BOZO X MORO: O BARRACO

bozo x moro 2

“Se o senhor não pode ajudar, por favor, não atrapalhe!” (Jair Bolsonaro para Sérgio Moro, em reunião no final de julho).

Sérgio Moro é a “bola da vez” do desastroso governo Bolsonaro. Depois das frituras de Gustavo Bebianno, Ricardo Vélez, do general Santos Cruz, de Joaquim Levy, do diretor do INPE, dentre outros, agora quem entrou no óleo fervente do Bozo foi o ex-juiz, que pensava que iria atuar no governo como ele atuava na Lava Jato. Moro imaginava que seria o “super-ministro”. Ledo engano. Acumulando as mais contundentes derrotas e humilhações no governo ultra-direitista que ele próprio ajudou a eleger com suas ilegalidades como juiz, parece que a defenestração se aproxima.

Já está claro que Moro não tem qualquer poder em seu próprio ministério. Isso já foi demonstrado quando ele sequer pôde nomear uma suplente para um órgão meramente consultivo. Agora Moro demonstrou insatisfação em relação ao protecionismo dado pelo presidente do STF, o cooptado ministro Dias Toffoli, a Flávio Bolsonaro, quando ordenou a paralisação de todas investigações originadas do compartilhamento de dados do antigo COAF (agora UIF – Unidade de Inteligência Financeira). Ao que se sabe, Moro teria pedido a Toffoli que revogasse a decisão sobre o COAF que beneficiou o filho do Bolsonaro. Afinal, Moro tem que prestar contas aos seus fãs que o alçaram à condição de “super-homem”. E calar-se diante do protecionismo filhotista-familiar do Bozo seria mais uma desmoralização para quem já anda tão desmoralizado.

A presença de Moro como ministro era importante para Bolsonaro, que tomou para si um discurso de combate à corrupção que tinha no ex-juiz a sua personificação. Além disso, a atuação de Moro como juiz foi decisiva para a vitória de Bolsonaro. Bolsonaro dava a entender que a recompensa viria com a indicação do “justiceiro de Curitiba” para ministro do STF. Mas, ao que tudo indica, o tal “bilhete premiado” não vai mesmo sair. Ou melhor, parece que já saiu, mas para o outro filho de Bolsonaro, Eduardo.

A situação de Bolsonaro e Moro chegou a um impasse. Evidentemente, já de olho em 2022, conforme ele mesmo sinalizou, Bolsonaro não tem interesse que Moro tenha protagonismo em seu governo. Isso foi demonstrado especialmente quando o tal pacote anticrime, a grande bandeira de Moro, talvez também visando 2022, foi colocado em segundo plano por Bolsonaro. Agora, Moro insurge-se contra o engavetamento das investigações das transações suspeitas de Flávio Bolsonaro e desperta a ira do Bozo. E agora? Bolsonaro demite Moro ou Moro se demite? O “barraco” ocorrido no final de julho e que teria resultado até em bate-boca entre Bolsonaro e Moro já é notícia no dia de hoje, em reportagem do jornalista Jailton Carvalho, do jornal O Globo. Moro não poderá negar, até porque, segundo o ex-juiz, a mídia da família Marinho é tão fidedigna que ele chegou até a usar matérias do mesmo veículo como “provas” contra Lula.

A saída de Moro do governo parece ser uma questão de tempo. O que não se sabe é quem tomará a iniciativa: se o próprio de se demitir ou o Bozo de demiti-lo. O escândalo da Vaza Jato deixou Moro enfraquecido e vulnerável no governo e ele passou a ter que engolir tudo a seco, especialmente quando Bolsonaro o enquadra, sempre lembrando-o que “ele já não tem mais a caneta”. Hoje, Moro sabe que o combate à corrupção não era uma pauta real do governo Bolsonaro.

Agora, humilhado por Bolsonaro e desmoralizado pelo escândalo da Vaza Jato, Moro espera pela demissão para, quem sabe, ir chorar nos braços do João Dória, que já até lhe ofereceu emprego? E muito provavelmente ele irá precisar…

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