SOS JUSTIÇA!

vaza jato

Falarão que estamos acusando com base em notícia de jornal e indícios frágeis… então é um item que é bom que esteja bem amarrado. Fora esse item, até agora tenho receio da ligação entre petrobras e o enriquecimento, e depois que me falaram to com receio da história do apto… São pontos em que temos que ter as respostas ajustadas e na ponta da língua”. (Deltan Dallagnol, procurador da Lava Jato, em uma mensagem divulgada pelo The Intercept, na qual ele próprio duvida das provas contra Lula em relação ao tríplex). 

Para aqueles que insistem em não aceitar a realidade desbaratada pela operação Vaza Jato, revelada pelo The Intercept, nada como um exercício de empatia para vermos o que essas pessoas fariam se fossem vítimas de um conluio judiciário para condená-las e prendê-las:

Imagine que você foi condenado e preso, mesmo negando todas as acusações. Imagine ainda que, durante todo processo em que você foi condenado, a sua defesa sempre duvidou da imparcialidade e da isenção do juiz. E mais: que sua defesa sempre chamou atenção para uma combinação dos acusadores e do juiz com a mídia, de modo a divulgar tudo o que supostamente poderia incriminá-lo. Até na audiência, você fala ao juiz sobre uma nítida atuação da mídia contra você, mas o juiz diz não ter controle sobre o que a mídia divulga. Não teve jeito. Você foi condenado e, por conta disso, não pôde participar de uma eleição onde era o favorito. Seu recurso, julgado em tempo recorde, é negado. Você continua preso e seu maior adversário ganha a eleição.

Pouco mais de um ano após a sua prisão, conversas autênticas entre o juiz e os procuradores do caso são reveladas. Nas conversas, percebe-se claramente que o juiz instrui procuradores, agindo como um verdadeiro advogado de acusação. Fica comprovado ainda que houve uma combinação de juiz e procuradores com a mídia, visando divulgar conteúdos que o incriminasse. E fica ainda revelado que o procurador que o acusava tinha dúvidas e até receio de fazer a acusação por insuficiência de provas. O procurador falava em treinar para ter as respostas na ponta da língua, tamanha a inconsistência das provas segundo ele próprio. Então perguntamos: você aceitaria a sua condenação e acharia que todo o processo foi justo? Faça uma empatia e coloque-se nesse lugar. Esqueça os ódios. Esqueça o Lula. Esqueça o PT. Apenas coloque-se nesse lugar. Não há como fazer contorcionismo. Em uma situação dessa, você exigiria imediatamente a sua libertação e a anulação de todo processo, certo? Ou você aceitaria resignado uma condenação feita por um juiz parcial, que atuou como advogado de acusação e ainda resultante de uma acusação em que o próprio procurador tinha dúvidas e receio em relação a ela?

Hoje está provado que a Lava Jato foi (e continua sendo) uma farsa. E isso não significa que não houve corrupção no país. A corrupção está na epigênese da nossa história. Porém, tudo o que acontecia na Lava Jato sempre dava a impressão de ser algo direcionado. Nós tínhamos a convicção. Agora, temos as provas. Certo, “doutor” Dallagnol? Claro que houve corrupção nos governos petistas. Como nos governos tucanos. Como também houve no governo Collor, Sarney e na ditadura militar. Porém, se víssemos o peso da Justiça ser equânime, não poríamos em dúvida a operação. E nem a própria Justiça. Vamos a alguns exemplos:

Sempre me perguntei o porquê de o processo contra o tucano Eduardo Azeredo praticamente apodrecer nos arquivos do Judiciário. Quase prescreveu. O mensalão é uma criação tucana de 1998. Bem anterior ao do PT. Porém, os petistas foram julgados e condenados em tempo recorde. E, apesar de o maior número de envolvidos no mensalão ser de partidos de centro-direita e de direita, conseguiu-se encasquetar na cabeça do povo que a corrupção é exclusividade da esquerda.

Também sempre me perguntei porque o Aécio é um eterno inimputável. E não tem essa conversa de “foro”. Quando a Justiça, no caso o STF, teve o poder de puni-lo, a doutora Carmen Lúcia tremeu mais do que vara verde e votou pela entrega do playboy a seus pares do Senado. Salvaram a pele do playboy do pó.

Os escândalos do governo Temer foram mais expostos do que umbigo de vedete. Vergonha transnacional. “Tem que manter isso”. Pouco antes, o profeta Jucá, outro eterno inimputável, já predizia: “Acordo nacional com o Supremo e com tudo.”  Lamentavelmente, o que a “Justiça” fez até hoje foi comprovar a profecia do Jucá. E até hoje Temer e Jucá estão soltos, rindo da nossa cara.

E o que dizer do Alckmin? Já faz mais de um ano que ele perdeu o foro. Tudo parado. Escândalo do Metrô, escândalo da merenda escolar. E o Serra? Esse, sabiamente, como um bom ET, já se embrenhou no espaço sideral e ninguém nem mais o vê. Nem ele e nem os 20 milhões que ele recebeu do Joesley.

Também sempre me perguntei o porquê de Moro ter absolvido Claúdia Cruz, a mulher de Eduardo Cunha, mesmo com uma farta prova documental de suas falcatruas financeiras no exterior. Pouco antes da absolvição, Cunha já havia ordenado para que “não mexessem com sua família”. Será que o “herói de Curitiba” se cagou ou a absolvição fez parte do “acordo”?

Se a Lava Jato como um todo e a Justiça de um modo geral tivessem mãos pesadas para todos, talvez não levantássemos dúvidas. E mais: só houve ameaça de generais ao Judiciário quando foi julgada alguma matéria que poderia, dentro da lei, beneficiar o Lula. Por que os generais não ameaçaram o Supremo quando a Corte julgou o caso Aécio?

Quem diz que ainda acredita nessa Lava Jato (certamente tem que ser feita outra) ou é cego ou é fanático. Pior: quem defender as práticas justiceiras fora da lei só porque elas atingem os seus desafetos, que se saiba que esses que hoje defendem essas práticas, amanhã poderão ser suas próximas vítimas. Foi assim no fascismo na Itália. Foi assim no nazismo na Alemanha. Foi assim na ditadura militar no Brasil.

Ao contrário dos fascistas, não defendemos o fechamento do STF, do TRF-4, da 13ª Vara Federal de Curitiba e de nenhuma outra instância do Judiciário. O que queremos é uma justiça equânime, isenta e imparcial o que, definitivamente, não foi visto na Lava Jato. Especialmente e agora, comprovadamente, contra Lula.

Depois do que foi revelado pelo The Intercept (isso por enquanto, porque ainda vem mais por aí), está provado que o Judiciário agiu politicamente, contra o Estado de Direito e contra a democracia. Um juiz parcial sentenciou sem provas. Um juiz parcial definiu o resultado da eleição e tornou-se ministro do governo eleito. Um juiz parcial agiu como assistente de acusação. Os crimes de Moro e de seus comparsas lavajateiros não poderão ficar impunes. Receio que o maior crime contra a democracia tenha sido perpetrado pelo Judiciário. E terminamos com a seguinte pergunta: o que restou do Judiciário fará a Justiça ou será cúmplice? Uma parte da “Justiça” que apresentava-se como límpida revelou-se podre. E agora só a verdadeira Justiça pode reparar o estrago feito nela própria. A democracia e o Estado de Direito aguardam ansiosamente uma resposta.

 

 

 

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