ANTAGONISTA E O “RISCO LULA”

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Bolsonaro convocou a cúpula militar para uma reunião logo após a soltura do ex-Presidente Lula. Sob o título “Bolsonaro se reúne com militares para tratar risco Lula”, a informação foi divulgada no dia de ontem pelo site ultra-direitista O Antagonista. O site, em sua atitude permanentemente rancorosa, hostil e mentirosa, diz que a reunião teve como finalidade avaliar o cenário político após a liberdade de Lula, que, nas palavras do site, “passou a incitar atos de violência contra as instituições” (sic!)

Em primeiro lugar, é necessário lembrar que muitas reuniões devem estar acontecendo para tratar do que O Antagonista chama de “risco Lula”. Partidos políticos e candidatos devem estar mesmo convocando reuniões para avaliar o que poderá representar o Lula livre dentro do cenário político. Até aí, tudo natural. O próprio governo deve discutir e avaliar o impacto que a liberdade de Lula trará para o cenário político. Tudo absolutamente normal.

O que não é normal é O Antagonista afirmar que “Lula passou a incitar atos de violência contra as instituições.” Nos dois discursos que fez após deixar a prisão, Lula fez críticas contundentes ao governo Bolsonaro e ao que chamou de “banda podre” do Judiciário e Ministério Público (Moro, Dallagnol e Cia). Nada mais correto, vide as publicações do The Intercept, que o próprio Antagonista, um site “morista”, sempre tentou desqualificar. Lula também criticou a Globo, que sempre atuou parcialmente, inclusive em conluio com Moro, atacando Lula e o PT, sem nunca ter escondido seu viés antipetista e tucano. No entanto, dizer que Lula passou a incitar atos de violência contra as instituições é uma calhordice pseudo-jornalística. Lula reconheceu o resultado eleitoral de 2018. Lula afastou a ideia de impeachment de Bolsonaro. Lula, apesar de criticar algumas decisões da Justiça, jamais falou em “fechar o Supremo”. Lula, mesmo atacando o procurador monetizante Dallagnol, jamais falou em fechar o Ministério Público. Lula, mesmo atacando a Globo, em momento algum falou em fechá-la ou sequer atacou a liberdade de expressão e de imprensa. Onde está a violência contra as instituições?

A cegueira do pseudo-jornalismo calhorda do Antagonista é tão grande, que eles querem colocar Lula no mesmo saco daqueles que realmente atacam as instituições. Não foi Lula que falou que para fechar o Supremo bastava um cabo e um soldado. Não foi Lula que foi às ruas pedir o fechamento do STF. Não foi Lula que propôs um “novo AI-5” (que teve general presente na reunião com Bolsonaro defendendo). Não foi Lula que agrediu a OAB. Quem, afinal, está violentando as instituições?

Lula representa sim um grande “risco”. E o “risco Lula” deve mesmo estar incomodando essa gente. Porque ele é um risco à reeleição do Bolsonaro. Porque ele é um risco às pretensões de João Dória. Porque ele é um risco à pretensão de Ciro Gomes em liderar a oposição. Porque ele é um risco ao projeto neoliberal, entreguista e anti-povo do banqueiro Paulo Guedes e seus asseclas. Porque Lula, em apenas algumas horas depois de solto, já causou um impacto que vai sim incomodar muita gente que respirava aliviada com sua prisão. Não por serem defensores do “combate à corrupção”, porque muitos daqueles que deram piti com o voto de minerva do Dias Toffoli, calaram-se sepulcralmente quando o mesmo Toffoli suspendeu as investigações contra Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz. Lula deve mesmo representar um grande “risco”: é um risco ao fascismo, ao entreguismo, ao ataque aos direitos do trabalhadores, os mais penalizados no criminoso projeto do ministro-banqueiro Paulo Guedes. Parece que sendo considerado ainda apenas um “risco”, Lula já está fazendo muitos estragos e “resetando” projetos de seus opositores. E o cara ainda nem começou…

É necessário lembrar que a reunião de Bolsonaro, apenas com militares, não deixa de ser sintomática. Por que só militares para discutir o impacto político da liberdade de Lula? Se for para tratar apenas de política, dentro da Constituição e das regras do jogo democrático, tudo bem. Até porque, na reunião estava presente um general que afirmou poder sim ter um “novo AI-5”. Senão, sinal de alerta, porque o risco é bem outro!

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