O PARTIDO TREZOITÃO

aliança 3

“Um bom número, né?” (Jair Bolsonaro, sobre o número 38 do partido de sua família).

Neofascismo, militarismo e pentecostalismo. Assim pode ser resumido o tripé do partido lançado por Jair Bolsonaro e sua família (os verdadeiros donos da agremiação). O número do partido é 38, que evidentemente remete ao calibre mais famoso de revólver, o conhecidíssimo “trezoitão”. Mas o número também remete à escola de tiro frequentada pelos Bolsonaros, a “.38”,  localizada em Santa Catarina. Interessante foi Bolsonaro ter justificado que o número 38 “é mais fácil de gravar”. Tudo dentro da mais completa coerência bolsonarista.

O partido “Aliança Pelo Brasil”, que terá a família Bolsonaro no comando, repete o que todos os partidos fascistas do mundo sempre fizeram: apelos ultra-nacionalistas e religiosos, o anticomunismo e o moralismo de esquina. No lançamento, não faltaram menções a Deus e ao cristianismo, um apelo recorrente dos partidos fascistas. Mas o “Deus” e o cristianismo vêm junto com as armas pois, como não poderia faltar, uma das bandeiras do partido é a “luta incansável para que todos os brasileiros possam ter o direito de possuir e portar armas”. Uma escultura do logotipo do partido feita totalmente com projéteis chamava a atenção no evento que lançou o partido fascista de Bolsonaro.

O aborto é outro tema presente no discurso do partido e é enfocado apenas sob o aspecto religioso e não como um caso de saúde pública. Quando ao Judiciário, há um claro ataque ao que o partido chama da “ativismo judiciário”, certamente se referindo a Gilmar Mendes ou a Ricardo Lewandowski, por exemplo. Será que a crítica também iria para Sérgio Moro, porque talvez nunca tenha existido na história do Judiciário brasileiro um juiz tão ativista e engajado politicamente como o ex-magistrado, agora refém do bolsonarismo.

“Moralismo” não podia faltar. E a punição de bandidos com “armas ou canetas” é imprescindível. Será que o partido também inclui nos “bandidos com armas” os milicianos? Quanto aos “bandidos com canetas”, é bom lembrar que o empresário Paulo Otávio, que cedeu o auditório de seu hotel em Brasília para o evento de lançamento do partido, o Royal Tulip, possui várias denúncias de corrupção e chegou até a renunciar ao cargo de vice-governador do Distrito Federal em razão de seu envolvimento com o mensalão do DEM. O empresário, a quem Bolsonaro agradeceu e enalteceu em seu discurso, já até chegou a ser preso em 2014.

A mixórdia fascista sempre colocou no mesmo pote Deus e armas; combate ao aborto e política de extermínio; ataque a bandidos e apoio a grupos paramilitares. Assim, eles atraem os moralistas de ocasião, que se iludem pensando que são classe média. Também atraem os incautos, pela estratégia do discurso religioso. E, por trás de tudo isso, o ataque às instituições democráticas, à liberdade de expressão, aos artistas, aos professores, aos trabalhadores e seus direitos, aos sindicatos, às organizações estudantis, aos movimentos sociais. Só falta a marcha com Deus, família e balas, muitas balas…

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