PDT, PSB E O “COMPLEXO DE CORNO”

pdt psb cornos 2Passada a votação do primeiro turno da reforma da previdência na Câmara dos Deputados, com a vitória dos banqueiros e do “mercado”, os partidos contabilizam o número de deputados que não seguiram a “orientação partidária” (eufemismo para traição). A história mostra que sempre existiu, especialmente nas grandes votações, dissidências por parte de parlamentares em relação à orientação do partido. Só para lembrarmos votações históricas, isso aconteceu, em 1984, na votação da Emenda Dante de Oliveira, conhecida como “diretas já”, em que alguns deputados do então PDS (o partido do governo militar) votaram a favor da emenda, contrariando os generais. O mesmo ocorreu em 1992, no impeachment de Collor e em 2016, no impeachment da Dilma. No entanto, essas traições, historicamente nunca chegaram a 5% do total da bancada.

Porém, o que aconteceu em relação às traições nas bancadas do PDT e do PSB na votação da reforma da previdência foi assombroso. Partidos tradicionalmente de centro-esquerda e que possuem uma histórica pauta em defesa dos direitos dos trabalhadores, PDT e PSB contribuíram maciçamente para a vitória da reforma Guedes/Maia. E não adianta colocar a culpa apenas na menina Tábata. Em relação ao PDT, dos 27 deputados federais da bancada, 8 votaram a favor da reforma, o que perfaz cerca de 30% do total. Já no PSB, dos 32 deputados, 11 votaram favoravelmente à reforma encomendada pelos banqueiros, o que representa aproximadamente 35%. São números inadmissíveis para o eleitorado e injustificáveis pela direção de qualquer partido.

Alguém poderá argumentar que, nos partidos de direita, que orientaram seus deputados a votarem favoravelmente à reforma, também aconteceram traições. Sim, mas foram exceções excepcionalíssimas. Como exemplos, podemos citar o PSDB: dos 29 deputados tucanos, apenas 1 votou contra a reforma. Outro partido de direita, o PP, do total de 39 deputados teve apenas 3 que votaram contra a reforma dos banqueiros. No PL, dos 38 parlamentares, apenas 1 votou contra a reforma. Em todos os partidos de direita em que foram registradas traições, os números estão em um nível insignificante. O que, afinal, se passa com o PDT e com o PSB?

Há muito que o PDT de Brizola acabou. Como também acabou o PSB de João Mangabeira. Aqueles partidos com histórica luta em defesa das bandeiras dos trabalhadores, infelizmente parece que se foram com seus maiores líderes. O PSB, inclusive, chegou a dar sustentação a medidas criminosas do governo golpista de Temer e, há tempos, nada mais guarda daquela histórica “esquerda democrática” surgida em 1947. Quanto ao PDT, parece que não aprendeu nem depois do que aconteceu na eleição para governador do Rio de Janeiro. O partido aceitou a filiação de Pedro Fernandes, político que tem, junto com sua família, uma trajetória sinuosa por partidos de direita. Pedro, o “mascote” da família Fernandes, tem o projeto pessoal de ser candidato a Prefeito do Rio em 2020. Então, precisava de uma legenda que tivesse tempo na TV e pudesse participar dos debates. O PDT deu-lhe a legenda. Ato contínuo, no segundo turno, Pedro Fernandes apoiou o candidato do Bolsonaro, Wilson Witzel, e tornou-se seu secretário de Educação. Será que só o PDT não percebeu que Pedro Fernandes era uma “Tábata de calça”?

Os quadros fiéis do PDT e do PSB há tempos estão incomodados com essas traições. Mas, pelo histórico de providências tomadas e de filiações absurdas que são aceitas repetidamente, parece que esses dois partidos viverão, para sempre, um “complexo de corno”. Brizola e João Mangabeira não mereciam isso.

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