza, mais esse impropério de Bolsonaro tem uma finalidade. Ele e sua turma, saudosistas dos tempos da ditadura, querem manter sempre acesas as chamas dos símbolos que marcaram o regime deprimente que defendem. Primeiro, eles falaram em colocar as tropas nas ruas em caso de manifestações contrárias ao governo. Depois, foi uma avalanche de apologias ao retorno do AI-5, passando pelo Dudu Bolsonaro, pelo general e até pelo ministro-banqueiro da Economia. Agora, Bolsonaro reaviva o pau de arara o que, evidentemente, ganhou páginas e manchetes pelo Brasil e pelo mundo afora, em se tratando de uma fala deplorável e ultrajante, porém impactante, vinda de um “Presidente da República”. É disso que, desgraçadamente, esses “pirralhos” da democracia e do Estado de direito vivem. Até que venha a sentença final do povo e das instituições democráticas.

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