GLOBO: A PROCONSULT DO MORO

moro desmoronando

“Talvez vocês devessem amanhã editar uma nota esclarecendo as contradições do depoimento com o resto das provas ou com o depoimento anterior dele. Porque a defesa já faz o showzinho dela.” (Sérgio Moro, então juiz, ao procurador Santos Lima, orientado o procurador e agindo, criminosamente, como advogado de acusação no processo contra Lula).

“Moro deve renunciar”. “Moro desmoronando”. Essas afirmações não foram feitas por veículos petistas ou de qualquer grupo ou partido de esquerda. A primeira, foi do jornal “O Estado de São Paulo”, em seu editorial, e a segunda foi capa da revista “Veja” em sua última edição, após os vazamentos dos diálogos subterrâneos e criminosos entre o então juiz Sérgio Moro e procuradores da força-tarefa da Lava Jato, especialmente Deltan Dallagnol. Acrescente-se que tanto o “Estadão”, que agora pede a renúncia de Moro, como a revista “Veja”, foram mídias que tiveram importante papel na elevação de Sérgio Moro à condição de “herói nacional”. Mas os próprios veículos que produziram Moro já perceberam que não dá para bancar um escândalo em que um juiz age como advogado de acusação, instrui o Ministério Público e até pede, como no último vazamento do diálogo escandaloso, para que a imprensa edite uma nota esclarecendo as supostas contradições de Lula em um depoimento. O então juiz Moro estava preocupado com o “showzinho” da defesa. Simplesmente repugnante, sob todos os aspectos.

A verdade sobre o conluio da Lava Jato vai, aos poucos, sendo levada ao conhecimento público. E de um modo que o próprio Moro não pode reclamar, pois quando o próprio Moro vazou a conversa da então presidente Dilma e enviou o áudio aos seus comparsas da Globo, ele falou, com todas as letras, que “era do interesse público saber o que se passa com os poderosos.” Portanto, nada mais incoerente do que o atual ministro bolsonarista reclamar do modo como seus crimes estão sendo desvendados e divulgados. Afinal, como ele mesmo disse, “é pelo interesse público”.

Mas parece que, apesar de o “Estadão” e a “Veja” já terem desembarcado da farsa e da fria em que se meteram ao elegerem seu “herói”, o Globo continua sendo Globo. As Organizações Globo ainda fazem de tudo para blindar Moro, seja em seus telejornais, seja em sua mídia impressa. O tucano e anti-petista Merval Pereira, em seu artigo de ontem, tenta recuperar a imagem enlameada de Moro, ao chamá-lo de “juiz das garantias” e afirmar que ele ainda detém grande popularidade. Puro desespero do jornalista tucano global. Em outra matéria da mesma edição, o Globo tenta, em um contorcionismo meta-geométrico, “contextualizar” as falas criminosas de Moro. Parece que as Organizações Globo querem protagonizar um novo escândalo da Proconsult”, contrariando todas as verdades cabais, desta vez para mudar a verdade a favor de Moro. Isso, quando todas as evidências mostram que ele, em nenhum momento, agiu como juiz. Sua atuação foi marcada pela parcialidade, interesse político e cooperação criminosa com uma das partes interessadas, no caso o Ministério Público. E, ao que tudo indica, assim como a Globo teve que “colocar o angorá no saco” e entubar a eleição de Brizola nas urnas em 1982, parece que agora o “marreco de Maringá” será ensacado. Porque a casa caiu, a verdade apareceu. E, pouco a pouco, vamos tendo cada vez mais a certeza de que o herói fabricado não passava de um bandido. Nem que a “Proconsult do Moro” tente, mais uma vez, mudar a história.

 

 

 

 

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