E O 13 LEVANTOU A TAÇA!

daniel alvesO teste de popularidade que Bolsonaro disse que faria com Sérgio Moro ( e não com ele próprio) trouxe surpresas desagradáveis para o ultra-direitista ontem no Maracanã, na final da Copa América entre Brasil e Peru. Bolsonaro já havia avisado que iria ao jogo junto com o ministro do escândalo da Vaza Jato, acrescentando que “o povo vai dizer se o Moro está certo.” Foi mais uma tirada de Bolsonaro para jogar seu ministro, já depauperado pelos escândalos, na fogueira. Mas não adiantou. Protestos do lado de fora do Maracanã repudiaram Bolsonaro. Dentro do Maracanã, Bolsonaro foi vaiado. E, na solenidade de entrega das medalhas, o técnico Tite evitou ter qualquer contato com Bolsonaro, recusando-se, inclusive, a cumprimentá-lo.

As vaias registradas quando Bolsonaro entrou em campo para a premiação vieram, em grande parte, de setores mais elitizados do estádio, o que mostra queda de popularidade em seu próprio eleitorado, visto que as camadas mais ricas votaram em Bolsonaro. Evidentemente também foram entoados gritos de “mito”.  Quantificar vaias e aplausos é impossível e, como sempre, cairemos em um conflito de narrativas. Bolsonaro foi sim vaiado e também foi aplaudido. Entretanto, por estar no Rio de Janeiro, onde foi maciçamente votado e em um evento em que os ingressos eram caríssimos e, portanto, com um público elitizado (exatamente o perfil de seu eleitorado) e levando-se em conta ainda que só transcorreram seis meses de seu governo, esse misto de vaias e aplausos dá bem o sinal da vertiginosa queda de sua popularidade.

Querer se apropriar da seleção, dos símbolos nacionais, das cores nacionais ou das vitórias esportivas é uma tática fascista antiga. A bandeira, as cores e a seleção brasileira de futebol não pertencem a um grupo político, como os fascistas hoje no poder querem dar a entender. E as vitórias esportivas não encobrem escândalos do governo, como o do Queiroz, do envolvimento com as milícias, dos “laranjas” do PSL, da cocaína no avião ou da compra do “Centrão” para aprovar a reforma da previdência. Também não encobre o escândalo da Vaza Jato, que desmascarou o ex-juiz criminoso.

Moro não foi ao campo, conforme havia prometido Bolsonaro. Certamente, além das vaias, o ex-juiz bolsonarista tenha evitado ver, de perto, Daniel Alves, o capitão número 13 do Brasil, levantar a taça. Depois dos últimos acontecimentos, ver o número 13 erguer a taça? Certamente um simbolismo, talvez de uma outra vitória. Mas essa Moro não irá comemorar.

 

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