DALLAGNOL E A LIBERDADE DE IMPRENSA

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“Jornalista que vaza não comete crime.” (Deltan Dallagnol, em novembro de 2015).

“Autoridades públicas estão sujeitas a críticas e têm uma esfera de privacidade menor do que o cidadão que não é pessoa pública.” (Deltan Dallagnol, em maio de 2018).

Deltan Dallagnol, o comandante “no papel” da força-tarefa da Lava Jato, cujo verdadeiro comandante e acusador era o ex-juiz e hoje ministro bolsonarista Sérgio Moro, nos tempos em que a Lava Jato vazava depoimentos, delações e até conversa da ex-Presidente Dilma, era um “defensor perpétuo da liberdade de imprensa”. Para Dallagnol, o “jornalista que vaza não comete crime.” E mais: o subordinado de Moro na acusação do ex-presidente Lula afirmou, com todas as letras, que “as autoridades públicas têm uma esfera de privacidade menor do que o cidadão que não é pessoa pública.” Então, partindo desse princípio, porrada no lombo do Lula, do PT, da esquerda, sempre com vazamentos e em parceira com a Globo. Tudo pelo interesse público, como dizia Moro. Tudo pela sagrada liberdade de divulgar o que as autoridades públicas fazem. As afirmações de Dallagnol em defesa de vazamentos feitos por jornalistas estão nas últimas divulgações feitas pelo The Intercept. Agora, em parceria com a Folha de São Paulo.

O posicionamento de ampla liberdade de imprensa, defendido outrora por Dallagnol, contradiz o que o seu chefe de acusação, Sérgio Moro, disse aos senadores, que chamou os vazamentos feitos pelos jornalistas de “criminosos”. Mas só agora? E antes, quando Moro, Dallagnol e toda a turma da Lava Jato vazavam informações sigilosas para a Globo, aí não era crime? Eles não imaginavam que, um dia, a Lava Jato se transformaria na “Vaza Jato” e seria desmoralizada pelo seu próprio veneno. A Folha de São Paulo, nova parceira do The Intercept na divulgação da “Vaza Jato”, e que nada tem de petista ou esquerdista, já atestou a autenticidade das mensagens criminosas entre Moro e seus “subordinados” do Ministério Público.

Dentre as novas mensagens divulgadas, temos aquelas em que Dallagnol revela-se um ferrenho defensor da liberdade de imprensa e do vazamento feito por jornalistas que, segundo o procurador, não cometem qualquer crime. E ele estava corretíssimo ao fazer essa afirmação. Porque quem pode, eventualmente, incorrer em crime são os agentes públicos que vazaram as informações que deveriam ser sigilosas. Certo, senhor Moro? Certo, senhor Dallagnol?

Agora que Moro, Dallagnol e outros procuradores são objetos de vazamento, então, a tática fascista, como não poderia deixar de ser, de Moro e seus cupinchas, é a de criminalizar a imprensa e o jornalismo. Terão muito o que “criminalizar”. Até porque grande parte da outrora mídia pró-Moro já está desembarcando da canoa furada em que se meteram. Perguntem à revista Veja. Perguntem ao Estadão. Mas, além do The Intercept, terão que criminalizar a Folha de São Paulo, o Reinaldo Azevedo e o verdadeiro “pool” jornalístico que está se formando em torno da “Vaza Jato”. Se bobear, até O Globo entra nessa. Mesmo porque Moro já foi usado, cumpriu sua “missão” e já pode ser descartado.

Concordamos com Dallagnol quando ele diz que jornalista que vaza não comete crime e que autoridades públicas possuem privacidade menor do que o cidadão comum. A vida deu voltas e a mesma liberdade de imprensa defendida por Dallagnol hoje bate à sua porta e escancara a verdade. Receba-a bem. Até porque, como dizia o seu chefe de acusação, Sérgio Moro, quando vazava conversas: “é tudo pelo interesse público”.

 

 

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