A CICUTA DO DALLAGNOL

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E de repente o Dallagnol ficou “bonzinho”. Depois de todo o lodaçal do qual participou junto com Moro, agora ele é um procurador atento às leis e às garantias que dela são advindas. Ainda que tenha que ser para beneficiar o Lula. Dallagnol é um dos signatários do documento da Procuradoria-Geral da República, junto com mais 14 procuradores, que pedem para que o ex-presidente Lula seja beneficiário da progressão para o regime semiaberto. Seria uma estratégia política ou pessoal de Dallagnol? Ou ambas?

Dallagnol assinar qualquer documento que pleiteie qualquer benefício, ainda que mínimo, para Lula, é algo que deve ser recebido com todas as reservas. Alguém poderia dizer que ele só está cumprindo o que determina a lei. Lei que o próprio Dallagnol, junto com seu chefe Moro e outros procuradores jogaram no lixo em suas atuações políticas no processo contra Lula.

Os apoiadores de Lula estão divididos. Há os que entendem que ele deva usufruir do benefício, pois é um direito legal e não haveria porque ele permanecer encarcerado nas atuais condições. Mas há outros (e, ao que parece, a maioria), que entendem que Lula aceitar passar para o semiaberto seria um reconhecimento de culpa por parte do ex-Presidente. Com a Lava Jato de Moro e Dallagnol desmoralizada, então o reconhecimento, ainda que tácito, de qualquer culpa por parte de Lula, seria um trunfo a ser lançado em caso de quaisquer outros questionamentos (e muitos ainda virão), em relação à legalidade do processo que levou Lula à prisão, tirou-o da eleição e proporcionou a ascensão do fascismo ao poder. Isso sem contar que seria um prazer a mais para seus detratores ver Lula usando tornozeleira eletrônica e tendo que cumprir restrições que acabariam fazendo do semiaberto mais uma farra hollywoodiana-lavajatista. Mas parece que o aceno foi dado, porque Lula afirmou que só deixa a prisão com sua inocência reconhecida.

Isso faz lembrar o exemplo de Sócrates, o filósofo grego perseguido pela própria democracia em que viveu. Sócrates falava muito. Debatia muito e buscava em seus eternos questionamentos a essência de todas as coisas. Acusado de corromper os jovens e não honrar os deuses, foi preso e condenado à morte no ano 399 antes de Cristo. Na Assembleia, tanto os seus julgadores como os seus acusadores sabiam que o processo contra o filósofo era improcedente e depois de algum tempo eles viram o rolo em que se meteram. Então a Assembleia propôs a Sócrates que ele pagasse uma ínfima multa e sairia livre. Mas pagar a ínfima multa significaria reconhecer a culpa. Sócrates não aceitou e preferiu, serenamente, beber a taça de cicuta que lhe foi oferecida pelo carrasco.

O Brasil não tem pena de morte. Mas causa estranheza o Ministério Público pedir progressão de pena para o regime semiaberto, porque geralmente esse pedido é feito pela própria defesa. Caberia sim ao Ministério Público se pronunciar após o pedido e não tomar a iniciativa. E ainda por cima, com a chancela do Dallagnol, que perdeu a credibilidade junto aos seus próprios pares até para jogar porrinha… E nunca é demais acrescentar que o processo contra Lula pode até ser anulado.  Parece que essa bondade repentina (e desesperada) por parte dos procuradores esteja mais para cicuta do que para benefício. Quem sabe o cálice já não esteja, desde a Vaza Jato, nas mãos do Dallagnol? Tudo leva a crer que esse pedido inesperado e insólito da PGR não passa é de um cálice de cicuta que o Dallagnol quer que o Lula beba. Sou mais a velha cachacinha….

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