BOLSONARO REPETE COLLOR

bozo collor

“Vamos mostrar as cores que balançam nosso coração.” (Jair Bolsonaro, convocando a população para trajar o verde e amarelo no dia 7 de setembro).

Em 1992, quando estava prestes a sofrer o impeachment e com a popularidade baixíssima, o então presidente Fernando Collor apelou para o patriotismo e, em uma convocação oficial, pediu para que todos os brasileiros trajassem o verde e amarelo no dia 7 de setembro, que se avizinhava. O dia da Independência do Brasil seria o início da virada e talvez valesse até a épica frase do Duque de Caxias, em 1868, durante a Batalha de Itororó, na Guerra do Paraguai: “sigam-me os que forem brasileiros!” Na época, a reação foi imediata e logo foi lançada outra campanha: a de repúdio a Collor, recomendando a todos que, em sinal de luto, trajassem a cor preta. O preto venceu o verde e amarelo, a situação piorou para Collor, ele foi deposto e, o mais importante: aqueles que trajaram o preto eram sim brasileiros de verdade.

Agora Bolsonaro, em plena Semana da Pátria, faz a mesma convocação. Apelando para o sentimento patriótico, Bolsonaro convocou todos os brasileiros para saírem às ruas no dia 7 de setembro vestindo o verde e amarelo. Há muitas semelhanças entre os dois contextos, exatos 27 anos depois. Os discursos de Collor e Bolsonaro, em suas campanhas, eram “redentores” e pregavam o anticomunismo. Ambos chegaram ao poder com altos índices de popularidade. Porém, tal como Collor, o governo Bolsonaro, muito precocemente, esvaziou consideravelmente o seu capital político, o que fez do atual Presidente o governante de popularidade mais baixa no primeiro mandato, desde Collor, em 1990. Bolsonaro, com seu governo atolado em escândalos e medidas impopulares, que vão desde escândalos financeiros de sua família, passando pelos ataques à educação, nepotismo, perseguição à imprensa, falas agressivas, desprezo ao meio ambiente e sem qualquer medida eficaz para enfrentar os problemas nacionais, então ele lança mão do sentimentalismo nacionalista-populista.

A apropriação dos símbolos nacionais, como bandeira e cores, é um artifício para manter acesa a chama da polarização e da campanha eleitoral e, assim, um meio para eleger os inimigos internos da Pátria: quem não vestir o verde e amarelo, é “inimigo”. Agindo desse modo, ele não estará sendo muito diferente de ditadores que, na história, fizeram o mesmo apelo com a finalidade de fazer a mesma segregação: “amigos” e “inimigos” da Pátria. E, para aumentar o seu “nacionalismo”, os inimigos externos também não poderiam faltar: além de Cuba e Venezuela, a França já está no “index” do “Eixo do Mal” bolsonarista.

Já podemos ver, desde a convocação presidencial, manifestações contrárias ao apelo de Bolsonaro. Mas é exatamente isso o que ele quer. Enquanto perdurar a guerra cromática, a exaltação chauvinista do verde e amarelo, a demonização do vermelho e os ataques aos inimigos internos e externos, menos foco haverá para a paralisação da pesquisa científica no país, para o corte de verbas que estrangulam as universidades, para o nepotismo, para a depredação ambiental, para o Queiroz, para os “laranjas” do PSL, para a intervenção na Polícia Federal visando proteger familiares, para o Moro e suas conversas, para o COAF,  para a nova CPMF, para o desemprego… Melhor falarmos que quem não vestir o verde e amarelo no dia 7 de setembro é inimigo do Brasil…

 

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