O ESCRIVÃO DE POLÍCIA SERÁ EMBAIXADOR?

eduardo-escrivc3a3o.jpgSeria inacreditável e absurdo se não fossem os exemplos pretéritos dentro do próprio governo. Acreditem. Bolsonaro quer nomear o seu filho Eduardo, que acaba de completar 35 anos (a idade mínima exigida em lei), para embaixador nos Estado Unidos. Não é brincadeira. Hoje, alguns colunistas lembram que o único exemplo de tal absurdo é a Arábia Saudita, uma ditadura sanguinária que recentemente assassinou um jornalista, ditadura esta apoiada por Trump e Bolsonaro, em que o rei nomeou seu próprio filho como embaixador.

Bolsonaro diz que o filho está preparado: “Ele fala inglês e é amigo dos filhos de Trump.” Acreditem de novo: o disparate que acabamos de citar foi dito, com todas as letras, por Bolsonaro, exaltando a “qualificação” do filho para ocupar o mais alto posto da diplomacia nacional. O cargo de embaixador significa a chefia de uma missão diplomática permanente e a lei estabelece que seu ocupante deva ser escolhido entre os ministros de primeira classe do Itamaraty. Excepcionalmente, ministros de segunda classe podem ser escolhidos. E, mais excepcionalmente ainda, o cargo pode ser ocupado por brasileiros natos maiores de 35 anos, mesmo que fora do Itamaraty. Evidentemente, neste último caso, onde enquadra-se o filho do Bolsonaro, supõe-se, no mínimo, uma qualificação para o ocupante do posto. Além do flagrante nepotismo, que mostra claramente que o governo vem sendo dividido em quinhões entre a família do Presidente, a única “qualificação” que Eduardo Bolsonaro possui é a de ser escrivão de polícia. Eduardo Bolsonaro nunca passou nem na porta do Instituto Rio Branco. O único concurso que prestou e foi aprovado foi o de escrivão de polícia, de nível médio, e sua experiência em relações internacionais é nula.

Para um governo em que o ministro do meio ambiente é um condenado por crime ambiental; para um governo em que o ministro das Relações Exteriores diz que o aquecimento global é uma conspiração comunista e o nazismo é de esquerda; para um governo em que a ministra dos Direitos Humanos diz ter visto Jesus na goiabeira; para um governo em que o ministro da Educação diz que as universidades mais conceituadas do país fazem balbúrdia; para um governo em que a ministra da Agricultura é conhecida como “a musa do veneno”; para um governo em que o ministro do Gabinete de Segurança Institucional diz ser “falta de sorte” um sargento ser preso com 39 quilos de cocaína no avião presidencial; para um governo em que o ministro da Justiça é um ex-juiz acusador e fraudador de processos… Não chega a ser surpresa um escrivão de polícia tornar-se embaixador nos Estados Unidos…

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