FUTURE-SE: PRIVATIZE-SE!

faculdada dallagnolO projeto “Future-se”, lançado pelo ministro olavista da Educação para as universidades federais pode, sem dúvida, ser também chamado de “Privatize-se”. Tendo como palavras-chaves patrocíniopatrocinador, aluguel e parceria, nas palavras do próprio ministro Abraham Weintraub, as universidades públicas poderão ter desde O.S. (Organizações Sociais) para gestão e até “naming rights” em prédios das universidades, ou seja, o direito que empresas privadas teriam de expor seus nomes e marcas em prédios das universidades federais.

As universidades federais são espaços públicos utilizados para ensino e pesquisa e toda pesquisa deve ter um retorno para a sociedade como um todo. Pelo projeto “Future-se”, recursos da iniciativa privada poderão ser captados para a realização de projetos. Qual empresa da iniciativa privada irá investir em projetos que não sejam de seu próprio benefício? Evidentemente, a intenção é tornar as atuais universidades federais espaços (públicos) abertos aos interesses privados. Porque nenhuma empresa irá investir em algo que não seja lucrativo para ela, ainda que seja lucrativo só para ela. Os tentáculos privatistas já entram nas universidades federais de forma avassaladora. Imaginem que tipo de projeto uma empresa do agro-negócio, por exemplo, irá querer desenvolver em uma universidade pública. Weintraub recusa-se a falar em privatização, embora o que esteja sendo feito é mesmo a privatização das universidades públicas. O ministro olavista fala em “complementação do orçamento”. Mas como entender “complementação do orçamento” se o próprio governo bloqueou 30% dos recursos das universidades? Essa tal “complementação” não passa de um rombo orçamentário doloso por parte do governo como pretexto para abrir caminho à privatização das universidades federais.

Tudo deve visar o “retorno imediato.” Por isso, está confirmada a extinção da Filosofia e da Sociologia. Weintraub confirmou que qualquer pessoa pode estudar Filosofia, mas com dinheiro próprio, sem apoio de verbas públicas. Certamente o ministro deve estar sinalizando que quem quiser estudar Filosofia, que inscreva-se nos cursos on line do guru bolsonarista, o “filósofo” Olavo de Carvalho, aquele que ensina a seus alunos que não se deve combater a ideia ou pensamento de um adversário e sim o próprio adversário.

“Naming right”. Pensei que esse direito fosse concedido apenas por clubes de futebol aos patrocinadores de suas “arenas” (estádio é coisa do passado). Aliás, receio que as universidades virem mesmo “arenas” com o  projeto privatista do governo Bolsonaro. O “naming rights” será fatalmente concedido a empresas que farão das universidades públicas um tentáculo de seus investimentos. Com o direito dado às empresas de exporem seus nomes nos prédios das universidades federais, já estamos imaginando o prédio da faculdade de Economia chamado “Havan”. Ou o prédio da faculdade de Engenharia chamado “Odebrecht”. Ou ainda o prédio da faculdade de Medicina chamado “Unimed”. Quem sabe o prédio da faculdade Direito venha a ser chamado de “Dallagnol Cursos e Palestras Ltda” ? Achou estranho? Então, “future-se”!

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