ARARIBÓIA DE SAIA

olá tribo

“Araribóia loteou Niterói e fez do índio seu office-boy…” (Trecho do samba-enredo “Foi malandro é”, do Império Serrano, Carnaval de 1984).

“Pena que a cavalaria brasileira não tenha sido tão eficiente quanto a americana, que exterminou os índios.” (Jair Bolsonaro, em declaração ao Correio Brasiliense, em 12 de abril de 1998). 

Araribóia, o índio-chefe dos temiminós, pode ser considerado na história como o “índio pelego”, aquele que lutou contra os próprios índios e passou para o lado dos invasores e colonizadores portugueses. Aliado dos colonizadores, Araribóia colaborou com estes, lutando contra a Confederação dos Tamoios, que foi uma frente de várias tribos indígenas contra a invasão portuguesa ao Brasil. Em troca, Araribóia ganhou terras onde hoje encontra-se a cidade de Niterói. Esqueceu a cultura de seu povo e até trocou de nome, passando a chamar-se Martim Afonso.

Ysani Kalapalo é uma índia moradora do Xingu e apresenta-se como “influenciadora digital”. Apoiadora de Bolsonaro, Ysani Kalapalo, a “influenciadora digital”, parece já ter absorvido bem as ideias e práticas do bolsonarismo e do olavismo. Depois que a índia bolsonarista publicou um vídeo em que afirma que as queimadas na Amazônia não passam de fake news para prejudicar o governo, ela caiu definitivamente nas graças de Bolsonaro. Como prêmio, não ganhará terras em Niterói. Nem no Xingu. Ela foi incluída na delegação brasileira que irá para a Assembleia Geral da ONU em Nova Iorque. Ficará ao lado de Ernesto Araújo, Ricardo Salles e Dudu Bolsonaro, “históricos defensores dos direitos dos índios”.

Dessa vez o Hélio Negão foi barrado no baile. Bolsonaro não precisará mostrá-lo ao seu lado para fingir que não é racista. O foco, na efervescente e hostil Nova Iorque, será o ambiente, o clima, as florestas. E nada melhor do que levar uma nativa à tiracolo para mostrar que ele também é amigo dos índios. Uma testemunha presencial de que as queimadas são fake news para prejudicar o seu governo.

Na véspera de seu discurso haverá a reunião da Cúpula do Clima da ONU. Mas lá ele não poderá levar a sua índia de estimação. Simplesmente porque o Brasil de Bolsonaro foi impedido de ter voz nesse evento. Mas certamente a indiazinha, com toda sua influência digital, irá convencer seu povo de que essa tal Cúpula não passa mesmo é de mais um antro de comunistas…

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