O PREPOSTO DOS BANQUEIROS

paulo-guedes.jpg“Pego um avião e vou morar lá fora. Já tenho idade para me aposentar.” (Paulo Guedes, o ministro-preposto dos banqueiros, ameaçando deixar o Ministério caso a reforma da previdência não seja aprovada do modo como foi encomendada pelos banqueiros, em entrevista publicada em 24 de maio de 2019).

Paulo Guedes não é ministro. Paulo Guedes é um preposto dos banqueiros, que ocupa um dos nichos do tumultuado e desastroso governo Bolsonaro, com a finalidade de aprovar a reforma da previdência que os banqueiros querem. E o que os bancos privados querem? Querem acabar com o sistema de previdência pública e impor a capitalização para engordarem ainda mais os seus nababescos lucros.

E por que dizemos que Paulo Guedes não é um ministro? Porque ninguém, na condição de ministro, jamais diria que entregará o cargo caso um projeto apresentado não seja aprovado pelo Congresso (no caso, o projeto da reforma da previdência). Essa chantagem mostra que ele só está ali para um único propósito: aprovar a reforma que os banqueiros encomendaram. Guedes falou que já tem idade de se aposentar. Então, acrescentou, pegaria um avião e iria morar lá fora. Mas ele não se aposentaria com o teto do INSS. Guedes, como todos aqueles que defendem a reforma da previdência, não será afetado por ela.

Um ministro, quando representa o país e não um grupo de interesses privados, caso tenha um projeto rejeitado pelo Parlamento, deverá buscar saídas alternativas ou negociar as mudanças apontadas pelo Legislativo. É para isso que ele está lá. Na verdade, a chantagem de Paulo Guedes dirige-se a parlamentares de direita, da própria base do governo que, mesmo sendo do governo, reconhecem os absurdos e os ônus que a reforma representará para quem, realmente, necessita da previdência pública.

Colocar a previdência nas mãos dos banqueiros e vender o Brasil, sob todos os aspectos, é a missão de Guedes. Como podemos imaginar um trabalhador indo resolver com um banqueiro a sua própria aposentadoria? E não estamos falando de aposentadoria complementar.

Imagino até uma improvável possibilidade de negociação, porém, só para mostrarmos de quem, realmente, Paulo Guedes está a serviço: suponhamos que a oposição aceitasse a tal “capitalização”, sob a condição de que esta só pudesse ser feita em bancos públicos. Será que Guedes aceitaria essa condição?

Tenho certeza de que essa não precisa nem perguntar para o “Posto Ipiranga”.

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