MORO, A MEDIDA 29 E A “COERÊNCIA” (OU FALTA DELA)

moro stf“Aquele que, nos quatro anos anteriores tenha ocupado mandato eletivo federal ou cargo de procurador-geral da República, advogado-geral da União ou ministro de Estado não poderá ser indicado para o STF.” (Medida 29, das 70 apoiadas por Moro contra a corrupção no país).

O ex-juiz e político Sérgio Moro quer ser Ministro do STF. No troca-troca com Bolsonaro, a negociação já está fechada. Moro foi fundamental na vitória de Bolsonaro ao tirar, ilegalmente, o ex-Presidente Lula da disputa. Agora, o político Sérgio Moro espera receber a sua gratificação vitalícia, que é ser nomeado para a mais alta Corte do Judiciário brasileiro. Ontem, Dia das Mães, Bolsonaro garantiu o “presente de mãe” que dará como compensação ao lavajateiro-tucano-justiceiro-inconstitucional, ao confirmar que indicará o seu aliado político e atual ministro da Justiça, Sérgio Moro, para ministro do STF.

Ocorre que, se Moro for coerente, principalmente com o que ele defendia no passado, não poderá ser indicado ministro do STF. Considero difícil Moro ser coerente. Vejam o caso do “caixa 2” que ele, no passado, dizia ser pior do que corrupção e depois arrefeceu em sua tipificação, até fatiando o projeto inicial. Vejam o caso do “interesse público” quando, no passado, divulgou ilegalmente um áudio da ex-Presidente Dilma para a Rede Globo, alegando “interesse público”. Porém, como ministro, reuniu-se sigilosamente dom a Taurus. Agora, já era “segredo de Estado”, mandando às favas o “interesse público”. Vejam o que dizia de não negociar com políticos. Ele não apenas negociou, como submeteu-se a eles, fatiando o projeto anticrime para separar o “caixa 2”.

Agora Moro será submetido a um novo “teste de fidelidade”. E não tem nada a ver com sua mulher. Trata-se da fidelidade às suas bandeiras, às suas ideias “moralizadoras”, à sua coerência. Será que ele lembra das famosas “70 Medidas Anticorrupção” que ele próprio, Dallagnol e “lavajateiros” de um modo geral lançaram, e que até virou livro de cabeceira de “moralizadores” como o próprio Moro? Pois bem, dentre essas medidas, que Moro e seus parceiros tanto defenderam, inclusive Bolsonaro, quem ocupa o cargo de ministro de Estado não pode ser indicado para ministro do STF. Em outras palavras: se Moro for coerente (o que é difícil) com ele mesmo, ele terá que ser o primeiro a dizer que não pode ser indicado como ministro do STF, tendo em vista suas tão propagadas posições pretéritas. E agora José?

Referimo-nos especialmente à medida número 29, das 70 elencadas por Moro e outros “lavajateiros”, que é tão clara como a “regra para Arnaldo”:

“Aquele que, nos quatro anos anteriores tenha ocupado mandato eletivo federal ou cargo de procurador-geral da República, advogado-geral da União ou ministro de Estado não poderá ser indicado para o STF.”

Moro já falou que ir para o STF seria como “ganhar na loteria”. Mas, como fica a medida 29 por ele apoiada e propagada como um dos 70 pilares anticorrupção para o Brasil? Ele já mudou em relação ao “caixa 2”. Ele também já mudou em relação ao “interesse público”. Ele também já mudou em relação a submeter-se a pressões de políticos. Onde está a coerência desse herói-fake? Talvez o bilhete premiado e sujo explique.

 

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