MORO E OS PROCURADORES

intercept parte 8

“E a “escadinha” disso tudo foi terrível: Moro ajudou a derrubar a esquerda, sua esposa fez propaganda para Bolsonaro e ele agora assume um cargo político. Não podemos olhar isso e achar natural.” (Mônica Chequer, em 1º de novembro de 2018, em postagem no grupo BS, dos procuradores da República, divulgada pelo The Intercept).

As revelações do site The Intercept vão, cada vez mais, mostrando o crescente processo de erosão moral, ética e profissional do ex-juiz e ministro bolsonarista Sérgio Moro. Desde que as conversas vêm sendo divulgadas, a OAB, juízes, juristas, ex-ministros do STF, ex-apoiadores nas redes sociais e grande parte da mídia outrora aliada de Moro, vêm mostrando um posicionamento de repúdio à conduta nitidamente parcial e política do ex-juiz. No capítulo do escândalo divulgado ontem, podemos ver também, dentre outras revelações, que os próprios procuradores mostravam-se preocupados com os interesses pessoais e políticos de Moro, sua aliança com Bolsonaro, seu desdém ao Ministério Público e o temor de que as atitudes políticas e ilícitas de Moro comprometessem toda a Lava Jato“Moro se perdeu na vaidade. Que pena”, disse a procuradora Janice Ascari.

O escândalo da “Vaza Jato” vai, cada vez mais, desmoralizando o já desmoronado outrora “herói” Sérgio Moro. E as novas revelações divulgadas ontem na parte 8 da reportagem mostram que os próprios procuradores, tanto os que atuavam na Lava Jato, como os que não estavam na operação, deploravam as atitudes de Moro, acusando-o de ter uma agenda pessoal e política (o que foi confirmado com com sua ida para o governo Bozo), não mostrando confiança em seus atos e que o ex-juiz sempre teria visto o próprio Ministério Público como um entrave, ao considerá-lo um “mal constitucionalmente necessário”. Porém, a questão da evidente parcialidade de Moro incomodava, e muito, os integrantes do Ministério Público, conforme mostram claramente as conversas em um chat de procuradores divulgadas ontem pelo The Intercept. Um dos procuradores, Antônio Carlos Welter, chega a dizer em uma das conversas, que a atitude de Moro era “incompatível com a de juiz.” “Moro viola sempre o sistema acusatório”, afirmou outra procuradora.

O novo capítulo do escândalo fará com que o valor semântico de uma palavra bem conhecida dos brasileiros venha a ser enriquecido. Nas conversas, os procuradores falam de um artifício de Sérgio Moro que eles chamam de “tabelinha”, que seriam algumas absolvições pontuais para que o ex-juiz passasse uma falsa percepção de parcialidade. Isso, dito pelos próprios procuradores. Portanto, até os procuradores já sabiam dos absurdos crimes processuais cometidos por Moro. Pena que se omitiram e permitiram, com suas omissões, que Moro continuasse praticando seus crimes de fraudes processuais.

As conversas entre os procuradores mostram claramente que todos eles não tinham mais dúvidas em relação à conduta pessoal e política de Moro em suas atividades como magistrado. Falavam em vaidade e interesse político. É nítida a preocupação dos procuradores em relação ao seu envolvimento político nas eleições de 2018 e, mais ainda, ao aceitar ser ministro de Bolsonaro. A preocupação dos procuradores era clara, porque seria a culminância da certeza que que o interesse de Moro sempre foi, na verdade, político. No dia 28 de outubro de 2018, o procurador Alan Mansur postava a mensagem: “Esposa de Moro comemorando a vitória de Bolso nas redes.” E outro procurador, José Robalinho Cavalcanti, responde: “Erro crasso. Compromete Moro. E muito.” Então, a procuradora Janice Agostinho Barreto Ascari conclui: “Moro já cumprimentou o eleito. Como perde a chance de ficar de boa, pqp.”

E até o próprio Deltan Dallagnol, que sempre esteve a serviço de Moro, em sua participação em um dos chats, mostra preocupação com a credibilidade da Lava Jato, afirmando que as alegações de parcialidade viriam. Disse Dallagnol à colega Janice Ascari: “Jan, não sei qual sua posição sobre a saída do Moro pro MJ, mas temos uma preocupação sobre alegações de parcialidade que virão.”

A conclusão de toda essa podridão que veio ao nosso conhecimento é que, se os próprios procuradores reprovavam a atitude de Moro como juiz, então o próprio Ministério Público deveria pedir a nulidade processual das decisões de Moro. Será que eles vão negar as conversas? Ou, se confirmarem e tiverem a coragem de tomar as medidas cabíveis, que não tomaram no tempo devido, algum general apareceria em cena para ameaçá-los?

Os diálogos entre os procuradores, em sua íntegra, revelam mais detalhes sobre a visão que eles tinham de Moro. A parte 8 do escândalo da Vaza Jato pode ser visualizada no link abaixo:

https://theintercept.com/2019/06/29/chats-violacoes-moro-credibilidade-bolsonaro/

 

 

 

 

 

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