REPELIDO ATÉ POR ALIADOS

 

macri 2Quando alguém, com menos de um ano de governo, começa a ser repelido até por aliados, é porque a coisa vai muito além da “maldita oposição” ou de “radiciais de esquerda” que, se colocarem as unhas de fora, terão como resposta um “novo AI-5“, como ameaçou esta semana o – literalmente – filhote da ditadura, Eduardo Bolsonaro. A crise neoliberal que se alastra pela América do Sul colocou em xeque as medidas ultra-liberais de acabarem com o Estado, especialmente da “redentora” Escola de Chicago. Chile, Argentina, Peru, Equador vivem crises similares. Crises ocorrem em qualquer regime, sejam neoliberais ou socialistas. E das crises, surgem os protestos. Porém, um governante verdadeiramente comprometido com a ordem e a democracia, com as legítimas demandas do povo e com seu próprio país, jamais buscará soluções autoritárias. No Brasil, em menos de uma semana, o Bolsonaro (pai) já falou no tal artigo 142 da Constituição, querendo mencionar um eufemismo para a sua tão sonhada intervenção militar, em caso de protestos no país; logo depois, o Bolsonaro (filho) ameaçou o país, sugerindo um “novo AI-5“. Enquanto isso, a ex-Presidente Dilma, cujos erros cometidos são inegáveis, ao sofrer uma série de protestos em 2016, afirmou “preferir a voz dos protestos das ruas do que o silêncio da ditadura.” O corolário da democracia é simples, muito simples.

Porém, o comportamento dos chefes de Estado dos países que vivem protestos, em meio à crise do modelo neoliberal “à la Paulo Guedes”, vão mostrando ao próprio Bolsonaro que ser liberal ou ser de direita não significa, necessariamente, ser fascista, como é o caso de Bolsonaro e seu clã. Sebastian Piñera, o presidente chileno cujo governo vem sofrendo uma onde de protestos, reconheceu os erros de seu governo. O mesmo Piñera já havia repudiado os ataques de Bolsonaro à Michelle Bachelet, sua opositora, e também condenou a apologia de Bolsonaro ao assassino sanguinário Augusto Pinochet, um dos ídolos do clã bolsonarista junto com o torturador e também assassino Ustra. Toma-lhe!

Em relação à Argentina, Bolsonaro já falou que não vai à posse de Alberto Fernández, em uma demonstração de total despreparo. Ao contrário, falou até que pediria a exclusão da Argentina do Mercosul. Com que justificativa? O regime democrático foi agredido por lá? Acho até que, se Bolsonaro e seu clã continuarem a fazer as apologias que vêm fazendo a medidas autoritárias, haverá razão é para que o Brasil seja excluído. Enquanto isso, Macri reconheceu a derrota e até cumprimentou o vencedor, de quem Bolsonaro, espumando de ódio, disse que não irá nem à posse, mesmo sem ainda ter sido convidado. Toma-lhe!

Já no Uruguai, o próprio candidato da direita, Lacalle Pou, recusou o apoio de Bolsonaro e acrescentou: “Se eu fosse o presidente e houvesse um processo eleitoral no Brasil, por mais que eu gostasse mais de um do que de outro, esperaria os resultados porque tenho que ter uma boa relação com o vencedor.” Ou seja, falou a Bolsonaro o mínimo do mínimo de como um Presidente da República deveria se comportar. Toma-lhe!

Diante do repúdio a Bolsonaro por seus próprios pares do continente, só nos resta agora aguardar Bolsonaro, ou um dos agentes ventríloquos de seu clã, dizer que o Piñera, o Macri e o Lacalle Pou são “comunistas” ou “esquerdopatas”.

 

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