SIM, NÓS PODEMOS!

Nós podemos!

Bolsonaro está furioso. Sentiu na pele o que é uma “justiça à la Moro”. Sentiu na pele o que é um “espetáculo hollywoodiano” que ele e sua laia tanto aplaudiam em tempos pretéritos. A ação da Polícia Federal no gabinete do líder do governo no Senado,  Fernando Bezerra Coelho, do MDB (isso mesmo, o líder de Bolsonaro no Senado é do MDB – olha a “nova política” aí!) cumprindo mandados de busca e apreensão acirrou ainda mais a treta Moro/Bolsonaro. O senador emedebista líder de Bolsonaro é acusado de desvios em obras na época em que era ministro da Integração Nacional na gestão da ex-Presidente Dilma. A operação foi autorizada pelo ministro do STF Luís Roberto Barroso.

Bolsonaro pediu explicações a Moro e hoje sabemos que chegou a acontecer uma reunião fora da agenda entre Moro e Bolsonaro. A referida operação pode ter vários significados e desdobramentos, mas não resta dúvidas de que é, no mínimo, estranha e não consensual em relação aos órgão encarregados de investigação. Raquel Dodge havia rejeitado a referida operação, em que pese a ex-procuradora-geral tenha sido, durante todo o seu mandato, uma bajuladora de Bolsonaro. Mas a Polícia Federal insistiu, foi ao STF e o ministro Barroso autorizou. O que pode estar por trás de tal operação, que afeta diretamente o governo Bolsonaro?

Especula-se uma tal retaliação da Polícia Federal, talvez dando mostras de sua independência em relação a um governo que, declaradamente, quer aparelhar os órgãos de investigação de modo a blindar os familiares enrolados do Presidente. As frequentes declarações de Bolsonaro mostrando sua intenção de intervenção na Polícia Federal parece ter sido entendida pela instituição como sua transformação em um aparelho de governo e não de Estado. Seria um recado ao Bolsonaro da autonomia da Polícia Federal? Pode ser. Um recado do tipo “Sim, nós podemos!” Ou, quem sabe, um recado do próprio Moro?

Mas Bolsonaro é vingativo, conspirador, rancoroso, maníaco. Alguém terá que pagar a conta de ter mandado a Polícia Federal adentrar no gabinete de seu líder no Senado. Claro que ele não está nem aí para o respeito ao Legislativo e a um espaço que poderia até invocar uma certa imunidade, visto que ele sempre desprezou o Congresso e um dia até falou que o fecharia. Ele está preocupado com ele, sua família enrolada e com os danos políticos que a ação da Polícia Federal podem trazer. Afinal, trata-se daquele que lidera os senadores que apoiam o seu governo. E é aí que entra o Moro. Porque, como ministro da Justiça, ele comanda a Polícia Federal. Será que agora Bolsonaro demite o diretor da PF, Maurício Valeixo, homem de confiança de Moro? Moro teria interesse político na operação, como ele sempre teve interesse político como quando era juiz?

E agora, para quem irá sobrar? A cada dia parece não haver espaço no governo para a convivência Bolsonaro/Moro. Egos e ambições sobrepõem-se na luta entre “mito” e “ídolo”. A caneta, que parece não ser mais a BIC, ainda tem muita tinta. Mas a “República de Curitiba” já se rearticula. No caso da caneta de Bolsonaro funcionar, o marreco parece já ter uma palavra de ordem: “Sim, nós PODEMOS“. Para bom entendedor, uma palavra que também é uma legenda basta…

 

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